terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Entrevistando Um Umbandista


Convidado:Douglas Santos

Douglas
Ponderador...
Obrigado pelo convite.

17/10/06
Carlos
Boa noite! confesso que tenho conhecimento quase zero da sua religião. A africa e um contiente multifacetado e muito amplo creio eu que a as religiões africanas assim como os idiomas devam ser distintas entre si, existem correntes variantes entre os ubandistas assim como entre os crsitões e budistas?se sim quais as principais linhas religiosas?

17/10/06
Douglas
Boa noite, meus amigos.Desculpem por demorar a responder... Acho que todos entendem a correria do dia-a-dia, o que nos deixa meio desesperados para colocar em ordem os assuntos sérios que levamos nessa e em outras comunidades do orkut.Vou tentar responder a pergunta da Guízela.Qual a ligação entre Umbanda e Candomblé?Embora alguns colegas mais sectários tentem negar essa ligação, não há como ignorá-la. Ela existe sim, e se encontra de forma mais explícita no culto aos Orixás. Esse culto chegou ao Brasil com os negros que foram trazidos da África e usaram de alguns artifícios para manter viva a sua religião e a sua cultura. Mas o que seriam os Orixás?Cada nação africana tinha sua cultura, seus costumes, sua religião e seus deuses, assim sendo, cada grupo que chegava ao Brasil trazia essa carga cultural consigo. Dessa forma o culto aos orixás chegou ao BrasilNo panteão africano existem, se não me falha a memória, aproximadamente 600 orixás. No Candomblé esse número já foi um pouco reduzido e, na Umbanda, cultua-se o que chamamos de "7 linhas".O uso de atabaques, alguns pontos cantados, entregas a orixás também são heranças do candomblé. Portanto existem esses elos de ligação com o candomblé, mas não podemos esquecer que a Umbanda tem também ligações com o catolicismo (vide o sincretismo), os cultos ameríndios e o espiritismo.

17/10/06
Douglas
Quanto à pergunta do Bernard.
Quanto à pergunta do Bernard, sobre a origem da Umbanda.Em primeiro lugar é bom lembrar que fenômenos mediúnicos, muito presentes na Umbanda, remontam às civilizações mais antigas, justamente por isso, alguns umbandistas defendem a idéia de que a Umbanda sempre existiu. Eu, particularmente não penso assim, já que a Umbanda não se trata apenas de mediunidade, mas também tem toda uma liturgia.Oficialmente a Umbanda surgiu em 1908, no Rio de Janeiro.Naquela época, as sessões espíritas estavam ganhando espaço, principalmente entre as classes média e alta no Brasil (o espiritismo conquistava a simpatia das pessoas mais intelectualizadas, já que é uma doutrina que requer uma leitura constante). Um rapaz chamado Zélio Fernandino de Moraes foi levado a uma dessas sessões, pois vinha apresentando um corportamento estranho, chegando inclusive a falar um dialeto estranho. Durante a sessão espírita, Zélio incorporou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, que disse aos presentes que estava ali para criar uma nova religião, onde os espíritos dos negros escravos, pobres e índios não discriminada. Denominou-se Caboclo das Sete Encruzilhadas, pois nenhum caminho estaria fechado para ele.Pediu aos presentes para comparecem à residência de Zélio no dia seguinte, onde haveria nova manifestação. E assim foi... no dia 15 de novembro de 1908, novamente o Caboclo das Sete Encruzilhadas se manifestou e reafirmou estar ali para criar uma religião onde espíritos de negros e índios se manifestariam para auxiliar e trabalhar na caridade, sem distinção entre pobres e ricos. Nascia, oficialmente, a Umbanda. Com o passar do tempo, novos elementos foram introduzidos na liturgia. Hoje a Umbanda é como uma grande colcha de retalhos; não existe, como no espiritismo, uma codifição, o que lhe confere uma pluralidade litúrgica imensa, o que me faz crer que é uma religião que agrega a todos e que evoluiu constantemente.

17/10/06
Douglas
Pergunta do Carlos
A pergunta do nosso amigo Carlos:A africa e um continente multifacetado e muito amplo creio eu que as religiões africanas assim como os idiomas devam ser distintas entre si, existem correntes variantes entre os ubandistas assim como entre os cristãos e budistas?Essa sua pergunta não é só inteligente como é muito atual, Carlos, pois de pouco tempo para cá está existindo, por parte dos órgãos de educação (sou professor) uma preocupação muito grande em resgatar a história da África, pois sempre nos foi passado o mito da África selvagem, habitada por homens sem qualquer senso de civilização... Esse pensamento preconceituoso serviu até mesmo de argumento para justificar a escravidão, como se ela fizesse bem aos negros (note a visão eurocêntrica, preconceituosa e mentirosa que tentaram nos empurrar goela abaixo por tantos séculos).Hoje fala-se muito em "africanidade", o resgate da história africana, inclusive com a proposta de se incluir esse tema nos PCN's (Parâmetros Curriculares Nacionais).A África já era, na verdade, um continente com nações organizadas, cada qual com sua linguagem, cultura, costumes e religião. Cada região cultuava seus próprios "deuses" e, quando vieram cativos para o Brasil, trouxeram a sua crença. Assim, cada grupo procurou preservar seus hábitos, mas na verdade, na convivência nas fazendas, esses grupos acabaram sofrendo uma espécie de homogeinização, embora algumas diferenças tenham sido preservadas. Por isso que hoje encontramos no Candomblé algumas formas diferentes de culto, como o culto de Nação ou de Ketu.Já no caso da Umbanda, não é somente a questão africana que criou essa pluralidade. Há também a questão regional (cada região acrescenta sua "pitada litúrgica), além da influência do catolicismo (principalmente no sincretismo), dos cultos ameríndios, do espiritismo, do catimbó etc.Dessa forma, existem sim, variantes umbandistas de região para região. Como eu disse anteriormente, é uma religião extremamente plural e não possui uma codificação.Abraço.

17/10/06
Guto
Douglas...
Vc não acha que muitas pessoas não levam a sério a sua religião em função do grande numero de charlatões que usam a espiritualidade pra beneficio próprio?Já estive em alguns centros de umbanda que pra mim eram duvidosos, em relação a receber entidades e etc... Outro fator que leva a esta descrença é o cunho de certos trabalhos espirituais feitos supostamente para o mal ou para o beneficio próprio em detrimento alheio, ou seja, querer algo de bom colocando alguém numa situação ruim pra que tudo aconteça, vc concorda? Eu e muitos sabem que o fundamento da umbanda é a caridade, pelo menos é o que se prega, mas vc concorda que fica difícil encarar como caridade a ajuda pessoal para fins fúteis? Digo isso porque é comem ver pessoas indo a centro em função de um amor perdido, ou em busca de um amor, muitos em busca de obter bens materiais e etc... Não sou espírita, mas quando disse que estive em um centro anos atrás foi para figurar que já estive em contato com o meio buscando um entendimento para não formar uma opinião errônea sobre o assunto. Tenho muitos amigos que são espíritas e tem muita fé nos seus guias, mas eu nunca consegui ver a real utilidade destas crenças, digo isso de uma maneira geral, pois pra mim o que vamos passar é pessoal e intransferível, nem com a maior das correntes de orações ou trabalhos espirituais alguém se livra de passar algo de ruim ou faz com que aconteça algo de bom. Um exemplo aconteceu hoje, a filha do Pelé morreu hoje vitima de câncer e ela era evangélica fervorosa, chegou a dizer num programa de televisão que o tumor havia sumido em função de uma corrente de orações e teve este desfecho, dai tem muita gente que diria "ela não teve fé o bastante" já outros dirão "foi à vontade de Deus!" e no final era a hora dela e não havia nada que mudasse isso. existem exemplos parecidos no espiritismo tb, mas o ponto que quero chegar é que se coisas como religião tivessem efeito no mundo físico, por exemplo, na Bahia campeonato de futebol terminava empatado! Desculpe o tom jocoso, abraços!

17/10/06
Douglas
Perguntas do Fellipe
O nosso amigo Fellipe colocou as seguintas perguntas?a Umbanda não tem contradições de terreiro pra terreiro?Não sei a palavra correta seria contradições, Fellipe. Eu prefiro o termo "variações, que existem sim. Como eu já disse anteriormente, a Umbanda não possui uma codificação, o que acaba lhe abrindo a possibilidade de variações em seu ritual. Essas variações podem acontecer de acordo com a formação do dirigente de cada casa ou, principalmente, de acordo com a região onde a Umbanda é praticada. Nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, existe uma influência maior do Catimbó, no Rio de Janeiro quase não existem giras de marinheiros e assim por diante. Por essa razão eu disse que acho o termo "variação" mais apropriado que "contradição".por que em uns vemos o Cacique e em outros temos apenas pai ou mãe de santo?O termo pai (ou mãe) de santo é mais apropriado ao Candomblé. Na Umbanda o mais correto seria zelador ou dirigente, como preferem alguns, embora a grande maioria ainda use o termo pai de santo - apenas uma questão de nomenclatura. Mas uma coisa eu não entendi direito, Fellipe... Cacique? Eu nunca vi alguém usando o título de cacique na Umbanda. Será que você não está se referindo a uma entidade (guia espiritual) que, incorporada em um médium, usava esse nome? Isso sim é bem possível, pois uma das linhas com a qual trabalhamos é a dos caboclos (que na verdade são índios), e aí algum deles pode denominar-se Cacique.

18/10/06
Douglas
Continuando com as perguntas do Fellipe
como a mesma entidade pode incorporar em varios médiuns ao mesmo tempo, se é só uma?Essa é uma pergunta muito frequente. O que acontece é o seguinte: imagine um médium incorporando o preto velho Pai João Benedito, por exemplo (é um guia com o qual eu trabalho). Naquele mesmo dia e mesma hora, vários outros centros de Umbanda podem ter médiuns incorporando uma entidade chamada Pai João Benedito.Como isso é possível? - as pessoas perguntam. É simples. Na Umbanda existem as falanges, ou seja grupos de espíritos que trabalham sob a mesma vibração e utilizam métodos semelhantes. Então, na verdade existe o "chefe" da falange, no caso do nosso exemplo, o Pai João Benedito, e todos os seus falangeiros, seus trabalhadores, utilizando o seu nome. Então, na verdade são vários espíritos com arquétipos semelhantes, vibrações semelhantes e que, por pertencerem ao mesmo grupo (ou falange), utilizam o mesmo nome. Gostei dessa pergunta, pois ela é uma das mais frequentes.por que o cemitério é uma fonte de energia muito grande?Imagine o número enorme de espíritos que se encontram em um cemitério... cada qual com suas energias e sentimentos... mágoa, amor, saudade... Isso responde uma parte da pergunta.Outra coisa que faz do cemitério um local de grande energia, é o fato de ser o ponto de força do orixá Omolu, que trabalha em casos de cura e que também "encaminha" os desencarnados ao seu destino. O cemitério não é o único local que possui grande energia... matas, cachoeiras, encruzilhadas, estradas também o são.E apenas a título de curiosidade, os negros usavam a palavra "calunga" como sinônimo de cemitério, e "calunga grande" como sinônimo de mar. Havia essa associação porque ao embarcar nos navios negreiros, adentrando o mar, era como se estivessem caminhando para a morte, para um cemitério.

18/10/06
Douglas
Continuando
por que os corpos são escolhidos em certos rituais com defunto?Essa pergunta, Fellipe, sinceramente não vou saber responder. Nunca vi ou ouvi falar de rituais com defuntos na Umbanda. Você saberia me dizer algo mais sobre isso?Quanto ao termo "Cacique", realmente nunca o ouvi para designar o dirigente do terreiro. Acredito ainda que seja para se referir a um guia (caboclo) incorporado em um médium. Mas pode ser também fruto do regionalismo que já citei, mas de qualquer forma, vou pesquisar para te responder com mais certeza. (pode estar certo que não sei tudo - e duvido daqueles que dizer saber - e quando acontecer de eu não saber responder algo, farei como faço com meus alunos, direi humildemente que não sei e procurarei pesquisar para dar uma resposta coesa).Um abraço.

Douglas
Guto
De forma alguma achei o tom da sua fala ofensivo. Muito pelo contrário, você foi extremamente coerente, tocando num ponto importantíssimo e que merece um grande destaque.O que você disse é verdade. Existem inúmeras pessoas que se dizem trabalhadores da Umbanda, que usam o nome da Umbanda para fins excusos. Não há como negar que isso acontece, assim como também não há como negar que acontece na grande maioria das religiões. Justamente por isso temos que tomar o máximo cuidado para não generalizar.Eu mesmo já presenciei charlatões usando o nome da Umbanda para ganhar dinheiro em cima do desespero alheio, cobrando por aquilo que receberam de graça e esquecendo o principal objetivo da Umbanda, que é a prestação da caridade.Também já vi, mais de uma vez, pessoas procurando centros de umbanda para tentar resolver seus problemas fúteis ("amarração para o amor" é o mais comum). Um de meus guias já atendeu um senhor que reclamou porque fazia tempo que não ganhava no bingo... essas coisas às vezes chegam a desanimar.Pior ainda... existem pessoas que procuram a Umbanda para fazer o mal: separar casais, provocar brigas, afastar vizinho barulhento, etc.Tanto as pessoas que procuram a Umbanda para esses fins, como os médiuns que se prestam a esse tipo de trabalho, não têm consciência do que é a Umbanda - uma religião sério e que tem um compromisso - espiritual e consigo mesmo, pois o bom umbandista está consciente da Lei do retorno.A verdadeira Umbanda não cobra por seus trabalhos. A verdadeira Umbanda não faz o mal, não se dispõe a trabalhos sujos, como os de amarração. A verdadeira Umbanda é séria. O verdadeiro umbandista assume compromissos e sabe disso, não se prestando a esses papéis.Existem sim, médiuns mal intencionados que usam o nome da Umbanda para esses fins, mas são deturpadores da nossa religião, cuja base é a caridade e o respeito.

18/10/06
Douglas
continuando com o Guto
Outra ponto importante tocado por você, Guto é a questão da suscetibilidade.Muita gente (inclusive umbandistas) acreditam que podem ser vítimas da famosa "macumba"... outros, acreditam que através de alguns trabalhos podem conseguir aquilo que querem. Estão completamente errados, pois ao assumir essa postura colocam-se acima do bem e do mal.Não podemos esquecer que existe um Deus bom e justo acima de tudo.Nada acontecerá a alguém se não for de seu merecimento. O camaradinha pode acender 100 velas pretas para exu na encruzilhada, pedindo para que o vizinho quebre a perna... se o vizinho estiver em boa sintonia, boa vibração, com a sua fé inabaláve e se não for de seu merecimento, isso não acontecerá (até mesmo porque os exus são entidades que trabalham dentro da Lei, mas esse com certeza será tema para outra discussão).Estamos na Terra para um aprendizado, e esse ocorrerá segundo os desígnios de Deus. Quando fazemos uma entrega (flores, frutas, velas - na umbanda não existe sacrifiícios de animais), estamos canalizando energias em benefício de algo ou alguém. O livre arbítrio e o merecimento são as peças fundamentais para que algo aconteça.Por isso repito, sua questão não foi grosseira... foi inteligente e pertinente. Existe sim muita gente fútil que procura a umbanda, assim como existe muita gente fútil dentro da Umbanda. O verdadeiro umbandista é aquela que trabalha pela caridade, contentando-se apenas em saber, silenciosamente, que conseguiu fazer o bem, ainda que pequeno a alguém. Aquele que acho que pode violar as Leis sagradas do merecimento, do karma e do livre arbítrio é um grande ingênuo e pior, um grande embusteiro.Abraços...Obs... é quase meia noite e meu filhinho tá aqui do lado me puxando pela camisa para dormir. Amanhã continuamos esse papo agradável. Abraços a todos.

18/10/06
Douglas
continuando com o Guto
Outra ponto importante tocado por você, Guto é a questão da suscetibilidade.Muita gente (inclusive umbandistas) acreditam que podem ser vítimas da famosa "macumba"... outros, acreditam que através de alguns trabalhos podem conseguir aquilo que querem. Estão completamente errados, pois ao assumir essa postura colocam-se acima do bem e do mal.Não podemos esquecer que existe um Deus bom e justo acima de tudo.Nada acontecerá a alguém se não for de seu merecimento. O camaradinha pode acender 100 velas pretas para exu na encruzilhada, pedindo para que o vizinho quebre a perna... se o vizinho estiver em boa sintonia, boa vibração, com a sua fé inabaláve e se não for de seu merecimento, isso não acontecerá (até mesmo porque os exus são entidades que trabalham dentro da Lei, mas esse com certeza será tema para outra discussão).Estamos na Terra para um aprendizado, e esse ocorrerá segundo os desígnios de Deus. Quando fazemos uma entrega (flores, frutas, velas - na umbanda não existe sacrifiícios de animais), estamos canalizando energias em benefício de algo ou alguém. O livre arbítrio e o merecimento são as peças fundamentais para que algo aconteça.Por isso repito, sua questão não foi grosseira... foi inteligente e pertinente. Existe sim muita gente fútil que procura a umbanda, assim como existe muita gente fútil dentro da Umbanda. O verdadeiro umbandista é aquela que trabalha pela caridade, contentando-se apenas em saber, silenciosamente, que conseguiu fazer o bem, ainda que pequeno a alguém. Aquele que acho que pode violar as Leis sagradas do merecimento, do karma e do livre arbítrio é um grande ingênuo e pior, um grande embusteiro.Abraços...Obs... é quase meia noite e meu filhinho tá aqui do lado me puxando pela camisa para dormir. Amanhã continuamos esse papo agradável. Abraços a todos.

18/10/06
Jefferson Cesar
Boa noite Douglas!
Desejo saber sua opinião sobre o livro "A Umbanda de todos nós" escrito por volta de 1950. Também peço alguma indicação bibliográfica mais recente, e ou sites sobre a Umbanda. Salve Zambi!

18/10/06
Lucia
Douglas
Me diga qual destas facções faz sacrificios com animas e sangue e o porque.e me fale sobre o que dizem sobre "fulano fez macumbapra mal de cicrano"! acontece, não..como é?depois quero te contar uma coisa que aconteceu comigo.

18/10/06
Lucia
uai cade minha pergunta?

18/10/06
Guto
Douglas
Muito obrigado pela resposta, vejo também coerência e lucidez na sua pessoa. Muito obrigado mesmo não só pela resposta, mas pela consideração ao meu questionamento. Tenho outras perguntas, mas as farei depois dando chance de outros perguntarem também, abraço!

OscarZito
Ola douglas
Sou uma pessoa....que procuro aprender sempre....e as religioes me fascinam.....no momento estou buscando conhecimento no espiritismo.....e muitos espiritas enfatizam a diferença entre espiritismo e ubamda....acho isso muito infeliz.....pois nao sao as palavras que diferem e sim os atos. Minha duvida....e a seguinte....pq os exus....tem uma fama tao degradada....pq nao e enfatizado os trabalhos bons e puros exercidos por eles....pq so espiritos guias levam a "fama" da bondade e do amor....sei em minha concepcao que exus....sao espiritos "auxiliares" mas na concepcao do povo ele tem ate a imagem de um demonio......poderia me explicar algo a mais sobre a historia dos exus....e demosntrar a beleza q eles geram.

18/10/06
Douglas
Fellipe
Sobre o seu comentário: será que não foi criado outras ideologias aqui no Brasil, e principalmente quando essas se misturaram com as indígenas?Acredito que sim... seu comentário é bem coerente. Veja bem: a Umbanda é quase sempre classificada como uma religião afro. Eu não concordo muito com isso (provavelmente os amigos mais "africanistas" me apedrejarão por isso, rs), mas eu procuro enxergar as coisas sob um prisma maior. Se a Umbanda misturou elementos afro com elementos indígenas, espíritas e até católicos, ela acrescetou sim outras ideologias. O "africanismo mais puro" (não encontrei um termo mais adequado) está presente no Candomblé - esse sim, preservou a pureza africana. Já a Umbanda, utilizou, entre outros, elementos africanos, percebe a diferença.Particularmente eu não vejo a Umbanda como uma religião afro, embora se utilize desses elementos. Vejo a Umbanda como uma religião brasileira.Quanto ao ritual descrito por você, envolvendo vísceras de cadáveres, nunca ouvi falar disso... tenho plena convição que não faz parte de um ritual de Umbanda, pode ser um caso isolado de alguém praticando um ritual diferente usando o nome da Umbanda para isso (é muito comum acontecer isso).Um abraço para todos.

18/10/06
Carlos
obrigado pela resposta! pelo que entendi a Umbanda e uma religião que mescla muitas outras em um conjunto unico de rituais e deidades e por essas mistura ter ocorrido no brasil ela pode ser dita uma religião estritamente brasileira.interessante!!!vc ja sofreu preconceito por ser umbandista? pelo que precebi em certas perguntas a muita associação a sua religião a rituais de magia negra (com pentagramas e bodes do tipo europeia) existe mesmo essa confusão?

18/10/06
Douglas
Jefferson
O livro "Umbanda de Todos Nós", de W.W. da Matta e Silva, foi lançado em 1956. Para alguns serviu como um paradigma doutrinário, outros, mais tradicionalistas, o encararam como um desvio da tradição umbandista. Na minha visão essa obra tem como maior mérito, a divulgação da Umbanda, até então vista como "macumba" (no sentido mais pejorativo da palavra).Quanto à literatura umbandista, sinceramente eu a considero ainda muito pobre.Não podemos negar a projeção de alguns autores, como o próprio Matta e Silva, Rivas Neto, Robson Pinheiro e - creio que mais cultuado atualmente - Rubens Saraceni. No entanto questiono um pouco a qualidade de algumas obras.No entanto, as obras desses autores refletem a própria pluralidade umbandista, não havendo um elemento de coesão como existe na doutrina de Alan Kardec, por exemplo. Acredito que essa coesão ainda venha a acontecer, mas não em breve, pois não vejo até o momento sinais de uma "unificação" do pensamento umbandista. (Vamos lembrar o que eu disse lá atrás: a Umbanda é uma religião marcada pela pluralidade, regionalimos e diversidade em sua liturgia).

18/10/06
Douglas
Resposta à pergunta da "Eu"
Eu concordo contigo.Também não considero a Umbanda uma religião afro. O Candomblé sim é uma religião afro, a Umbanda não. Assim como negros, índios, europeus se inseriram no processo de miscigenação, formando a identidade do povo brasileiro, o mesmo se deu com a Umbanda, que agregou também elementos afro, ameríndios e cristãos.Existe na Umbanda o culto aos Orixás, geralmente sincretizados com os santos católicos, por isso talvez algumas pessoas acreditem que não se cultua os orixás na Umbanda.Os orixás cultuados na Umbanda são os seguintes: Oxalá (sincretizado com Jesus Cristo), Ogum (Sincretizado com São Jorge), Oxóssi (sincretizado com São Sebastião), Oxum (sincretizada com N. Senhora da Conceição), Xangô (sincretizado com São Jerônimo), Yemanjá (N. Senhora dos Navegantes), Nanã (Santa Ana), Omolu (são Lázaro), Iansã (Santa Bárbara). Alguns centros de Umbanda cultuam outros orixás também (lembrando mais uma vez a pluralidade umbandista).Quanto a exu, no Candomblé trata-se de um orixá. Na umbanda é diferente... exu é um espírito desencarnado, que trabalha com o objetivo de evoluir. É uma espécie de soldado na Umbanda, pois os trabalhos mais pesados são delegados a ele. Ao contrário do que muitos pensam, exu não é o diabo. É um trabalhador incansável, que age sempre dentro da Lei. Exus e pombas-giras trabalham na linha que a maioria classifica como a esquerda na Umbanda.

18/10/06
Douglas
Lucia
Na Umbanda não existem sacrifícios de animais, essa prática é mais comum no Candomblé, do qual sei muito pouco (ou quase nada).Na verdadeira Umbanda não se pratica rituais com sacrifícios de animais. A Umbanda respeita a natureza, respeita a vida, portanto essa prática não cabe em sua liturgia. Não podemos negar que existem pessoas (e acho que não são poucas) que por ignorância ou conveniência, misturam tudo, desrespeitando nossos princípios básicos e utilizam das práticas em nome da Umbanda. Mas vale sempre lembrar: quem faz isso está deturpando a Umbanda.O mesmo cabe quanto à questão das "macumbas". Muita gente acredita que a Umbanda pode ser usada para fazer trabalhos com o objetivo de prejudicar seus desafetos. Quem faz isso não pode ser chamado de umbandista, pois está contrariando seus princípios mais básicos: a caridade e o bem. Mas como eu já disse logo acima, sempre, em qualquer religião, vão existir aqueles que deturpam os ensinamentos da religião e, se apropriando desonestamente do nome dela, praticam o mal. Volto a dizer: esses não podem ser considerados umbandistas. Pessoas que agem assim adquire para si um carma muito grande e só contribuem para difamar a imagem de uma religião que já é vista com tanto preconceito.Abraços.

18/10/06
Douglas
Oscar
Você tocou num ponto muito importante: o papel dos exus na Umbanda.Os exus são espíritos que desempenham um papel fundamental na Umbanda. Trabalham como guardiões e verdadeiros soldados. Sabemos que tudo é dual. Assim como existem os trabalhadores que agem na faixa vibratória que muitos chamam de "luz", existem também aqueles que trabalham na faixa vibratória chamada "trevas". Só que nesse caso, temos que deixar de lado a visão preconceituosa de lado de não encarar a palavra trevas como sinônimo de maldade. E é nessa faixa vibratória que trabalham os exus e as pombas-giras.A tradição cristã/católica associou essa categoria de espíritos à figura do diabo. Essa visão foi reforçada por alguns elementos, como as cores usadas pelos exus (preto e vermelho), pela gargalhada que alguns deles costumam soltar ao incorporar em seus médiuns (a gargalhada, na maioria das vezes funciona como uma "válvula de escape" da energia dessas entidadas - assim como o estalar de dedos do preto velho).A palavra EXU em Ioruba significa "ESFERA", aquilo que é infinito, que não tem começo nem fim. Exu, serve como intermediário entre os Orixás e nós, homens. É a força da criação, é o princípio de tudo, o nascimento, o equilíbrio negativo do Universo, o que não quer dizer coisa ruim. Exu é um tipo de entidade que trabalha na esquerda, são os espíritos, que melhor nos entendem, pois conhecem o problema humano. Apesar das imagens de Exus, fazerem referência ao "Diabo" medieval (herança do Sincretismo religioso), eles não devem ser associados a prática do "Mal", pois como são servidores dos Orixás, todos tem funções específicas e seguem as ordens de seus "patrões". Dentre várias, duas das principais funções dos Exus são: A abertura dos caminhos e a proteção de terreiros e médiuns contra espíritos perturbadores durante a gira ou obrigações.Desta forma estes espíritos não trabalham somente durante a "gira de Exus" dando consultas, onde resolvem problemas de emprego, pessoal, demanda e etc... de seus consulentes.

18/10/06
Douglas
Carlos
Já sofri algum preconceito sim, iclusive por membros da família, mas isso foi superado rapidamente.O preconceito existe e é inegável, mas ele é fruto da falta de conhecimento do que realmente é a Umbanda.Eu faço questão de me assumir como umbandista. Sou professor e, quando os alunos me perguntam qual a minha religião, respondo sem qualquer pudor que sou umbandista. Se fulano pode ser católico, espírita ou evangélico, por que não posso ser umbandista, não é verdade? Aliás a Constituição brasileira garante a liberdade de culto e o respeito aos símbolos religiosos, portanto, me faço respeitar.Mas infelizmente existem pessoas, como eu já disse antes, que usam o nome da Umbanda para fins excusos (quem nunca viu uma propaganda de "amarração para o amor" coloca em um poste, sob a fachada de umbandista?). E essas pessoas, que usam mal o nome da Umbanda que me preocupam mais do que aqueles que a discriminam sem conhecer.Lembro que outro dia, na sala dos professores, alguém comentou o fato do cantor Ronnie Von ser umbandista. Nisso, uma professora exclamou surpresa: Nossa, sempre achei que ele fosse um homem tão culto", como se os umbandistas fossem pessoas ignorantes e sem qualquer cultura. Isso mostra a carga de preconceito que existe em torno de nossa religião.Eu procuro ser bem humorado, então, quando acontecem casos como esse, costumo tirar de letra, mas se for preciso, me imponho e exijo o respeito à minha religião, que como todas as demais merecem esse respeito.

19/10/06
OscarZito
Ola douglas
Vou continuar com o tema exu, blza?Em meu centro espirita como em outros existem os indios os caboclos.....os medicos ou indios e etc.....e tb acredito q muitos desses espiritos nao possuem uma grande elevacao como so exus....tb participam dessa faixa vibratoria que nos facilita o contato humano e espiritual.....o que nao me conformo e com o marketing pessoal negativo q esses espiritos adquiriram.....acredito que sao espiritos em fase de regeneracao que com o ato da caridade dao um novo passo a uma nova vida de amor.Pq nao colocar nomes tipo zezinho.....joao....pai joao.....somente em vez de dar um nome que a grande maioria o ve como trevas....e tb pq....aqueles que os cuidam os orixas....ou ate mesmo guias superiores....a instruirem a deixar suas necessidades materias para o passado....nao q seja facil.....mas por exemplo em meu centro....as criancas comiam balas...e hj e meio que proibido o consumo de balas pelo medium encarnante...........Douglas quero q saiba que minha intencao nao eh alterar nenhuma cultura milenar....nem nada....apenas....gostaria q os exus.....tivessem uma melhor imagem.....para as proprias pessoas com seus pensamentos elevassem eles a algo melhor e nao pensamentos de medo....deseja a evolucao....a todos......e sei q muitos exus sao meus amigos.....so que nao os chamo assim....e sim de nomes como chamo meus amigos.......valeu douglas...pelo seu parecer.

19/10/06
Douglas
Oscar
Realmente esse tema (exus) é um dos mais controversos dentro da Umbanda.A sua imagem ligada ao mal, ao demônio, remonta à tradição cristã/católica.Vale lembrar que no Candomblé os exus são orixás, já na Umbanda são espíritos desencarnados que trabalham na caridade em busca da evolução.Quanto às imagens dos exus, já li algumas teorias diferentes. Uma delas diz que eles assumem aquela roupagem fluídica que realmente lembra seres demoníacos como forma de se impor, já que trabalham nas regiões mais densas da espiritualidade (particularmente não concordo com essa teoria). Outra teoria, diz que os exus em nada se assemelham a essas imagens que normalmente vemos por aí, com chifres, rabo, bastante parecida com o diabo. Essa imagem teria sido criado pelos homens, que esculpiram as primeiras imagens dos exus, impingindo-lhes a sua impressão particular. Sabemos que os espíritos podem assumir as mais diferentes roupagens fluídicas e com os exus não é diferente. Já ouvi relatos de pessoas que dizem já ter visto exu e que eles em nada se assemelham a essas imagens de gesso que vemos por aí. Cabe a cada acreditar naquilo que lhe parece mais lógico.Mas o que importa mesmo é o papel que os exus exercem no trabalho espiritual.Como o Universo é amplo e o mundo espiritual tanto quanto, não é só nos trabalhos de Umbanda que eles agem (podem usar outros nomes em outras ocasiões e doutrinas).Tanto nos centros de Umbanda como nos centros espíritas (que muitos insistem em chamar de kardecistas), eles fazem a limpeza astral do local, protegem a entrada contra ataques dos espíritos trevosos. Agem como verdadeiros guerreiros na tropa de choque que vai resgatar os espíritos que se encontram em regiões das trevas. Certa vez li uma definição que me agradou muito: o exu é como o carteiro e o Gari,Ele traz o que deve ser trazido e leva o que deve ser levado....(continua)

Douglas
Continuando
O que acontece na verdade, é que existem muitas pessoas (já disse isso aqui e tenho certeza que terei que dizer outras tantas vezes, pois é uma realidade) que usam de forma errada e desonesta o nome da Umbanda e dos exus, se propondo a trabalhos excusos. Existem muitos lugares em que esses médiuns irresponsáveis dão passagem a uma outra qualidade de espíritos, que chamamos de quiumbas, espíritos zombeteiros e trevosos, que se apropriam do título de exus e pombas-giras para realizar trabalhos sujos (amarração para o amor, separação de casais, intrigas, vinganças, etc.). E é justamente aí que se dá a confusão. Por essa razão, a grande maioria das pessoas acredita que exus são espíritos que se prestam a esse tipo de trabalho, quando na verdade essa visão é totalmente deturpada.Quanto ao uso de cigarros, charutos, bebidas (e no caso citado por você, doces para os "cosminhos") é bom salientar que o uso desses artefatos em momentos algum tem a finalidade de saciar vícios das entidades - elas não os tem. Os guias utilizam esses artefatos para manipular sua energia e os elementos que elas representam. Vou citar um exemplo: o marafo (pinga) representa dois elementos: água e fogo, elementos esses, que são manipulados no astral pelas entidades com o objetivo de benzer, curar e auxiliar os consulentes. Os guias sérios, das casas sérias, que trabalham com médiuns sérios, jamais vão usar esses elementos para se saciar. Se, ao visitar uma casa de Umbanda, vir uma entidade qualquer se embriagando, desconfie. Eles não precisam disso. Precisam apenas de um pouco desses elementos para realizar seu trabalho no astral.meus guias raramente bebem e mais raramennte ainda fumam. Acredito que façam isso até mesmo porque eu sou meio avesso a vícios, não gosto de bebida e menos ainda de cigarro (sou ex-fumante já há mais de seis anos). Por isso acho que meus guias respeitam meus critérios (sim, existe uma sintonia, ainda que implícita entre os médiuns e seus guias).Continua

19/10/06
Douglas
finalizando essa questão
Eu acredito que, como a Umbanda é uma religião ainda jovem, se contarmos a data de 15/11/1908 como a de sua fundação, ela ainda passará por mudanças, e creio que uma dessas mudanças consiste justamente no estabelecimento de regras quanto ao uso desses elementos. Sei de centros que não os utilizam mais. Existem centros que não utilizam nem mesmo os atabaques. Mais uma vez caímos naquela questão da pluralidade umbandista, que parece só aumentar. Se isso é bom ou ruim, ainda não sei dizer.... mas a verdade é que abre um leque imenso de liturgias.Espero ter sido claro, meu amigo... caso não tenha sido, estou à sua disposição.Um grande abraço.

19/10/06
Carlos
Poxa preconceito religioso e o pior que existe mesmo....existe algum conjunto liturgico como a missa dos catolicos entre os ubandistas, datas comemorativas e conjunto de regras de conduta?

19/10/06
Jefferson Cesar
Douglas
obrigado pelos esclarecimentos!

19/10/06
Eduardo Santo
Olá Douglas, gostaria de todas as pessoas são aptas a incorporação de entidades, ou se somente os denominados médiuns são capazes disso.desde já agradeco!Eduardo

19/10/06
Douglas
Suas perguntas são pertinentes. Por mim você pode continuar perguntando o quanto quiser.Sobre Demiurgo e a era cristalina, na verdade, acho que não tem muito a ver diretamente com a Umbanda. Essa é uma concepção matafísica que nos remete a Platão, segundo o qual, o mundo resulta da síntese de dois princípios opostos, as idéias e a matéria. O conceito platônico do Demiurgo adquiriu um caráter ruim por conta da associação matéria (Humano) x idéia (Divino). Assim, a única parte Divina em nós é a alma, que constantemente batalha com o corpo e com as paixões materiais, e por isso o planeta Terra seria o verdadeiro Inferno (Hades), e o Demiurgo, o verdadeiro Lúcifer, que teria arrastado consigo as almas impuras. O mundo, livre dessas almas, seria menos denso, e assim teria início a era cristalina. Mas note que existe aí uma mistura entre a filosofia platônica e o simbolismo bíblico, não tendo uma associação com a temática umbandista... é filosofia pura.Com relação aos tronos sagrados, são a manifestação de Deus que chega a nós através das essências originais da natureza: cristalina, mineral, vegetal, ígnea, aérea, telúrica e aquática. Cada uma dessas essências é manifestada por um orixá, através de seu trono positivo e negativo.Assim, os sete tronos são:1. Oxalá/Oiá - fé (essência cristalina)2. Oxum/Oxumaré - amor (essência mineral)3. Oxóssi/Obá - conhecimento (essência vegetal)4. Xangô/Egunitá - justiça (essência ígnea)5. Ogum/Iansã - lei (essência aérea)6. Abaluaê/Nanã - evolução (essência aquática)7. Yemanjá/Omolu - geração (essência telúrica)Os orixás cujos nomes aparecem na frente são os pólos positivos dos tronos, e os que aparecem depois são os pólos negativos, formando assim um equilíbrio.Espero ter ajudado.

19/10/06
Douglas
Carlos
Nós, umbandistas, realizamos periodicamente (no caso do meu centro é semanalmente) o nosso culto, que chamamos de giras. Ali damos passagem (incorporamos) nossos orixás e os guias (que são os espíritos de pretos-velhos, caboclos, crianças, baianos, boiadeiros, marinheiros, exus, ciganos etc) que dão consultas à assistência. Existe também na Umbanda o batizado e o casamento, com seus rituais próprios.

19/10/06
Douglas
Eduardo
Oi Eduardo.Na verdade todos nós temos mediunidade, que é a capacidade de interagir co o mundo espiritual. Porém, a mediunidade é mais acentuada em alguns e se manifesta de maneiras diferentes em cada pessoa. Em alguns existe aquela mediunidade que se manifesta através da intuição - essa é bastante comum, e na maioria das vezes a pessoa nem percebe que a tem, pois pode soar como uma "brilhante idéia" que teve num momento de dificuldade, por exemplo.Existe também a mediunidade que se manifesta através da vidência, da psicografia (essa é mais comum no espiritismo). Na Umbanda vemos muito a "incorporação" dos espíritos no médium. A mediunidade pode ser consciente, semi-consciente ou incosciente (esse é o tipo mais raro).

20/10/06
João Carlos
Douglas:
Como Umbandista (e de Umbanda Traçada) que sou, não reconheço "Egunitá" como Orixá.É sempre oportuno esclarecer - principalmente para aqueles que não fazem a menor idéia do que seja Umbanda - que esta religião ainda tem menos do que um século e ainda está em processo de - digamos - formação. Existem diversas origens que estão convergindo para a Umbanda: Candomblés de diversas "Nações" (meu caso: traçado com Keto); Omoloko; Tambor de Mina; Almas e Angola; Catimbó; Juremeiros; e, recentemente, muitas correntes esotéricas (principalmente as de Matta da Silva e a de Saraceni).De um Terreiro para outro podem haver grandes diferenças, conforme as origens. O Caboclo das Sete Encruzilhadas veio trazer a mensagem do nascimento da Umbanda, mas jamais se pretendeu o "dono" da Umbanda (e no Terreiro dele se pratica sacrifício ritual, sim - esta é uma prática que tende a desaparecer, por ser repugnante a maioria dos Umbandistas, mas existe e não pode ser descartada, como se não fosse usual).Afora isso - como muita gente já observou - existe muita safadeza e magia negra da pior espécie que se disfarça, usando o nome da Umbanda.



20/10/06
Douglas
João Carlos
Que boa surpresa encontrá-lo aqui.Já acompanhei diversas postagens suas em outras comunidades, especialmente na Umbanda - Reino de Oxalá e sempre achei muito coerente tudo que você escreve.Vou lhe confessar uma coisa... quando coloquei ali o nome Egunitá já imaginei a controvérsia que isso poderia causar, não sem razão. Realmente muitos terreiros não reconhecem Egunitá como orixá, outros dizem ser uma "irradiação" (não encontrei palavra melhor, por isso coloquei entre aspas) de Iansã. Inclusive, um dia desses eu vi o nosso amigo André, da mesma comunidade, dizendo que o termo Egunitá seria a junção de EGUM + ANITA, o nome da mãe de um pai de santo.De novo caímos naquela questão da pluralidade da Umbanda, o que torna difícil afirmar se isso ou aquilo procede realmente. Sempre há a questão pessoal.Mas pelo que já li postado por você, tenho muita confiança nas coisas que escreve, pois é uma pessoa de grande experiência e coerência.Que o nosso pai Oxalá nos abençoe. Agora vou tentar dormir... passei um dia difícil, com o canal de um dente inflamado a ponto de ficar com rosto todo inchado... mas são coisas da vida, amanhã já está melhor.Obrigado por sua participação, meu amigo.

20/10/06
OscarZito
Ola douglas
Obrigado por me esclarecer sobre os exus....e que eles continuem com seu belo trabalho mesmo nao sendo valorizados pela grande massa mas aos olhos de deus e o que importa neh.Gostaria esclarecer um questao de cunho pessoal.....falam q meu guia ou minha linha e de ieres....nem sei se escrevi correto....gostaria se possivel de um esclarecimento.....sobre....os ieres.....Obrigado por me responder.....tenho um carinho por essa religiao pois um pessoa que amava a praticava que era meu avô.....

20/10/06
João Carlos
OscarZito:
Vou me adiantar ao nosso Douglas e dar algumas "dicas" sobre os Exús de Umbanda (não confundir com o Orixá Exú do Candomblé). Depois o Douglas complementa.Segundo nossas crenças, há espíritos de todo o tipo que habitam nas diversas esferas do Astral, tanto no Superior, quanto no inferior. Como o Criador criou tanto a Luz como as Trevas, a Lei Divina deve imperar em todos os níveis. Dessa forma, há seres de grande evolução espiritual que devem habitar as camadas do Astral Inferior, para vigiar o cumprimento da Lei Maior. São esse tipo de entidade que se apresentam na Umbanda como os Exús.Tal como todas as entidades da Umbanda, apresentam-se com o nome da Falange à qual pertencem (por exemplo, "meu" Exú - e o "meu" é assim entre aspas mesmo: quer dizer o Guardião da chamada "Linha da Esquerda" que me protege e trabalha através de mim; eu não sou "dono" de entidade alguma - é um Exú da Meia-Noite). Os nomes das falanges são habitualmente ligados a coisas "trevosas", ou a animais ferozes.São as entidades mais ligadas a este plano material e os "carregadores de piano" astrais. Trabalham sob as ordens de algum Orixá e colaboram com os "Guias da Direita", os Caboclos e Pretos Velhos, agindo nas regiões do Astral Inferior. São eles que tomam as providências para desfazer feitiços, subjugam os espíritos mal-intencionados (os chamados "kiúmbas") e atuam sobre coisas mais ligadas ao plano material.São excelentes conselheiros, se você prestar atenção aos seus silêncios, mais do que as suas palavras. "Bons Demônios" seria um rótulo apropriado a eles.

20/10/06
João Carlos
Continuando...
A "sincretização" do Orixá Exú com o Diabo, levou a uma associação dos "Exús Catiços" com seres demoníacos e eles gostam de aparecer assim. Se vestem de maneira vistosa, normalmente usando as cores preta, vermelha e roxa, bebem e fumam, usam uma linguagem licenciosa e um comportamento sensual.Não são aceitos por muitas "linhas" da Umbanda mais "puristas", porque são ligados ao lado "trevoso" presente em todos nós.Existe uma pergunta que causa muita discussão - até entre os Umbandistas: um Exú pode fazer o mal? Na minha opinião, pode. Mas os chamados "Exús de Lei" (os que trabalham na Umbanda) não o fazem, porque isso é contrário à Lei Maior. Mas as Falanges são compostas por espíritos em diferentes graus de evolução. Os Chefes são espíritos esclarecidos que obedecem fielmente à Lei. Já os "soldados" dessas falanges são espíritos recrutados ("a pau-e-corda") e - se apresentando com o nome da Falange - se prestam a trabalhos de magia negra, mediante paga. Por isso, não é raro ver um "Exú de Lei" ter que desfazer um feitiço feito com o auxílio de um de seus subordinados.Muitos médiuns - com os defeitos próprios da natureza humana - se valem de "seus" Exús para adquirir poder. Com isso afastam de si os Chefes de Falange e atraem a "soldadesca"; e responderão por seus atos - já que os Chefes de Falange são punidos pelas faltas cometidas por seus subordinados e se voltarão contra o médium que emprega erradamente seus "Guardiões da Esquerda".Algumas pessoas têm pavor dessas entidades; outras, têm uma exagerada adoração por elas, porque são excelentes na solução de problemas materiais. Ambas as atitudes me pareem erradas. Os Exús (e sua versão feminina, as Pombas-Gira - corruptela dos termos bantus "Bombogiro" = Exú e "Pambu-Njila" = Exú feminino) são a "tropa de choque" da Umbanda, fiéis Guardiões dos Terreiros e dos médiuns, mas nunca fazem coisa alguma "de graça". O "pagamento" pode ser uma mera oração em sua intenção, ou um simples agradecimento. Vou parar por aqui...

20/10/06
OscarZito
Ola Joao
Agradeço sua reposta.......e entendi perfeitamente o que escreveste e que douglas escreveu......mas nao consigo ver exus como trevoso e extremamente ruins.....vejo como pessoas que ajudam e se ajudam a subirem um novo degrau nessa nossa vida eterna.....sei q o mundo nao e um conto de fadas ...e que exista pessoas ruins e extremamente odiosa mas o que nao gosto e da generalizacao que ocorre que "todos" exus seriam ruins.....veja os indios....muitos fazem o papel de exu...e nao e por isso que ele tem uma má "fama" muitos tem otima fama......Abracaum.Douglas ou Joao...agradeço se me explicassem sobre os ieres.

20/10/06
Hilário Bispo
Socorro
Em socorro do meu amigo Douglas (que eu ainda não tive o prazer de conhecer), respondendo a pergunta do Felipe sobre defuntos na Umbanda.Trata-se de algo muito raro de acontecer e que foi mais comum num passado relativamente distante, qundo uma pessoa que desencarnou há pouco tempo tem o "agô" das entidades que dirigem a casa no plano sutil para darem suas mensagens através de um médim.As entidades incorporasas costumam dizer por exemplo "vai ter defunto aqui hoje", porque o médium que vai fazer a mediação assume a posição física de um defunto mesmo.Recebe a menagem do morto, VIVAMENTE, não é um psicografia, e trasmite aos presentes.É isto que se chama normalmente na umbanda de presença ou trabalho com defunto.

20/10/06
Hilário Bispo
Antes de mis nada goistaria de cumprimentar o Douglas pela sua erudição e principaçlmente por enfrebntar o inóspito campo das perguntas. Porque nos tereiros as pergunats surgemn e são muitas sejam para as esnytidade sejam para os médiuns, mas normalment que vai ao terreiro stá interssado na evoluçõa, não há especulação.Desejo sorte a vocÊ nesta jornada.

20/10/06
Hilário Bispo
Colaboração
Sei da dificuldade de responder a pessoas que têm pouca noção sobre a Umbanda.Pessoas que não sabem por exemplo a importnacioa do sacrificio e animais (em Africa), para saciar a fome dos que trabalham, em comunidades que precisavam deste alimento para se fortalecerem.A maior parte das pessoas pensam na qustão do trato ao animal ignorando que o próprio cinsumo de carne vermelha ceifa a vida de muitos animais.MInha pergunta (para não me estender muito), é a seguinte: Hoje existem setores da Umbanda tentando mostra q importancoia diversidade de cultos, e como seria inoportuno defender a codificação da Umbanda. Qual sua posição?Você acha que a diversidade de cultos ajuda a abraçar todos os tipos de pessoas ? ou vc acha que a codificação é melhor por abraçar apenas um perfil Karmico-cultural?UM grande abraço e principalmete: ASHÉ

20/10/06
João Carlos
Hilário:
(Eu sei que a pergunta foi dirigida ao Douglas). Minha posição é contra uma codificação da Umbanda. Motivo: ainda estão havendo muitas "adesões" de diversos ramos religiosos. Ainda é muito cedo para traçar linhas demarcatórias: "isto é Umbanda; aquilo, não é". A "Bandeira de Oxalá" - por definição - não exclui ninguém, nem contém espaço para "dogmas", muito menos "heresias". Aliás, eu acho que a grande força da Umbanda está exatamente nessa pluralidade.

20/10/06
Douglas
Concordo plenamente com o João.Acredito que toda tentativa de codificar a Umbanda nesse momento desencadearia numa ação que iria ceifar a diversidade cultos. A Umbanda é uma religião nova (se contarmos 1908 como a data de sua fundação - nesse caso não se leva em conta as manifestações mediúnicas e ritos afro-brasileiros existentes antes disso), e que, portanto, ainda agrega elementos em sua liturgia.É muito comum vermos pessoas empenhadas em criar uma unidade umbandista. No atual momento, seria tão confuso quando querer unificar as torcidas de futebol. A diversidade é muito grande, novos elementos constantemente são agregados.Será, que ao promover uma codificação - e consequentemente uma unificação - da Umbanda, não estaríamos podando aquilo que ela tem de mais rico, que é a diversidade, que abrange a quase tudo e a quase todos?Eis uma questão para se pensar.Ah, antes que eu me esqueça, Hilário, obrigado pelas informações postadas. Realmente eu desconhecia completamente esse tipo de ritual.

Douglas
Oscar
Os erês são entidades de Candomblé. Na Umbanda trabalhamos com as crianças (que comumente são chamadas de "cosminhos" devido ao sincretismo do São Cosme e São Damião), no entanto, tornou-se comum essa "confusão" entre o erê do Candomblé e a criança da Umbanda.Os Erês são espíritos infantis que estão diretamente ligados aos orixás como seus mensageiros diretos. Da mesma forma que de uma certa maneira Os Ibejis (denominação que recebem na Umbanda) da Umbanda o fazem.Sempre que esses espíritos vem em Terra, trazem a alegria e, na sua suposta ingenuidade, nos dão sábios conselhos. Junto com os pretos-velhos e os caboclos formam a tripé da Umbanda

20/10/06
Douglas
Fellipe
Todos temos os Orixás que regem nossa vida. Temos aquele principal, que muitos chamam de orixá de cabeça, ou de ori, o de frente e o de adjunto ou juntó. Por isso costumam aparecer três orixás quando jogam os búzios para você. Mas acredito que o pai ou mãe de santo que jogou para você seja do candomblé, pois na Umbanda Exu não é orixá.Abraços.

20/10/06
Douglas
Fellipe
Entendo perfeitamente a sua colocação. Aliás, ela é perfeita, porém a única coisa que posso acrescentar é que todas essas lendas que você narrou (a mitologia africana é riquíssima e infelizmente é tão pouco valorizada), assim como o fato de Exu ser um orixá, cabe ao Candomblé. No candomblé Exu é orixá e possui esses atributos que você colocou.Nem todos os orixás do candomblé são cultuados na Umbanda, e Exu é um deles. No entanto, na Umbanda existe o exu como entidade, como um espírito desencarnado que trabalha em busca de evolução. Note que o Exu do Candomblé é diferente do exu da Umbanda. Existe aí uma questão de nomenclatura. São dois tipos de entidades que recebem a mesma denominação, embora sejam diferentes.Na Umbanda, os falangeiros (Guias representantes) de Exu trazem na frente de seus nomes o próprio nome do Orixá: Exu ou Pomba-gira (que é uma corruptela da palavra congolesa bombogira, que é a representação de Exu em forma feminina). No sincretismo Judaico-Cristão Exu foi associado a imagem de Santo Antônio, mas pejorativamente, por suas características e cores, foi associado também ao Diabo. Essa é uma associação que é, além de injusta, é ignorante, pois Exu é o próprio sentido da vida, da criação, do amor, e da proteção, pois de todas as entidades da Umbanda, é a mais próxima dos homens, sendo inclusive chamado carinhosamente de "compadres".Os exus são de extrema importância no trabalho da Umbanda, aliás, na espiritualidade. Sem exu a Lei do carma não funcionaria, resgates não aconteceriam, os templos (usei a palavra templo pois agora não me refiro somente aos templos de Umbanda) sofreriam os ataques espirituais dos espíritos menos elevados e esclarecidos. Exu é um trabalhador de tanta importância quanto os outros guias da Umbanda. A diferença - como já disse - é que no Candomblé o nome Exu é usado para designar um orixá, e na Umbanda para designar um espírito que trabalha dentro da Lei.

20/10/06
Hilário Bispo
Ratificando
Quero deixar firmao aqui que eu não sou a favor da codificação da UMbanda, caso tenha ficado alguma dúvida.Todas as Escolas umbandistas são imensamente importantes e as Entidades de Umbanda sbem o que fazem, não sendo necessário que uma pessoa codifique o que se deve ou não fazer num terreiro.Ratificando também a questão do defunto, isto acontece (qundo acontece), dentro do próprio Rito, da própria Gira sem afetar sua dinamica.Ao Felipe, com a licença do Douglas.É importante salientr que só conhece Umbanda quem frequnta terreiro, há muitos livros ótimos, há imr,ãos prestimosos que nos auxiliam... mas Umbanda é antes de mais nada viver profundamente com verdade e intensidade.Um bom terreiro vai ajudá-lo a conhecer melhor a Umbanda.Um abraço a todos.

20/10/06
Douglas
Perfeito o que você disse, Hilário.Já vi por aí dezenas (ou centenas) de propagandas sobre cursos e faculdades de teologia umbandista. Respeito muito quem faz o curso ou simpatiza com a idéia, mas na minha quase insignificante opinião, a grande universidade umbandista é o terreiro. É lá, na vivência com os guias, com os seus ensinamentos e suas práticas, que aprendemos e entendemos o funcionamento dessa religião tão vasta, plural e bonita.

21/10/06
João Carlos
Mais uma vez eu vou divergir do Douglas:
Na "minha" Casa (eu não sou Pai-de-Santo, chamo de "minha" a Casa que eu freqüento), Exú é considerado Orixá, sim. E existem "filhos de Exú" na Umbanda. Só que - como não existe culto ao Orixá Exú na Umbanda - outro Orixá de Umbanda "responde" por ele (normalmente Ogum). Ou seja, o Eledá (ou Pai de Cabeça, Santo de Frente, etc) é Exú, mas o falangeiro que responde é de Ogum.Aliás existem vários Orixás de Candomblé que têm filhos na Umbanda, tais como Oxalá (em muitos Terreiros, não se incorpora falangeiro de Oxalá - aí, podem "responder" Xangô, Ogum ou Oxóssi), Obá, Logum-Edê, Ossain (estes dois últimos quem "responde" é Oxóssi) e outros menos conhecidos.



21/10/06
João Carlos
Acrescentando:
Douglas disse: No entanto, na Umbanda existe o exu como entidade, como um espírito desencarnado que trabalha em busca de evolução. Note que o Exu do Candomblé é diferente do exu da Umbanda.No Candomblé, esses são chamados de "Catiços".

21/10/06
Hilário Bispo
Douglas, não me parece muito interessante negar a FACULDADE DE TEOLOGIA UMBANDISTA. Escrevi em letra garrafais para diferenciar de outros cursos que também se dizem de Teologia, porque a FTU é reconhecida pelo MEC e ministra muitas doutrinas importanetes ao Teologo Umbandista, e também tem giras onde os alunos podem participar.Muitos professores são Sacerdotes Umbandistas, ou seja, não são aventureiros.NO texto acima eu me referi a pessoas que passam a vida a julgar a Umbanda e a perguntar semn nunca pisar nun terreiro. Só a vivencia pode ensinar o que estas pessoa querem aprender, quando elas de fato querem aprender algo.Um abraço a todos.

21/10/06
Douglas
Hilário.No entanto, a Faculdade de Teologia Umbandista segue uma (das tantas) "linhas de pensamento" da Umbanda, mais ligado à do Sr. Rubens Saraceni, que não é uma unanimidade entre os umbandistas. Não tenho dúvidas quanto ao preparo das pessoas que ministram aulas na FTU e acho muito interessante e importante o curso ser reconhecido pelo MEC, o que lhe dá maior credibilidade. No entanto, na minha opinião (opinião essa que eu sei que é partilhada por grande parte dos umbandistas), o verdadeiro aprendizado se dá nos terreiros, pois é lá que aprendemos com as entidades. Não sou sectário a ponto de negar tudo aquilo que não me agrada ou convém, por isso respeito muito a FTU, embora eu tenha outro pensamento, porém acho que todo o conhecimento que nos é necessário enquanto umbandistas pode ser absorvido na vivência dos terreiros, entretanto, estudar nunca é demais, não tenho nada contra quem se propõe a fazer tal curso.Um abraço para você.

21/10/06
Douglas
João Carlos
Quanto ao seu comentário:Na "minha" Casa (eu não sou Pai-de-Santo, chamo de "minha" a Casa que eu freqüento), Exú é considerado Orixá, sim. E existem "filhos de Exú" na Umbanda. Só que - como não existe culto ao Orixá Exú na Umbanda - outro Orixá de Umbanda "responde" por ele (normalmente Ogum). Ou seja, o Eledá (ou Pai de Cabeça, Santo de Frente, etc) é Exú, mas o falangeiro que responde é de Ogum.Concordo em gênero, número e grau, e nem ousaria discordar de você, pois sei da sua grande experiência e conhecimento. Porém, acho que nesse caso vale dizer (se for o caso, e me parece que é) que a sua casa trabalha com a chamada "Umbanda traçada", não é?... onde se mescla elementos da Umbanda ao do Candomblé. Na minha casa (também costumo chamar assim, afinal é um lugar que me acolhe tanto, que passo sentir um pouco como "meu" mesmo) trabalhamos apenas com os exus catiços, não os cultuamos como orixás.Mas viva as divergências... divergir não é desrespeitar. E são as divergências que costumam enriquecer os debates.Em tempo: muito bom você ter lembrado da associação entre Ossaim e Oxóssi... Sempre me pareceu incompleto falar de todo o poder das ervas e do seu uso da Umbanda sem lembrar de Ossaim, embora não seja um dos Orixás "oficiais" da Umbanda.Axé.

21/10/06
Hilário Bispo
Meu caro Dougla, a FTU nada tem a ver com o Sr, Rubens Saraceni, irmão que respeitamos muito.Ela foi fundada pelo Pai Rivas (Mestre Arhapiagha), e tem como mantenedora a Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino.]Lá todas as escolas umbandistas são respeitadas e homenageadas.Não há dúvida que o conhecimento viviodo de terreiro é fundamental, mas não devemos esquecer que a FTU não pretende formasr sacerdotes mas sim e apenas Teólogos.Um grande abraço.

21/10/06
Melissa S.
OI gente deixa eu dar o meu pitaco.Mas eu sempre soube que a Faculdade de Teologia umbandista está diretamente ligada ao Saraceni sim. Tanto que o Saraceni interpela judicialmente as pessoas que que de uma forma ou outra fazem o uso do nomenclatura TEOLOGIA UMBANDISTA, e isso é fato sabido por todos. Então a tal ftu tá liga ao Saraceni sim.Beijos carinhosos.

22/10/06
Lurdinha
A FTU foi mesmo fundada pelo Rivas Neto mas segue a corrente filosofica do Rubens Sarasceni. O que a Melissa disse aí em cima procede sim, até mesmo a denominação telogia de umbandanda é uma espécie de patente do Rubens Sarasceni.Conhecço pessoas ligada ao curso da FTU e posso garantir que tem uma ligação muito forte com o Sarasceni e suas obras.acho que não é só uma questão de opinião nesse caso

22/10/06
Hilário Bispo
Gostaria de antes de mais nada deixar firmado aqui nosso respeito a no sso irmão Rubens Saraceni. assi mcom o a todos os umbaandistas, porque não a todos os seguidores de todos os Sistemas Filosófico- Religiosos.No entanto quero muioto gentilmente discordadara das duas concidadãs do Planeta que me antecedem logo acima.O Saracecei discute a autoria do nome TEOLOGIA UMBANDISTA e não a fundação ou doutrina da FTU. Fica clapro portanto, que se um fosse seguidor ou assemelhado ao outro não haveria a discussão levantada pela nossa irmã.A doutrina da FTU não é baseada nas obras do Rubens Saraceni, as pessoas confundem porque o mesmo também ministra curso que chama de Teologia Umbandista, mas as semelhanças estão apenas no nome.Os curso de Teólogo da FTU não dura apenas alguns meses e não é curso livre. Na FTU o curso de Teologia tem duração de 4 anos, só estando autorizado a ingressar na Faculdade quem fot aprovado no vestibular, as aulas são ministardas todas as noites por professores que precisam ter preparo especíco, como em toda faculdade.Os parametros acima expostos estão de acordo com as exegencias do MEC, por tudo isto o curso na FTU é um curso superior que está formando Bachareu em Teologia Umbandista.è completamente diferente de cursos que duram 3 ou 4 meses, sobretudo porque nesta caso os cursos são livres, nós respeitamos muito quem faz ou ministra este s cursos. mas queremos deixar clara a diferença, diferença que é sempre bem vinda, pois diferença é diversidade.Pai Rivas é discipulo de ww. da Mata e Silva e nãoi é tributário de nenhuma outra doutrina se não a doutrina de Caboclo e das entidades que baixam no terreiro.Um abraço a todos.

22/10/06
João Carlos
Seja como for (e não me interssa...)
O fato é que existe uma briga feia pela "marca registrada" "Teologia Umbandista". Algum panaca no INPI concedeu essa "Marca Registrada" apesar de tanto "Teologia", quanto "Umbanda" serem termos de "domínio público".Na veradade, nada disso é relevante.

22/10/06
Douglas
Mais uma vez concordo com o João Carlos. Acho isso pouco relevante.Mas também quero deixar bem claro ao nosso amigo Hilário que em momento algum tive a intenção de desmerecer quem frequenta ou ministra o curso na FTU. Apenas, por convicções bastante particulares, ainda creio que o melhor local de se aprender sobre a Umbanda, sua liturgia, sua filosofia, sua teologia e sua prática, é o terreiro, pois é lá que as entidades se manifestam e lá que é praticada a caridade, objeto principal de nossa religião.Quanto a Rivas Netto e Rubens Saraceni, eu sinceramente os respeito, mas mantenho minhas reservas.Um abraço.

Lurdinha
Talvez eu tenha me expressado mau, eu não quis dizer que a ftu segue a doutrina do Sarasceni,mas quis dizer que a coorente filófica deles é bem próxima e bem parecida. sei disso porque conheço bem pessoas ligadas a ftu e essas pessoas são seguidoras quase cegas do Sarasceni.Mas acho que devemos nos reportar do nosso amigo Douglas, afinal ele é o entrevistado, né.

22/10/06
Lurdinha
Douglasnão sou umbandista mas já fui em alguns terreiros e como eu disse conheço pessoas bem ligada a umbanda, inclusive na ftu. e me parece que existe uma certa confusão com relaçaõ ao orixá OMOlu e obaluaê. voce sabe me dizer algo sobre isso ?

23/10/06
João Carlos
Me antecipando ao Douglas:
Não é um Orixá Yorubano original. Seu nome inicial é Xapanã e ele é tido como o Orixá das Doenças (e da Cura delas). Como seu nome era considerado de "mau-agouro" (provavelmente por causa de uma epidemia de varíola que acometeu os Yorubanos quando entraram em contato com os filhos de Xapanã), ele foi "rebatizado" de Obalauaiê (Senhor da Terra) e Omulú (o que fere profundamente).É considerado - na Umbanda - como o Senhor dos Cemitérios ("Calunga Pequena") e o Orixá ao qual se subordina toda a "linha das almas" (leia-se Pretos Velhos) que usam suas cores: preto e branco.Alguns fazem diferença entre as apelações Obaluaiê (o velho) e Omulú (o novo). É saudado com "Atotô" (="silêncio"). Muitas Casas não o assentam no Gongá (altar), mas fora do Barracão, ou mesmo sob o Gongá, escondido. É sincretizado com São Lázaro.

23/10/06
OscarZito
Ola Douglas
Fico feliz em ter os eres como meus amigos.....em relacao aos exus tive repostas ........da vida.....e descobri ajem com justiça.....se vc e justo e bom serao justo e bom com....senao....ai e outra historia....em relacao....a forma.....sao como nos,......usam.....diferentes roupas.........o que se apresento usava regata branca...com listras e tanga preta........e ja mudei o nome deles......serao ajudantes do escuro..........nao irei chama-lo de exus.....nao gosto desse nome.....abrcaum douglas.....

23/10/06
Douglas
Lurdinha...Sua questão foi respondida pelo João.Um abraço pra você também, Oscar.

23/10/06
Douglas
Em tempo: Oscar... se você não gosta do nome "exus" não há problema. Embora eu não tenha nada contra esse título, sei que ele traz consigo uma certa carga, herança da nossa colonização católica. Mas é apenas uma questão de chamá-los por um nome que o agrade mais. Conheço pessoas que preferem tratá-los por "guardiões" ou, de uma forma mais amigável, de "compadres". O que importa é a sua fé e o que vai em seu coração.Outro abraço para você, meu amigo.

23/10/06
Dani
Boa noite. Em primeiro lugar quero dizer que sou espiritualista e respeito todas as religiãoes, e pesquiso muito também, sem preconceito.Não sou umbandista mas já fui em um terreiro de umbanda (é assim que se fala?) e me consultei com um preto-velho lindo que me deu vários conselhos e depois ele falou para mim jogar uma rosa na CALUNGA GRANDE pois estavamos perto do dia da festa de Iemajá. Na hora eu não entendi o que era Calunga grande, msa aí a moça que auxiliava na consulta me explicou que calunga grande é o mar.Você sabe dizer porque os pretos-velhos chamam o mar de Calunga grande? Parece uma coisa sem importáncia mas desde aquela época fiquei com essa dúvida.PS eu gostaria muito que o DOUGLAS respondesse essa pergunta já que o entrevistado é ele tá.Obrigada.

23/10/06
Douglas
Boa noite, Dany.Interessante a sua pergunta, ela desperta o meu lado de professor de história.A palavra calunga, em diversos dialetos africanos, significa lugar onde ficam os mortos, ou mais vulgarmente falando, cemitério.E por que o mar é então chamado de calunga grande?Isso acontece poque quando os negros eram capturados ou comercializados na África para a escravidão, eram depositados como se fossem mercadorias nos navios negreiros (também chamados de tumbeiros - note que já exite aí uma analogia), que partiam em direção à América. Deixar para trás sua liberdade, sua cultura, sua família, sua terra era como a morte para os negros. Para os que ficavam na África também havia um significado de morte ao saber dos irmãos que eram levados, pelo mar, a um destino incerto. Assim, o mar passou a ser associado aos cemitérios e, pelo sua dimensão, a ser chamado de calunga grande.Mas vale ressaltar que, o mar tem essa conotação quando levamos em conta o triste advento da escravidão, esse termo encaixa-se portanto em um contexto histórico. Em muitas circunstâncias, o mar representa a vida e a fertilidade.Um Abraço.

Douglas
Olá, meu grande amigo Luís.A demanda é definida como "trabalho" ou mal desejado a alguém. Existem demandas que são tão fortes, que podem prejudicar a vítima por muito tempo, alguns dizem que até por várias encarnações. Mas vale lembrar que só nos tornaremos vítimas desse tipo de "trabalho" ou sentimento se estivermos na mesma faixa vibratória de quem os enviou. Por isso é sempre bom manter em prática a máxima orai e vigiai. Manter a guarda e a fé é muito importante em qualquer situação, em qualquer credo.Já ouvi uma grande amiga (de muito conhecimento) dizer que é possível estabelecer uma diferença entre o "trabalho feito" e a demanda.O "trabalho feito" seria aquele premeditado, onde há a plena intenção e convicção de se prejudicar alguém. Já a demanda, segundo essa amiga, seria o mal causado pelo pensamento, pelos desejos e sentimento inferiores. De qualquer forma, isso nos mostra o quanto é grande a nossa responsabilidade, não apenas como umbandistas, mas como seres humanos, geradores de energia e sentimentos. É importante não apenas manter a guarda para proteger a si próprio, como é importante também policiar-se constantemente, fim de que não sejamos responsáveis pelo mal causado a quem quer que seja, afinal, se tem uma coisa que é certa, é a lei do retorno.Abraços.

23/10/06
Douglas
Cig@no
Não tenho a menor dúvida de que você está corretíssimo.Para mim, esse constitui um ponto extremamente frágil da Umbanda. Já fui criticado por defender a idéia de que um médium tem que ler muito, estudar, se prepar - essa prática não beneficia somente a si, mas também aos seus guias e principalmente às pessoas que são assistidas por eles.Talvez um amigo ou outro pense que estou sendo paradoxal ao afirmar isso, já que numa questão anterior não me mostrei muito simpático à Faculdade de Teologia Umbandista. Mas essa é uma outra questão. Respeito muito quem a frequenta e ministra os cursos, apenas não concordo muito com a linha de pensamento - mas em momento algum acho que se trata de algo fútil ou questiono sua integridade (longe de mim fazer isso).Mas voltando ao tema em questão, estudar, ler, aprender com as entidades é muito importante, no entanto, de nada vale se não houver a reforma íntima, como você bem falou.Já cansei de ver por aí pessoas que frequentam regularmente as giras. Colocam roupa branca, dão passagem aos seus orixás e guias, mas mal sabem a finalidade do que estão fazendo e, pior ainda, terminada a gira, vão para suas casas e continuam levando a vida tacanha de sempre, emanando maus pensamentos e sentimentos, esquecendo que as principais finalidades da Umbanda são caridade e a evolução. De nada vale a roupa branca, as velas e os pontos cantados se o médium, que não é um mero coadjuvante, não se dispõe a mudar a si próprio.Infelizmente, por pessoas assim é que nossa religião acaba sendo vista com tanto preconceito, como algo a qual as pessoas recorrem apenas para resolver seus problemas e realizar seus desejos, principalmente os mais mesquinhos.Fazer essa autocrítica é fundamental para o crescimento da nossa religião. Creio que esse não é um problema exclusivo da Umbanda e todas as pessoas que seguem uma religião deviam fazer essa reflexão constantemente.Em tempo: volto a salientar meu respeito pela FTU. Não concordar não significa desrespeitar.Abraços.

23/10/06
Amilton
Douglas, tem um tópico em uma determinada comunidade UMBANDISTA que está dando como se falava no tempo da vovó, pano pra manga. Gostaria q o amigo me desse sua opinião sobre;- Conhece, ou já ouviu falar sobre essa história ou estória de que EXÚ é ORIXÁ, dentro ou fora da UMBANDA. E se já ouviu falar que exíste, aceita essa afirmação. E mais, conhece algum terreiro que aceita essa versão, EXÚ UM ORIXÁ, e voce particularmente, o que acha, qual a sua opinião sobre esse fato. Forte abraço, fique na paz de Oxalá.

23/10/06
Douglas
LuísEsse tema (Egunitá) é um tanto controverso. Existem pessoas que afirmam categoricamente sua existência, enquanto outros defendem que seria uma "criação" daqueles que seguem a doutrina de Rubens Saraceni. Eu tenho uma postura diante desses assunto: sempre respeitar todos os lados e opiniões, embora defenda a minha.Segundo os que defendem a existência de Egunitá, ela seria o trono negativo de Xangô. Certa vez, vi uma médium (supostamente) incorporando Egunitá. A impressão que tive, e essa é muito particular, é que se tratava de uma qualidade de Iansã, que alguém, não sei por qual motivo, denominou como Egunitá.Um colega de uma comunidade apresentou uma teoria (que não sei se procede): um pai de santo, cujo nome não me lembro, quis homenagear sua mãe, chamada Anita e já falecida. Assim, juntou a palavra EGUM (espírito desencarnado) com o nome ANITA, originando assim o termo Egunitá. Como já disse, não sei se essa história procede.Porém, não existem relatos falando de Egunitá no panteão africano, o que me faz chegar à conclusão muito particular de que realmente trata-se de uma qualidade de Iansã, que talvez por não ser bem compreendida e por haver uma mescla com outras teorias, acabou sendo classificada como um "novo" orixá (se é que é possível surgir novos orixás). Como vê, a questão é complexa e dificilmente chegaremos a um consenso, pois certamente existem pessoas que cultuam esse orixá.

23/10/06
Douglas
Amilton
O Amilton é outra pessoa que conheço de outras comunidade e que sei que tem uma grande experiência e conhecimento.Como já vimos em outra pergunta, no candomblé o Exu é um orixá. Na Umbanda é um catiço.No meu terreiro, os exus são catiços, não os cultuamos como orixá, e essa é a minha visão. Porém, sabemos que existem terreiros que mesclam o culto da Umbanda e do Candomblé - o chamado Umbandonblé, ou a Umbanda Traçada, Omolokô...Nesses casos, por haver a influência do Candomblé, o exu pode ser visto como orixá sim.Na Umbanda, como bem disse o João Carlos, um outro Orixá pode responder pelo orixá exu. Mas volto a dizer, no meu terreiro e na minha concepção de Umbanda, exu é um catiço. Exu é um orixá, em sua essência, no Candomblé.Um abraço.

23/10/06
Hilário Bispo
Minha cara Lurdinha
Volto a repetor que vc deve estar confundindo o curso de Teologia d orubes Saraceni com o faculdade de teologia Umbandista.Não existe semelhanças doutrinárias. com toda cerateza.Meu caro Douglas, voce diz que discorda da linha filosófica da FTU, mas na verdade vc achava que ela fosse ligada um doutrina que de fato não tem nada aver com ela.Um grande baraço a todos.

24/10/06
OscarZito
Ola...douglas....nao tenho mais questoes obrigado pelo tempo gasto e suas respostas.....abracaum....e boa sorte na vida ai.

24/10/06
Joao André
Douglas
o que vc pode comentar sobre um pastor evangélico(preciso citar o nome?) que difama tanto o candomblé como a umbanda?

Douglas
Cig@no
Mais uma vez concordo contigo, principalmente quando diz que o mais importante não é o certificado, e sim o aprendizado. Acho que isso vale não só para os cursos que envolvem questões religiosas, mas para para a sociedade como um todo. Sou professor e estou cansado de ver colegas de profissão pouco preparados, cometendo erros absurdos, sem qualquer compromisso com a sua profissão.Parabéns pelo seu pensamento, na minha minha opinião, tão honesto e coerente.

24/10/06
Ponderador
Amigos,
Sugiro que temas muito extensos sejam postados em minúsculas. Um abraço.

24/10/06
Douglas
Hilário, meu amigo.Continuo não concordando com a concepção da FTU (até mesmo por motivos que prefiro não citar aqui a fim de evitar uma discussão desnecessária e que foge aos objetivos propostos pela comunidade). Assim como outros colegas, ainda acredito, pelo muito que já ouvi e pelo que já li, que há uma ligação bastante grande (não que seja necessariamente o norte principal) com o sr Saraceni, mas acho que não chegaremos a um acordo sobre isso, sendo assim, o que nos resta é cada um entender e respeitar a posição do outro.Mas reafirmo aqui - e acho isso muito importante - mesmo não concordando, continuo respeitando todos que participam como docentes ou discentes e, respeitando principalmente a ti.Um grande abraço.

24/10/06
Douglas
João André.
Acho que até por uma questão de obviedade não é necessário citar nomes.Infelizmente essa não é a postura de um único pastor ou líder de algum segmento religioso. Nossa religião sofre duras críticas dia a dia.Mas antes de qualquer coisa, quero deixar bem claro que minha resposta em momento algum tem o objetivo de desrespeitar ou desmerecer qualquer pessoa ou culto religioso.Existem algumas hipóteses sobre essa questão:1. Normalmente criticamos (ou tememos) aquilo que não conhecemos. É natural ao ser humano, não tendo um conhecimento prévio de determinado assunto, estabelecer um pré-julgamento sobre ele. A partir daí é feita a confusão (não acho que seja bem esse o caso em questão).2. Conflito de interesses: uma religião que prega a existência da reencarnação, a lei do retorno, a lei do carma, não é interessante às religiões que pregam a aceitação da sua verdade como única forma de salvação.3. Intolerância religiosa: cada qual tem as suas próprias verdades - é possível notar isso dentro da mesma religião, imagine então entre religiões diferentes. Nesse caso, não havendo o bom senso e a ética, fica difícil aceitar e respeitar a verdade do seu semelhante (aqui acho que me aproximei mais do caso em questão).Segundo a máxima bíblica, na casa do Pai existem várias moradas, isso me leva a crer que também existem várias formas de se cultuar o Pai. Aí, alguém, mais habituado a ler a Bíblia, poderá citar o versículo no qual Jesus diz: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai sem mim".Concordo plenamente com tal versículo. Mas pergunto: o que fez Jesus, senão ensinar o amor, a caridade, o respeito e a tolerância? Aceitar Jesus como alguns dizem, nada mais é, segundo a minha opinião, do que tentar agir, dentro dos limites que a nossa imperfeição nos impõe, da forma mais parecida à que Ele agiria, e é justamente esse o propósito do verdadeiro umbandista: praticar o amor, o respeito, a carida e a tolerência.(continua)

24/10/06
Douglas
Continuando
O umbandista que age diferente, não praticando a caridade, o amor, o respeito e a tolerência, será um verdadeiro umbandista? Creio que não. O umbandista que usa sua religião para fins mesquinhos, excusos, questionáveis e maldosos, certamente não é um umbandista de verdade... infelizmente temos que admitir que tal tipo de "umbandista" existe aos montes por aí. As religiões (acredito que todas, ou pelo menos quase todas) são perfeitas. Imperfeitos são os homens que as conduzem e compõem.Costumo dizer, principalmente aos meus alunos, que o Brasil é um país abençoado, pois aqui existe a tolerância religiosa. Exemplifico dizendo que numa mesma sala de aula pessoas de diferentes credos religiosos convivem pacificamente. Na verdade prego isso mais por um desejo de que seja realidade e por querer incutir essa concepeção nas crianças do que por convicção mesmo, pois sei que quando o debate religioso se inicia, ele tende muito a tornar-se acalorado, beirando a violência verbal que o fanatismo quase sempre impõe.Não apenas com relação a esse pastor e não apenas com relaão à discriminação imposta à Umbanda e ao Candomblé, mas em todos os casos de intelorância e desrespeito aos símbolos religiosos, acho que a Lei deve ser aplicada com rigor.Não podemos esquecer que nossa Constituição é clara nesse aspecto: desrespeitar credos e símbolos religiosos é crime. Claro que não devemos ser radicais e por qualquer besteira querer processar um irmãozinho que diz "Jesus te ama" (até porque na maioria das vezes suas intenções são as melhores possíveis - querem estender a nós o bem que acreditam ter alcançado), mas temos o dever de nos fazer respeitar e fazer com que nossa religião seja respeitada também.Fanatismo (e essa não é uma qualidade apenas de evangélicos, que fique bem claro) não é saudável, gera intolerância, que por sua vez gera violência. O Oriente Médio que o diga.Ser ético é reconhecer o outro, em suas particularidades e diferenças[/]Abraços.

24/10/06
!¡..alliehS..!¡
olá Douglas
Somos irmãos de fé. Axé!

24/10/06
!¡..alliehS..!¡
olá Douglas
Q Oxalá te proteja. Axé.

24/10/06
Joao André
Douglas
obrigado a atenção, não sou umbandista, mas tenho muita simpatia pela mesma, pois em momentos difíceis esta realmente me acompanhouum grande abraço



24/10/06
Amilton
Douglas, tambem já o conhecia de outra comunidade, e sem querer fazer média, pelos seus posts nesta comu citada, observei que o amigo sempre foi muito sensato e coerente nos seus esclarecimentos, como esse por exemplo no que diz respeito a pergunta feita por mim. Quero dizer que concordo plenamennte com o seu ponto de vista , inclusive ao participar dos debates sobre esse tópico "EXÚ É ORIXÁ",os meus posts coincidem plenamente com a opinião do amigo. Um fortíssimo abraço . Fique na PÁZ DE OXALÁ E COM A JUSTIÇA DE MEU PAI XANGÔ.

25/10/06
Lurdinha
Boa noite
Eu queria fazer uma pergunta, mas também preferia ueq fosse respondida pelo entrevistado.Pode até parecer besteira mas eu já vi mediuns de umbanda recebendo seus guias e quase todos eles estalam os dedos. isso tem algum significado? eu acho que deve ter, porque o espírito não ficaria estalando os dedos a toa, mas não consigo entender o motivo pra isso. Se voce puder me responder isso eu agradeço,DouglasE parabéns pelo bom nível da suas falas e pela boa educação.

25/10/06
Douglas
Olá, Sheilla. Um grande abraço... axéAmilton, obrigado pelas suas palavras tão amigas. Partindo de uma pessoa experiente e coerente como você, sinto-me até lisonjeado.Agora com relação à pergunta da Lurdinha quanto ao estalar de dedos: veja bem, nossas mãos possuem uma quantidade enorme de terminais nervosos, que se comunicam com cada um dos chacras de nosso corpo.O estalo dos dedos se dá sobre o Monte de Vênus (parte gordinha da mão) e dentre as funções conhecidas pelas entidades, está a retomada de rotação e freqüência do corpo astral; e a, descarga de energias negativas. Imagine a quantidade e a intensidade de energia dentro de um centro de Umbanda. Imagine também o quanto as entidades desprendem ou absorvem essas energias em seus trabalhos. Assim se explica o fato de diversas entidades estalarem os dedos quando estão incorporadas - é uma forma de manipular e direcionar energias, bem como equilibrar o próprio corpo astral e o de seu médium.Um abraço.

25/10/06
Dani
Douglas me responda por favor. Espiritismo e umbanda são a mesma coisa? Sou simpatica a umbanda mas sei que as duas tem muita coisa em comum. Pode apontar diferenças ou semelhanças. Obrigada.

26/10/06
Jozely
Incorporação
Nossa, amei essa comunidade! Muito esclarecedor o entrevistado, escrevendo de uma forma clara, fácil e coerente, tudo de bom, Parabéns meu amigo Do!Mas eu tenho várias dúvidas, uma delas é quanto a incorporação, gostaria de saber o porque de tanta ginastica no momento da vinda e da ida de nossos irmãos, isso é mesmo necessário? Também tenho curiosidade em saber quanto a consciência dessas incorporações.Aguardo o seu comentário a respeito.Que Deus te proteja sempre querido!

26/10/06
Douglas
Dani.
Tem uma coisa que frequentemente me chama a atenção e até me irrita um pouco. Vejo companheiros da minha religião dizendo que são espíritas. Não concordo com isso. Espírita é aquele que segue a doutrina codificada por Alan kardec. Não é pelo simples fato de também trabalharmos com a mediunidade que somos espíritas. Tenho muito imenso respeito e admiração pelo espiritismo, pois inclusive já bebi dessa fonte e acho as obras de Kardec fantásticas, mas umbandista é uma coisa, espírita é outra, e todas as pessoas que conhecem bem as duas religiões sabem que essa afirmação é correta. Claro que sempre surgem pseudo-donos da verdade querendo dizer que é tudo uma coisa só, mas isso só mostra desconhecimento de uma ou outra religião. Outra coisa que é bom deixar claro, é que a crença da imortalidade da alma e na reencarnação não são características apenas do Espiritismo e da Umbanda. As demais crenças no espírito, na lei do carma, da reencarnação e da imortalidade da alma podem ser qualificadas como espiritualistas - assim, existe inúmeras religiões que trilham por esse caminho.Mas vamos tentar, de uma forma meio resumida, estabelecer essas diferenças e semelhanças entre Espiritismo e Umbanda.Diferenças:1. O Espiritismo surgiu na França, no final do século XIX, enquanto a Umbanda, oficialmente, surgiu no Brasil, no início do século XX (a data oficial é 15/11/1908).2. O Espiritismo baseia-se em uma doutrina codificada por Alan Kardec, através do conjunto de suas obras (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, A Gênese, O Céu e o Inferno, Obras Póstumas). Já a Umbanda não possui uma doutrina codificada, que lhe imputa uma grande diversidade. Existe uma literatura umbandista, porém não alcança o nível de codificação, mesmo porque porque não há um consenso entre os autores.(continua)

26/10/06
Douglas
Continuando
3. O Espiritismo não segue rituais (exceção feita ao evangelho no lar, se é que podemos considerar isso um ritual), não faz oferendas aos espíritos, não utiliza imagens ou altar, não possui sacerdotes nem hierarquia (embora, infelizmente, os centros espíritas estejam cada vez mais burocratizados e os dirigentes disputando cada vez mais um espaço de destaque). Já a Umbanda possui rituais, faz oferendas aos espíritas, utiliza imagens e altar (Congá), possui sacerdotes e hierarquia.Semelhanças: Podemos apontar as seguintes semelhanças: tanto o Espiritismo como a Umbanda pregam crença na imortalidade da alma, a comunicação com espíritos desencarnados, crença na lei de causa e efeito (carma), a possibilidade de influência de espiritos desencarnados sobre os vivos, a prática da caridade (sem caridade não há salvação), a reencarnação como parte de um processo de evolução espiritual.Talvez eu tenha esquecido de alguma coisa, mas caso isso tenha acontecido, deixo o espaço aberto a algum amigo que queira acrescentar algo.Abraços.

26/10/06
Douglas
Jozely
A sua pergunta é mais do que interessante.A "ginástica" a que você se referiu eu entendi como toda aquela agitação, aquele rodopio, saltos e gestuais que os médiuns fazem ao incorporar ou desincorporar uma entidade.Está aí mais um ponto delicado. Existe uma coisa chamada "consciência mediúnica" e é uma coisa que nem todos os médiuns tem. O preparo, o estudo, a doutrinação (tanto dos guias quanto dos médiuns) é fundamental para que uma gira de Umbanda corra bem, mas infelizmente o que acontece?Centros despreparados colocam pessoas despreparadas para trabalhar. E, pela falta de preparo, muitas vezes a consciência do médium acaba influenciando no trabalho e ação do guia. Muito médium acredita que, embora isso seja absurdo, que o bom trabalhador de Umbanda é aquele que rodopia, fica se estrebuchando e dando saltos ao incorporar seus guias. Pura falta de conhecimento.Não resta dúvida de que uma grande energia envolve o médium e isso pode provocar um "solavando", uma espécie de empurrão. No entanto, existe um certo "estrelismo" por parte de alguns médiuns sim, não há como negar. Não é porque sou Umbandista que não reconheço e não aponto os erros que ocorrem na minha religião. Aliás, acredito que enxergar os erros é o primeiro passo para evitá-los.Não há necessidade de teatralização para que ocorra o fenômeno mediúnico. E isso se dá não apenas com relação à "ginástica" da incorporação, mas também com os aparatos e vestimentas. É um tal de caboclo querer um cocar de penas coloridas, exu querer um cetro ou uma capa preta e por aí vai.... Alguns apetrechos são necessários aos trabalhos da entidade, mas uma boa parte é por vaidade dos médiuns mal preparados mesmo.Nessas ocasiões me lembro da sabedoria silenciosa dos pretos velhos, sentados em seus banquinhos, estalando os dedos e nos dando sábios conselhos, sem necessidade de qualquer aparato.Um grande abraço.

26/10/06
Jozely
É, meu grande e querido amigo,estamos todos buscando dia a dia a reforma intima. Não podemos esquecer que lidamos com pessoas, que na grande maioria das vezes tem boas intenções mas, infelizmente, necessitam de burilamento. Combater a vaidade, é algo muito difícil. Muitos passam longe da consciencia mediunica, nem sabem do que se trata, falta muito conhecimento no geral. Mas acredito de coração que de uma forma ou de outra acabamos chegando lá, mesmo porque não podemos esquecer nem de levar em conta que muitos médiuns vaidosos estão doando seu precioso tempo, seu veículo carnal, seu amor, sua atenção em prol da caridade e isso é muito, muito importante, e merece todo o meu respeito.Querido sem querer sem chata mas acho que vc esqueceu do outro questionamento que te fiz, que foi sobre a consciência dos médiuns no ato da incorporação, quase todos falam que são incoscientes, isto é verdade?

26/10/06
Hilário Bispo
Olá Douglas.
Quais livros vc recomenda para se aprende sobre Umbanda? Em quai livros vc adquiriu sua cultura sobre Umbanda?UM abraço.



26/10/06
Douglas
Jozely
Desculpe, eu não notei que havia outra pergunta no seu post anterior.Se a maioria dos médiuns é inconsciente?Com certeza não. Mas a maioria diz que sim, pois criou-se uma falsa cultura de que o médium inconsciente é o que realiza melhores trabalhos (quem trabalha realmente é a entidade). Acredito também, que a maioria se diz inconsciente para deixar o consulente mais à vontade e confiante, o que também é uma grande besteira, pois o bom médium, mesmo que consciente saberá separar as coisas e manter um silêncio sacerdotal sobre o que lhe foi falado na consulta. Existe a mediunidade consciente, semi-consciente e insconsciente - essa última é a mais rara. No meu caso, eu classificaria como semi-consciente. Nunca tenho plena consciência do que acontece, mas depois de algumas horas algumas pequenas lembranças desconexas (como se fossem flashes) me vêm à mente.Se o tipo de mediunidade fosse uma coisa que a gente pudesse escolher, certamente eu escolheria a mais consciente possível, pois assim poderia aprender muito com os guias (se bem que eu acredito que no subconsciente alguma coisa fica registrada).Abração.

26/10/06
Douglas
Hilário
Sobre sua pergunta:"Quais livros vc recomenda para se aprende sobre Umbanda? Em quais livros vc adquiriu sua cultura sobre Umbanda?Acho que já citei aqui que acho a literatura umbandista um tanto pobre. Acredito que faltam bons autores e até mesmo seriedade por parte de alguns.Citar livros? Vamos lá, embora ache isso um tanto complicado, pois implica muito em expor gostos pessoais... a minha verdade com certeza não é absoluta.Umbanda de Todos Nós - de W.W. da Matta e SilvaTambores de Angola e Aruanda - de Robson Pinheiro (embora tenha uma visão mais ligada ao espiritismo, é um bom livro para quem está iniciando no assunto)Lições de Umbanda e quimbanda na palavra de um Preto Velho - também de Matta e SilvaMediunidade - Um mergulho no mundo oculto dos terreiros - Vicente Paulo de Deus (se não me falha a memória é esse o nome do autor)O Guardião da Meia-Noite - Rubens Saraceni (está vendo como não sou radical? Acho que ficou meio implícito que não sou um grande fã do sr Saraceni, mas sei reconhecer o valor dessa obra, que na minha opinião, define bem o papel dos exus na espiritualidade).Não podemos esquecer também a importância das pesquisas de Pierre Verger, embora sejam mais direcionadas ao Candomblé.Esses são os que me lembro agora... a literatura é vasta... não sou radical quanto à leitura, acho que de tudo podemos aproveitar algo, mas é preciso filtrar bem... mas radicalismos, nunca.Agora sobre a minha cultura sobre Umbanda, só tenho a dizer o seguinte: ela ainda é muito pequena e está em construção diária. Procuro ler, estudar e aprender das diversas formas possíveis. Não posso jamais dizer que sou uma pessoa especializada no assunto. E mesmo que o fosse, não diria, pois creio no aprendizado constante. Mas vale destacar que muito do pouco que aprendi devo ao zelador da minha casa, Marcelo Araújo Gonzales, que ao contrário de muitos, está sempre disposto a orientar seus filhos de fé.Um grande abraço, Hilário.

27/10/06
Dri
Douglas eu entrei na comunidade que você é moderador e adorei.Parabéns pelo bom nível da sua comuniidade e das suas respostas.só vi respostas de alto nível mesmo diante alguamas questaões acaloradas.euq uero fazer uma pergunta que pode ser meia besta. o que é cambone ou cambono, eu não sei como é se escreve direito.......é cambone ou cambono? e que é a sua função?

27/10/06
Dani
Tambem querodar parabens pelo bom nivelMinha pergunta é???como umbandista voce não se sente agredido pelos evangélicos que afirmam ser os únicos filhos de Deus? eles sempre os associam a coisas demoníacas. pode falar sobre isso?

27/10/06
Douglas
Dri
Cambone ou cambono... tanto faz. Já ouvi as duas formas.O cambone é de uma importância fundamental para uma gira de Umbanda. Muitas vezes as pessoas menos esclarecidas sobre o assunto julgam a função dos cambones como de menor importância ou subalternas. É um grave erro. Sem o cambone a ira de Umbanda não funcionaria direito.A função do cambone é prestar acessoria aos guias/entidades que trabalham nos terreiros. Ao cambone cabe uma série de funções: fornecer aos guias os materias que lhes são necessários aos trabalhos, é responsável também por auxiliar nas consultas, pois nem sempre o consulente consegue entender perfeitamente o que os guias falam (alguns guias, como os caboclos, usam palavras que não são tão comuns aos leigos), organizam as consultas, etc.Na minha opinião, todo umbandista deveria trilhar um caminho antes de se tornar um médium de consulta: primeiro deveria passar algum tempo na assistência, a fim de entender como funcionam os trabalhos para só aí decidir se realmente quer trabalhar nas giras. Após isso, deveria trabalhar um bom tempo como cambone, pois essa função lhe dá uma gama de experiência ímpar, já que o cambone tem contato direto com os guias e seus ensinamentos.Espero ter sido claro na resposta. Caso não tenha sido, por favor, é só perguntar novamente.Abraços.

27/10/06
Douglas
Dani
Todo aquele que reivindica para si a exclusividade da paternidade divina não compreendo o quanto é grande, complexa e profunda a obra de Deus.Claro que se insinuarem qualquer coisa que soe pejorativa ou preconceituosa sobre minha religião, me sinto incomodado, mas nesses casos, faço-me respeitar, pois TODAS as religiões merecem respeito.Mas quero deixar bem claro aqui que nada tenho contra os evangélicos, muito pelo contrário, acho que desempenham um papel muito importante na sociedade. Além do mais, existe muitos evangélicos que sabem a importância do ecumenismo e do respeito às demais religiões. Cuidado para não generalizar.Abraços.

27/10/06
suvaco da cobra
Douglas
Olá amigo .Pode-se dizer que a umbanda usa "terceiros" para pela fé realizar pedidos e depois se interligar a DEUS ?Abraços fraternais.

27/10/06
Douglas
Guilherme
Boa noite.Tenho certeza que você não é o único a achar que a Umbanda é uma religião que atira para todos os lados por misturar elementos de outra religião.Sinceramente não vejo problema algum em aproveitar os bons elementos que alguma outra religião possa nos oferecer. Seríamos altamente preconceituosos se acreditássemos que temos a exclusivadade das coisas boas que compõem as religiões.Quanto a cultuar ao Deus católico, você cometeu um engano, meu amigo. Nós não cultuamos o Deus católico. Nós cultuamos Deus - o Criador e o princípio básico de todas as coisas. Se esse mesmo Deus é cultuado pelos católicos, melhor assim. Nosso Deus é o mesmo dos católicos porque Deus é um só, não importa o nome dado a ele: Jeová, Alá, Olorum, Zambi... Deus não é católico. Deus é universal.Quanto ao culto aos orixás, você está correto. Nós os cultuamos sim, já que esse culta faz parte da história, da cultura e da tradição de uma grande parcela de nossa população, parcela essa, que assim como nós, entendem os orixás como emanações divinas. Já que cultuamos Deus, por que não cultuar aquilo que acreditamos ser suas emanações?Quanto a cultuarmos santos católicos... há uma controvérsia. Não há um culto direto ao santo católico e sim um sincretismo religioso, que já foi falado aqui (vide tópicos anteriores).Você falou que assinamos embaixo do que foi codificado pela doutrina espírita. Eu lhe respondo dizendo que assino embaixo de tudo que eu achar coerente e correto, tenha a denominação de espiritismo ou qualquer outra. Mas vale lembrar que Umbanda e Espiritismo não são a mesma coisa, portanto você se engana se acredita que assinamos embaixo de tudo que foi escrito por Kardec.E quanto a atirar para todos os lados, eu prefiro usar um outro termo, mais polido. Prefiro dizer que aglutinamos os diversos elementos e culturas que compõem uma sociedade extremamente plura. Talvez por isso é que sejamos procurados pelas pessoas das mais diversas crenças em seus momentos de necessidade.(continua)

27/10/06
Douglas
Continuando
Agora vamos às suas perguntas.[i/1 - Posso eu criar uma religião que mistura doutrinas católicas, espíritas, candomblecistas, budistas e xintoístas, por exemplo?Pode, claro que pode. Você pode criar uma religião que misture os elementos que você quiser. Como exemplo posso citar o catolicismo, que misturou elementos do judaísmo, do cristianismo do paganismo (sim, do paganismo, veja o culto aos santos católicos e os compare ao culto dos deuses romanos). Você pode criar a religião que você quiser, pode misturar os elementos mais diversos, caso queira. A nossa Constituição permite isso. Se você conseguirá seguidores para a sua religião, isso já é uma outra história...2 - É legítima a criação de novas religiões hoje em dia?Sim. Desde os primórdios dos tempos elas foram criadas, por que hoje não poderiam ser? Basta ver quantas novas religiões protestantes ou pentecostais e similares surgem a cada dia. Como eu disse anteriormente, a nossa Constituição garante isso. Segundo a Lei brasileira, é mais fácil abrir uma igreja do que uma microempresa.3 - Quem realmente tem o aval para criar uma religião? O Zélio de Moraes (que criou a umbanda) tinha esse aval?Aquele que se achar apto a criar uma religião, o fará. Mas desculpe apontar mais um pequeno erro seu, meu amigo. A Umbanda, segundo alguns, remonta a tempos mais antigos. Porém, oficialmente, ela foi criada em 15/11/1908, pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, um espírito que se manifestou com esse objetivo (vide tópicos anteriores), e não pelo sr Zélio Fernandino de Moraes, que era tão somente o médium.Um abraço.



27/10/06
Hilário Bispo
Socorro II
Meu amigo DouglasNuma Pergunta anterior a respeito das diferenças entre kardecismo e Umbanda, creio que vc esqueceu de apontar a diferença que talvez seja a mis importante.A Umbanda trabalha com a Magia, ou seja com a manipulação das energias com o objetivo de permutar energias negativas por energias positivas. Daí a necessidade do trabalho de Exu em seus diversos aspectos, ainda que de forma oculta.Este é o aspecto que diferencia o médum umbandista do médum kardecista, pois o umbandista precisa de preparo para não sucumbir diante dos entrechoques provocados pelas energias pesadas, que por vezes causam doeças às pessoa, e que o terreiro se propõe a tirar antes que mais graves consequencias venhma a se abater sobre o consulente em questão.EspíritoSem entrar no mérito da História das religiões, acredito que o amigo que perguntou a respeito da doutrina deveria levar em consideração que o Zélio Fernandino de Morais foi médium sou seja mediador, ou cavalo, como se chama na Umbanda, de uma Entidade, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, foi o Caboclo quem trouxe inclusive nome Umbanda.Creio que para entender o mínimo sobre a Umbanda é imprescindível ter convicção na existencia do Espírito. Tratar as religiões reencarnacionistas apenas pelo prisma histórico é com otentar saber que sabor tem um bala sem lhe tirar a embalagem.Mas de qualquer forma eu sugiro ao perguntador que estude os termos Orish, dos orientais, Arasha, também dos orientais, Araxá, dos indigenas e nomes como Ogum, Olokum e outros.Certamente vc vai achar mais semelhanças do que supõe que seja possível.Talvez, com isenção de ânimo vc perceba que existe muito mais semelhanças entre sistemas filosófico religiosos do que apenas nomes de santos.Um abraço a todos.

28/10/06
Douglas
Suvaco de Cobra
Sobre sua pergunta:Pode-se dizer que a umbanda usa "terceiros" para pela fé realizar pedidos e depois se interligar a DEUS ?Acredito plenamente que sim, pois os orixás, os falangeiros em geral (guias ou entidades, a nomenclatura é apenas um detalhe) atuam como intermediários entre o consulente e Deus. Não que sejam "pombos-correios", mas agem segundo a Lei superior, a Lei Divina. Mas é sempre bom lembrar que não basta um pedido ser feito para que seja realizado. Tudo segue uma lógica e uma Lei, baseada no merecimento, na evolução e no aprendizado a que devemos nos submeter.Abraços fraternos.

28/10/06
Douglas
Hilário.
Muito obrigado pelo seu segundo socorro. Realmente eu não citei a questão da magia, que é de muita relevância. Sua ajuda, sempre sábia, é sempre bem-vinda.Um grande abraço para você.

28/10/06
Douglas
Guilherme
Vamos fazer um off topic aqui, pois o que vou dizer não é diretamente ligado à Umbanda, mas ao conceito de religião. Falo agora como sociólogo e historiador, não como umbandista.O princípio básico de qualquer religião é o religare, uma palavra que tem sua origem no latim e significa ligar novamente, ou seja, a religação do homem com o seu Criador. Sabendo-se fruto de uma criação e que, ao longo de sua existência afastou-se dela, o homem sempre buscou meios de religar-se ao Criador. Assim, diversas formas de religar-se ao seu Princípio Básico, a Criação, surgiram no decorrer da História. Algumas dessas formas de re-união surgiram a partir da ação e ensinamentos de grandes iniciados e seres altamente espiritualizados. Outras formas, deram-se, como você bem lembrou, no caso de Abraão, através de revelações feitas por seres divinizados (anjos, espíritos ou, como alguns acreditam, do próprio Deus). Mas, partindo do princípio de que existem diversas formas de buscar essa religação com o Divino, um homem não precisa de uma revelação por parte de um espírito desencarnado ou de um anjo para iniciar essa busca. Se um simples mortal como qualquer um de nós decidir acreditar que a forma de buscar a sua religação é ofertando uma vela, por exemplo, ao Criador, essa será a sua prática religiosa. Sendo assim, um homem pode criar a sua própria religião sim. Se ela é certa ou errada, se vai funcionar ou não, se vai agradar ou despertar a ira da multidão, é uma outra questão, mas o direito que ele tem de criar seu próprio culto é inegável.É uma questão complexa e filosófica, porém inerente à eterna busca do Eu divino que quase toda a raça humana pratica ao longo da história. As religiões não foram criadas só por anjos, deuses ou espíritos. Os homens sempre tiveram grande participação nisso, não tenha dúvida.Quero reafirmar que o fundador oficial (não gosto muito desse termo, pois creio que a questão é mais profunda) da Umbanda não é o sr Zélio, e sim o Caboclo das Sete Encruzilhadas.Abraços.

28/10/06
suvaco da cobra
Douglas
.Existem laços de união entre a Umbanda e a Quibanda .São religiões diferentes ou aplicam os mesmos meios para os seus adeptos .Abraços fraternais

29/10/06
Dani
Douglas, não é que eu quero generalizar sobre os evangelicos. Mas eles sempre tem uma visão preconceituosa sim. Eles sempre acreditam que a a religião deles é a unica que pode levar a salvaçao. E esequecem do proprio passado, quase sempre é ex-prostituta, ex-traficante, ex-drogado. e-bandido. E ainda acham que podem falar mal da religião dos outros.Você não acha que isso é injusto demais?

29/10/06
João Carlos
Me antecipando ao Douglas:
"Quimbanda" é uma denominação ainda mais corrompida do que "Umbanda". Em tese, não há nenhuma diferença entre as duas - apenas a Quimbanda tem a visão Candomblecista de que todo e qualquer espírito é um Egun e coloca todos (Pretos Velhos, Cabolclos e Exús) em pé de igualdade.Quimbanda é coisa séria e muito africanizada, não aceitando as contrbuições Kardecistas e Cristãs, em geral. É uma espécie de ampliação do culto ao "Babá Egun".O que há por aí é muita gente praticando magia negra e se intitulando de "Quimbanda".

29/10/06
João Carlos
Me antecipando ao Douglas: (mais uma vez)
O problema não está com as Igrejas "Evangélicas": está nas pessoas que se professam "evangélicas". Eu assisti a um verdadeiro festival de falta de educação e dos princípios básicos que deveriam ser o paradigma dos Católicos Romanos na Festa de São Judas Tadeu, na Igreja desse Santo no Cosme Velho, Rio de Janeiro, ontem mesmo. E aquelas pessoas tinham acabado de sair de uma missa...Por falar nisso, você está certa: não existe nada mais hipócrita e "mais divino do que o próprio Deus" do "ex-isso" e "ex-aquilo"... Não importa quanto de exemplo de tolerância Jesus tenha dado (o que - aliás - é igualmente válido para Maomé...)

29/10/06
Dani
Obrigada pela resposta João. Mas mesmo assim gostaria de saber a opinão do Dougls sobre a questão dos evagélicos. Não é que a sua não tenha sido válida gostei muito do que vc escreveu e concordo mas gostaria de saber a opinião do douglas.bju.

Douglas
Bom.. a pergunta sobre a Quimbanda o João Carlos já respondeu. Só tenho a acrescentar que realmente é muito triste ver o mau uso ou, como é na maioria dos casos, a deturpação de uma coisa tão séria como a Quimbanda (que costuma ser ainda mais estigmatizada do que a Umbanda, inclusive).Dani,Sobre o que você colocou acerca dos evangélicos, sinceramente não me sinto à vontade para tecer julgamentos sobre qualquer religião. Tenho comigo (e isso é uma coisa muito particular) a convicção de que devo respeitar todas as religiões e idelogias, para que as minhas também sejam respeitadas. Isso não é ficar em cima do muro, é autopoliciar-se, pois todos temos telhado de vidro. Na minha religião também existem pessoas que não têm a menor noção de tolerância e respeito ao alheio.Acredito, como já disse, que toda religião tem sua finalidade (e utilidade). Para aqueles que necessitam de mais regras de conduta, a fim de cometerem desregramentos, existem religiões mais ortodoxas e exigentes. Para os que tem um maior auto-controle, existem as religiões mais liberais.Quanto ao fato de existerem ex-traficantes ou ex-marginais nas igrejas evangélicas, creio que isso constitui um grande mérito a elas, pois conseguira transformar um traficante ou um marginal em "ex".O que eu não concordo é com a intolerância e o desrespeito, e isso eu acredito que existe em qualquer religião (o fantatismo não é um "privilégio" dos evangélicos). Claro que em algumas religiões isso é mais acentuado que em outras, mas não me sinto capaz de emitir juízo de valores aqui. Sou imperfeito também...Mas volto a afirmar que essa é uma postura muito particular, não é uma regra para os umbandistas. Como não se trata de uma questão doutrinária ou litúrgica, cada um pode ter a sua própria opinião a respeito do assunto.

29/10/06
Gabi
Doug (posso te chamar assim?)Não entendo quase nada de umbanda mas já ouvi dizer que tem muito homossexual nessa religião é verdade? se for pode me explicar a razão?ps. sou bissexual, por isso aminha pergunta.pedi pra entrar nssa comuidade só por causa da sua entrevista estou adorando suas respostas. inteligentes e objetivas.Parabéns para o ponderador também

29/10/06
Douglas
Gabi
Pode me chamar de Doug sim, alguns amigos me chamam assim.Obrigado pelas suas palavras generosas.A sua pergunta é bastante frequente. Já várias vezes me perguntaram se é verdade que existem muitos homossexuais na Umbanda. Sempre respondo dizendo que existem homossexuais na Umbanda tanto quanto no Candomblé, no espiritismo, no catolicistmo, no budismo, etc.Mas então, por que existe essa crença de que na Umbanda e no Candomblé existem muitos homossexuais?Certamente isso acontece porque a maioria das religiões (não quero generalizar nem criticar nenhuma crença nem ninguém, que fique bem claro) aponta o homossexualismo como um desvio de caráter ou como pecado. Essa visão simplista, preconceituosa, calcada em valores maniqueístas, como se a condição sexual de alguém a classificasse entre bem e mal / santo e pecador não se enquadra mais nos nossos tempos, em que o respeito e tolerância são as palavras de ordem. Ninguém é obrigado a concordar com nada, mas certamente é obrigado a respeitar.Na Umbanda não temos essa visão preconceituosa. O que importa é o caráter da pessoa e a sua predisposição para trabalhar na caridade, buscando a própria evolução e auxiliando os demais nessa busca. Se uma pessoa, independente de sua condição sexual, se dispõe a ser um bom trabalhador na Umbanda, não há razão para que ela seja discriminada. Como não existe a discriminação, acredito que os homossexuais se sentem não só acolhidos, mas encorajados a assumir sua sexualidade. Em grande parte das religiões que existem, a doutrina é castradora e condena o homossexualismo, o que leva os homossexuais a se afastarem da religião ou a não assumir sua condição.A Umbanda é uma religião que não discrimina ninguém. Todas as raças, classes socias e demais segmentos são bem-vindos. Se um dia eu for criticado por ser tolerante, entenderei como elogio, mas me orgulho por pertencer a uma religião sem preconceitos.

30/10/06
Jozely
Do, li sua resposta e bateu com o que eu sempre pensei ser o correto. Legal, voce é D+. Que Deus te proteja muito! Beijão da sempre amiga!

30/10/06
Hilário Bispo
Olá Douglas
Na Umabanda ninguém precisa fingir ser oque não é para ser aceito, muito pelo contrário, o que aprendemos com as entidades é que temos de ser nós mesmos, acharmos que o que somos nãos é bom, basta mudarmos.Muitas pessoas prcram a Umbanda por causa disto, não os homesexuais, alguns apenas para resolverem problemas ocasioanis nas consultas com as entidades, sem muito compromisso com terreiro, e outros para adotar a Umbanda como filosofia de vida.UM abraço a todos.

30/10/06
Douglas
Hilário
Com essa frase " Na Umbanda ninguém precisa fingir ser o que não é para ser aceito" você conseguiu sintetizar o que eu disse no meu posto anterior com quase 2048 caracteres.Realmente acho que por isso a Umbanda acabou carregando esse estigma de ser uma religião que agrega um grande número de homossexuais. Justamente porque na Umbanda ninguém precisa fingir nada. Os umbandistas (os verdadeiros, que fazem da sua religião não só uma muleta mas uma filosofia de vida), sabem muito bem que não cabe a eles tecer qualquer tipo de julgamento.Além do mais, como disse o Caetano Veloso, "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é"Com certeza não temos a autoridade para tecer qualquer tipo de julgamentos sobre o alheio.Abraços.

30/10/06
Marcos
Saravá.Também sou umbadista e estou gostando muito do rumo dessa entrevista, apesar de alguns irmaos mais afoitos estarem se antecipando demais ao entrevistado atropelando um pouquinho o processo. Mas tá valendo as perguntas e as resposta estão inteligentes e bem elaboradas.Quero fazer duas perguntas. A primeira é DOUGLAS, O QUE VOCÊ ACHA DO LIVRO O GUARDIÃO DA MEIA NOITE, DO RUBES SARASCENI?A segunda é EXISTE ALGUMA PERSONALIDADE UMBANDISTA QUE VOCÊ GOSTARIA DE DESTACAR, ALGUÉM QUE VOCÊ ADMIRA MUITO?Só mais uma coisa com o comentário do Hilário. Achei realmente desnecesáio pois tudo o que voce disse foi o que o entrevistado disse na postagem logo acima, não entendi mas vou tentar compreender.Valeu galera. Sarava a todos.

30/10/06
Lurdinha
Tem um ponto que eu acho polêmico na umbanda, DouglasDizem, veja bem, DIZEM, isso não expressa a minha opinião, que muitas vezes as pessoas procuram por um centro de umbanda precisando de ajuda e acabam tendo que pagar para receber algum auxílio. Isso é verdade? se for há uma explicação?

30/10/06
Douglas
Marcos
Vamos à sua primeira pergunta:"O QUE VOCÊ ACHA DO LIVRO O GUARDIÃO DA MEIA-NOITE, DO RUBENS SARACENI?"Evidente que essa resposta é bem pessoal, mas ao mesmo tempo, sei que reflete a opinião de aluns amigos de fé. Eu tenho uma certa reserva quando ao sr. Saraceni, pois acho que seus livros apresental alguns fundamentos de Umbanda sim, porém com uma grande dose de ficção. Isso acontece também com a obra O Guardião da Meia-Noite, mas no entanto, este é um livro que gosto bastante, pois elucida bastante o papel dos exus na espiritualidade. Para mim esse é o grande valor dessa obra. Mas também vale dizer que apesar das minhas reservas ao Rubens Saraceni, não deixo de reconhecer sua importância no sentido de divulgar a Umbanda às massas.Agora vamos à sua segunda pergunta:" EXISTE ALGUMA PERSONALIDADE UMBANDISTA QUE VOCÊ GOSTARIA DE DESTACAR, ALGUÉM QUE VOCÊ ADMIRA MUITO?"Somos todos imperfeitos e em evolução, justamente por isso não tenho o hábito de idolatrar ninguém. Não quero e não preciso de ídolos. Quando usamos o termo personalidade logo imaginamos alguém famoso. Não é o meu caso, não tenho grande admiração por ninguém famoso, prefiro admirar aqueles que me cercam, já que assim posso conhecer seu caráter e seu compromisso com a nossa religião Vou citar quatro pessoas aqui que trabalham no meu centro (chamo de "meu" porque me sinto muito à vontade lá) e que admiro muito e que acredito que merecem ser reconhecidos: a nossa dirigente, Natércia, seu filho (de sangue e de fé) Marcelo, que eu já citei aqui, e duas pessoas extremamente sábias que nos auxiliam nos trabalhos: Regina e Marisa. Como pode ver, são simples mortais, não é ninguém que figura a lista dos umbandistas mais famosos do Brasil, mas são pessoas que pertencem ao meu microcosmo, pessoas que conheço bem e que justamente por isso me dou o direito de admirar.Abraços.

30/10/06
Douglas
Lurdinha
Sua pergunta é bastante frequente.Infelizmente, devido a pessoas que não encaram a nossa religião com a devida seriedade, isso acontece sim, mas não é regra.Eu me sinto indignado (e até ultrajado) quando vejo aqueles cartazes colados em postes, com anúncios de pessoas que, usando o nome da Umbanda, dizem fazer trabalhos, na maioria excusos, como amarrar namorado, separar casais e coisas do tipo, mediante pagamento. São pessoas que não tem a menor noção da responsabilidade de ser umbandista. Ser umbandista não é simplesmente ir a um terreiro, deixar-se incorporar, acender velas coloridas... Ser umbandista é ter um compromisso ético com a espiritualidade e consigo mesmo. Quem se presta a esse tipo de trabalho está deturpando um dos maiores objetivos da Umbanda: a prática da caridade. Não devemos jamais cobrar por aquilo que recebemos de graça, que é a mediunidade e a possibilidade de ajudar ao próximo. Não se cobra pela caridade... se assim for, ela deixa de ser caridade para se tornar pretação de serviços.Abraços.

Melissa S.
Nas igrejas evangélicas nos sempre vemos as pessoas falando línguas diferentes, rodopiando, tendo manifestações que parecem muito com o fenômeno da incorporação de espíritos na umbanda. O que você me diz disso, Douglas?Bjus

30/10/06
Hilário Bispo
Vou acrescentar aqui algo sobre cobranças na Umbanda.Espero que o Marcelo não fique chateado comigo.Na gira de caridade normalmente não se cobra nada, há terreiros que precisam de ajuda para manter as portas abertas e continuarem a ajudar as pessoas.Agora, qundo o dirigente espiritual precisa se valer, ele mesmo, da manipulação de elementos em sítios sagrados da natureza para combater energias pesadas que estão vitimando as pessoas, aí sim se cobra. Nada a ver com os cartazes aludidos pelo Douglas, me refiro a dirigentes sério com décadas de experinecia neste tipo de trabalho, que sabe qundo uma pessoa precisa ou não dste tipo de intervenção.Espero que o Marcelo não fique chateado por eu etr ocupado este espaço.Um abraço a todos.

31/10/06
Douglas
Melissa
Sobre o que acontece nas igrejas evangélicas, para mim está bem claro: é manifestação mediúnica. Não quero com isso provocar uma guerra de opinões, por isso, antes que me interpretem mal, especialmente os nossos amigos evangélicos, a quem respeito muito, quero colocar aqui o meu conceito de mediunidade. A palavra mediunidade vem do latim, e significa meio ou mediar. Portanto, a faculdade mediúnica nada mais é do que a possibilidade de intermediar, tornar-se o meio entre o mundo espiritual e o material. Os evangélicos, ao entrar nesse transe citado por você, dizem estar manifestando o espírito santo, assim, nada mais estão fazendo do que servir de intermediários entre o espírito santo e os homens. Claro que na minha opinião de umbandista, não se trata do espírito santo, mas essa é uma outra história... Mas de qualquer forma, não tenho dúvidas de que o fenômeno citado por você trata-se de mediunidade.Abraços.

31/10/06
Douglas
Hilário
Olá Hilário.Da minha parte pode ficar tranquilo. Seus comentários em nada me incomodam, aliás, só acrescentam.Quero fazer um pequeno adendo ao seu comentário, que por sinal, mais uma vez está correto. Normalmente, nas giras não se cobra nada dos consulentes, nem haveria razão para isso (como eu citei acima, não se cobra aquilo que recebemos de graça). Mas se é necessário algum trabalho mais "forte", utilizando certos elementos (velas, alguidar, alguns tipos de bebidas, flores, etc.) aí sim normalmente o zelador cobra sim, mas cobra o material que será utilizado, pois não é justo que além de doar seu tempo e seu trabalho, doe também o material, o qual nem sempre tem condições de comprar. O objetivo nunca deve ser o lucro. Isso descaracteriza o trabalho da Umbanda na caridade.Abraços.

31/10/06
Hilário Bispo
Mediunidade e Magia
Olá Douglas, é que o Marcelo parace que ficou incomodado com meu cometário lá em cima.Mas aquero me ater aos dois temas do título.Quero disordar ligeiramente de vc com relação a mediunidade.Ser médim, com vc disse, é ser mediador, ou veículo. Ou seja servir para que o espírito possa realizar coisas, atrevés da nossa vestimenta física e das nossas energias. Ter simplesmente contato com espírito não carecteriza mediunidade.Com relação à cobrança na Umabanda eu não me referi no tópico lá emcima a cobrança do material utilizado não.Você certamente deve ter lido obras do Pai Rivas em que ele fala sobre isto, e também do Pai WW. Mata e SIlva em que ele fala sobre isto.Aquele que tiver no seu karma e tiver o preparo para manipular elementos, ou seja magia, tem o direito e o dever de cobrar. Não vou me aprofundar muito, mas não podemos ser incautos, e cada Sacerdote (evidente que o caso a que eu me refiro é de uma pessoa que siga o caminho Sacerdotal seja preparado para isto, não somente pelos anos e décadas, mas principalmente por um outro Sacerdote), sabe onde está pondo e mão e quais as consequencias.Muitas vezes vc pode tirar algo pesado de uma pessoa, alguma coisa que está causando dença e outros males, para a pessoa tudo acaba ali, mas não é assim para a pessoa que realizou o trabalho.Mas existem coisas que são realmente para o interior dos Templos e Terreiros além da Faculdade é claro, e não cabe numa discussão virtual.UM abraço a todos.

31/10/06
Douglas
Hilário
Dessa vez também vou discordar um pouquinho de você.Primeiro sobre a questão da mediunidade nas igrejas evangélicas (a verdade é que ela existe em diversos segmentos religiosos). Você afirmou o seguinte: "Ter simplesmente contato com espírito não carecteriza mediunidade.". Nisso eu concordo com você. É perfeito, porém, no casos citados pela Melissa, não é simplesmente um contato com espíritos, e sim mediunidade mesmo, já que ela falou de pessoas falando línguas estranhas (isso chega a até a lembrar nossos caboclos, não é?), girando (ou seria dançando, tal qual um caboclo ou um orixá?). Nesse caso, eu ratifico minha opinião... é manifestação mediúnica sim, não encontro outra explicação lógica dentro das minhas concepções e crença.Já em relação às cobranças, concordo que existe um ônus energético muito grande para a pessoa que realiza determinados trabalhos, até já li algo que você citou, se não me falha a memória, li algo de Rivas Neto sobre isso. Mas veja bem, estou falando sobre a prática da Umbanda com fins de se obter lucro. Nesse caso, acho extremamente condenável, em qualquer ocasião... e mesmo com relação ao caso citado por você tenho minhas reservas com relação às cobranças. Acho sim, que existem situação em que é justificável, mas deve haver um critério muito grande com relação a isso. Você sabe, tenho certeza, que existem pessoas não tão bem intencionadas por aí, que se valem do desespero alheio, por isso mantenho algumas reservas.Abraços.

31/10/06
Hilário Bispo
No caso das Igreja Evangélica, é claro que seria necessário ter muita familiaridade com o fenômeno para julgá-lo,eu só posso falar sobre o que eu ouvi dizer.A pelo que eu sei a coisa parece mais um transe mediunico do que uma incorporação propriamente. até porque, como vc sabe incoporporar um espírito, carece de de uma adestramento mediúnico muito profundo e fino.Há outro fator de que ainda não falamos aqui, que é o incosciente das pessoas. Muitas vezes o próprio incosciente se vale deste momento em que a pessoa não está de fato mediunizada para se desafogar de material, digamos, indesejavel, que lá está. Isto é muito importante para a saúde das pessaso pq é uma prática saneadora.Você sabe que durante o período de adestramento mediunico, ou desenvolvimento mediunico, é a mesma coisa, isto acontece muito até que o médimu esteja pronto para trabalhar incorporado.Tem um livro do meu pai, Pai Rivas, livro que certamente vc deve conhecer, que fala muito detidamente sobr estas coisas "Umbanda O Elo Perdido".Evidente que não podemos negar a possibilidade de ter entre as pessoas numa igreja evangélica alguns médins. Neste caso o fenômeno da manifestação do espírito, poderia se dar de maneira mais completa.Finalizando, nem todos os espíritos são Caboclos ou Pretos Velhos, há muitas classes de espíridos ávidas por manifestação. Crei oque é nossa obrigação deixar este tipo de coisa bem clara, porque há os incautos.Um abraço a todos.

31/10/06
Hilário Bispo
Com relação a cobrança na Umbanda, é como eu falei.Estou me referindo a casos específicos, até pq quanto q situação contidiana vc já tinha falado de maneira interessante, embora eu entenda que existem terreiros que infelizmente se não cobrarem um preço simbólico feche as portas.Me refiro ao cso especifico dos trabalhos que muitas vezes são necessários.

31/10/06
Douglas
Ah, sim Hilário...você tocou num ponto importantíssimo que eu esqueci de comentar... a sobrevivência dos terreiros. As pessoas infelizmente não entedem que para se manter um templo religioso (e aqui não me refiro somente a templos umbandistas) é necessário um bom volume de dinheiro. Muitas vezes os locais são alugados, fora isso existem os impostos (embora me pareça, não tenho certeza, que existe uma lei que desonera templos religiosos do pagamento de IPTU), água, luz, produtos de limpeza, água, isso sem falar nos próprios materiais de trabalho (velas, defumadores, etc. - agora sim no caso específico da Umbanda). O meu centro sobrevive com dificuldades, nós, os médiuns da casa, é que arcamos com as despesas com uma contribuição mensal. Mas esse problema, pelo que pude constatar com vários umbandistas que conheço, assola a grande maioria dos terreiros.Eu entendi perfeitamente a sua colocação. Havia me esquecido de comentar essa questão, que é importante sim... no resto concordamos em quase tudo, mas volto a bater numa tecla, até para que não se crie uma imagem deturpada da nossa religião: o Umbandista jamais deve trabalhar visando o lucro.

31/10/06
Douglas
Hilário
Sobre o seu penúltimo post (não sei porque, mas fiz uma confusão e li primeiro o último, só depois vi o penúltimo... tô sofrendo de outubrite, não é possível..)..Agora sim eu concordo com você... sobre a questão da mediunidade nas igrejas evangélicas (vale citar que na católica carismática também acontecem fenômenos parecidos) ocorre uma espécie de catarse coletiva. Mas sempre acompanhada de manifestações mediúnicas sim.E apenas para esclarecimento, eu citei os caboclos como exemplo, em momento algum eu quis dar a entender que somente caboclos ou pretos velhos se manifestam. Aliás, li e reli minhas postagens e não encontrei nada que sequer insinuasse isso. Quando falei em caboclos foi só um exemplo mesmo.Agora vou indo, pois meus alunos me esperam para mais uma emocionante aula de história. A noite estarei de volta.Abraços fraternos.



31/10/06
Marcos
Irmão Hilário.Acho que dizer que o marcelo não gostou da sua interferência vc estava se referindo a mim, MARCOS. sem problemas, essas coisas de trocar de nome acontecem no orkut. queria que vc entendesse que não é que eu me senti incomodado é que estou achando a sua postura um pouco desagradável pois o tempo todo vc parece tentar cercear o entrevistado não no sentido de auxilia-çlo mas de deixa-lo em situação difícil. Como umbandista que sou fico meio indignado com isso porque acho que podemos auxilar um irmão-de-fé no lugar de tentar atrapalhar ele. mas voce parece estar o tempo todo tentando deixar o cara em maus lençóis a sorte que ele consegue sempre se sair bem com boas respostas, estamos bem representados nessa entrevista. mas vamos deixar o ego menos inflado e o estrelismo de lado, companhiero irmão-de-fé. Assim que eu souber que vc leu esse post eu vou deleta-lo porque não acrecenta nada a entrevista.

31/10/06
Marcos
PERGUNTA
Falou-se muito em se eleger um deputado umbandista nessas eleiçõe . não sei se conseguiram eleger ou não. Qual a sua opinião DOUGLAS sobre isso? É uma tentativa de peitar a bancada evangélica?

31/10/06
Lurdinha
Concordo com o Marcos porém não faço mais nenhum comentário para não embolar o meio de campo.Douglas: se o exu é um trabalhador da lei como voce disse, pq ele é representado com rabo, chifre e coisa parecida?vi essa pergunta em outra comunidade e achei intressante.

31/10/06
Hilário Bispo
Marcos
Antes de mais nada quero pedir que por favor me desculpe pela confusão com o nome.Creio que vc não viu minhas primiras postagens, que foram exatamente no sentido de auxialiar o Douglas. Acredito que ele não tenha se imcomodado porque ele mesmo escreveu agradecendo.Eu estou acostumado à pluralidade, que é característica fundamental na UMbanda, e entendo que o diálogo sempre ajda o crescimento de todos, por isso eu me coloco, para exercer a pluralidade.Se vc olhar detidamente eu nunca respondo à pergunta no lugar do Douglas, embora eu também não vejo problema em relação a isto.Finalisando. Na minha opinião a discussão honesta e serena não fortalece o ego, foralece a coletividade, já que desta forma as pessoas estão compartilhando pontos de vistas informações.Quanto a questãos dos maus lençóis, eu não vejo desta forma, sei que existem na Umbanda existem pontos dificeis de serem debatidos, sei também que vários pontos comportam mais do que uma visão. Por isso tento colaborar.No que depende mim vc não precisa apagar sua postagem, pois creio que vc não tem nada a esconder e eu tb não tenho. Além do mais, nós nãos estamos brigando, apenas expressando opiniões, o que é sempre válido e saudável.UM profundo Saravá a vc meu irmão, e todos da comunidade.

31/10/06
Douglas
Marcos
Pelo que eu li, não conseguiram eleger nenhum deputado umbandista.Minha opinião sobre o assunto é a seguinte: o Estado brasileiro é laico - separa-se a religião do Estado, e isso é saudável à democracia.Aqueles que defendem a candidatura de um umbadista o fazem alegando que se não tivermos um representante de nossa religião no Congresso, corremos o risco de sofrer uma espécie de "talibanização" evangélica - visto que os evangélicos estão bem representados no Parlamento - o que colocaria em risco a liberdade religiosa no país e consequentemente, ameaçaria nossa religião.Não acredito que a liberdade de culto no Brasil sofra esse risco, pelo menos nesse momento político, não. Apesar das mazelas que grassam o país, nossa Constituição é respeitada no que tange os direitos individuais.Eu voto num candidato pelas suas propostas políticas, não pela sua crença, mas essa é uma questão extremamente pessoal, que acho que nem vem ao caso discutir aqui.Quanto a peitar a bancada evangélica... Será que devemos encarar os evangélicos como inimigos?Eu não os vejo dessa forma. Se eles nos enxergam dessa maneira, é um problema deles, mas eu me recuso a encarar alguém como inimigo (ou opositor para ficar mais ameno) pelo simples fato dele ter uma religião diferente da minha.Abraços.

31/10/06
Douglas
OFF TOPIC
Antes de responder à pergunta da Lurdinha, gostaria de fazer um pequeno comentário.Em momento algum me senti cerceado ou desrespeitado pelos comentários do Hilário. Discordar não significa desrespeitar e essa é uma idéia que defendo com unhas e dentes. Ainda hoje fui à página pessoal do Hilário, onde deixei um recado falando sobre minha admiração pelos seus conhecimentos e agradecendo a participação nessa entrevista. Realmente a Umbanda é plural, eu usei até uma metáfora bastante conhecida aqui, dizendo que a Umbanda é uma colcha de retalhos. Existem vários segmentos, várias visões. O João Carlos também colocou opiniões diferentes das minha aqui e nem por isso um ou outro se sentiu desrespeitado. Acho que podemos todos acrescentar, cada qual com a sua visão. A discordância promove o debate e o diálogo, isso é fato.Se ficasse todo mundo só concordando e elogiando, não haveria o menor sentido para esse tipo de entrevista. Desde que a discordância se faça de forma respeitosa, ela é válida.

31/10/06
Douglas
Lurdinha
De certa forma a sua pergunta já foi respondida num post anterior (a pergunta foi formulada pelo nosso amigo Oscarzito).Apenas para recordar: Segundo alguns relatos, os exus associaram-se essa imagem ainda no tempo da escravidão, como forma de amedrontar e manter longe aqueles que procuravam coibir os cultos afro.Mas não resta a menor dúvida de que essa imagem é herança do catolicismo, que sempre associou não só os exus, mas todas as religiões com alguma relação à África com o mal.Na verdade essa história de dar uma forma aos espíritos é uma coisa mais dos homens do deles próprios. Porém já ouvi alguns relatos que dizem que o exu chega a assumir formas assustadoras em algumas ocasiões a fim de se impor nas regiãos mais densas e trevosas, onde realizam boa parte de seu trabalho.Fui breve nessa resposta por ela já estar contida numa outra postagem.Abraços.

01/11/06
Hilário Bispo
Divergir
Obrigado pelas colocações Douglas e pelo recado na minha página.Na verdade divergir é criar diversidade, não adversidade.Eu sou centra o Totalitarismo, pq cheira a Ditadura Militar (que o Douglas deve conhecer bem), soa a (aí sim) cercear direitos inclusive o de expressão.Estes são alguns dos motivos pelos quais eu não sou a favor da codificação na Umbanda.Um abraço a todos.

01/11/06
Hilário Bispo
DouglasAproveitando o ensejo, gostaria desaber o que vc pensa sobre a codificação da Umabanda.Um garnde abraço.

01/11/06
Douglas
Concordo com absolutamente tudo que você colocou, Hilário. Começando pela sua afirmação de que diverir é criar diversidade. E é justamente essa diversidade que possibilita o debate sadio, honesto, ético e sábio. Uma das frases que mais me agrada em toda a História é aquela de Voltaire: "Posso não concordar uma palavra que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-las". Para mim essa é a maior manifesetação do pensamento democrático e da liberdade de expressão.Concordo também no diz respeito à codificação da Umbanda. Já existiram e existem algumas tentativas de fazer isso, mas eu sou contra pelos mesmo motivos que você. A Umbanda é extremamente plural, e qualquer tentativa de codificação seria tendenciosa - senão autoritário - pois estaria determinando formas de cultos e liturgias, o que certamente acarretaria em condenar a forma como a Umbanda é praticada por alguns. Para muitos, o fato da Umbanda não ter uma codificação é negativo, eu vejo diferente: a ausência dessa codificação nos presenteia com uma liberdade muito grande. Claro que essa liberdade deve vir acompanhada de bom senso e responsabilidade, mas isso é de foro íntimo de cada um.Abraços.

Melissa S.
Fala-se muito em mistificação, em médium mistificador. Como fazer para saber se estamos diante de um charlatão, de um embusteiro?voce há de convir que esse terreno, o das religiões mediúnicas é um campo minado e tem muito charlatão por aí.

01/11/06
Hilário Bispo
Me desculpe tratar do tema antes do Douglas, que é o entrevistado.Mas seria excesso de rigor conosco afirmar que somente nas religiões mediunicas existe charlatanismo.Em todos os lugares existem pessoas boas e pessoas não tão boas.Tenho certeza que um coração puro, e humilde, ou seja, manter uma nobre motivação, e não tentar estabelecer uma relação comercial com a religião são um bom começo para se encontrar um lugar que tenha Caboclo de verdade, porque terreiro bom é o que não falta.O problema é que sobram pessoas que nãos estão interessadas somente em coisas nobres.UM abraço a todos.

01/11/06
Douglas
Melissa
Além do que o Hilário falou, que está correto, eu acredito também que não se deve chegar em um lugar e já aceitar tudo que é falado. Senso crítico é muito importante, seja na Igreja Católica, no Espiritismo ou na Umbanda, pois como o Hilário disse, gente mal-intencionada não é privilégio das religiões mediúnicas.Com certeza um bom caboclo, um preto velho ou um baiano não irão dizer nada de absurdo a um consulente. Acho que esse já é um passo para saber se está diante de um médium sério ou não. Quando de cara já falam em cobrar por alguma coisa também pode ser uma dica para identificar um charlatão.Onde existem relações humanas existem interesses, e onde existem interesses existem homens manipulando outros homens.Mas, novamente, cuidado com as generalizações.Abraços.

02/11/06
Melissa S.
Tá, mas então me diga, o que leva uma pessoa a mistificar. Não consigo encontrar uma motivo lógico para isso. Gosto muito da umbanda e das religiõe espiritualistas mas esse ponto é o que pega. não consigo entender porque as pessoas mistificam.

02/11/06
Douglas
Melissa
Existem n motivos, desde o estrelismo, até a vontade não realizada de trabalhar com a mediunidade. Pode acontecer também a tal catarse citada pelo Hilário, que acontece nas igrejas evangélicas. Isso deixando de lado a questão das pessoas com más intenções que usam uma falsa mediunidade para obter vantagens explorando os mais incautos.

03/11/06
Beto
Douglas
Tenho refletido sobre quais as características psicológicas das entidades que são conhecidas como magos negros. Ao contrário da maioria dos obsessores que são sofredores "transtornados", escravos de alguma "idéia fixa" de vingança ou de ódio, os magos negros são inteligentes e frios, conhecem, então, o funcionamento básico da lei do carma.Você acha que a motivação principal dos magos negros é a manutenção do "poder" temporário que desfrutam? Sabem que o futuro lhes reserva uma quitação cármica mas tentam adiá-la ao máximo mesmo a custa de um aumento da "dívida" e tentam, consequentemente adiar a reencarnação? Isso faz sentido?

03/11/06
Hilário Bispo
Douglas, sugiro ue vc fael sobre animismo natural e vicioso.Um grande abraço.

03/11/06
MILTON
Como uma pessoa pode ter certeza que uma entidade está incorporada num ser humano?Porque que vários seres humanos recebem a mesma entidade espiritual?

04/11/06
Douglas
Beto
Realmente os magos negros são profundos conhecedores das leis cármicas e espirituais. Em sua obra "A Umbanda e o poder da mediunidade", W.W. da Matta e Silva fala sobre os magos negros e a forma como são "alimentados" através das energias que lhes são enviadas, seja através de sacrífícios ou mesmo de pensamentos. Eu acredito que ilusão da impunidade ou a pelos a (falsa) crença de que é possível ludibriar a Lei cármica acaba agregando espíritos nessas fileiras obscuras.Mas mesmo sabendo que estão adquirindo uma enorme dívida - afinal os magos negros agem de forma consciente e premeditada - eles se encontram já tão enredados nessa teia sinistra que evitar a reencarnação seria sim uma forma de adiar a quitação de seu débito. Mas é claro que nada escapa à Justiça Divina e uma hora ou outra esse resgate acontecerá.

04/11/06
Junior Lourinho
Sobre a UMBANDA
A verdadeira religião brasileira,pois nela encontramos entidades da história brasileira,como na falange dos preto-velhos e caboclos e boiadeiros,cada qual nos seus respectivos orixás,os exús se atribuiem também a entidades que já tiveram história como também a própria Maria Padilha,uma espanhola que viveu por muito tempo no Rio,Zé-Pilintra um pernambucano que viveu no Rio e se tornou um cafetão,mas depois se redimiu,um exu do comércio até hoje bem cultuado em todo o Brasil.

Douglas
Hilário
Se eu estiver errado, me corrija, ou se tiver algo a acrescentar, por favor, me socorra.O animismo, como sabemos, é a manifestação da personalidade do médium sobre a o fenômeno mediúnico, ou seja, o "eu" do médium (com toda a sua bagagem psicológica, moral e intelectual) interferem da manifestação mediúnica. Essa inteferência, ao contrário do que muitos pensam, pode ser benéfica, pois o médim estaria somando informações, cooperando dessa forma com o espírito incorporado. Porém, na maioria das vezes o animismo segue outro rumo: a interferência das opiniões pessoais do médium, de uma forma tendenciosa. Dessa maneira não estaria somando conhecimentos, mas sim impondo suas idéias e opiniões.Pelo que já li há muito tempo (e não lembro onde, por isso peço ajuda), o animismo natural é aquele que, como o próprio nome diz, acontece naturalmente, com o médium deixando a sua personalidade se manifestar durante a incorporação. Já o animismo vicioso é aquele em que o médium acaba tomando a frente da própria entidade. Na verdade seria uma manifestação mais forte do ego, beirando mesmo a mistificação, consciente ou não.

04/11/06
João Carlos
Metendo meu bedelho mais uma vez
Milton:Como uma pessoa pode ter certeza que uma entidade está incorporada num ser humano?As entidades podem dar provas, mas só se quiserem. A mais comum é lidarem com fogo ou brasas e nem ficar marca no corpo do médium. Mas existem outras...Porque que vários seres humanos recebem a mesma entidade espiritual?Porque os "nomes" são um título, não um nome, mesmo. Na Umbanda, nós dizemos que são "falanges". Então o "meu" Pai João Benguelê é um espírito diferente de outro com o mesmo título. Por isso você pode ver diversas "Vovó Beneditas" na mesma Gira, diversos "Caboclos Cobra Coral", diversos "Exu Marabô". Na verdade, um espírito que se apresenta como um Preto-Velho, pode não ser nem negro, nem velho. Aliás, como a Umbanda pressupõe a reencarnação, nada impede que um espírito tenha sido o que diz ser em uma de suas encarnações.

04/11/06
Douglas
Milton
Quando uma entidade incorpora em um médium, ela assume as características próprias de sua linha de trabalho. Nota-se mudanças até na fisionomia do médium. Claro que um bom observador (e ator) saberia imitar as entidades, assumindo suas características. Mas com certeza, o melhor meio de saber se uma entidade realmente está incorporada em um médium, é através de seus ensinamentos, de seus conselhos e pela sua sabedoria. Marmoteiros sempre existirão, leigos que se deixam enganar também, mas com bom senso e observação conseguimos distinguir os verdadeiros dos falsos médiuns.A sua segunda pergunta "Por que vários médiuns recebem as mesmas entidades espirituais?" já foi respondida anteriormente, mas vale a pena recapitular.Os guias atuam em falanges, ou seja, em grupos de trabalho. Essas falanges costumam receber o nome da entidade-chefe do grupo, por exemplo, o exu Tatá Caveira é o chefe de uma falange de espíritos que se manifestam pelos diversos centros de Umbanda com esse mesmo nome: exu Tatá Caveira. Eles fazem isso por assumirem características semelhantes em seus trabalhos, porém são espíritos diferentes, só que cada qual atuando sob uma falange que recebe o nome da entidade principal.

04/11/06
Douglas
Correto, Junior
Essa uma das coisas que me encanta na Umbanda: o fato de ser uma religião que representa tão bem a diversidade étnica e cultural brasileira.Abraços.

04/11/06
Douglas
Em tempo... é bom lembrar que apesar das histórias que ouvimos contar, como a da Maria Padilha e a do seu Zé Pilintra, citados por você, Junior, os espíritos trabalham em falanges, como o João Carlos e eu falamos logo acima. Assim, essas histórias de vida não são a mesma para todas as entidades que se manifestam com esses (ou outros) nomes. Mesmo essas "histórias oficiais" não possuem fontes muito seguras.Abraços novamente.

04/11/06
Alexandre
Prezado Douglas....
Você disse a Umbanda ser uma religião.Mas tenho lido que o Candomblé é iniciátio...Umbanda não. E todos, não muito claramente, informam que Umbanda e Candomble não seguem exatamente a mesma linha.O que seria a Quimbanda?Abraços

04/11/06
Gabi
Por que o uso da roupa branca?Tem alguma explicação, algum fundamento para seu uso?

05/11/06
Hilário Bispo
Animismo
Douglas, eu perguntei do animismo porque pela explicação que vc deu sobre os estalar de dedos das entidades, entre outras coisas, eu imaginei que vc lembrasse uma fonte muito rica.Duranta o período de desenvolvimento (não no período em que o médiom já está trabalhando incorporado), pode acontecer o animismo de o médium, em obediencia à seu8 icosciente, fazer genstos e trejeitos que (na sua imaginação), a entidade tomaria. Com o tempoo e o adestarmento a entidade vai tkamndo cada vez melho o psiquismo do médium (durante a incorporação), e as funções motoras.Somente quenos o médium está preparado, é que ele vai incorporar e trabalhar juntamente com sua entidade. Este médium passou pelo animismo natural - repito - durante o período de desenvolvimento.Animismo vicioso é quando um médium, por exemplo, se acha preperado embora não tenha tido a supervisão de um sacersote tarimbado...Neste caso nos valemos da misericórdia do AStral...

05/11/06
ماري ميلا Madame
Olá, Douglas, é a primeira vez q vou escrever nesta comuna, mas já vinha acompanhando sua entrevista há um tempo.Em primeiro lugar, quero parabenozá-lo pela clareza e lucidez com quem vem nos esclarecendo sobre os aspectos de sua religião. Não tenho religião, mas sou simpática aos preceitos da Umbanda. Creio q a grande difere~ça entre Umbanda e Espiritismo é, como vc falou logo no início da entrevista, o fato de na Umbanda não haver discriminação. Já ouvi de uma pessoa espírita que 'pessoas de olhos claros são mais canalizadas com o mundo dos espíritos q os demais'. Já na Umbanda vejo negros, loiros e ruivos trabalhando e tentando evoluir por igual.Enfim, na verdade, não quero fazer uma pergunta diretamente, pois estou achando os questionamentos dos meus colegas muito pertinentes e, como idsse antes, suas respostas muito esclarecedoras.Creio q um grande fator q contribui para q as pessoas tenham preconceito contra as religões de origem afro é a questão dos sacrifícios de animais, q dá um aspecto diabólico (desculpa usar essa expressão forte, mas apenas tento traduzir a visão de uma pessoa leiga sobre isso) à 'macumba'. Sei tb q a Umbanda é contra esse tipo de ritual, mas muitas pessoas acham q Umbanda, Candomblé e até a Santeria são uma coisa só, e acabam associando tb à sua religião.Já li que o sacrifício de animais se intensificou devido ao fato de os negros não poderem comer direito nas senzalas, então roubavam frangos de madrugada. Qd um capataz chegava, para não serem punidos, fingiam estar com o demônio no corpo, Logo, a associação de exus com demônios. É isso mesmo?Obrigada!



05/11/06
Hilário Bispo
Sem prejuízo da resposta do Douglas, eu gostaria aqui de tecer comentários.Em primeiro lugar a questão da matança de animais é algo que deveria ser visto com maior naturalidade, na minha opinião.Muitas vezes se mata um animal dentro de um sacrificio ritaul - como muitas vezes se fazia no continenete africano - e depois de utilizá-lo na movimentação dos elementos, que nós conhecemos como magia, muitas vezes para livrar uma pessoa ou uma coletividade de doenças muito sérias, a carne do animal é consumida ou doada a comunidades que quem têm dificuldade de se alimentar. que são carentes.Assim como na África antiga estes animais utilizados nos sacrificios são utilizados para alimentar pessoas e celebrar a fraternidade dentro da comunidade. Não é muito diferente do que se faz no Natal, quando se matam muito mais porcos, frangos e perus, nos matadouros para abastecer a ceia natalina, dentro de uma cultura católica cristã.O Exu foi apresentado como diabo aqui no ocidente pela ideologia de religiões dominates que tinham interesse, na época, de lançar mão dste tipo de argumento para fazer valer seus ideais; não é diferente do que acontece hoje com relação ao sacrificio de animais ou matança.Finalizando. A Umbanda é feita de várias escolas, de várias formas de se ritualizar, há escolas que praticam o sacrificio de animais, portanto não somos contra, apenas há outras escolas que não se utilizam deste tipo de ritual.Quanto ao Exu, como já foi dito aqui, ele é mensageiro dos Orixás e Agente da Justiça karmica, não sendo portanto nem bom nem mau.UM abraço a todos.

06/11/06
João Carlos
(como sempre) Me antecipando ao Douglas:
Alex: a Umbanda também é iniciática. Os médiuns de Umbanda devem procurar a constante evolução e aprendizado - nem que seja para uma melhor "sintonia fina" com seus Guias.No caso específico meu, que pratico Umbanda Traçada com Candomblé, o caráter iniciático é inevitável. Mas mesmo as versões de Umbanda menos ligadas ao africanismo têm seus graus. Isso não impede de um médium trabalhar com suas entidades, mesmo um neófito. É mais uma questão de "a prática traz a perfeição".Quanto à Quimbanda, difere da Umbanda por considerar no mesmo patamar os Guias, sejam eles Caboclos, Pretos Velhos, Exús, ou o que for (o que é uma visão mais próxima do Candomblé: todos os espíritos são "Eguns"). Muitos confundem Quimbanda com "magia negra", porque muitos praticantes das "artes das trevas" se auto-initiulam "Quimbandeiros". A Quimbanda é tão séria quanto a Umbanda, mas não tem como paradigma a prática da caridade, apenas a comunicação com os Guias.

06/11/06
João Carlos
E fazendo coro com o Hilário:
O Sacrifício Ritual não deve ser visto como um ato de crueldade contra os animais (sem querer causar polêmica: era um ato muito comum na religião judáica antiga; quem tiver dúvidas a respeito, sugiro consultar na Bíblia o "Levítico").E o Sacrifício Ritual é uma prática cada vez menos empregada na Umbanda, havendo muitas casas que não o praticam de jeito algum. Existe um grande debate - em andamento - entre os próprios Umbandistas sobre a real necessidade desta prática.De qualquer maneira, o animal a ser sacrificado não pode ser maltratado, nem sacrificado de modo cruel, pois o objetivo é "transferir a vida do animal" para um objeto (material ou imaterial). É claro que existem os sádicos e bestiais que se deliciam com a agonia de um animal, mas estes não são "Umbandistas" na plena acepção do termo, já que a caridade é incompatível com a crueldade.E as oferendas são apenas do sangue e das vísceras dos animais. A carne é festivamente consumida.

06/11/06
João Carlos
E não poderia deixar passar a pergunta de Islam
em foco: que tanto tem esclarecido sobre a magnífica doutrina do Profeta Mohamed.Apesar de ter grande fundamento no Cristianismo, a Umbanda - à excesão somente da Peregrinação a Meca - defende a adoção de condutas muito semelhantes às do Islam.Existem duas "coincidências" particularmente significativas - em minha reles opinião. A primeira é na denominação de Deus: Oirsh'Alah (que foi abreviado para Oxalá). E a segunda na afirmativa do Profeta de que Deus, a cada pessoa, designou um anjo para guardar sua frente e outro anjo para guardar suas costas. E um "djin" para sua direita e outro para sua esquerda.Não quero ofender o Irmão com minhas comparações, mas constato que a afirmação dos Islâmicos: "só há um Deus, que é Allah" (em árabe fica mais bonita a aliteração, mas não me arrisco...) é a mais pura verdade, embora os rituais possam diferir.

06/11/06
Douglas
Quero agradecer imensamente ao amigo João Carlos, que muito sabiamente (como sempre) respondeu às perguntas dos colegas. Tive que me ausentar por dois dias (em função da Umbanda), por isso as perguntas foram acumulando. Mas sei que se o João Carlos respondeu, o fez certamente com muita sabedoria e bom senso.Gostaria apenas de dizer quer trabalho em uma dessas casas que não admite sacríficio em hipótese alguma. No entanto, respeito quem pensa diferente, mas esse é um princípio meu... bastante particular e que, felizmente, é comungado pelos irmãos-de-fé da minha casa.Quero também deixar aqui o meu agradecimento ao amigo ISLAM EM FOCO pela sua participação. O diálogo entre as religiões é sinal de tolerância, o que desmistifica e coloca por terra diversos preconceitos. Maravilhosas as associações entre a Umbanda e o Islã, feitas pelo João Carlos. Inclusive é válido lembrar que muitos escravos desmbarcados no Brasil, já naquela época haviam se convertido ao Islamismo, deixando sua contribuição para a formação da nossa identidade cultural/religiosa.Amigo Hilário... sobre o seu comentário: eu perguntei do animismo porque pela explicação que vc deu sobre os estalar de dedos das entidades, entre outras coisas, eu imaginei que vc lembrasse uma fonte muito rica.Como você pôde constatar, eu não me lembro de uma fonte muito rica, tanto que logo no início da minha resposta eu disse que havia lido em algum lugar, mas não me lembrava onde, por isso, infelizmente não me lembrei de tal fonte tão rica. Me perdoe por nem sempre (ou quase nunca) ter respostas à altura, é que no meu ofício acabo lendo tantas coisas (boas e ruins), além daquilo que leio para descontração e aprendizado na Umbanda, que nem sempre lembro as fontes ou seus detalhes. Dia a dia meus conhecimentos são testados, mas como sou um pequeno e eterno aprendiz, não tenho o menor pudor de responder um redondo não sei ou não lembro. Me perdoe por não ter correspondido as expectativas.Abraços.

06/11/06
Douglas
Madame
Obrigado pelas suas palavras tão belas e generosas. Aliás, muito generosas.Como eu disse acima, sou um pequeno e eterno aprendiz, quando me dispus a participar dessa entrevista eu já sabia que provavelmente me depararia com alguma questão mais complexa que talvez me deixasse com alguma dificuldade para responder. Mas sabia também que poderia contar com o auxílio de outras pessoas, mais experientes que eu, como vem acontecendo... veja como o João Carlos e o Hilário tem ajudado. Mas depois de iniciada a entrevista, recebi tantos emails e mensagens de pessoas (algumas delas muito sábias e experientes no assunto) que me senti até mais encorajado.Obrigado de coração pelas suas palavras.Quanto à questão do preconceito, ela é inevitável. Todos os dias nos deparamos com preconceitos sociais, raciais, religiosos, culturais, etc. O importante é mostrar que fazemos a diferença e não nos deixamos abalar pela falta de conhecimento das pessoas.Um grande e fraterno abraço a ti.

06/11/06
Douglas
Gabi
Sobre sua pergunta: " Por que o uso da roupa branca?Tem alguma explicação, algum fundamento para seu uso?", pode existir mais de uma explicação.Uma delas (acho que a mais simplista, na verdade) é a que diz que o branco é a cor que representa a paz. É uma cor que não apenas irradia boas energias (no caso aglutinadas pela palavra "paz"), mas também as absorve. Acredito nessa explicação, mas disse que ela é simplista porque acredito que a coisa vai mais além.Tem uma outra explicação (também bastante simplista, porém complementar à primeira) que diz que se faz o uso do branco a fim de impor uma certa humildade aos trabalhadores da Umbanda. Com todos os médiuns usando a mesma cor, evitaria-se um "desfile de moda" dentro dos terreiros, padronizando a vestimenta. Infelizmente nem sempre é isso o que acontece, pois as pessoas sempre encontram um modo de colocar um babado aqui, uma renda ali... e começa a guerra de vaidades. Parece que se o caboclo que trabalha com o médium x usa um cocar de penas, o médium y acaba dizendo que o seu caboclo quer um cocar de também, mas que se arraste no chão. É importante lembrar que essas atitudes são reflexo da falta de preparo ou do ego inflado do médium, e não da entidade.Outra explicação para o uso do branco (eu prefiro essa) é a seguinte: o braco represente a fusão de todas as cores (vide o disco de Newton). Assim, a roupa branca, estaria representando as cores de todos os orixás e, principalmente de Oxalá, que sendo o orixá maior, é representado pelo branco.Espero não ter esquecido nenhum fundamento para o uso do branco. Mas se eu me lembrar de algo, depois coloco aqui.Um grande abraço para você.

06/11/06
Junior Lourinho
Ao amigo Sr.Milton!
*Como uma pessoa pode ter certeza que uma entidade está incorporada num ser humano?R-Físicos alemães e americanos já testaram médiuns em centros kardecistas e terreiros brasileiros,comprovando que a aura de uma pessoa sob influência de uma outra aura não encarnada e próxima de um médium de psicofonia e incorporação se altera,o teste foi feito sob a ação da foto killian a cor da aura se altera como também o batimento cardíaco e os demais centros vitais do médium,não importa o grau de evolução do espiríto que ali está próximo ao médium.Espirítos não evoluídos deixam as mãos dos médiuns mais frias e uma forte dor no centro gástrico do lado esquerdo da barriga,os dedos tendem a se curvar,espirítos ligados à Terra com intuito de ajudar deixam os médiuns com a cor da aura vermelha e as mãos quentes e alguns deixam a sensação de travamento no abdômem,a parte sensível dos pés ficam grossos sem depender de nenhum calçado,espirítos bem evoluídos e conselheiros no bem,deixam uma sensação na garganta do médium como se estivesse com uma bola na garganta,tendem a ficar mais altos em certos médiuns e muitas vezes o ambiente fica com um cheiro agradável de rosas ou flores,para determinado nível de espirítos que estão trabalhando tendem à deixar um aspecto no ambiente conforme a sua sintonia de evolução,isso é normal para qualquer um deles.*Porque que vários seres humanos recebem a mesma entidade espiritual?R-O médium tem a função de receber as linhas de sintonia de comunicação espiritual,lembra do "RÁDIO" ou da"TELEVISÃO"?São receptores que as vezes recebem a mesma estação de emissoras,assim ocorre com o médium,ele pode receber a comunicação de um espiríto para ajudar outra pessoa ou para ser ajudado com um espiríto obssessor que esteja sugando energia de um outro médium.Vários espirítos que fizeram o bem na Terra e muitas vezes eram devotos de algum mártir cristão que foi canonisado tendem à se guiar por determinada falange de luz ligada à um santo de devoção,praticando sempre o bem e muitas vezes o dito milagre é...

Junior Lourinho
CONTINUAÇÃO
...é nada mais nada menos que uma equipe ou falange daquele santo trabalhando com fluídos eletromagnéticos à favor daquela pessoa que está precisando de ajuda para uma determinada causa de urgência,uma falange tem vários espirítos que se afenizam à um grupo ou pensamento ou ideologia e sempre tem algo em comum nesse determinado grupo,dizem que a maior falange no planeta Terra é o da Virgem Maria,além de antigos cavaleiros hospitalários,tem também espirítos sílviculas das américas do norte,central e sul,médicos e enfermeiros de guerra,os antigos escravos africanos que um dia foram soldados romanos,todos esses trabalham para a causa de Maria no planeta Terra no lado espiritual levando socorro por todo o planeta.

06/11/06
Lurdinha
QUESTÃO DE ORDEM
Gente quero colocar aqui uma questao de ordem e até fazesr coro ao Marcos.O entrevistado é DOUGLAS SANTOS mas tem um monte de gente quem nem espera ele responder para dar o seu pitaco. isso é falta de respeito com o entrevista, isso sem falar no que o Hilário tá fazendo o tempo todo.Senhor Ponderador, em respeito ao entrevistado eu peço uma questão de ordem aqui. Se ele não estivesse respondendo as perguntas direito eun até entenderia, mas parece que todos estão satisfeitos.até entendo o joão carlos ter se adiantado porue como o entrevistado falou, ele teve que se ausentar por um tempo. mas alguns estão abusando da boa ecuação.Obrigada.

06/11/06
Lurdinha
Agora vou colocar uma pergunta.Uma pessoa que não tem uma moral la muito elevada pode participar da umbanda:? deixa eu dar um exemplo. Uma pessoa que bebe, ou que usa drogas ou uma garota de programa poderia participar da umbanda?Aguardo resposta.

06/11/06
João Carlos
Depois da bronca da Lurdinha:
Eu até poderia responder, mas vou ficar calado...

06/11/06
João Carlos
Bom.... Não se pode dizer que eu não esperei...
A resposta é: pode. O próprio envolvimento com a religião deve levar a pessoa a abandonar os maus procedimentos.Uma pessoa assim tem que ser estreitamente vigiada, porque traz consigo uma série de espíritos "baixo astral" que não vão perder a ocasião de causar tumultos e problemas, se fazendo passar por Guias espirituais. Tal manifestação vai depender muito da "firmeza" da Casa.O que habitualmente acontece é que as pessoas de vontade fraca, dadas a vícios e promiscuidade, não ficam por muito tempo na Umbanda (ou, pelo menos, na mesma Casa). Como o ambiente não lhes é favorável, os "encostos" fazem com que essas pessoas se desinteressem.Porém muitas pessoas encontram uma nova motivação para suas vidas e mudam totalmente seus procedimentos.(Mas isso não é privilégio da Umbanda: qualquer religião pode obter este efeito).

07/11/06
Hilário Bispo
Lurdinha
Em primeiro lugar nunca disse nada com o proposito de ferir quem quer que seja, motivo pelo quela não vejo motivo para se levantar qeustão de ordem.O próprio entrevistado não reclamou ou apresentou qualquer nota de discordancia com relação a minha postura. Mais uma vez não vejo motivo para se levantar questão de ordem.Ninguém além de você manifestou incoveniente em ver aqui outras opiniões.Finalizando, numa democracia todos têm o direito de livre expressão desdeque guarde respeito e tolerancia.Não estou aqui para rivalizar, não quero rivalizar com vc, até pq vc ja tem nome de metralhadora.Um abraço.

07/11/06
Carlos
Eu concordo inteiramente com a questão de ordem da Lourdinha.numa democracia todos têm o direito de livre expressão desde que guarde respeito e tolerancia. Frase do Hilário com a qual concordo. Só que isso aqui é uma entrevista, não um tópico sobre Umbanda. Há um entrevistado convidado e indicado no 1º post do tópico. Está muito estranho ler perguntas dirigidas ao entrevistado e ler respostas dadas por outros, antes mesmo que o entrevistado - bem educado, conhecedor do assunto, culto e paciente, diga-se de passagem - se manifeste.Aos que querem colocar suas opiniões sobre Umbanda, sugiro a criação de um tópico (se é que não existe) sobre o assunto. Aí sim TODOS poderiam opinar democraticamente.

07/11/06
Carlos
Douglas
Sou umbandista e me casei com uma umbandista na Umbanda e somente na Umbanda, para o espanto e protesto de familiares e amigos que acharam aquilo 'muito estranho'. A maioria dos convidados sequer compareceu. Foi como se meu casamento religioso não tivesse sido um casamento 'de verdade'.Minhas questões são as seguintes:- a casa que vc freqüenta realiza batizados, casamentos e cerimônias fúnebres?- o que você acha de umbandistas se casarem na Umbanda e também na igreja católica? Ou batizarem os filhos na Umbanda e também na igreja católica? - e a última: por que muitos umbandistas (acho que a imensa maioria) insistem nos rituais católicos como missas de 7º dia e os que citei acima? Não está passando da hora de separar as coisas?

07/11/06
Melissa S.
Queria apenas manifestar meu apoio à questão de ordem proposto pela Lurdinha. O entrevistado está agindo educadamente e com coerência. Não vejo porque tanta intromissão.

07/11/06
Evelyne
Hilário, João Carlos, Douglas e demais
Gostaria de manifestar meu contentamento em ver aqui outras respostas enriquecendo a entrevista. Sou da opinião de que quanto mais informações melhor. Os srs que contribuem com respostas têm sido educados e generosos, a eles e ao Douglas meu muito obrigada por nos doarem seus conhecimentos.Quem não quiser ler outras respostas além das do entrevistado "oficial", simplesmente não leia.Luz e paz para todos

Douglas
Lurdinha
Obrigado a todos pela paciência com a minha demora para responder, pois ultimamente só estou tendo tempo à noitinha. O trabalho e o dever paterno graças a Deus tomam bastante o nosso tempo.Lurdinha, completando a resposta do João Carlos, gostaria de acrescentar o seguinte:Imagine uma religião (não necessariamente a Umbanda, qualquer uma) que exclua uma pessoa pelo fato dela ter vícios ou uma vida desregrada. Que méritos teria essa religião? Que caridade ela estaria praticando ao fechar as portas diante de alguém realmente necessitado? Tudo aquilo que é pregado na teoria seria transformado numa grande hipocrisia caso alguém fosse excluído de uma casa de Umbanda por ter vícios ou conduta questionável.Obviamente é preciso tomar os cuidados que o João Carlos citou. Uma pessoa com vícios certamente atrai semelhantes no mundo espiritual. Os cuidados teriam que ser redobrados. É muito fácil amar aqueles que são perfeitinhos e corretos; o verdadeiro mérito está em amar e auxiliar aqueles que são mais difíceis. Como já foi dito aqui, a Umbanda é uma religião que abre seus braços a todos, portanto, excluir alguém seria contraditório e iria contra tudo que pregamos.A reforma íntima é algo que o umbandista deve colocar em prática dia-a-dia e o esforço para realizar essa reforma certamente seria benéfico para a pessoa com essas características que você citou. Não basta ir a uma gira de Umbanda, deixar-se incorporar e não praticar a reforma íntima. Assim, existe até a possibilidade de, com o tempo, haver a libertação dos vícios e dos desregramentos. Portanto, uma pessoa com vícios não apenas pode frequentar uma religião (repito: não necessariamente a Umbanda), mas deve fazer isso.

07/11/06
Ponderador
Amigos,
Gostaria de fazer algumas considerações sobre a questão de ordem.Nosso ilustre entrevistado tem se mostrado bastante atencioso e polido com todos - entrevistadores e colaboradosres.Seguramente, como ele mesmo já destacou, não é dono de todos os conhecimentos existenes sobre o tema, o que muitas vezes tem induzido a alguns dos nosso bem intencionados amigos a postarem suas contribuições.Acredito também que é bastante delicado , para alguem que com tantos cuidados vem conduzindo a entrevista, se opor a quem queira , de boa fé, colaborar.Não me surpreende portanto que ele não tenha se manifestado contrariamente.Sugiro pois que, nossos amigos que veem nos brindado com suas informações complementares, aguardem a resposta do entrevistado e, somente após esta, caso necessario, postem suas observações.O protesto é coerente já que o formato, "entrevista", nos direciona ao entrevistado.Como também estamos a buscar conhecimentos, as contribuições, quando se fizerem necessarias, serão bem vindas.Desejo a compreensão de todos.Um abraço.

07/11/06
João Carlos
Questão de ordem:
O Douglas é companheiro meu em diversas comunidades especificamente destinadas à discussão da Umbanda. Conheço razoavelmente bem as posições dele quanto a várias das perguntas e dúvidas levantadas.Acontece, apenas, que eu tenho uma disponibilidade de tempo maior do que ele (eu sou um militar reformado).Mas - se minhas intervenções estão incomodando - eu, de bom grado, paro com elas e deixo o Douglas "carregar o piano" sozinho. A intenção era apenas a de colaborar, mas vejo que estão encarando isso como "vontade de aparecer".Só lamento.

07/11/06
Douglas
Obrigado, Ponderador.Seria redundante dizer o que quanto é ponderado e conduz bem essa comunidade.Meu querido João Carlos, já expressei em outras oportunidades a minha admiração por você, inclusive me dirigindo à sua página pessoal para isso. Sua colaboração tem sido de extrema importância não para todos nós, tenha certeza. Em uma outra postagem eu disse que não sei tudo (nem de Umbanda - religião a qual pratico - e nem mesmo de sociologia e história, ciências nas quais sou graduado) e desconfio muito daqueles que dizem saber tudo. Pessoas que dizem isso geralmente são prepotentes e falsos sábios. Não é o seu caso, meu amigo João, pois como eu já disse, você tem ajudado muito e em nada me incomoda suas intervenções. Aliás, tem me ajudado bastante. Da minha parte não me sinto nada incomodado com as suas postagens. Só tenho a lhe agradecer... fiquei preocupado naqueles dois dias que não pude responder as questões, mas por sorte o amigo estava aqui para me socorrer.Reafirmo aqui, publicamente minha admiração, respeito e gratidão por você.Axé.

08/11/06
Hilário Bispo
Dado o que está Posto
Dado o que está posto me considero fora da discussão e da comunidade.Vou pagar todas as minhas postagens que parecem ter motivado o Ponderadir a se manifestar - o que me parece incomum.Desejo sorte ao nosso irmão Douglas e faço minhas as palavras do nosso irmão João carlos: "que o Douglas carregue o piano", não tenho dúvidas de que ele tem capacidade e competencia para tanto.À LURDINHAjá corre na internet apossibilidade de um Locutório entre o Pai rivas e o Pai Rubens Saraceni, com o objetivo -finalidade mor da FTU, e certamente de muitos dirigentes- de fazeer grassar a paz e a união entre todos os umbandistas.

08/11/06
Hilário Bispo
É uma pena que o debate e a exposição de idéias não dejam aceitos num país democrático e sobretudo tratando de uma religião essencialment democratica.Um abraço a todos.Babal'arena

08/11/06
Douglas
Correção
Tenho o PÉSSIMO hábito de digitar muito rápido e em decorrência disso acabo cometendo alguns erros imperdoáveis. Só agora vi um erro gravíssimo, grosseiro e imperdoável que cometi na minha postagem anterior e gostaria de corrigi-lo. Onde eu escrevi: Meu querido João Carlos, já expressei em outras oportunidades a minha admiração por você, inclusive me dirigindo à sua página pessoal para isso. Sua colaboração tem sido de extrema importância não para todos nós, tenha certeza. LEIA-SE: Meu querido João Carlos, já expressei em outras oportunidades a minha admiração por você, inclusive me dirigindo à sua página pessoal para isso. Sua colaboração tem sido de extrema importância não só para mim, mas para todos nós, tenha certeza.João, Carlos, meu amigo. Peço mil perdões pela falha.

08/11/06
Douglas
Hilário, meu amigo.Não vejo razão para você sair da entrevista ou da comunidade, que é tão boa. Claro que você tem seu livre arbítrio, mas como já dissemos antes, divergncias sempre existirão. Da minha parte eu gostaria que você permanecesse, ainda que eu carregue o piano sozinho, o que eu acredito que felizmente não acontecerã.Abraços sinceros.

08/11/06
João Carlos
Ao Ponderador, Lurdinha, Melissa e quem mais se
sentiu "incomodado":O Douglas - que é o entrevistado - não se sentiu. Como ele mesmo disse acima, até agradeceu a "colaboração" em mensagem particular. Nunca me passou pela cabeça "usurpar" a condição do Douglas neste tópico. Apenas procurei agilizar o debate. Pena que ele tenha interpretado corretamente minha atitude, enquanto outros ficam se apegando a "regras formais".Eu cheguei a acreditar que o interesse em entrevistar um Umbandista fosse adquirir algum conhecimento sobre essa religião, tão bela e tão mal falada. Me enganei...Então - a partir de agora - quem quiser respostas a suas dúvidas, que espere as respostas do Douglas. Eu tenho plena confiança nele e não acho que ele precise de ajuda, a não ser pelo fato que ele salientou, na resposta à Luridnha:Obrigado a todos pela paciência com a minha demora para responder, pois ultimamente só estou tendo tempo à noitinha. O trabalho e o dever paterno graças a Deus tomam bastante o nosso tempo.Dixit.

08/11/06
Gabriela
Pergunta
Douglas eu não sigo nenhuma religião mas acredito em todas as religiões que pregam a caridade e a reencarnação principalmente pois esse me parece uma questão de lógica universal. Então eu não tenho conhecimento de umbanda, já li alguma coisa, gostei mas não me aprofundei e outras coisas eu nem entendi direito, mas recentemente ouvi dizer algo sobre uma relação entre apometria e umbanda. Aí fiquei me perguntando se a umbanda pode trabalhar com apometria. Sabe me dizer algo? Desculpe se eu estiver falando alguma besteira.

Douglas
Gabriela
Muitos dizem, sem conhecimento de causa, que a Umbanda é um religião para pessoas ignorantes e sem cultura. É uma grande mentira. A Umbanda é uma religião para todos, independente de raça, nível social ou cultural. Uma prova de que a Umbanda não é uma coisa de ignorantes é o uso de técnicas mais requintadas para auxiliar aqueles que necessitam. A apometria é uma dessas técnicas e vem sendo utilizada sim por alguns umbandista, que vêm obtendo resultados bastante positivos. A apometria não é uma técnica de uso exclusivo dos umbandistas, dos espíritas ou de qualquer outro credo. É uma ferramenta poderosa que a espiritualidade colocou à nossa disposição. Assim, muitos umbandistas usam dessa ferramenta em seus trabalho, mas veja bem: não é uma liturgia ou ritual que faça parte da Umbanda, mas pode ser utilizado perfeitamente pelos umbandistas.Diante da possibilidade de alguém desconhecer o que é apometria, acho que vale a pena dizer aqui do que se trata. A apometria é uma técnica que veio à luz do mundo graças às pesquisas do Dr José Lacerda de Azevedo. Segundo os praticantes da apometria, todos nós temos seis corpos sutis, além do material. Corpos esses, que só podem ser vistos através da mediunidade. A origem de determinados problemas, principalmente relacionados a saúde, relacionamentos e mágoas pretéritas, estariam nesses corpos sutis, e não no plano material. A apometria faz então um tratamento, indo além (a palavra apometria significa "além da medida") do corpo físico, buscando as causas desses problemas nesses corpos sutis (ou como alguns denominam, campos energéticos). A apometria costuma atacar a raiz do problema - não funciona como um simples paliativo, por isso tem se mostrado tão eficiente.Abraços.

08/11/06
João Carlos
Complementando o Douglas:
As Entidades Guias não deixam de fazer essa "limpeza áurica" quando rezam, cruzam e "descarregam". Os banhos de ervas e outras substâncias também têm esse efeito.Na Apometria - pura e simples - o "operador" usa o seu próprio envoltório áurico para essa "limpeza". É algo que necessita de muito treinamento, antes de passar à prática, uma vez que estaremos usando nosso próprio "perspírito" e até níveis mais "sutís" de nossa individualidade para isso.

08/11/06
Douglas
Sim, João Carlos, concordo contigo.A apometria não é a única forma de se fazer essa limpeza áurica, acho que não deixei isso claro. Sob alguns aspectos, em alguns casos específicos, acho que é até mais contundente. E concordo também quando diz que a pessoa que opera esse processo necessita de muito treinamento. Apenas a título de curiosidade (ou quem sabe até será útil a alguém), vou deixar um link de uma comunidade que trata do assunto apometria. O moderador da comunidade, Faiçal Baracat é uma pessoa extremamente competente e séria. Conheço pessoas que já se trataram com ele e obtiveram resultados incríveis.Segue o link:http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=7550243

08/11/06
João Carlos
E - quer saber, Douglas? - não dou muito tempo para a Apometria ser "agregada" à Umbanda. Diversas Casas já adotam essa prática, junto com Reiki, Cromoterapia e diversas outras "terapias alternativas" (cristais, florais, ervas medicinais, só para citar algumas).Aliás, praticar apometria, com um bom Exú do noso lado, deve ser até tranquilo...

09/11/06
Douglas
Pois é, João Carlos.Eu acho o fato da Umbanda agregar novas técnicas em seus trabalhos é um sinal que ela está em constante movimento. Da minha parte acho isso positivo, desde que não descaracterize sua essência. Tudo que vem para ajudar será bem-vindo, espero apenas que as boas tradições sejam preservadas.Abraços.

09/11/06
Melissa S.
Vamos lá. Eu adoro o espiritismo como filosofia de vida mas na prática eu acho muito elitizado. Da umbanda que eu adoro também já se tem outra impressão, de que é uma religião voltada mais para os populares, mas lendo sua entrevista e outras coisas também a gente vê q não é tão simples assim. é uma religião complexa. Me responda então Douglas se ela é uma religião voltada para todas as camadas sociais ou se está se intelectualizando também? ou apenas alguns iniciados detem conhecimentos. Voce e o João Carlos são excessões? A umbanda é formada na sua maioria por gente carente de conhecimentos emsmo? e quanto a questão social? abrange a todos ou há uma camada social que partipa de forma mais assídua?7kisses

09/11/06
Douglas
Melissa
Talvez você já tenha notado, mas eu tomo um cuidado imenso quando falo de outras religiões. Não porque quero ficar em cim do muro, mas por respeito mesmo. Acho difícil cobrar respeito à minha religião se eu não respeitar as demais. Mas já que você tocou no assunto, vou admitir aqui que eu acho sim que o espiritismo se tornou um pouco elitizado - tanto que a maioria de seus adeptos pertencem à classe média, e isso é fato constatado por pesquisas sérias. Não acho que isso faz do espiritismo uma religião melhor ou pior, é apenas uma característica sua, nada mais.Quando o Caboclo das Sete Encruzilhadas anunciou o surgimento da Umbanda, ele falou que seria uma religião destinada a trabalhar com espíritos de negros pobres e índios, assim como seria também destinada a agregar toda a população, independente de sua condição social. Portanto, a Umbanda é de todos, não é de pobres nem de ricos, nem de letrados e nem de incultos. No entando, muito provavelmente por preconceito, acreditou-se por muito tempo que a Umbanda era uma religião destinada às pessoas de menos cultura, que só os ignorantes procuravam um templo umbandista. Mas não é bem assim.Para ter um conhecimento de Umbanda não é necessária uma graduação acadêmica. Existem inúmeras pessoas, muitas semi-analfabetas, que possuem um conhecimento fantástico sobre a lógica umbandista. Nesse quesito é muito importante estabelecer a diferenças entre inteligência e sabedoria. Ser inteligente é deter conhecimentos, ser sábio é colocar esse conhecimento em prática da maneira correta, no momento adequado. Assim, esses trabalhadores da Umbanda, muitos deles semi-analfabetos como eu falei, possuem uma sabedoria sobre a espiritualidade que muita gente cheia de diplomas pendurados na parede não tem.Eu sempre defendo a tese de que é muito importante estudar para entender a Umbanda e seu funcionamento.

09/11/06
Douglas
Continuando
Eu sempre defendo a tese de que é muito importante estudar para entender a Umbanda e seu funcionamento. Esse estudo pode se dar através de livros, cursos, palestras (sempre tomando o devido cuidado com os embusteiros), mas principalmente dentro do terreiro, com as entidades.Longe querer fazer um marketing pessoal (e apenas para ilustrar a situação), vou usar o meu exemplo. Sou sociólogo e historiador. Num país com milhões de analfabetos, isso pode parecer grande coisa, mas lhe asseguro que não é. Posso até ter um certo conhecimento sobre essas duas ciências, mas quando o assunto é Umbanda, sem a menor dúvida aquele velhinho semi-analfabeto, que humildemente trabalha na caridade, tem muito mais sabedoria que eu, que sou apenas um aprendiz no assunto. Faço um esforço, pesquiso muito, mas sei que ainda tenho muito a aprender (não só na Umbanda, mas em toda a vida). E acho que a Umbanda, nesse sentido, me satisfaz muito, pois é uma religião onde estamos em constante aprendizado, pois as coisas não são tão simples como ficar rodopiando numa gira, fumando charutos e acendendo velas coloridas. Umbanda tem fundamento, é necessário muito estudo e muito preparo para realizar um trabalho decente e correto.Não podemos dizer em hipótese alguma que a Umbanda é uma religião destinada somente às camadas menos abastadas e cultas. Existem pessoas de todas as classes sociais trabalhando nas giras ou frequentando a assistência.Talvez pareça que a Umbanda está se elitizando porque hoje as pessoas falam com erudição sobre o assunto, mas na realidade isso é apenas um sinal dos tempos em que as informações são compartilhadas de forma de mais eficiente, democrática e fundamentada.Abraços.

10/11/06
Joao André
orientações
Fui a um terreiro procurar ajuda sobre uma dúvida relacionada a minha vida particular recebi uma orientação, não seguro voltei dois anos depois voltei a outro recebi uma orientação completamente diferente, como deve ser feita a decisão num caso desses?

10/11/06
Douglas
João André
A questão colocada por você é importante. Mas para analisar, temos que levar em consideração dois fatores:Primeiro:: Houve um intervalo de dois anos entre uma consulta de outra. O problema pode ser exatamente o mesmo, mas o intervalo de tempo pode ter mudado alguma coisa na orientação sobre como resolver o problema.Segundo: As entidades, inclusive as que dão consulta, assim como nós possuem sua individualidade, sua própria história e seus próprios métodos. Imagine a seguinte situação: você me pede uma opinião sobre determinado assunto e em seguida pede a opinião sobre o mesmo assunto para outra pessoa, também da Umbanda. As opiniões podem ser completamente diferentes.O mesmo se dá com os guias. Não é porque estão desencarnados que possuem uma homogeneidade de métodos e opiniões. Justamente por essa razão é que quando realizamos nossas giras não aconselhamos ninguém a se consultar com mais de um guia, pois casa um tem sua individualidade e seus meios, e normalmente as pessoas esperam uma coisa padronizada e isso é completamente sem sentido, já que estamos falando de seres com personalidade própria. Porém, mesmo tendo recebido orientações diferentes, os resultados podem ser positivos, você pode seguir o aconselhamente da entidade A ou B - a que melhor lhe aprouver, pois se forem entidades sérias, que trabalham em locais sérios, certamente os resultados serão positivos.Para dor de garganta alguns médicos receitam antibióticos.Outros receitam própolis.Os dois métodos podem ser eficiente.Abraços.

Joao André
Douglas
Muito obrigado, conversei com os guias Boiadeiro e João Boiadeiro, e na minha opinião terei que usar o livre arbítrio, já que é uma questaão muito individual e muito difícil de decidir, todavia... entendi sua mensagem e concordo com ela.1 grande abraço

10/11/06
Dri
Douglas voceê pode me falar alguma coisa sobre chacras?Isso tem alguma importância para a umbanda?

11/11/06
sueli
boa noite, gostaria q os entrevistados falassem alguma coisa sobre 1. o povo do oriente2. qual o papel do guia em nossas vidas.obrigada pelo convite para participar. gostei muito de tudo que li neste topico, aprendi mais sobre nossa querida Umbanda.

11/11/06
ماري ميلا Madame
Douglas,
Obrigada pelo carinho e pela resposta. Continuo aqui acompanhando e aprendendo, mas vou dar a vez a outros com mais dúvidas!Bjs!

11/11/06
ماري ميلا Madame
Bom, existem regras na comunidade, mas o Hilário e o João Carlos não desacataram ninguém, ao contrário, nos deram mais material para esclarecer nossas dúvidas. Não entendi a rigidez...Parabéns aos dois. Obrigada pela resposta sobre o sacrifício de animais, Hilário, apesar de eu não concordar com isso e achar q seja especismo, tenho q tentar entender do ponto de ista de quem a pratica, não é mesmo?Bjs!

11/11/06
Carlos
Douglas
Tem uma questão minha em 07/11/2006 04:09 que você não respondeu.Poderia respondê-la, por favor? Se possível, é claro.

11/11/06
Douglas
Dri
A palavra chacra ou chakra tem sua origem no sânscrito e significa círculo de luz ou rodas de luz, podendo ser entedida também como vórtices de luz, já que são pontos de energias muito fortes. Os chacras são como catalizadores de energia. Absorvem a energia do ambiente para o corpo energético e também para o corpo físico. Podem servir também como irradiadores de energia - irradiar ou absorver energia é um fator de depende de cada pessoa e de cada circunstância. Como pode ver, os chacras, sendo pontos de irradiação ou absorção de energias, são muito importantes sim nos trabalhos de Umbanda, pois neles os guias que nos auxiliam nada mais fazem do que manipular energias.Existe uma imensa discussão sobre o número de chacras e a função de cada um, pois várias vertentes se valem desses pontos energéticos para os seus trabalhos e cada qual faz a sua interpretação, mas vou citar alguns apenas para exemplificar:Coronário; localizado no alto da cabeça, é um ponto de grande absorção de energia astral/espiritual (notou a semelhança daquio que chamamos de ORI na Umbanda?).Frontal: localizado na testa, é a ponte que nos liga a outros planos extra-físicos ou espirituais (note que muitas vezes, quando uma mãe ou pai-de-santo quer "chamar" o guia de um médium, ele coloca a mão sobre sua testa).Laríngeo: localizado na garganta, é o chacra ativado no momento em que ocorre o fenômeno da psicofonia, por isso quase sempre acontece uma alteração na voz do médium quando seus guias incorporam.Cardíaco: é um ponto de concentração de grande energia. Muitos defendem a idéia de que é o chacra que concentra a energia do amor divino.

11/11/06
Douglas
Continuando
Plexo Solar: localiza-se na região do umbigo e está muito ligado ao emocional do indivíiduo, responsável também, portanto, pelo equilíbrio e pelo auto-controle.Chacra básico: localizado no final da coluna vertebral, absorve energias que, entre outras coisas, auxiliam no bom funcionamento do nosso corpo físico, principalmente no que se refere à circulação.Chacra genésico: é um poderoso catalizador de energias, que age sobre a coluna vertebral, sistema central e periférico e em todo o aparelho urinário e reprodutor. O mau uso desse chacra e de suas energias podem desencadear emoções, ações e reações indesejáveis, pois ele atua sobre as energias mais primitivas do ser humano.Como você pode ver, Dri, os chacras são os portões de entrada para o corpo físico, pois através deles deles se dá o ingress de todo tipo de energia que tem como objetivo equilibrar e energizar a matéria e o espírito.Na verdade, falei de uma forma muito superficiar sobre os chacras, visto que o assunto é extremamente extenso e, como já disse, varia muito de acordo com a linha de estudo. Há quem chegue a afirmam que temos até 88.000 chacras, mas essa é uma outra história que, pelo número gigantesco, é muito longa.Abraços.

11/11/06
Douglas
Sueli
Obrigado pela participação.Antes de falar sobre o povo do Oriente, é bom lembrar que a Umbanda não é uma religião estática, que permaneceu imóvel desde o seu surgimento. Diversos elementos foram sendo agregados ao longo do tempo, dando um dinamismo à religião. A Umbanda é uma religião brasileira, mas nem por isso trabalha somente com elementos brasileiros. Ela é brasileira já que surgiu no Brasil, mas é universalista no sentido de abrager outros povos e culturas.Algumas casas de Umbanda até hoje não trabalham com a chamada Linha do Oriente, pois ela não faz parte da tradição inicial da Umbanda. Outras religiões de origem afro não trabalham com essa linha, justamente por não estarem mais ligadas às suas tradições.Esses espíritos, no meu entender, vieram somar sua sabedoria ao culto umbandista. Fazem parte dessa linha os ciganos, os hindus e já ouvi falar até de árabes. Na minha opinião, todos aqueles que querem contribuir com o crescimento espiritual e com a caridade são bem-vindos. Muitos desses espíritos chamados do oriente auxiliam em casos de cura e em questões de ordem financeira também, mas é importante lembrar que tudo acontece segundo o merecimento de cada um. A segunda questão colocada por você, "qual o papel dos guias em nossas vidas", acredito ser um tanto pessoal, pois cada um dá aos seus guias a importância que acha devida. Falando do meu caso em especial, eu tenho um imenso respeito por eles, pois seus conselho sempre são verdadeiras fontes de sabedoria e ponderação. Para mim, desempenham um importante papel nesse sentido: são grandes amigos, protetores e conselheiros, por quem tenho grande respeito. Acredito que a maioria dos umbandistas pensa da mesma forma.Mas tem uma coisa que acho importante ressaltar: infelizmente muita gente se torna dependente dos guias. Existe o mundo espiritual e ele nos ajuda muito, mas temos que manter os pés no chão e saber separar as coisas, nem tudo é função dos guias. Eles não devem nos servir, mas não de muletas.Abraços.

11/11/06
Douglas
Madame
Mais uma vez agradeço suas palavras generosas e agradeço por estar acompanhando a entrevista. Tenha um ótimo final de semana.

Ponderador
Amiga Madame,
"Bom, existem regras na comunidade, mas o Hilário e o João Carlos não desacataram ninguém, ao contrário, nos deram mais material para esclarecer nossas dúvidas. Não entendi a rigidez..."De fato as regram preveem a situação ocorrida.No entanto, lembro-lhe que ninguem _nem o Hilário nem João Carlos - foram discartado em momento algum. Apenas foi pedido que suas pertinentes complementaçoes fossem postadas após a resposta do entrevistado.Isto objetivou o cumprimento ds regras e atender as reinvidicçãoes, não menos pertinentes, de outros entrevistadores. Lamento ter havido a necessidade deste ajuste que, por consequencia, gerou interpretações equivocadas (especismo) do real e Real objetivo.Agradeço a atenção e compreensão.Um abraço.

11/11/06
Douglas
Carlos
Mil perdões por não ter respondido a sua questão. Realmente foi um lapso.Como sua postagem ficou em páginas anteriores, eu a copiei para colar aqui. Vamos a ela:"- A casa que vc freqüenta realiza batizados, casamentos e cerimônias fúnebres?- o que você acha de umbandistas se casarem na Umbanda e também na igreja católica? Ou batizarem os filhos na Umbanda e também na igreja católica?- e a última: por que muitos umbandistas (acho que a imensa maioria) insistem nos rituais católicos como missas de 7º dia e os que citei acima? Não está passando da hora de separar as coisas?"Respondendo:Sim, a minha casa realiza esses rituais, mas felizmenteu eu nunca precisei participar de uma cerimônia fúnebre, pois prezo muito todos que trabalham lá e os quero muito vivos e saudáveis (risos).Quanto a umbandistas se casarem e batizarem seus filhos na Igreja Católica, eu faço uma pequena análise sociológica: o casamento e o batizado católico é um evento mais social do que religioso. Segundo o senso comum, é uma espécie de rito de passagem e de consagração que se não for realizado dentro de um templo católico, parece não ter validade. Veja só, você mesmo disse que se casou na Umbanda e que poucos convidados compareceram. Era como se a cerimônia religiosa não tivesse sido realizada de fato. Essa é uma tradição que está arraigado no inconsciente coletivo, moldado desde tempos antigos pela nossa colonização católica.Se é tempo de se separar as coisas? Com certeza sim. É um trabalho árduo, pois mexe com estruturas sociais e culturais, costumes extremamente profundos em nossa sociedade. Mas o umbandista deve valorizar sua religião e um forma de fazer isso, é realizar os rituais e cerimônias de cunho social dentro dela.Espero ter ajudado de alguma forma.Abraços fraternos.

11/11/06
ماري ميلا Madame
Ponderador, obrigada pelo esclarecimento mas, realmente, não consegui enxergar como erradas as atitudes dele. Mas, de qualquer forma, foi bom vc me esclarecer para q, caso vc entreviste algum professor de Língua Portuguesa aqui, eu não me empolgue e acabe atentando contra as regras e causando mal estar, o q não é definitivamente meu objetivo aqui!Um grande abraço e obrigada pelo carinhoso AMIGA!Continuo aqui aprendendo.

12/11/06
Carlos
Douglas
Obrigado pela resposta. É isso aí mesmo, acho.o umbandista deve valorizar sua religião e um formaa de fazer isso é realizar os rituais e cerimônias dentro dela.Espero que muitos umbandistas leiam.Forte abraço.

12/11/06
sueli
o senhor poderia me dizer alguma coisa sobre a s linhas de iansã e de iemanjá.

12/11/06
João Carlos
Ponto de defumação:
"A Umbanda cheirou a Guiné,A Umbanda cheirou a Alecrim,A Umbanda cheirou a Alfazema,A Umbanda cheirou a Benjoim..."A explicação eu deixo para o Douglas...

12/11/06
FernandoUr
a Bíblia e a Umbanda.
Boa tarde, Dora! Bonan tagon, Dora! A paz esteja contigo!Pedimos permissão ao nosso irmão umbandista, entrevistado neste tópico, e na condição de facilitador de estudos na Umbanda, mesmo sendo espiritista, respondemos que os Espíritos Preto-velhos, Pretas-velhas, Caboclos e outros recomendam a leitura da Bíblia, bem como têm em alto apreço o Sermão do Monte, de Jesus Cristo, considerado o Orixá Oxalá.No livro "Lições de Umbanda e (Quimbanda) na palavra de um Preto-velho", de Woodrow Wilson da Matta e Silva, publicado pela Saraiva Editora, o Espírito Pai Guiné de Angola refere-se ao Sermão do Monte como um tratado de educação do Espírito imortal.Dora, a Bíblia contém muitos fenômenos espirituais que necessitam ser explicados corretamente pela Ciência Espírita, bem como ensinamentos muitos bons para ser estudados e aplicados na vida de cada um de nós.Um abraço fraternal! Frata brakumo!

12/11/06
Douglas
Fernando
Se me permite, vou acrescentar algumas coisas à questão levantada pela Dora, mesmo porque apesar do imenso respeito que tenho pelo Espiritismo, não o reconheço como ciência, e sua doutrina difere em alguns pontos da Umbanda, cujo prisma é o norte dessa entrevista. Perdoe-me se não estou sendo muito agradável, mas acho importante em primeiro lugar colocar a visão umbandista sobre as questões levantadas. Depois podem vir as discordâncias, as quais debateremos prazerosa e educadamente. Agradeço o seu auxílio, mas gostaria que antes de analisar as questões sob a ótica de uma outra religião, a mesma fosse analisada primeiro pelo ponto de vista umbandista. Obrigado pela compreensão.Respondendo à questão da Dora:Veja bem, a Umbanda não possui uma codificação, portanto não se baseia nos ensinamentos de nenhum livro doutrinário. Numa outra postagem eu disse que apesar de sua origem ser brasileira, eu considero a Umbanda uma religião universalista, pois agrega elementos de várias partes do mundo. Assim nada impede que se utilize os bons ensinamentos contidos na Bíblia ou em qualquer outro livro. Como o nosso amigo Fernando disse acima, os pretos velhos, além de outras entidades, costumam citar ensinamentos bíblicos. No entanto, existem umbandistas que não se consideram cristãos, principalmente aqueles mais ligados às raízes africanistas. Dessa forma, tomar a Bíblia como um livro doutrinário da Umbanda seria um erro, pois iria ferir uma de suas principais caracteríscas: a pluralidade. E bem sabemos que a Bíblia possui vários trechos exclusivistas.Em tempo: Fernando, o seu post acima me fez lembrar uma passagem interessante, em que Mahatma Gandhi (que por sinal nao era cristão) disse que mesmo que toda a história do cristianismo se perdesse, e sobrasse apenas o Sermão da Montanha, ainda assim estaria sintetizada ali toda a filosofia cristã.Abraços.

Douglas
Sueli
Iemanjá é um dos orixás mais cultuados e conhecidos no Brasil. É o único orixá da Umbanda que não tem sua imagem sincretizada com nenhum santo católico. Segundo dizem, uma médium teve uma visão de Iemanjá e a descreveu a um artista, que a reproduziu da forma como conhecemos hoje. A palavra Iemanjá vem do iorubá Yèyé omo ejá, que traduzido, seria algo como "mãe dos peixes". Justamente por ser um orixá que representa as águas, está ligado à fecundida, fertilidade e maternidade - o princípio de tudo. Não é à toa que é considerada a mãe de quase todos os orixás. Segundo os arquétipos, as pessoas regidas por Iemanjá são maternais, choronas, protetoras (mas veja bem, isso é apenas um arquétipo, não é regra).A linha de Iemanjá é considerada uma das mais fortes na Umbanda, trabalhando com limpeza, purificaçao, auxiliando em assuntos de saúde. Costumam dar uma atenção especial às crianças, visto que são extremamente maternais.Iansã é a dona das tempestades e dos raios, dizem que a única orixá que entra no cemitério, por ser muito respeitada pelos eguns. Atua em trabalhos de justiça, pois é uma grande guerreira, junto com Xangô. Segundo os arquétipos, os filhos de Iansã são agitados, práticos, querem resolver tudo rapidamente, detestam injustiça, são bravos (mas lembrando novamente que trata-se de arquétipos, não é regra). Costuma ser sincretizada com Santa Bárbara. Quando os médiuns incorporam (os falangeiros de) Iansã, costumam dançar girando muito rapidamente. Nesse movimento, Iansã costumadesagregar energias perturbadoras, levando tudo aquilo que porventura pudesse estar incomodando. Na minha opinião, é um dos orixás mais bonitos de se ver quando em terra.Esse assunto é extremamente extenso, por isso eu tentei ser o mais objetivo possível. Espero ter conseguido esclarecer alguma coisa.Abraços.

12/11/06
Douglas
Luís
As ervas na Umbanda são de extrema importância, cada qual tendo, muitas vezes, várias utilidades. No início das giras sempre ocorre a defumação com alguns objetivos: transmitir o axé aos médiuns, fazer uma limpeza áurica (não apenas nos médiuns, mas em toda a assistência) e a limpeza do ambiente. Algumas ervas funcionam até como contra-egum, afastando quiumbas e zombeteiros que porventura possam atrapalhar os trabalhos.Mas não apenas nas giras as ervas devem ser utilizadas. Nós que trabalhamos com a mediunidade temos que estar sempre atentos e vigilantes, por isso é importante também em casa fazer os banhos de defesa (com as ervas adequadas a cada um - é bom lembrar que cada caso é um caso), assim como defumar a casa de vez em quando também. É o princípio do orai e vigiai colocado em prática.João Carlos, lembrei de um outro ponto, que gosto muitoCorri gira, Pai Ogumfilho quer descarregara Umbanda tem fundamentoé preciso prepararcom incenso e benjoimalecrim e alfazemadescarrega filhos-de-fécom as ervas da jurema

12/11/06
João Carlos
Outro ponto de defumação:
"Defuma com as ervas da Jurema,Defuma com arruda e guiné,alecrim, benjoim e alfazema,vamos defumar filhos de fé".(O que você escreveu e este aqui são os que usamos durante a defumação, na "minha" Casa).

12/11/06
!¡..alliehS..!¡
Muito axé
"Iansã é a dona das tempestades e dos raios, dizem que a única orixá que entra no cemitério, por ser muito respeitada pelos eguns. Atua em trabalhos de justiça, pois é uma grande guerreira, junto com Xangô. Segundo os arquétipos, os filhos de Iansã são agitados, práticos, querem resolver tudo rapidamente, detestam injustiça, são bravos (mas lembrando novamente que trata-se de arquétipos, não é regra). Costuma ser sincretizada com Santa Bárbara. Quando os médiuns incorporam (os falangeiros de) Iansã, costumam dançar girando muito rapidamente. Nesse movimento, Iansã costumadesagregar energias perturbadoras, levando tudo aquilo que porventura pudesse estar incomodando. Na minha opinião, é um dos orixás mais bonitos de se ver quando em terra."Linda descrição!!!Eu sou filha de Iansã e Xango, moro em Ctba. Trabalho em um terreiro aqui.Minha pergunta é, o q o o Sr. acha da "codificação da Umbanda", uma vez q via de regra, cada terreiro tem seguido seu pprio modo de trbalhar, justamente por não haver uma regra geral. Ou o Sr, acredita q com a normatização, os terreiros perdem um pouco da sua essência e de sua identidade?

12/11/06
João Carlos
Estendendo um pouco a explicação do Douglas:
O uso de fumaça de ervas aromáticas é uma coisa comum, praticamente, a todas as religiões. Até os Católicos o fazem, usando, principalmente o benjoim (chamado por muitos de "incenso de Igreja" - é uma resina aromática, orignalmente encontrda na Ilha de Java, de onde vem seu nome, em idioma persa antigo: "luban javi").Igualmente usados por muitas entidades são essências aromáticas (a mais comum é a alfazema) em líquido, que são fricionados nas mãos e braços. Muitos Pretos Velhos se valem disso, e de bastões de incenso, também.Outro recurso é o de usar ervas dentro do fumo do cachimbo (mais usados: erva doce, cravo e canela).Um dos fundamentos mais básicos da Umbanda (e de diveras outras religiões) é que os espíritos em geral são extremamente sensíveis ao "cheiro" (ou como dizem os mais africanistas "futum"), seja de essências, seja de fumaças aromáticas, seja de aromas desagradáveis (usados para espantar os malfazejos: bosta de vaca queimada e amônia - desta última é que vem a idéia de usar urina para "cortar feitiços"), inclusive o aroma das "comidas de Santo".Os banhos de ervas maceradas ("guinadas") têm o duplo efeito do aroma e do poder magístico e curativo das ervas, sendo muito forte a influência dos indígenas brasileiros neste aspecto (afinal, os africanos usam ervas, mas o Brasil é particularmente rico nisso).

13/11/06
Melissa S.
Mais uma vez obrigada pela entrevista de muito bom nível.Perguntinha básica. Qual a diferença entre egum e quiumba?

13/11/06
Douglas
Sheilla
Esse assunto (a codificação da Umbanda) já foi debatido aqui, mas acho que vale a pena retomá-lo, ainda que brevemente, visto que é um tema que constantemente está em pauta. Eu não vejo com bons olhos a codificação da Umbanda justamente porque acredito que isso iria ferir o que ela tem de mais rico: a pluralidade e flexibilidade. A partir do momento que um religião é codificada, ela assume dogmas e regras são impostas - isso pode, aquilo não pode - e isso impediria que a diversidade umbandista continuasse sendo praticada, assim como impediria também que novos elementos fossem agregados e, na minha opinião, a Umbanda é um religião ainda em formação, que certamente ainda tem novas coisas a acrescentar em sua liturgia.Abraços.

13/11/06
Douglas
Melissa
Egun é todo espírito desencarnado, independente de seu grau de evolução.Já os quiumbas (ou kiumbas, como alguns preferem) são aqueles espíritos trevosos, que se dedicam à prática do mal, muitas vezes se dispondo a realizar trabalhos excusos mediante um pagamento. Também são classificados como "zombeteiros". Portanto, todo quiumba é um egun, mas nem todo egun é quiumba.João Carlos, obrigado pela ajuda na resposta sobre a defumação.

João Carlos
Então, me permita fazer coro em sua resposta à
Sheila:A Umbanda é uma religião recente, com diversos ramos afluentes: os mais significativos são o Espiritismo (erradamente chamado de Kardecismo, todo Espiritismo é Kardecista: os demais são Espiritualismo), e as práticas de origem africana e afro-indígena (são tantas que seria chato enumerá-las; o termo genérico "Candomblé" engloba coisas muito diferentes). Agora temos mais uma vertente "esotérica" que busca raízes no paganismo europeu e nas religiões orientais.Ainda é muito cedo para uma "Codificação", ou uma versão Umbandista do Concílio de Nicéia (Zambi não permita!). A diversidade é a "Marca Registrada" da Umbanda e, no meu entender, sua maior virtude.

14/11/06
Douglas
Perfeito, João Carlos.E como você bem disse, "que Zambi não permita".

14/11/06
Melissa S.
Dougls voce falou várias vezes que a umbanda é uma religião brasileira. Então vema minha pergunta. Se a umbanda é brasileira ela não é praticada em outros países?E se não é, isso não consituiria um prejuízo para aqueles que possuem mediunidade em outros países?E os estrangeiros...... um inglês por exemplo. É possível que ele trabalhe com entidades de umbanda?

14/11/06
Douglas
Melissa
A mediunidade é um fenômeno universal; não pertence exclusivamente a nenhum país e a nenhuma religião. Assim, em qualquer canto do mundo existem pessoas que chamamos de médiuns. E embora a Umbanda seja uma religião de origem brasileira, ela já é praticada em outros países. Já ouvi relatos de que é praticada nos Estados Unidos e no Japão, além de outros países. Claro que nesses países não se encontra terreiros de Umbanda com a mesma facilidade que aqui no Brasil, mas ela é praticada em outros países sim.Mas como eu disse, a mediunidade é um fenômeno universal, não ocorre somente no Brasil e nos templos de Umbanda. Se uma pessoa que vive em outro país possui mediunidade, ela poderá trabalhar essa faculdade de outra forma, em outra religião.Quanto a estrangeiros trabalharem com entidades de Umbanda, é perfeitamente possível, por que não? No centro que frequento, temos o orgulho de trabalhar com um senhor italiano de 82 anos que incorpora um caboclo tranquilamente.Portanto, conheço um exemplo vivo de que isso é possível sim.Abraços.

14/11/06
Lurdinha
Muito do que se fala sobre a umbanda é folclore com certeza. Mas o que voce tem a me dizer sobre pessoas que se dizem umbandistas mas que não tem um comportamento vamos dizer assim, exemplar? Eu acho que quem trabalha fazendo a caridade devia ter um comportamente exemplar mas não é isso que sempre vemos. Não quero dizer que são todos, mas conheço algumas pessoas desse meio e pelo menos metade delas não tem um comportamento exemplar.

15/11/06
João Carlos
Douglas:
A pergunta de Melissa me traz algumas dúvidas também. Se pratica muita Umbanda na Argentina e Uruguai, também.Mas eu fico a pensar: Os Estados Unidos têm uma composição étnica semelhante ao Brasil, com nativos, negros importados como escravos e europeus colonizadores. Será que os Pretos Velhos lá se apresentam como "Father Joe from the Coast", "Grammy Louise from Mississipi"? E os Caboclos de Pena: "Chief Runnig Horse", "Squaw Cipress"? E aos nossos boiadeiros corresponderia o que? Cowboys? Dá para imaginar um Exú (que eles devem pronunciar "Ishoo") "of the Seven Crossroads"?Sem contar que as diferenças de sotaque, lá, são enormes. E que diversos índios e escravos viveram com colonizadores espanhóis e franceses... Que raios de língua será que eles falam?Deve ser, no mínimo, curioso...

15/11/06
Douglas
Lurdinha
Sabemos o quanto é importante o uso racional da mediunidade, isso é unânime, creio eu. No entanto, seres imperfeitos que somos, vez ou outra (ou até muitas vezes) acabamos nos tornando displicentes, cometendo algumas falhas.Sabemos também que o trabalho mediúnico requer toda uma disciplina, seja na Umbanda ou em qualquer religião espiritualista, mas o que acontece quando os trabalhadores das casas umbandistas acabam por deixar a indisplina dominar?Uma casa que trabalha com a espiritualidade deve observar uma série de regras disciplinares: horário de início e término dos trabalhos, conduta dos médiuns que nela trabalham, seriedade do dirigente e dos demais membros, assuntos fúteis não devem ser colocados na pauta dos trabalhos, a prática da caridade deve ser verdadeira, e não servir para ocultar interesses excusos, certos preceitos devem ser seguidos antes do início dos trabalhos, como a não-ingestão de bebidas alcoólicas etc, etc, etc.Mas nem sempre é dessa forma que agem os trabalhadores, os médiuns casas umbandistas (e espiritualistas em geral).Certamente ali não estarão presentes os espíritos esclarecidos, dedicados à prática do bem. Trabalhar como médium deve ser encarado como um sacerdócio e, como tal, requer disciplina e abnegação.Usando um exemplo grotesco, que tipo de entidade um médium que passou o dia inteiro no bar, ingerindo bebida alcoólica, poderia receber à noite?Existe a lei da afinidade, e certamente não seria uma falange de luz que esse médium estaria carregando consigo para dentro do centro.Tal procedimento, na minha opinião, não condiz com a prática mediúnica, estando na realidade, abrindo as portas para zombeteiros.MAS SERÁ QUE EXISTEM PESSOAS QUE AGEM ASSIM? perguntarão alguns.Tenho certeza que sim... infelizmente.

15/11/06
Douglas
Continuando
Agora vou um pouco mais além..O que dizer então daqueles irmãos que seguem os preceitos no dia dos trabalhos, chegam pontualmente ao local, rezam a cartilha perfeitamente, mas ao sair de lá esquecem tudo que pregaram e tudo que praticaram?Á primeira "fechada" que levam no trânsito maldizem todas as gerações passadas e futuras do outro motorista... falam mal dos vizinhos, invejam os colegas de trabalho...Talvez alguns achem que o meu papo aqui é furado... talvez seja mesmo, mas o ponto que eu quero chegar é:Estamos desempenhando bem o nosson papel na escala evolutiva, cumprindo aquilo que seria nosso dever enquanto trabalhadores da espiritualidade?A disciplina não deve ocorrer somente nos dias de trabalho e nem após eles. Ser umbandista é vivenciar a caridade, o amor e os ensinamentos dos nossos guias e protetores 24 horas por dia, 7 dias por semana. Difícil fazer isso? Muito difícil, com certeza, mas não é impossível e ainda que consigamos fazer uma pequena parte, com a convicção e o esforço de malhorar diariamente, já é alguma coisa.Com certeza esse tipo de atitude descrita por você não é um problema exclusivo da Umbanda nem de nenhuma religião, mas sim um traço inerente à imperfeição humana, que corrompe qualquer princípio religioso.Felizmente existem pessoa cuja conduta é exemplar e conseguem elevar o nome da religião que praticam.O que as pessoas, de um modo geral, esquecem é que qualquer religião prega a reforma íntima e, no caso da Umbanda, a coisa pode ficar ainda pior, porque os neófitos e os menos informados se acham possuidores de um pseudo-poder, vindo assim a julgar-se acima do bem e do mal, achando até que podem amedrontar alguém.Mas volto a dizer: isso é coisa de gente desinformada, ignorante dos objetivos da sua religião e/ou deturpadores da Umbanda.

15/11/06
Douglas
João Carlos
Ishoo of the Seven Crossroads é ótimo.Fiquei me perguntando se na Argentina alguém incorpora a pombagira Evita Perón, cujo ponto cantado é "Don't cry for me Argentina".Mas brincadeiras à parte, me lembro de que, quando cursava a faculdade de sociologia, ter lido uma tese sobre rituais de origem afro em toda a América, e isso incluía os Estados Unidos, onde em alguns estados do Sul eram praticados rituais muito semelhantes ao vodu, que por sua vez tem suas semelhanças com o Candomblé. Isso sem falar nos rituais de xamanismo.Mas obviamente que nos países onde se pratica a Umbanda da forma como concebemos, isso ocorre sob a influência e certamente com a presença de brasileiros, já que aqui é a sua origem.Abraços.

15/11/06
Gabriela
Minha pergunta é bem direta.OS ORIXÁS MOLDAM A NOSSA PERSONALIDADE?

João Carlos
É claro, douglas, que os núcleos Umbandistas nos
EUA são das colônias brasilerias:Mas deve haver outros latino-americanos e mesmo alguns médiuns de sangue europeu. A menso que se valham de Cambonos bilíngues. (Eu já passei por isso: uma Americana foi à nossa casa e não falava português: eu tive que fazer "tradução simultânea". Graças a Zambi, funcionou...)Nossa Casa tem dois médiuns argentinos que rebem "malandros" tipicamente "portenhos". É de morrer de rir...No sul dos EUA, a influnência é mais Jeje (daí o nome "voudou", derivado de "Vodunci") e é meio "quimbandeiro" no sentido até pejorativo. Já em Cuba, esxiste a "Santeria", com sincretizações totalmente diversas a do Candomblé. A Flória deve ser cheia de Santerias.Mas não exite nenhum culto africanista de origem americana (ou, se existe, desconheço). Normalmente, eles são mais ligados aos feitieiros indígenas, ou ao neo-paganismo europeu.Eu confesso minha ignorãncia sobre tais práticas, mas confesso que não me surpreenderia em ver um "Old Negro" falando com sotaque de Louisiana.

16/11/06
Douglas
Gabriela
Sua pergunta realmente foi direta, mas a resposta não poderá seguir a mesma linha, com um simples SIM ou NÃO.Temos que levar em conta alguns fatores:Primeiro: não temos um só orixá regendo nossa vida. Temos o chamado orixá de cabeça (ou de ancestre, que é o principal), de frente e o de adjunto (ou juntó). Portanto, se a nossa personalidade fosse um simples resultado das características dos nossos orixás, na verdade seríamos uma mistura do axé desses três orixás. Obs: existe também a tese de que existem mais de três orixás regendo a vida de cada pessoa, portanto, nesse caso, a personalidade seria uma mistura dos atributos de cada um deles exercendo maior ou menor influência sobre o indivíduo.Segundo: acredito que a explicação acima, embora aceita e defendida por muitos, é extremamente simplista. É muito fácil atribuir nossas qualidades e defeitos aos nossos orixás. Essa explicação não leva em conta os fatores psicológicos e sociais que influenciam na formação do indivíduo. Seria muito simples colocar a culpa de nossos atos nos orixás."Fulano de tal é vingativo porque é filho de Nanã" - será que essa explicação seria suficiente para explicar um ato (positivo ou negativo) de alguém? Acredito que não, assim como acredito que a fé deve ser exercida com racionalidade, e acreditar que os orixás podem moldar nossa personalidade é crendice ou fuga da realidade.O que existem são arquétipos, modelos, que podem exercer alguma influência sim, mas sem jamais determinar os atos de alguém, afinal, nossas escolhas e os frutos delas são resposabilidade exclusiva de cada um, que deverá arcar com suas consequências.

16/11/06
Melissa S.
Eu concordo com o q vc falou Douglas, mas a titulo de curiosidade vc poderia colocar os arquétipos dos principais orisàs?obrigada.

16/11/06
Le.an.dro
minha pergunta eh proveniente de uma duvida que tenho a algum tempo..estou fora do Brasil a alguns anos e, por isso, nao posso observar por mim mesmo....sempre vi na Umbanda, a comecar pelo nome, uma pratica ou "religiao" mais unificadora e intrinsicamente ligada aa realidade da cultura brasileira....sempre me encantaram toda a riqueza e relacao psicologica das musicas, cores e arquetipos belissimos, profundamente simbolicos e significativos..assim como a pratica social positiva, a certa exploracao de "estados alterados de consciencia" e conhecimentos relacionados aas ervas, remedios naturais....vendo o constante crescimento e popularizacao das igrejas evangelicas, me pergunto se a umbanda sofre, hoje, uma queda no numero de praticantes e terreiros.. ao meu ver, existem alguns evangelicos com contribuicoes positivas aa nossa sociedade..mas me parece uma cultura e "religiao estrangeira" querendo mudar a base dessa nossa cultura e orgulho ao combater e criticar as religioes afro-brasileiras como "coisa do demonio"...vcs tambem veem dessa maneira? as religioes afro-brasileiras vem sofrendo mesmo um declinio? gostaria de aproveitar e parabenizar o ponderador ou pessoa responsavel pela excelente escolha do entrevistado

16/11/06
Douglas
Melissa
Não custa nada lembrar, como já foi dito antes, que esses apenas arquétipos, e que não devem ser tomados como regra. Pode ser que o filho de um determinado orixá apresente algum desses traços de personalidade, mas quem fala mais alto é o seu livre arbítrio, sua forma de conduta e a sua formação psicológica, moral e social. Mas atendendo ao seu pedido, aí vai a lista de orixás e alguns de seus traços.Oxalá: Líder, benevolente, generoso, responsável, confuso, ansioso, rígido.Iemanjá: Maternal, protetora, competente, dedicada, mandona, possessiva, intrigante, chorona.Omolu: Reservado, solitário, simples, trabalhador, depressivo, doentio, pode apresentar problemas de pele, doença nas pernas e na coluna.Nanã: Introvertida, austera, madura, rabugenta, vingativa, intrigante. Pode apresentar problemas de coração e circulação.Xangô: Autoritário, severo, líder, egocêntrico, mandão. Pode apresentar problemas de hipertensão.Iansã: Passional, audaciosa, alegre, agitada, líder, vaidosa, irratadiça.Ogum: Corajoso, aventureiro, explosivo, pouco sofisticado, bom coração.Oxóssi: Refinado, exigente, sensível, discreto, rancoroso, sábio.Oxum: Bonita, elegante, charmosa, doce, possessiva.Acho que apenas para ter uma idéia já está bom. E não esqueça que essa relação não deve ser tomada como regra.Abraços.

16/11/06
Douglas
Dom.
Em primeiro lugar gostaria de agradecer as suas palavras muito generosas.Gostei muito do que você escreveu sobre a riqueza da Umbanda, no que tange aos rituais, mediunidade, uso de ervas e tudo o mais. Realmente esse é o resultado de todo um processo étnico/cultural que fervilhou num caldeirão antropológico por anos e anos.Quanto à questão do crescimento das religiões evangélicas, é bom levar algumas fatos históricos e sociais em consideração:1. Durante muito tempo (especialmente nos tempos da ditadura e final dela) a grande vertente católica na América Latina era a Teologia da Libertação, que se engajava mais pelos assuntos políticos e sociais do que religiosos. Isso criou a possibilidade de fazer as igrejas evangélicas ocuparem um vácuo espiritual entre os cristãos que não aceitavam o Espiritismo, nem a Umbanda ou o Candomblé. Em parte se explica aí o crescimento dessas igrejas.2. Com o pontificado do papa João Paulo II, iniciou um processo de retração da Teologia da Libertação, inclusive com a perseguição de alguns de seus principais líderes. Mais tarde isso abriu a brecha para a Renovação Carismática, que objetivava resgatar (ou pelo menos não perder) os fiéis que migravam para as igrejas evangélicas.3. A situação econômica do Brasil se mostrou extremamente instável durante vários anos, especialmente nos governos Sarney e Collor. Essa instabilidade econômica, é claro, influenciava em muito a vida dos trabalhadores mais carentes, que encontravam um alento e uma esperança nas palavras pregadas pelos pastores evangélicos. Todos esses fatores, entre outros mais, explicam o crescimento dessas igrejas, que tem sim origem européia e/ou norte-americana (ao contrário da Umbanda, que é genuinamente brasileira). Mas, apesar das citicas, é bom lembrar que essas igrejas desempenham um importante papel social. Se um ou outro pastor se mostra desonesto, não devemos generalizar, até porque o mesmo acontece com alguns pais-de-santo. toda religião tem seu valor espiritual e social e deve ser respeitada.

16/11/06
Douglas
Continuando
Agora falando sobre o número de umbandistas, a última pesquisa que li dizia que apenas 0,5% da população se declarava adepta da Umbanda ou do Candomblé. Eu acredito que esse número seja maior, pois vejo muita gente, umbandista, se dizer "espírita" o que é um grande equívoco (e desconhecimento). Claro que muitos fazem isso para fugir de um possível ato de preconceito, pois sabemos bem que ele existe, mas eu acredito que nós, umbandistas, temos o dever de assumir nossa religião. A Constituição garante não apenas o direito de culto, mas também o respeito aos credos e aos símbolos religiosos, portanto é uma questão de se fazer respeitar.Não sei lhe dizer se o número de adepetos da Umbanda vem caindo, eu acredito que ele permanece quase estável, sempre com alguém saindo e outros entrando para a religião. Mas é bom lembrar também que mesmo com apenas 0,5% da população declarando-se umbandista, quando o "calo aperta", é para o terreiro que uma grande quantidade de pessoas recorrem. Se isso é um fator positivo? Não sei afirmar claramente, mas acredito que não. Eu,particularmente, preferia que as pessoas procurassem a Umbanda em busca da evolução e da reforma íntima, mas essa apenas a minha opinião. Na verdade várias portas podem ser abertas para levar ao mesmo local.Um grande abraço para você.

16/11/06
Rodrigo
DouglasNa Umbanda o que acontece quando o umbandista morre?ele tem um paraiso ?ele tem inferno ?Em fim como que é o pós morte umbandista ?se vc ja respondeu esta pergunta me desculpee muito obrigado pela entrevista

17/11/06
Douglas
Rodrigo
A morte não é um fim.Assim como a vida pós-morte também não significa um ócio eterno.Cada espírito, ao desencarnar, é encaminhado ao seu local de merecimento (esse "encaminhamento" não significa exatamente que alguém o pegue pelos braços e o leve à força a um lugar ruim ou bom - a própria consciência e sua faixa vibratória podem se encarregar disso).Partir para o outro lado da existência muitas vezes requer um período de adaptação, da mesma forma que uma criança ao nascer também necessita de um bom tempo para se adaptar a esse mundo material. Como a espiritualidade não é sinônimo de ócio, a pessoa sendo merecedora e estando preparada para isso, irá trabalhar também auxiliando na caridade, e isso não significa necessariamente que vai incorporar em médiuns. O trabalho espiritual é muito mais vasto e complexo do supõe a nossa vã filosofia.Abraços.



17/11/06
Douglas
Maga
Olá Maga, obrigado pela participação.Para saber se você tem algum (ou alguns) guia que a acompanha, você teria que ir a uma casa umbandista, passar por uma consulta com um guia sério que iria lhe dar essa resposta.Para saber o nome desse guia e suas demais características já é uma questão que requer mais tempo e paciência. Os médiuns constumam passar por uma fase que chamamos de desenvolvimento. Nessa fase, cujo tempo pode variar de meses até alguns anos, os guias vão se "firmando" com o seu médium e aos poucos vão dizendo seus nomes, suas histórias, suas formas de trabalhar, etc.Para saber o seu orixá de cabeça existem duas opções: a primeira é perguntar a um guia, no qual você tenha muita confiança. A segunda é através do jogo de búzios (particularmente eu prefiro esse método), mas para ter certeza, é sempre bom jogar os búzios mais de uma vez e com pessoas diferentes.Um grande abraço.

17/11/06
Rodrigo
Douglas e o nego velho o cabloco ficam aonde antes de incorporar nos mediunseles ficam num tipo de fazenda nos céus ?e existe cabloca e nega véia ???muito obrigado por responder minhas perguntas

17/11/06
Melissa S.
Douglas, pode respoder o que são os pontos riscados?É verdade que as entidades não tem pontos riscados iguais?Bjus

17/11/06
Le.an.dro
Ox..alah!!!boa pergunta..

17/11/06
Le.an.dro
vc nao acha os pontos riscados (citados pela Melissa, acima) parecidos com a grafica e arte islamica?

18/11/06
Douglas
Rodrigo
Uma fazenda no céu?Depende do prisma com o qual se analisa a questão.Existe uma passagem bíblica que diz "Na casa do Pai existem muitas moradas". Aliás, esse trecho bíblico já é um velho conhecido nosso, creio eu.Existem colônias espirituais, conforme descritas nas obras mediúnicas espíritas (uma boa fonte de leitura nesse caso, seria o livro Nosso Lar, do espírito André Luís, psicografado por Chico Xavier). Mas essa seria apenas uma das tantas colônias e estariam mais sob a ótica espírita.Na Umbanda esse conjunto de colônias é chamado de Aruanda, que agrupam em si os espíritos com afinidades em sua forma de trabalho. Não se trata de um paraíso contemplativo, como a idéia de céu que nos é transmitida pela Bíblia, nem tampouco é um lugar burocrático como outras religiões espiritualistas pregam. Lá os espíritos trabalham de acordo com a evolução que conquistaram, e quando manifestam-se em terra, através da mediunidade, o fazem utilizando os médiuns que são afins à sua prática religiosa, salvo algumas exceções.Quanto a existência de caboclas pretas-velhas, a resposta é sim, elas existem sim e é raro o centro umbandista em que elas não se manifestam. Inclusive existem caboclas e pretas-velhas bastante conceituadas na Umbanda, tal como a Cabocla Jurema e a preta-velha Vovó Cambinda da Guiné, para citar apenas dois exemplos.Como eu já disse anteriormente, a Umbanda é uma religião que veio agregar a todos, sem preconceitos, portanto não seria justo excluir as mulheres do trabalho espiritual, já que existem grandes e valorozas trabalhadoras do bem.Abraços.

18/11/06
Douglas
Kais
A questão levantada por você não é apenas inteligente como é extremamente relevante. Acho que essa omissão em relação à contribuição que os negros muçulmanos sempre consitituiu uma tremenda injustiça histórica. O modelo europeu (e cristão) de colonização sempre procurou menosprezar a bagagem cultural trazida pelo negro (que já era visto como inferior e inculto). Imagine então quando o negro era um adepto do Islã... isso constituía um verdadeiro horror aos olhos preconceituosos (e por que não dizer, ignorantes) dos nossos colonizadores. Se os esforços para minimizar e aniquilar a cultura e a religiosidade afro foram gigantescas, imagine então o esforço que fizeram para ocultar, destruir (da forma mais violenta possível) e mergulhar no ostracismo a cultura islâmica trazida por um grande número de negros que aqui desembarcaram como escravos. Existe uma infinidade de erros históricas nesse assunto... erros tão grandes que poderiam gerar um debate à parte desse, sobre Umbanda.A história do Brasil mente ou omite diversos fatos. Uma grande mentira contada é a de que os negros que chegavam ao Brasil eram selvagens. Mentira grotesca. Muitos desses negros conheciam melhor que os europeus as técnicas de fundição de metal, alguns já tinham sua própria escrita, técnicas de agricultura mais avançadas que qualquer colonizador aqui presente entre outras coisas. Mas talvez a maior omissão esteja no fato de que a história não nos fala que muitos desses negros que aqui chegavam já eram convertidos ao islamismo. A história não conta também que foram justamente esses que sofreram as maiores violências, pois o Islã sempre amedrontou o mundo católico, mesmo antes das Cruzadas. Até aqui falou um pouco o sociólogo e professor de história, mas vou tentar deixar o Umbandista falar um pouco mais alto agora.(continua)

18/11/06
Douglas
Acredito que a presença dos elementos islâmicos na Umbanda ainda sejam pequenos justamente porque os colonizadores conseguiram aniquilar grande parte dessa bagagem cultural trazida por esses escravos. Nossa visão histórica, infelizmente, não é apenas eurocêntrica, mas também é extremamente burguesa. Veja o valor que dão à Inconfidência Mineira, um movimento de intelectuais burgueses que pensavam apenas em libertar uma determinada região do Brasil do domínio português (pois com isso obteriam vantagens, inclusive conseguiriam se livrar dos pesados impostos que deviam à Coroa). Mas quem fala na Revolta dos Malês - os negros muçulmanos que rebelaram-se na Bahia, em 1835? Esse é um episódio quase apagado da nossa história.Portanto, meu amigo Kais, eu acredito que essa ausência de elementos islâmicos na Umbanda deve-se a esse processo violento que nossos ancestrais sofreram. Como a Umbanda é uma religião nova, se levada em conta a data oficial de fundação (1908), ela ainda está formando sua própria identidade e agregando elementos cada vez mais universais em suas fileiras. Já ouvi falar que na chamada Linha do Oriente, além dos ciganos, já trabalham espíritos árabes também, o que me faz acreditar que ainda teremos muito o que ganhar e aprender com a cultura muçulmana, tão rica e infelizmente tão deturpada por alguns.E você citou algo realmente interessante: a semelhança entre os termos Inshalá (se Deus quiser) e Oxalá, que além de ser o nosso maior orixá, é uma palavra que na língua portuguesa também significa se Deus quiserExiste também a questão da proximidade de alguns traços da arte islâmica com os pontos riscados... não acho que tenham o mesmo significado, mas vejo sim uma semelhança em sua estética.Um abraço a todos, que estão permitindo aprofundar cada vez mais esse debate, não ficando apenas no campo da crença, mas passando também pelas questões histórica, social e antropológica.

18/11/06
Douglas
Melissa
Os pontos riscados funcionam como "assinaturas" das entidades, portanto é muito difícil encontrar pontos riscados idênticos. Nesses pontos, as entidades assinalam, ainda que muitas vezes de forma sutil (outra vezes nem tanto..rs) a linha (ou falange) em trabalham, seus métodos, etc.Além de ser uma assinatura da identidade, o ponto riscado é também um espaço mágico ativado quando feito pela entidade, sempre com um fim específico, portanto, devem ser tratados com muita responsabilidade e respeito.Um abraço.

18/11/06
João Carlos
Bom... agora que o Douglas já respondeu:
Se você, Kais, tivesse voltado lá para as perguntas entre 180/190, iria ver que "Islam em foco" fez uma pergunta semelhante e que eu respondi.Orish'Allah é muito mais do que simples conicidência. E eu cambonei uma "Vovó Maria de Mina" que desenhava seu ponto da direita para a esquerda (o povo Mina era, em sua maioria muçulmano). (detalhe importante: a médium não sabia disso).Existem diversos pontos de convergência entre as tradições africanas e as Islâmicas. Afinal, os Islâmicos entraram em contato com os negros africanos muito antes dos europeus. E - como você mesmo disse - muitos quem foram trazidos como escravos para o Brasil, eram Islâmicos.

João Carlos
E como a resposta a Dom parece inclusa na de
Melissa, sobre "pontos riscados":Guradam alguma semelhança, mas não muita, porque há diversos símbolos que representam imagens terrenas - o que me parece ser interdito no Islam. Uma figura presente em diversos pontos riscados é o Crescente e a Estrela.

18/11/06
Le.an.dro
Joao Carlos..falei aquilo sem pretensoes maiores de igualar as duas...mas como curiosidade, veja essas duas comparacoes..essa, da caligrafia islamicahttp://www.exoticindiaart.com/artimages/geometry_sm.jpgesse um ponto riscado de exu (foi o que encontrei)http://z.about.com/d/altreligion/1/0/5/I/2/pontasriscados.jpgfoi soh um devaneo da hora..mas nao estah tao fora de logica nao, estah?

18/11/06
Douglas
Kais
Infelizmente acho que essas mentiras (ou omissões) históricas ainda vão durar muito, levando-se em conta que quando a visão dos fatos não é eurocêntrica, é vista pelo prisma norte-americano, que agora é quem dita os padrões estéticos, morais, intelictuais, etc.Mas quando a sua pergunta, provavelmente esse "dom" que disseram à sua mãe que você possui, é a mediunidade, ou seja, a capacidade de servir de intermediário entre o mundo espiritual e o material. É muito comum ouvirmos relatos como o que você colocou acima: se não desenvolver esse dom, a pessoa em questão terá sérios problemas na vida. Na minha visão, bastante particular (até gostaria que o João Carlos colocasse o ponto de vista dele aqui também), isso é uma forma de terrorismo, pois sabemos que existe o livre arbítrio e mais de 90% do que acontece em nossas vidas é consequência dos nossos atos.Claro que se você possui mediunidade e os guias que lhe acompanham querem trabalhar, eles vão tentar manifestar isso de alguma forma, mas não significa que todos os problemas pelos quais passará é decorrência disso. Há um ditado comum na Umbanda e no Espiritismo, que diz que quando as pessoas não vêm pelo amor, vêm pela dor. Acredito que existe algo de verdadeiro nisso, mas sem o radicalismo que as pessoas costumam imputar a essa afirmação. Se as pessoas que não praticam a mediunidade caem em desgraça, as que a praticam - seguindo a lógica, porém em sentido oposto - deveriam viver em estado de felicidade plena e total, e sabemos que não é assim que acontece. Os médiuns (de Umbanda ou de qualquer outra religião que faça uso da mediunidade) passam pelos mesmos problemas que qualquer outra pessoa - problemas financeiros, emocionais, profissionais, etc. Acredito que isso é uma evidência de que ninguém é obrigado a fazer aquilo que não queira.Antes de possuir a mediunidade, todos possuem o livre arbítrio, e esse deve ser respeitado em todas as circunstâncias.Um forte abraço.

18/11/06
João Carlos
Kais:
Você pode passar sua vida inteira sendo médium, sem saber disso. O que vai acontecer? Você vai se sentir "estranho" em determinados ambientes, vai sentir simpatia ou antipatia gratuita por pessoas, vai ter idéias que aparecem na sua mente, sem que você saiba de onde saíram. Na verdade, todos nós somos médiuns - apenas alguns têm esse dom mais aflorado.Se lhe serve de consolo, eu só travei contato direto com a Umbanda com 47 anos (já tinha participado, como mero curioso, de diversos ramos esotéricos, inclusive Umbanda, mas sem me envolver) - minha mediunidade só aflorou aos 49.(Ah!... Sim!... E minha vida continua não sendo nada fácil... Me tornar Umbandista não "resolveu" problema material ou emocional algum. Só me deu uma visão completamente diferente do mundo e da vida).Agora, quanto ao reconhecimento da influência Islâmica, só falta isso para os fundamentalistas evangélicos partirem para uma Cruzada contra a gente!...

19/11/06
Douglas
Luis
A diversidade na Umbanda é tão grande, com suas características variando de terreiro para terreiro, que eu não me arriscaria a dizer se essa ou aquela concepção é certa ou errada. Talvez as palavras pluralidade e diversidade sejam as mais citadas nessa entrevista, provando o quanto esses conceitos são importantes dentro da Umbanda.Particularmente a idéia das sete linhas que mais me parece lógica é essa citada por você:OxaláXangôOgumIemanjáOxóssiYori ( Linha das crianças)Yorimá ( Linha dos pretos velhos)Mas claro que temos que levar em conta que quando se fala em Iemanjá não podemos esquecer de toda a linha das águas, assim como outros orixás que não aparecem nessa lista, mas que acabam sendo cultuados na Umbanda também, pois não podemos negar sua importância (Oxum, Iansã, Omolú).Como a Umbanda é tão diversificada e não possui uma codificação, essas variações acabam acontecendo e temos que respeitá-las. Apenas achei estranho o seu amigo, defensor dos ensinamentos do Caboclo das Sete Encruzilhadas, dizer que a Linha do Oriente entra no lugar de Yori, já que sabemos que o "tripé" da Umbanda é composto pelos caboclos, crianças (Yori) e pretos-velhos (Yorimá), e que as demais linhas, inclusive a do Oriente, agregaram-se depois. Mas enfim, ele deve ter seus motivos para defender essa idéia.Quando a Oxum, Iansã, Omolu/Obaluayê, Nanã, esses orixás encaixam-se nas linhas acima... Oxum, por exemplo, é um orixá da linha das águas, que portanto encaixa-se na linha de Iemanjá. E assim segue... O importante é praticar uma Umbanda séria, os detalhes que varia de casa para casa, de região para região são superados quando o umbandista dedica-se de coração e alma à sua religião.Espero de alguma forma ter ajudado a esclarecer sua dúvida.

19/11/06
Douglas
Luis
O que eu diria a alguém que quer ingressar num terreiro?Diria para pensar muito sobre essa decisão, pois ser umbandista não é simplesmente vestir-se de branco e deixar alguns guias utilizarem seu "aparelho". Ser umbandista é um sacerdócio, requer responsabilidade, dedicação, seriedade, abnegação e muita, mas muita reforma íntima (talvez essa seja a parte mais esquecida por alguns). É muito difícil colocar tudo isso em prática, mas ao ter convicção dessa necessidade, já estamos dando um milimétrico passo rumo à evolução.Abraços.

19/11/06
Gabriela
É correto um médiun de umbanda fazer o atendimento dentro de sua casa? Fazer de sua casa um centro umbandista? Ou esse trabalho deve ser só no centro?

João Carlos
Luis:
Já nesse ponto, eu discordo inteiramente de Douglas. Não acredito em "sete linhas" de Umbanda. Acho isso um mero rótulo, pregado aleatoriamente, para facilitar classificações.Mas a Umbanda é grande o suficiente para que este tipo de discordância não afete as bases da religião. A umabnda que Douglas pratica é tão válida quanto a que eu pratico, e que é diferente de outras versões, igualmente válidas.Não faz a menor diferença se ele chama a "Linha dos Pretos Velhos" de "Yorimá" e eu a chamo de "Linha das Almas" e a subordino a Obaluaê. Os Pretos Velhos continuam trabalhando pelo nosso desenvolvimento espiritual e auxiliando, no que podem, a retirar os empecilhos e nossas vidas.E o que eu diria a um iniciante: seja bem-vindo, Irmão! Com o tempo, pode ser que eu tenha oportunidade de conversar com ele e dar uma idéia geral da beleza e da necessidade de dedicação à Umbanda. Mas - normalmente - não é necessário procurar os Irmãos mais novos: os que não estão destinados a esse trabalho, logo se afastam; os que estão, rapidamente procuram se instruir.

20/11/06
Douglas
Gabriela
Se cada um começasse a fazer o antendimento em sua casa, para que então existiriam os terreiros?Não podemos esquecer que o terreiro de Umbanda não é apenas um espaço físico com um congá (altar) repleto de imagens. Existe toda a firmeza do local, uma preparação feita não apenas pelos espíritos que trabalham na casa, mas também pelo zelador, devidamente capacitado.Promover giras de Umbanda em qualquer lugar, sem o devido preparo acarreta em um risco muito grande, pois esse é um trabalho sério, que deve ser encarado com a responsabilidade que merece.Claro que em algumas ocasiões, de grande necessidade, muitos médiuns dão passagem aos seus guias para um aconselhamento ou algum outro tipo de ajuda, mas a gira de Umbanda mesmo deve ser feita no local certo e com toda a responsabilidade e disciplina que isso requer.

20/11/06
João Carlos
Adendo:
(à resposta do Douglas à pergunta da Gabriela):Um Padre pode rezar missa dentro de sua própria casa? Eu acho que até pode... Mas - certamente - não é o lugar mais adequado.Um Terreiro de Umbanda é um local consagrado, com todas as implicações que isto tem.

20/11/06
Douglas
João Carlos
Perfeita a comparação, João Carlos.Ah.. e sobre a nossa discordância acima, eu acho perfeitamente saudável. Falamos tanto na diversidade da Umbanda que se todos concordassem em tudo, seria paradoxal.Um grande abraço.

20/11/06
Lurdinha
Tá certo. é errado fazer o antedimento em casa. e o que você me diz sobre as benzedeiras que atnedem em casa?Beijos.

20/11/06
Douglas
Lurdinha
Existe uma diferença muito grande nessa questão.A benzedeira faz suas orações, em alguns casos até evoca alguns guias, mas não realiza uma gira de Umbanda dentro de casa. Em seu silêncio caridoso ela ajuda as pessoas que a procuram, mas não realiza giras de Umbanda, que é uma coisa muito mais ampla e complexa.

21/11/06
João Carlos
Mais uma vez eu vou fazer a comparação com um Padre Católico. Existem diversos "Sacramentos" que se pode ministrar fora da Igreja (bençãos, exorcismos, extrema-unção e até batismos e casamentos in extremis).Se meu Preto Velho tiver que descer no meio da rua para socorrer alguém, ele vai descer. Mas ele mesmo diz que prefere trabalhar "em solo sagrado". Os Exús são mais "liberais" quanto a isso ( o que não quer dizer que saiam por aí, virando no médium por "dá-cá-aquela-palha").

21/11/06
Melissa S.
DouglasUm médium homem pode incorporar uma entidade feminina, uma pombagira por exemplo?Como fica essa questão dentro do terreiro. Eu frequento a umbanda mas sou novata e já vi homem receber pombagira mas confesso que foi deprimente. Colocou saia, quis passar batom, desmunhecou e fez coisas que me deixaram envergonha diante da assistência. O que voce me diz disso?Bjks

21/11/06
Douglas
Melissa
Essa é uma velha polêmica.Sim, um homem pode receber entidades femininas sim, bem como uma mulher pode receber entidades masculinas (sempre que surge essa questão tenho a impressão existe um certo machismo implícito, pois a pergunta é sempre se "um homem pode receber guias femininos", e nunca o oposto).O problema nessa questão é exatamente o que você relatou: a vulgarização, no pior sentido da palavra. Muitos médiuns valem-se da (suposta) incorporação para dar vazão aos seus desejos e/ou vaidade. Coloquei a palavra "suposta" entre parênteses porque acontece o exagero, seja na vestimenta, no uso da bebida, na pirotecnia ou em qualquer outra coisa, eu logo desconfio da seriedade do médium.Já vi, mais de uma vez, médiuns homens incorporando entidades femininas e somente quem estava perto e sabia do que se tratava conseguia identificar que aquele era um guia feminino. E tenho certeza que isso deve-se à seriedade do médium.Portanto, Melissa, um homem pode incorporar uma entidade feminina, sim, mas ele deve ter sempre em mente - e principalmente em prática - uma coisa chamada ética umbandista. Acredito que a solução para todos os problemas passa por essa questão.Abraços.

Dri
Caro Douglas.Já que vc tocou nesse assuto, poderia discorrer sobre esse tema ÉTICA UMBANDISTA?Grata desde já.

22/11/06
Douglas
Dri
Na verdade eu usei o termo ética umbandista para ser mais específico com o tema em debate, pois na verdade eu acredito que deve-se usar a ética em todas situações e momentos.Ter ética é reconhecer o outro, com todas as suas opinões e diferenças, assim como é também medir as próprias atitudes dentro de um senso de justiça que não seja simplesmente pessoal, mas o mais universal possível.A ética é fundamental em todos os segmentos, inclusive nos religiosos. Ter ética na Umbanda é encará-la com a seriedade que ela necessita e merece. É respeitar as etapas do aprendizado no terreiro, é não deixar que as opiniões e valores pessoas prevalesçam sobre os ensinamentos e os princípios dos guias aque ali trabalham. É respeitar todas as entidades, mas também é manter o senso crítico para saber separar o joio do trigo. É respeitar a hierarquia da casa, é respeitar a assistência, pois não é porque as pessoas estão ali recebendo auxílio que estão em condição inferior ou menos evoluída. É buscar o aprendizado constante, no terreiro e fora dele, pois ser umbandista não é simplesmente acender charuto e vela colorida. É não usar o pseudo-poder (totalmente ilusório) que a religião traz para intimidar ou amedrontar quem quer que seja, é usar a Umbanda sempre para a prática do bem e da caridade, repudiando o mal ou qualquer oferta de usar a religião ou seus guias para fins excusos e mesquinhos. É fazer uma autocrítica de quando em quando, pois o umbandista não é perfeito e não está acima do bem e do mal. É evitar as mistificações e qualquer forma de iludir aquele que, aflito, procura a ajuda no terreiro. É também estar aberto a auxiliar a todos, sem distinção, sendo abnegado a ponto de deixar para trás suas paixões, simpatias, antipatias e gostos pessoas, fazendo o bem indistintamente. É ter a firmeza de caráter, baseado nos princípios de sua religião, não apenas na hora da gira, mas em todos os dias da sua vida.Como você pode ver, não é nada fácil seguir a ética umbandista. Talvez alguns consigam.

22/11/06
Mary
Boa noite DouglasJá te conheço de outras comunidades e foi justamente por te admirar que pedi para entrar nessa comunidade maravilhosa. É disso que o orkut e a internet precisam, de vida inteligente. Essa comunidade e as entrevistas estão de parabéns, eu sondei bastante antes de pedir para entrar.Mas vamos trabalhar. Eu vi esse tema em uma comunidade e eu acho que é muito importante falar sobre ele. Os trabalhos de umbanda que envolvem oferendas muitas vezes deixam alguma sujeira no local. Eu sei que existe gente que si preocupa em limpar tudo e tomar o maior cuidado com o meio ambiente, mas tem uns que largam o maior lixo na praia, na beira de cachoeiras, isso não é contraditório:?O umbandista não devia ter cuidados ao realizar seu trabalho?? Onde fica o respeito a natureza?Aguardo sua responta que eu sei que será de grande utilidade para todos nós.Axé.

22/11/06
Lurdinha
Eu sei que ossaim ou ossanhe, não sei ao certo como se escreve, não é um orixá cultuado na umbanda, mas como sou muito ligada a ervas e suas propriedades eu gostaria que vocâ falasse algo sobre ele, se puder.Parabéns pela entrevista.

22/11/06
Evelyne
Douglas e João Carlos
Gostaria de saber sobre o fenômeno da incorporação. Como exatamente ela acontece e que cuidados um médium de incorporação precisa ter? E sobre o fenômeno da psicografia, alguma recomendação especial com respeito ao desenvovimento desta habilidade? Paz e Bem

23/11/06
Le.an.dro
Douglas e Joao Carlos, soh para ilustrar e aprofundar mais a discussao, vejam esse video aqui e me digam se percebem uma certa similaridade..acho que isso parece ter acontecido em Bali ou ali por perto(pela musica e local)http://www.youtube.com/watch?v=otuhe1mErAcvi a discussao de vcs sobre como seria a umbanda fora do brasil e digo que jah vi nos eua algumas lojas bem parecidas com as "floras" que temos no Brasil..eh claro que existe uma grande ligacao com a "santeria" de Cuba mas vou pesquisar a respeito

23/11/06
Douglas
Mary
Coincidentemente eu vi um tópico sobre assunto em uma comunidade um dia desses também. Talvez seja até o mesmo.Eu concordo que é um assunto que deve ser colocado em pauta em cada terreiro antes que seus médiuns saiam para realizar trabalhos nas matas ou nas praias.Não apenas pelo fato de ser umbandista, mas antes disso, pelo fato de agir corretamente (sem aquela ditadura chata do politicamente correto, mas dentro do que o bom senso prega).Nossa religião por tantas vezes já é alvo de preconceito, que todo cuidado que tomarmos para evitar comentários, ainda é pouco. Lembro da campanha que houve na cidade de Mongaguá, no ano passado, onde foi realizada a Festa de Iemanjá. Nossos amigos evangélicos, inclusive pelo orkut fizeram uma fervorosa campanha contra a realização da festa e o principal motivo alegado era a sujeira que ficava no local após os términos dos trabalhos. É óbvio que havia outra intenção por trás desse argumente, é inegável, mas todos tomassem o devido cuidado para não deixar essa sujeira, eles não teriam esse argumento contra nós.Você falou em tomar cuidado por respeito à natureza. Eu vou além, não é só respeito à natureza, é respeito também ao semelhante, que vai passar por aquele local e não é obrigado a conviver com a sujeira deixada por outra pessoa. A liberdade de culto religioso é louvável, mas impõe responsabilidades também. Tenho todo o direito de praticar o meu culto, seja na cachoeira, na mata, na praia, mas tenho o dever de deixar o local limpo após os trabalhos.Aqui onde moro, no ABC paulista, temos o Santuário Nacional de Umbanda, que além de ser uma reserva ecológica, é também um local reservado para a realização dos trabalhos de Umbanda. Às segundas-feiras, logo após os dias de maior movimento, os funcionários costumam limpar o local, mesmo assim tomamos muito cuidado para não agredir a natureza. Felizmente eu noto que essa é uma preocupação cada vez mais frequente entre os umbandistas.Um abraço.

23/11/06
Douglas
Lurdinha
O orixá Ossaim é muito cultuado no Candomblé. Infelizmente na Umbanda quase não se ouve falar nele. Se alguém me perguntasse qual orixá não cultuado na Umbanda eu gostaria que fosse incluído em nossos cultos, eu responderia imediatamente: Ossaim. Ele é o senhor das folhas, das ervas medicinais e de seu axé. Existe até uma analogia que diz mais ou menos assim: "As penas e as escamas representam a parte externa do ser vivo animal. As folhas representam o princípio vivo do ser vegetal". Ossaim é o grande conhecedor o poder curativo e litúrgico dessas ervas. É claro que existem ervas próprias de cada Orixá, mas Ossain é o "mestre" desse axé (coloquei entre aspas por não achar um termo mais adequado).Existe até uma lenda interessante que fala sobre isso. Essa lenda foi escrita pela Mãe Stella de Oxossi, na revista Eparrei em novembro/2002:"Quando Deus (Olorum) deu atributos a cada orixá, deu a Osaim a responsabilidade de cuidar dos vegetais. Daí ele passou a ser o orixá médico.No entanto, as folhas não servem só para remédio. Daí quando cada orixá precisava de alguma, tinha que depender da vontade de Osaim. Iansã, achando que todos tinham direito às folhas, embora a responsabilidade fosse de Osaim, tomou uma atitude: provocou um vendaval.Quando todas as folhas se espalharam cada orixá pegou as que lhe convinha. Por isso, apesar de Osaim ser o responsável pelos vegetais, cada orixá tem o direito a alguns apropriados.Tiramos daí a liçãode que dividir é bem melhor e que os direitos são iguais. Digo, direitos essenciais. Os demais são adquiridos com o potencial de cada um"Essa lenda pode até nos levar a uma reflexão...(continua)

23/11/06
Douglas
Continuando
Acho que a lenda narrada logo acima pode nos levar a uma série de reflexões. Uma delas, no meu entender é quanto ao conhecimento. Existem pessoas dentro do meio umbandista que têm um conhecimento muito grande, mas nem todos estão dispostos a dividir esse conhecimento. Como se fossem portadoras de um tesouro valioso, negam-se a compartilhar o conhecimento com aqueles que estão dando os primeiros passos. Sim, o conhecimento é um tesouro, mas não é propriedade de ninguém, e perde totalmente o seu valor quando não é compartilhado. Cansei de ver em centros espíritas e mesmo na Umbanda, pessoas que supostamente sabem mais, dizerem assim: "fulano ainda não está preparado para saber tal coisa". Não pode existir atitude mais arrogante e distante da caridade que essa. Claro que não se deve colocar o carro na frente dos bois e dar a qualquer um, que esteja iniciando nesse meio determinadas responsabilidades, mas omitir conhecimentos é pura falta de caridade e de humildade. Assim como Iansã, que chegou e, como uma tempestade, tomou uma atitude, resolvendo tudo, essas pessoas precisam aprender a compartilhar o que possuem, antes que uma tempestade disperse suas folhas ao vento.Creio que acabei me estendendo demais, mas essa lenda sempre me leva a refletir. Não podemos esquecer que apesar dos mesquinhos e egoístas, existem pessoas como o meu zelador Pai Marcelo (que já citei aqui outras vezes) e o nosso amigo João carlos, pessoas que possuem um conhecimento infindável, mas que estão sempre dispostas a dividí-los com aqueles que estão dando os primeiros passos.Acho que assim foi com Ossaim. Dono da sabedoria sobre as ervas, mas que acabou compartilhando esse conhecimento com os demais orixás.Abraços e desculpe se me estendi demais.

23/11/06
Douglas
Evelyne
Todo fenômeno mediúnico, principalmente o de incorporação, deve ser tratado com grande responsabilidade. Existem vários sintomas físicos que são sinais de que esse tipo de mediunidade está aflorando (suor frio, formigamento, tontura, etc.), porém não existe uma regra pré-definida, visto que cada pessoa é diferente e, portanto, cada caso é um caso. Esses sintomas não costumam aparecir do nada, geralmente eles vêm à tona justamente quando uma pessoa está em templo (espírita, umbandista ou similar) que trabalha com a mediunidade (mas isso também não é regra). O melhor a fazer nesse caso, é procurar um lugar sério e conversar com o seu responsável, pedindo orientação.Normalmente os médiuns de Umbanda passam por um período que nós chamamos de desenvolvimento, que varia de casa para casa e de pessoa para pessoa. Durante esse período, tanto o médium como seus guias vão adquirindo firmeza para que possam realizar seus trabalhos com segurança, pois estarão agindo sobre a vida dos consulentes, não só os aconselhando, mas também agindo sobre o seus astral, através de passes e atos similares.Quanto à psicografia, esse é um fenômeno mais comum no Espiritismo, embora exista também na Umbanda. É através dele que muitas obras "doutrinárias" e esclarecedoras sobre a espiritualidade vêm à tona. O cuidado que se deve tomar com esse fenômeno? O mesmo que deve-se tomar com qualquer fenômeno mediúnico: verificar se realmente se trata de uma coisa séria e evitar o animisto e a mistificação, pois existem pessoas que se deslumbram demais com esse tipo de coisa. Não podemos esquecer que isso mexe com os sentimentos e a boa fé alheia.Abraços.

Douglas
Dom
Assisti o vídeo. Apesar dele ser bem curto, dá para ter uma idéia do que você quis ilustrar. Realmente ali mostra algo com alguma similaridade com uma gira de Umbanda, embora para chegar a uma conclusão mais concreta, seria necessário assistir a uma parte maior e mais detalhada do vídeo. Particularmente eu acredito que existem rituais muito semelhantes à Umbanda em várias partes do mundo, visto que os fenômenos mediúnicos são universais. Claro que métodos e liturgias mudam (dentro do próprio Brasil já existem variações, imagine pelo mundo). Mas a Umbanda enquanto religião institucionalizada é genuinamente brasileira. Ritos similares podem existir em várias partes do mundo, porém com outro nomeUm grande abraço e muita paz para você.Obrigado pela contribuição.

24/11/06
Melissa S.
DouglasVoce sabe dizer a sua visão sobre o futuro da Umbanda.deixa eu ser mais clara. O espiritismo vive requisitando pra si o status de ciência e os espíritas dizem que o espiritismo é a religião do futuro. Levando isso emc onta, como ficaria o futuro da umbanda? seria uma religião subalterna ao espiritismo fazendo uma funçaão meio que, comparando, o trabalho braçal enquanto o espiritismo ficaria com status de religião e ciência mais evoluída?Minha pergunta é meio estranha mas o objetivo é acalorar um pouco o debate. Vamos lá?bjks.

24/11/06
Evelyne
Obrigada, Douglas, achei muito sensatas as tuas colocações. Eu queria saber sobre o mecanismo da incorporação, como exatamente a entidade atua no corpo do médium?Um abraço

24/11/06
Douglas
Melissa
Realmente esse é um assunto que dá pano para a manga.Vou responder à sua primeira pergunta e depois falamos sobre a questão do espiritismo.Vejo o futuro da Umbanda como tudo aquilo que evolui. Passará por mudanças certamente, mas nada que altere seus princípios básicos. Imagino que o uso de alguns elementos como o fumo e as bebidas tenderão a desaparecer ou pelo menos se tornar mais raro. Ao mesmo tempo acredito, como já dissemos aqui, que novas técnicas de trabalho, como a apometria e o reiki, se farão cada vez mais presentes. É claro que muita gente vai resistir às mudanças, o que é natural, mas creio qual alguns adventos, inclusive de novas entidades de trabalho, são invevitáveis. A Umbanda não é uma religião estática. Por outro lado, acredito também, que apesar da possibilidade de acontecer algumas mudanças litúrgicas, os princípior básicos da Umbanda jamais mudarão: a humildade, a pluralidade e a caridade.Quanto ao Espiritismo, aí você realmente quis colocar lenha na fogueira, né..rsO Espiritismo é uma religião maravilhosa, a qual respeito muito, inclusive por já ter bebido muito em sua fonte, mas sempre me preocupei, entre outras coisas, com essas duas questões que você colocou. Os nossos amigos espíritas sempre reivindicaram para si o status de ciência. Eu não consigo concordar com isso, pois o principal argumento para defender essa tese é que o Espiritismo realiza experimentos. Algumas coisas devem ser levadas em conta aí: para que algo seja considerado ciência, não basta apenas a prática de experimentos, e outra coisa, não podemos deixar de lado o contexto histórico no qual tais argumentos vieram à tona. O Livro dos Espíritos, na minha opinião a obra máxima de Kardec e da literatura espiritualista, foi editado em 1857, data em que o positivismo encontrava-se em seu auge enquanto linha de pensamento.(continua)

24/11/06
Douglas
Continuando
Assim, tudo tinha quer ser provado por A + B. Tanto o Livro dos Espíritos como as demais obras de Kardec foram bastante norteadas por esse prisma. O próprio Kardec, sendo um pedagogo, um homem letrado, não aceitaria qualquer suposta manifestação espiritual sem uma comprovação mais concreta. No entanto as provas "científicas" apresentadas foram suficientes para a mentalidade daquela época. Não estou desmerecendo (longe de mim) o importantíssimo trabalho de Kardec e dos estudiosos que o precederam, estou apenas tentando mostrar que por tratar-se de uma época diferente, a visão das coisas também era diferente. Hoje, para ser condiderado ciência, o Espiritismo teria que apresentar experimentos e provas mais sólidas, pois a comunidade científica certamente é mais exigente. Talvez até já se esteja caminhando para isso. Um exemplo são experiências de transcomunicação por instrumentos, nas quais a pesquisadora Sônia Rinaldi tem se destacado e conseguido bons resultados.Antes de ver o Espiritismo como ciência, eu o vejo como religião (muito negam isso), filosofia e um conjunto de parâmetros de conduta (o que na minha opinião é até mais importante do que se ciência).Quanto a se dizer religião do futuro, aí vou ser um pouco mais contundente. Acho isso um pouco pretensioso, é algo como querer colocar-se acima das demais religiões. Na minha concepção cada religião tem a sua utilidade, de acordo com o nível mental, a faixa vibratória e o grau evolutivo de cada cidadão. Assim, não existe religião melhor ou pior, e sim religiões mais adequadas a cada tipo de pessoa.Se no futuro a Umbanda ficar com o trabalho mais pesado (ou braçal como você definiu), não há problemas. Estamos acostumados ao trabalho e, desde que ele seja direcionado ao bem, o faremos com muita algria e orgulho, afinal o que seria dos médicos se não fossem os enfermeiros e vice-versa? Resta apena saber quem é o médico e quem é o enfermeiro. Acredito na capacidade e na utilidade de todos.Abraços.

24/11/06
Douglas
Evelyne
Na verdade o termo incorporação nos remete a um engano, pois imagina-se um espírito "entrando" no corpo do médium, e não é exatamente isso que acontece. Na realidade, a entidade que se manifesta adquire a capacidade de "animar" o corpo do médium. Para que um espírito entrasse em um corpo material, o outro teria que sair (isso até nos remete a uma lei da física - dois corpos não ocupam o mesmo espaço, mas nesse caso, parafraseando, dois espíritos não ocupam o mesmo corpo). O espírito do médium permanece ligado a ele através de um mecanismo que chamamos de cordão de prata. Se houvesse o desligamento, fatalmente o médium morreria.Entendamos então da seguinte forma: existe uma aproximação da entidade ao médium, e assim, através da sua energia, da sua irradiação e da sua vibração mental, passa a animar e controlar o corpo material.Justamente por não haver a separação do espírito do médium de seu corpo carnal é que a grande maioria dos médiuns são conscientes ou semi-conscientes.Espero ter conseguido ser mais claro dessa vez... mas qualquer coisa é só falar.Um grande abraço.

25/11/06
Dani
Pessoas como vc, Douglas fazem com que a umbanda seje respeitada, pois cai por terra aquela idéia d eque é uma religião feita apenas para pessoas sem cultura. A forma erúdita com que vc responde é fabuloso. vc devia pensar seriamente em dar palestras e fazer coisas desse tipo. O mesmo o João Carlos. são de pessoas como vcs que a umbanda precisa. Minha pergunta é justamente sobre isso. A umbanda não deveria investir mais em pessoas com erudição para que ela atingisse outras camadas e deixasse esse rótulo de religião para pobres e sem cultura?Parabeén mais uma vez. Nós que somos espiritualistas temos que agrdecer muito a pessoas como vcs.

25/11/06
Douglas
Dani
Obrigado pela sua bondade, mas jamais tal coisa me passou pela cabeça. Sei ainda muito pouco e mesmo qua soubesse muito, não faria questão desse tipo de coisa. Eu sou daqueles que preferem o trabalho silencioso, tampouco acho que tenho qualquer erudição. Mesmo para essa entrevista eu fiquei inseguro.Mas respondendo à sua pergunta, eu creio que a maior riqueza da Umbanda está na sua simplicidade. As coisas devem acontecer naturalmente. Pessoas cultas serão sempre bem-vindas, mas devem vir por suas próprias pernas, qualquer tentativa contrária seria, a meu ver, uma forma de se elitizar a Umbanda, afinal, não existe sabedoria maior do a do preto-velho, silencioso, sentado em seu banquinho, pitando seu cachimbo e nos brindando com seus sábios conselhos.Abraços.

25/11/06
Mary
Douglas eu discordo de voce quando diz que a umbanda não precisa de pessoas com grande formação intelectual, se o médiun tiver conhecimento isso não pode ajudar a entidade que veio prestar ajuda?

25/11/06
Mary
Queria perguntar outra coisa. a umbanda usa mutias ervas em seus trabalhos, assim como voce disse que no futuro o reiki e a apometria poderaão ser alidas da umbanda, a fitoterapia também não pode vir a ser?Brigada.

Douglas
Mary
Antes de precisar de pessoas letradas, a Umbanda precisa de pessoas de bem.Existem por aí pessoas com um sem número de diplomas pendurados na parede, mas com pouquíssimo caráter (a política brasileira que o diga).Talvez eu tenha sido mal interpretado, mas o que eu quis dizer é o seguinte: para se trabalhar na Umbanda é precisa em primeiro lugar boa vontade, abnegação, desejo de reforma íntima e disposição para a caridade. Se pessoas com essas qualidades tiverem também uma formação acadêmica, melhor ainda. Mas para o trabalho específico na Umbanda isso não é necessário. É muito importante sim adquirir conhecimento sobre o funcionamento da Umbanda, de suas história, suas variações, preceitos, liturgias, fundamentos e objetivos. Esse é um aprendizado fundamental, do qual sou um ferrenho defensor. Acho que temos que aprender cada vez mais sobre a Umbanda, mas isso independe da formação escolar ou acadêmica de cada um. Quando falamos de Umbanda, um bom aprendizado pode se dar dentro do próprio terreiro.Quanto a acharem que a Umbanda é uma religião para pessoas de pouco conhecimento, isso é o que em sociologia chamamos de senso comum. Muita gente realmente acredita nisso, mas é um fato que faz pouca diferença, pois essas mesmas pessoas recorrem a nós quando o calo aperta e, aí sim, percebem o quanto estavam enganadas.Abraços.

25/11/06
Douglas
Mary
Com certeza a fitoterapia já é uma velha aliada da Umbanda. Qualquer pessoa com problemas de saúde (ou até outros tipos de problemas) que consultou-se com um preto-velho ou um caboclo sabe disso, pois certamente saiu do terreiro com uma indicação de erva para resolver esse ou aquele problema.O uso das ervas e de seus poderes é uma característica da Umbanda, adquirida principalmente através dos caboclos, que tanto conhecem os segredos das plantas. Portanto, a fitoterapia já faz parte da Umbanda, talvez apenas não seja utilizada com esse nome, mas a sua prática já nos é bastante comum.

26/11/06
João Carlos
(Adendo à pergunta da Mary):
Douglas tem toda a razão. Inclusive muitos Terreiros - que dispõem de mais espaço - estão montando "imitações" dos locais tradicionais para a oferenda de trabalhos, tais como cachoeiras, matas, cemitérios, encruzilhadas. O Douglas tem a sorte de morar em uma cidade que tem um espaço público para isso.Mas - como ele frisou - é tudo uma questão de educação no quesito cidadania. Emporcalhar a vida dos outros é uma vergonha - seja qual for a desculpa usada para isso.Concordo em gênero, número, grau, caso e declinação com Douglas. Arriou a oferenda, depois de - no máximo três dias - volte lá e vá limpar. Qual é o Orixá, ou mesmo Exú, que vai querer ficar cheirando coisa podre no seu "espaço"? Em lugar de "agradar", você acaba ofendendo...Mas - infelizmente - o povo brasileiro, em geral, não é muito consciente dessas questões. Já sabe que tem que proteger a devastação da Amazônia, mas não sabe que não deve vazar lixo em terrenos baldios (isto é um dado de um levantamento feito pelo Greenpeace). Novamente, infelizmente - grande parte dos Umbandistas não são excessão a essa regra geral.

26/11/06
João Carlos
(Adendo à pergunta da Lurdinha, sobre Ossaim):
Bom... Como eu sou de Umbanda-Traçada (cultuamos os mesmos Orixás que o Candomblé), Ossaim é cultuado em "minha" Casa. Mas - até agora - não apareceu nenhum "filho" desse Orixá (são raros, mesmo no Candomblé) e seu culto está sendo, gradativamente, incorporado ao de Oxóssi (dê mais um século, e ele vai virar uma "qualidade" de Oxóssi...)

26/11/06
João Carlos
(Adendo à pergunta da Evelyne, sobre incorporação)
Como disse Douglas, cada caso é um caso. Existem aqueles que absorvem rapidamente a vibração e perdem rapidmente o controle do corpo. Existem outros onde a entidade parece, primeiro, "encostar" e incorporam suavemente. Mesmíssima coisa na hora da desincorporação.Os sinais são muito diferentes de pessoa para pessoa. Ontem, uma médium me disse que sabia da aproximação de sua Pomba-Gira porque começava a sentir cheiro de rosas...

26/11/06
João Carlos
(Adendo à segunda pergunta da Mary):
Fitoterapia, florais, cromoterapia, terapia com cristais, Do-in, tudo isso já é aceito como "terapia alternativa" na grande maioria das Casas de Umbanda. O difícil é achar especialistas nesses assuntos que queiram se associar à Umbanda...Aquele velho preconceito, que o Douglas já rebateu.

26/11/06
João Carlos
(Adendo à pergunta da Dani):
Meio contraditório, né?... A grande lição que a Umbanda veio trazer é que a sabedoria não é, necessariamente, ligada à erudição (eu não sou humilde como Douglas: eu sei que sou até um bocado pedante...).Uma religão para o povo, que fala a língua do povo. E o povo brasileiro não é - na média - erudito. Os eruditos é que devem sair de seus pedestais e procurar na simplicidade de um Caboclo, na humildade de um Preto Velho, na pureza das Crianças e - até mesmo - no comportamento rude dos Exús, aquela sabedoria que nunca foi privilégio dos estudiosos.

26/11/06
João Carlos
Dom:
Só agora tive a oportunidade de ver o vídeo que você linkou. Efetivamente é uma "incorporação". O título "Trance=Transe" é bem ilustrativo do fato. Se fosse Candomblé, diriam que o sujeito "bolou no Santo" (o que é diferente de "virar no Santo").Acontece muito em Terreiros de Umbanda, principalmente com pessoas que não são da Corrente - muitas vezes, nunca foram a um Terreiro - e seus Guias se manifestam. Na "minha" Casa, a norma é não permitir e por a entidade para "subir" (com gentileza, é claro...)Note que ao fundo se ouve uma percussão ritmada: isso é o tipo de coisa que induz "transes". (Aliás, rola muita coisa nas "raves" por aí que ninguém percebe...)

26/11/06
Evelyne
Obrigada, Douglas e João Carlos, pelas respostas. Tenho aproveitado muito esta entrevista.Muita paz

Marcelo
Também concordo...
... em gênero, número e grau com o que o Douglas disse e também vc João Carlos, pois posso tomar como exemplo a minha trajetória de vida, até me tornar um Babalaô.De estudo, tenho muito pouco, faculdade... nem pensar, por vários motivos, mas em questão de religião... de Umbanda... venho percorrendo essa estrada desde os 07 anos de idade. E já presenciei muitos desses eruditas, doutores, diplomados cairem de seus pedestais diante de meus olhos... diante de um caboclo, ou preto velho ou até mesmo de um exu.Na minha trajetória como umbandista, já vi muitos exemplos dessas pessoas, que na hora do aperto nos procuram, depois de tudo resolvido ou amenizado, simplesmente se esquecem de "quem" ou de "onde" realmente conseguiram ajuda.No meu caso, a falta de estudos não prejudicou nem um pouco minha trajetória, mas mesmo hoje, formado, continuo aprendendo muito, principalmente com pessoas como o Douglas... que me deixam orgulhoso de fazerem parte de minha casa, de ter realmente absorvido tudo de bom que tento passar nos cursos que ministro, além de trazer pra nós, do centro, o conhecimento que ele adquiri ou adquiriu com seus estudos, com suas entidades e com os nossos amados orixás da umbanda.Douglas você está de parabéns!!!!!

27/11/06
Douglas
Fellipe
Boa noite e desculpe pela demora para responder à sua questão, bastante inteligente e complexa, por sinal.Veja bem... você mesmo diz, ao elaborar sua pergunta que a África é um continente gigantesco, não só em extensão territorial, mas em diversidade linguística, religiosa, cultural, etc. Isso já torna a compreensão de toda a lógica daquilo que envolve a África uma coisa complicada e, quando levamos em conta a visão eurocêntica, que sempre ditou os padrões das ciências sociais e históricas, aí fica mais difícil ainda.Eu acredito que muito da cultura africana se perdeu com o advento da escravidão e da colonização européia, que sob hipócrita bandeira da civilização, dilapidou vários povos e culturas (veja o exemplo do Congo Belga).Quanto aos diversos panteões, existem semelhanças e diferenças entre as mais variadas culturas. Veja, por exemplo, a relação entre os deuses gregos e romanos. É possível até mesmo fazer uma analogia entre eles e alguns orixás (já vi comparações entre o deus da guerra romano Marte e o orixá Exu).O ponto de divergência entre esses deuses é que cada qual está agregado aos valores e cultura do povo que os cultua, assim acabam apresentando características, traços de personalidade e até poderes diferentes. Mas quase todas as divindades de todas as partes do mundo convergem para um princípio criador. Em algumas sociedades ou momentos históricos esse princípio criador (que cada qual dá o nome que lhe é mais apropriado - Deus, Jeová, Olorum, Zambi, Alá, Brahma, etc.)Na verdade todas essas deidades e suas histórias narram, cada qual à sua maneira, as formas usadas pelo homem para chegar, através da mitologia, à sua essência divina. A África é um continente extremamente vasto, seria praticamente impossível que povos que vivem isolados entre si fizessem a mesma versão dessa busca. Imagine quando falamos do planeta então.Você tocou num ponto muito importante no meu entendimento: o princípio do religare. Creio que essa é a grande questão.(continua)

27/11/06
Douglas
Continuando
Esse princípio, o religare é o ponto convergente de todas as religiões. Para algumas perguntas, como você bem disse, jamais teremos respostas, visto que elas acabaram se perdendo no tempo, mas sabemos que todas as crenças acabam seguindo na direção daquilo que acreditam ser sua origem, seu princípio divino e criador.Eu acredito mesmo nesse ponto de convergência que já citei várias vezes aqui. Mesmo em pontos geográficos distantes encontramos analogias (ou sincretismo) entre os Deuses. O culto aos santos católicos, por exemplo, tem sua origem em cultos pagãos romanos (pode até ter católico querendo me apedrejar depois disso, mas é uma realidade), que por sua vez tem uma semelhança muito grande (seria só semelhança?) com os deuses gregos. Os próprios rituais guardam alguma semelhança entre si. As pessoas costumam condenar tanto o sacrifício de animais no Candomblé, mas na missa sempre bebem e comem o sangue e o corpo de Cristo, respectivamente, num ritual canibalista, ainda que simbólico. Isso sem falar nos milhares de perus que são sacrificados próximo ao natal para celebrar o nascimento de Cristo.Bom... parece que eu falei, falei, falei e não cheguei a lugar algum, mas o que eu gostaria de fazer entender é o seguinte: apesar dos diferentes panteões e deidades, existe um ponto de convergência muito grande, que é a busca do princípio divino e criador e muito do que não se sabe sobre a África (porque isso é fato, mesmo os mais renomados historiadores admitem saber muito pouco sobre a história desse continente) é fruto do descaso com seu povo, o que fez sua cultura e sua história se perder no tempo. Dificilmente esse erro será consertado.Sei que "viajei" um pouco, mas é que a sua questão foi tão inteligente e tão ampla, que abriu precedentes para que falasse (escrevesse) tanto e de forma tão variadas.Um grande abraço, meu amigo.

27/11/06
Douglas
Marcelo
A sua benção, meu padrinho querido.Sou suspeito para falar, pois sou seu fã.Para quem não sabe, o Marcelo, que inclusive já citei aqui, é o zelador do templo umbandista que chamo carinhosamente de "minha casa". É uma pessoa séria, sempre disposta a ajuda, a esclarecer e sempre recebe os seus filhos de braços abertos. Ao contrário do que se ouve dizer sobre os babalaôs, o Marcelo é uma pessoa sempre disposta a ensinar, e o faz com prazer, sem esperar nada em troca - ao contrário, doa-se o tempo todo em prol da causa que abraçou.Sei que tenho muito ainda a aprender, mas o que sei devo a você, meu padrinho, e sei que ainda tenho muito a aprender com os seus exemplos e ensinamentos.Um forte e sincero abraço.

27/11/06
Marcos
Perguntinha básica:Os guias podem errar? Até que ponto podemos confiar num guia?

27/11/06
João Carlos
Tentando acrescentar alguma coisa (a resposta do
Douglas praticamente encerra o assunto):Quando se entra na pesquisa das religiões africanas (com isso quero dizer as dos negros africanos), nos deparamos com duas grandes dificuldades: as tradições eram sempre transmitidas por via oral e misturavam Divindades com pessoas de carne e osso; e os colonizadores (tanto cristãos como muçulmanos) que trataram de "converter" os negros por todos os meios.Como você frisa muito bem, os "Orixás" eram "ancestrais divinizados", um para cada tribo, até mesmo cada aldeia. Isso se reflete em diversos mitos contraditórios, características superpostas (exemplo: a ligação entre o céu e a terra pode ser atribuída a Exú e a Oxumaré - Exú é um Orixá Yorubano, enquanto Oxumaré era o principal Orixá Jeje).A "mistureba" que se fez das diversas etnias negras no Brasil, junto à repressão dos cultos ancestrais - contornada através do "sincretismo" com os Santos Católicos (que nada mais são, por sua vez, do que "sincretismos" das divindades pagãs européias) - contribuiu mais ainda para essas "contas de chegar", onde se considera que o Zambi quimbundo é o mesmo Olorum yorubano, e outras diversas simplificações que acabam por complicar (só Xangô tem, no Brasil, "sincretizações" com S. Jerônimo, S. João Batista, S. Pedro e S. Judas Tadeu - isso que eu saiba...)Agora, acrescente a contribuição dos panteões indígenas...

27/11/06
João Carlos
Ao Marcelo:
Motumbá, Baba! Seu "filho de Corrente" é uma amostra elouquente de sua capacidade em instruir e zelar. Espero não estar desmerecendo "minha" Casa e minha Yalorixá com minhas intervenções.

28/11/06
Marcelo
Ao irmão João carlos...
Mutumbá irmão, com certeza posso lhe afirmar que ñ existe desmerecimento algum de sua parte.Pois, acho que estámos conseguindo aprôveitar muito bem a oportunidade que o irmão "Ponderador" está nos dando, porque com esta entrevista estámos mostrando ao mundo o propósito da nossa religião que nasceu em 1908 para que pudéssemos somar energias positivas com o conhecimento dos espiritos de luz para ajudar assim, á todos os necessitados tanto do plano espiritual quanto do material.Então querido irmão afirmo-lhe que estámos apenas somando muita energia positiva para nossa amada e querida "UMBANDA"...Muito axé a todos de sua casa e que OXALÁ abençoe a todos...

28/11/06
Douglas
Marcos
Podemos confiar em um guia até o ponto em que haja bom senso.Não podemos esquecer que os guias são possuem personalidade, individualidade, opinião, livre arbítrio e vários atributos que nós, encarnados, também possuímos. Assim como o médium passa por um período de desenvolvimento, para ter sua "firmeza" comprovada (não apenas por uma questão de fazer um teste, mas principalmente para não submeter o médium e o consulente a situações indesejáveis), os guias também passam por um período de adaptação, tanto com a casa onde está trabalhando como com o médium.Não podemos negar a possibilidade de uma interferência anímina em uma manifestação, por isso é sempre bom estar atento. Qualquer orientação que pareça fugir ao bom senso deve ser questionada e, em caso de dúvida, deve-se conversar com o responsável pela casa, afinal, espiritualidade é coisa séria.Se um dia um guia lhe sugerir qualquer coisa que pareça absurda, desconfie... não é porque são desencarnados que são os completos donos da verdade, mesmo porque pode ser um quiumba que por um motivo qualquer passou despercebido por ali. Enfim, acho que a receita é sempre o bom senso.Abraços.

28/11/06
João Carlos
Marcos:
Respondendo o mais honestamente possível a sua pergunta: Os Guias também podem se enganar. São espíritos humanos e apenas têm uma visão mais ampla sobre as coisas, mas não são "oniscientes".Qualquer Guia sério vai lhe dizer isso. Eles parecem ser capazes de ver o futuro, a partir do presente, mas não tudo.O alerta do Douglas para a "interferência" do médium é uma preocupação constante dos dirigentes ds Casas.Quando a orientação parecer absurda, procure consultar os dirigentes, ou mesmo outra entidade, e confirme.

Melissa S.
Sempre que falamos em entidades de umbanda principalmente crianças, pretos velhos e caboclos falamos em roupagem fluídica. Se existe mesmo essa roupagem fluídica um espírito de um pretovelho por exemplo pode se manifestar em uma sessão espírita kardecista e falar como uma pessoa culta, sem os erros de português que caracterizam tanto eles? Se a resposto for sim, porque isso acontece?Bjks.

28/11/06
Douglas
Melissa
Em primeiro lugar vamos levar em conta que os espíritos que trabalham tanto na Umbanda quanto no Espiritismo não tiveram uma única encarnação. São séculos e séculos de aprendizado que formam a bagagem intelectual dessas entidades. Muitas vezes é necessário vestir uma dessas roupagens fluídicas para se tratar com algum tipo de pessoa, às vezes é necessário usar outra. Os espíritos evoluídos, de luz (termo muito usado no Espiritismo) podem transitar entre as diversas religiões que usam a manifestação mediúnica como método de trabalho. E adaptam-se a cada tipo de "público" (não encontrei palavra melhor) com o qual estão trabalhando.Já ouvi falar de casos de espíritos que se apresentam como pretos-velhos na Umbanda e doutores no Espiritismo (antes que haja qualquer confusão, não gosto, portanto evito usar o termo kardecismo). O próprio Caboclo das Sete Encruzilhadas foi um padre em uma de suas encarnações. Teria ele (ou qualquer outro espírito) deixado para atrás esse aprendizado de outrora? Acredito que não.

28/11/06
Lurdinha
Boa noite.Dizem que se um umbandista resolve largar a sua religião a sua vida VAI PARA TRÁS. Até que ponto isso é verdade? Isso me soa como terrorismo. Tenho muita simpatia pela umbanda e não consigo acreditar que os espíritos , que são de bem, fariam esse tipo de ameaças.

28/11/06
Marcos
Obrigado pela resposta, irmão Douglas.Sou relativamente novo na umbanda e ainda apaixonado por tudo que diz respeito. Acho que é coisa de novato. Mas tem uma questão corriqueira do dia-a-dia. O umbandista é sempre chamado de macumbeiro. O que vc acha disso? Acha que é ofensivo? Como reage a isso?Agradeço desde já.

28/11/06
Dri
Pegando carona na pergunta do Marcos, quero fazer uma pergunta um tanto pessoal, pode? se não puder é só não responder e me perdoar, tá.Eu já vi pelas suas respostas que voce é professor.confesso que fucei seu orkut e lá voce tem um monte de comunidades relacionadas a umbanda. tenho certeza que seus alunos também tem orkut e já te encontraram nele. como fica isso em sala de aula? tem algum preconceito, alguma provocação, espeicalmente com os evangélicos que costumam ser mais radicais? como o professor Douglas lida com isso? Dá para ser professor e umbandista ao mesmo tempo?Desculpa se fui longe demais com a minha pergunta.

28/11/06
João Carlos
Melissa:
Certamente que isso acontece. Eu já ouvi relatos de um antigo dirigente da Federação Espírita Brasileira que descreviam situações deste tipo: pelo menos um caso de um Preto Velho e - pasme! - um de um Exú. No "ambiente" Espírita, ambos se expressaram de maneira correta e respeitável, e, só ao fim da comunicação, se deram a reconhecer.Eu acho que o Douglas foi particularmente feliz em mencionar o "público-alvo" e o fato dessas entidades terem diversas passagens por esta terra.

29/11/06
Melissa S.
Pois é João, foi nisso mesmo que eu tinha pensado..... como ficariam os exus diante dessa situação. obrigada pelo esclarecimento. Estou aprendendo muito aqui graças a você e ao DouglasBjkas

29/11/06
Douglas
Lurdinha
Desculpe a demora para responder.Você tem razão. Espíritos de luz, trabalhadores do bem, jamais fariam ameaças. Essa afirmação de que se um umbandista abandonar a sua religião sua vida será um desastre está mais ligada ao folclore (para não usar o termo ignorância) que as pessoas criaram em torno de nossa religião. Claro que os umbandistas têm um compromisso com a espiritualidade e ela vai procurar meios de fazê-lo cumprir esse compromisso. Mas já ouvi histórias, como você disse, terroristas, das mais variadas... que fulano largou a Umbanda e sua vida tornou-se um desastre, negócios faliram, parentes morreram. Todos nós passamos por problemas, independente da religião, mas para os preconceituosos de plantão, quando um umbandista sofre algum golpe, imediatamente é culpa da Umbanda.Como eu disso, é puro folclore e ignorância.Abraços.

29/11/06
Douglas
Marcos
O termo macumba tem mais de um significado. Pode ser um instrumento musical de percussão (logo, macumbeiro é quem toca esse instrumento). Existe também uma dança de origem africana chamada macumba (então esse dançarino seria macumbeiro), e existe também o termo pejorativo que associa os praticantes de Umbanda, Candomblé, Quimbanda, Catimbó e similares ao termo macumbeiro.Isso é falta de conhecimento, sem dúvida, mas acho que já acabou incorporando-se ao imaginário e ao vocabulário popular como algo que não tem retorno. Para os leigos, umbandista sempre será macumbeiro. Eu sinceramente procuro não me importar com isso, muitas vezes já falaram que sou macumbeiro. Enquanto a coisa fica apenas no uso desse termo, tudo bem, mas a partir do momento que sinto uma agressão à minha crença e aos seus símbolos, aí faço-me respeitar. Acho que não podemos ser radicais demais também, não é?Um abraço.

Douglas
Dri
Fique à vontade com as suas perguntas. Não vi nada de ofensivo ou invasivo nelas.Realmente sou professor de História e Geografia, já lecionei na rede pública e particular. Hoje em dia, com o advento do orkut, a privacidade tornou-se extremamente relativa. Quem cria um profile no orkut não pode reclamar se alguém visitar sua página e ali descobrir coisas que tornou públicas. É o meu caso com relação à Umbanda. Logo no início da minha página do orkut faço uma declaração de amor à minha esposa e ao meu filho, coloco um trecho de farewell y sollosos de Pablo Neruda, que admiro muito, e declaro meu amor pela Umbanda. E isso tem um impacto, é claro. Dos aproximadamente 800 amigos que tenho no orkut, pelo menos 300 são alunos, e muitos vêm perguntar o que é Umbanda. Eu explico tranquilamente, sem o menor constrangimento o que é a Umbanda e, quando algum aluno, de outra religião, tenta argumentar com pré-conceitos (grafei com o hífen propositalmente), faço questão de mostrar que tolerância religiosa é fundamental e inclusive é garantida por lei e que minhas particularidades devem ser respeitadas, assim como respeito as deles. Mas uma coisa é interessante: os casos de intolerância e de preconceito entre os jovens é cada vez mais raro. Já aconteceu (mais de uma vez, na verdade) de alguns alunos, bastante jovens, me procurarem em particular para tirar alguma dúvida sobre Umbanda ou pedir alguma ajuda. Claro que não me nego a dar explicaçoes - todo conhecimento é sempre válido - mas tomo o devido cuidado, pois como profissional sei até aque ponto devo ir. como você disse (e eu achei interessante), na escola sou o Professor Douglas, no terreiro sou o médium Douglas, o aprendiz. A mesma pessoa, mas que sabe separar suas funções, ou pelo menos estabelcer os limites de cada uma.Abraços.

30/11/06
João Carlos
Lurdinha:
Só acrescentando: existem diversos meios de se "deixar" a Umbanda. Um deles é perder a fé... E quem perde a fé, perde um auxílio valioso.Mas Guias de Luz "se vingarem" no médium, é um contra-senso. Pois se eles foram "escalados" (na verdade foram voluntários) pela Providência Divina para cuidarem de você, como poderiam se voltar contra você?O que acontece é que - quem vem a esta terra com a missão de ser médium e se recusa a cumprí-la - está se afastando do caminho pré-traçado, antes de encarnar. "Livre arbítrio": você responde por suas opções. Sua mediunidade continua lá... Se você afasta seus Guias, pode - perfeitamente - "esquecer a antena ligada" e os kiúmbas se aproveitarem...

30/11/06
João Carlos
Marcos:
Eu até gosto de me dizer "macumbeiro". Quem pensa que está me ofendendo, está muito enganado. Sou macumbeiro, sim.Agora - há "macumbeiros" e "macumbeiros"...

30/11/06
João Carlos
Dri:
A pergunta foi dirigida ao Douglas e ele respondeu com a elegância que lhe é peculiar. Eu, não sou professor. Mas minha outra paixão é a física e eu tenho um blog onde costumo publicar traduções de artigos científicos (um pouco de "merchandising" não faz mal algum: o blog se chama "Chi vó, non pó" [http://chivononpo.blogspot.com/]) e sou um dos colaboradores do blog "Roda de Ciência" [http://rodadeciencia.blogspot.com/].E me proclamo - aos quatro ventos - "macumbeiro". Até agora, pelo menos, ninguém veio com gozações quanto a isso. A tolerância quanto a opções religiosas vem - Graças a Deus! - aumentando muito (esta Comunidade é uma prova disto).

30/11/06
Marcos
Douglas obrigado pelas respostas. agradeço também ao amigo Joao Carlos pelas colaborções.Eu já disse que sou novo na umbanda e ainda deslumbrado com tudo que estou descobrindo e uma das figuras que mais me causa facínio é o Zé Pelintra (ou é Zé Pilintra). você pode me falar algo sobre essa maravilhosa entidade?Desde já agradeço.

30/11/06
Douglas
Marcos
Já vi que temos uma coisa em comum. Também tenho enorme admiração pelo seu Zé Pilintra (me parece que tanto Pelintra como Pilintra estão corretos, pois seriam corruptelas de Pilantra, já que o nosso amigo é oriundo da malandragem carioca).Sua história é um tanto controversa, pois existem informações desencontradas e nada oficial sobre ele. Na verdade e na minha opinião, não devemos dar tanta importância à história das entidades, pois isso acaba gerando mais confusões do que elucidações, dando margem até mesmo a mistificações e insegurança aos médiuns. Apenas para não passar em branco, seu Zé Pilintra nasceu em Pernambuco, mas migrou para o Rio de Janeiro, onde se fixou na região da Lapa, típico bairro boêmio, onde vivia a malandragem. Seu Zé Pilintra era muito respeitado no meio em que vivia, pois protegia os menos favorecidos e as mulheres. Contam que foi assassinado pelas costas, já que era praticamente invencível numa briga justa (se é que existe briga justa, né...).Suas manifestações espirituais deram-se primeiro no Catimbó, mas depois passou a manifestar-se também na Umbanda, onde é tido como uma espécie de coringa, atuando tanto na direita quanto na esquerda. Tanto pode vir nas giras de exus quanto nas de baianos ou outros da chamada direita. É um grande amigo, protetor, abre caminhos e nos dá muita segurança. É um espírito muito esclarecido e que tem muito a nos ensinar.Apesar de ter narrado a história acima (com poucos detalhes, pois já faz muito tempo que a li e alguns pormenores me fugiram à memória), eu fico meio arisco com essas histórias de entidades, pois o que é mais importante lembrar é que elas trabalham em falanges, portanto o seu Zé Pilintra que se manifesta no seu terreiro não é precisamente aquele que viveu na Lapa. São espíritos afins usando os mesmos métodos de trabalhos e o mesmo nome para designar a sua falange.Espero ter ajudado em algo. Abraços

01/12/06
Melissa S.
Também sou nova na umbanda e não incorporo os guias. sinto uns arrepios, umas sensações estranhas, jé me disseram que isso é uma espécia de irradiação. Mas eu eu que nao incorporo poque uma certa coisa me causa medo, pânico. eu sou avessa a cigarro, morro de nojo até do cheiro do cigarro, e tenho pavor só depensar que um guia que eu recebo vai fumar. Como eu posso trabalhar isso? Pode até parecer uma grnade bobeira mais é uma coisa que tem me feito sofrer, é uma angústia.Bjkas

01/12/06
Vicente
Boa tarde. Eu não sou umbandista mas tenho simpatia por essa religiao pois ela demonstra uma democracia que as outras não tem. princialmente no que diz respeito as mulheres. Já fui em algumas sessões de umbanada e vi uma coisas que são raras nas religiões.. a umbanda dá um papel de destaque as mulheres, espcialmente como sacerdotizas, e não umbanda isso não acontece. O feminino parace desempenhar um impotante papel dentro de toda a ritualística umbandista, tanto que Yemanjá que deve ser o orixá mais conhecido é feminino. Porém encontro um paradoxo aí. Porque as mulheres não pode tocar atabaque?Pode falar sobre isso?

01/12/06
Gabriela
Suponhamos que eu queira ser umbandista.O que eu tenho que fazer?Que caminho seguir?Tenho que me convidar ou as pessoas são escolhidas pela umbanda?Tem algum pré-requisito?Valeu.

01/12/06
Dani
Boa noite Douglas.No espiritismo se fala muito sobre a saga dos capelinos, que estavam num planeta que em transição mas que ainda não haviam consiguido o desenvolvimento necessario para seguir adiante na evolução com o seus concidadãos. Tem muita gente que diz que a terra estaria passando por algo parecido, que haverá uma grande mudança e que alguns seguirão adiante na evolução enquanto outros ficarão para trás. Como umbandista,qual é a sua opinião sobre isso?Beijos.

Ponderador
João Carlos,
Obrigados pelos elogios a comunidade.Poste sua sugestão do blog no -->Melhores Links<-- assim teremos mais facilidade de acha-la quando dezejar-mos.http://www.orkut.com.br/CommMsgs.aspx?cmm=16875593&tid=2487816918844472941&start=1Um abraço.

01/12/06
Lurdinha
Boa noiteQuero narrar uma coisa que aconteceu comigo certa feita. Fui a um terreiro com um parente, esse que eu falei que é ligado a FTU. Eu nem gostava muito de umbanda na época eu achava que não era coisa muito boa, mas como o calo apertou eu fui. Eu tava desempregada e com sérios problemas financeiros, saindo de casa, enfim, com a vida toda enrolada. Conversei com um preto velho que me aconselhou bastante e me ensinou uma ""macumbinha"" (não ahca ruim de eu falar assim, é que não achei uma outra palavra)que consistia em acender uma vela branca, uma azul escuro e uma vermelha numa estrada de terra e fazer uma prece pedindo para que Ogum abrisse meus caminhos. Atrapalhada que sou confundi tudo e acendi uma vela branca, uma vermelha e uma PRETA na estrada e na hora de fazer a prece eu não lembrava o nome do orixá, pensei em Yemanjá, Xangô, Iansã, mas não me veio Ogum na cabeça. Quanto contei pro meu primo umbandista a confusão que fiz ele me deu a maior bronca. Mas porém em menos de uma semana as coisas começaram a se ajeitar, parece que tudo a partir dali começou a dar certo, consegui emprego, minha situação melhorou muito além do que eu esperava. Minha perguta é: como ou porque as coisas deram certo se fiz tudo errado? meu primo ficou bravo quando falei que fiz tudo errado, disse que eu podia me prejudicar, mas deu tudo certo a partir dali. eu nunca encontrei uma explicação para isso. Eu até tenho uma teoria sobre isso, mas primeiro gostaria que você me respondesse essa minha pergunta. Depois eu falo da minha teoria.

01/12/06
João Carlos
Ponderador:
Não foi um elogio: apenas uma constatação de um fato. Eu acompanho todos os debates e entrevistas (embora não opine em todos) e percebo que o desejo de entendimento e compreensão mútuos estão sempre presentes. Com minha habitual imodéstia, segui sua sugestão.

01/12/06
Douglas
Melissa
Antes de responder a sua questão é preciso lembrar duas coisas:1. Cigarros, charutos e bebidas não são utilizados na Umbanda com a finalidade de saciar os vícios das entidades. São elementos manipulados pelos guias e orixás com finalidades específicas. Até já falamos sobre isso nessa entrevista.2. O desenvolvimento mediúnico não acontece da noite para o dia. É um processo lento, gradual e que depende de uma série de fatores - um deles é justamente o médium sentir-se seguro, o que não acontece com você, devido à sua aversão ao cigarro. Tenha calma e muita paciência. Dê tempo ao tempo, pois num terreiro as coisas costumam acontecer na hora certa e não incorporar não é desmérito algum.Sobre o cigarro, vou lhe falar da minha experiência particular. Sou ex-fumante. Fumei por doze anos, e resolvi parar depois que meu pai e minhã mãe morreram de câncer em decorrência do tabagismo. Com o passar do tempo também peguei um certo asco do cigarro e essa questão também me preocupava muito na Umbanda. Temia que meus guias fumassem e isso me apavorava, pois achava que havia o risco de isso reascender o vício que tava escondidinho lá no meu subconsciente. Mas felizmente isso não aconteceu. Acho que justamente o meu subconsciente fica alerta e foram raras as vezes que meus guias utilizaram o fumo. Acho que só usaram quando sentiram necessidade realmente. Apenas o preto-velho costuma pitar o seu cachimbo e o exu pede o charuto. E mesmo assim, quando vão embora, mal sinto o gosto na boca.Na verdade eu acredito que os guias respeitam nossas necessidades, limitações, livre arbítrio e individualidade. Acredito fielmente que você pode se tranquilizar quanto a isso. Tenha fé, confie no seu dirigente, nos seus guias e deixe a coisa acontecer naturalmente. Você não se arrependerá... mas a melhor coisa, em caso de insegurança, é sempre conversar com o dirigente da casa. Ele é a pessoa mais apta a lhe dar qualquer orientação.Abraços.

01/12/06
Douglas
Vicente
Muito interessante esse seu ponto de vista em relação às mulheres. Realmente são poucas as religiões que dão à mulher um papel de destaque e, menos ainda, de liderança. Na Umbanda felizmente existe esse democracia de gêneros. Tanto homens como mulheres podem dirigir uma casa e uma gira. O que importa é a fé e o que as pessoas carregam no coração.Mas vamos à sua questão. No candomblé existe um cargo chamado Ogan, que é o responsável por tocar os pontos nos atabaques. Esse cargo é exclusivamente masculino, ou seja, não existem mulheres tocando atabaques no Candomblé.Na Umbanda é diferente. As mulheres tocam atabaques sim. O termo ogan é questionado na Umbanda - há quem defenda que ele exclusivo do Candomblé e, partindo dessa premissa, não existem mulheres ogans. Mas o fato é que na Umbanda mulheres tocam atabaque sim, e muito bem, uma prova disso acontece na minha casa, onde duas mulheres, uma delas adolescente (filha do nosso Pai Marcelo) tocam maravilhosamente, inclusive conquistaram o terceiro lugar em um concurso recentemente. Nomenclaturas à parte, acho que nem vem ao caso essa discussão, as mulheres tocam sim, e não ficam devendo nada aos homens, portanto, essa democracia de gênero que você disse existir na Umbanda, extende-se também a tocar curimba (ou atabaque).Abraços.

01/12/06
Douglas
Gabriela
Se você quiser ser umbandista, acho que a primeira coisa que deve fazer é entender a religião. Ela não é uma coisa tão simples como a maioria pensa. Eu costumo dizer (até já disse nessa entrevista) que ser umbandista não é apenas acender velas coloridas, rodopiar numa gira e acender charutos. Ser umbandista é assumir um compromisso consigo mesmo e com a espiritualidade para realizar um trabalho sério e desinteressado. É estar preparado para a reforma íntima, pois seguir qualquer religião (não apenas a Umbanda) e não estar disposto fazer é reforma íntima, é como atirar para o alto: não se atinge nada. Esses são os pré-requisitos: a sua responsabilidade, disposição e compromisso.Algumas pessoas assumem o compromisso de trabalhar com a espiritualidade antes mesmo de encarnar. Essas são as que você classificou como "escolhidas pela Umbanda", mas qualquer um que queira pode se tornar umbandista, para isso basta ter certeza do que quer e conversar com o dirigente da casa sobre a sua disposição de trabalhar. E pode ter certeza que não é nenhum bicho de sete cabeças. É um trabalho muito gratificante.

02/12/06
Douglas
Dani
Eu tenho uma impressão um tanto pessoal sobre essa questão. Acho que faz sentido a história dos capelinos, mas tenho algumas restrições com relação aos exageros que a literatura espírita (e umbandista também) comete. A história dos exilados de Capela faz sentido sim, quando levamos em conta a questão da evolução das civilizações humanas, que supostamente tiveram nos capelinos um exemplo ou uma orientação a seguir.Quanto às mudanças que vêm ocorrendo em nosso planeta, é complicado fazer uma previsão se as catástrofes arrastarão alguns e deixarão outros. O que não dá para negar é que transformções estão acontecendo, e que grande parte delas devem-se à ação do homem, que vêm maltratando o planeta, de forma mais agressiva principalmente a partir do século XX. Claro que a raça humana colherá os frutos de suas ações. É claro também que uma mudança na mentalidade do ser humano se faz necessária, já que notamos uma gigantesca inversão ou perda de valores. Presenciamos a degradação moral da espécie e, isso na minha opinião se dá principalmente (mas não unicamente) através da pornografia e do desregramento sexual (quando não é bem trabalhado, o sexo pode nos tornar quase irracionais - veja os casos de pedofilia), então, uma mudança se faz realmente necessária. Alguns já falam nas crianças índigo... eu confesso que não tenho uma opinião formada sobre esse tema, mas acredito que uma mudança se faz necessária sim e que nada passa despercebido à Lei Maior, portanto, temos que nos preparar para algo - não falo aqui em apocalipse, mas em mudanças radicais, principalmente no que diz respeito à mentalidade. E a Divina Providência tem seus meios para agir... se é que já não está agindo.Acho que mais compliquei do que expliquei, mas é que essa questão realmente é complexa, mas espero ter ajudado de alguma forma. Talvez o nosso amigo João Carlos tenha algo a acrescentar tão sabiamente como sempre faz.Abraços.

02/12/06
Douglas
Lurdinha
Não se preocupe, o termo macumbinha não me ofende de forma alguma, dependendo da entonação que é dada, soa até meio simpático.Vou aproveitar esse seu depoimento para mais uma vez salientar aqui a importância do papel do cambono numa gira de Umbanda. Muita gente acredita que o grande astro da gira é aquele que incorpora vários guias, faz piruetas ao incorporar uma entidade, toma um litro de marafo e dá uma gargalhada de 10.000 decibéis. Muitas vezes esse é o que tem menos controle sobre sua mediunidade, enquanto o cambono, que trabalha silenciosamente, sem sequer incorporar, desempenha um papel importantíssimo na gira. E uma de suas funções é cuidar para que o consulente não saia do terreiro com dúvidas quanto ao que deve ser feito, como aconteceu com você. Certamente não havia um cambono ali para anotar e lhe orientar como agir corretamente, daí a confusão que você acabou fazendo, confusão da qual você não tem culpa, pois como disse, era leiga no assunto.Porém, mesmo tendo invertido a cor das velas e trocado o nome do Orixá, incrivelmente você foi atendida em suas necessidades. Por que isso aconteceu? Em primeiro lugar porque foi do seu merecimento, pois ninguém atropela a Lei Maior, e depois, certamente porque a espiritualidade age sempre com inteligência. Claro que existem uma série de elementos magísticos que deveriam ser trabalhados ali (as velas, suas cores, o orixá em questão), que serviriam para dar início a um processo de melhorias em sua vida, como um pontapé inicial, mas que de nada adiantariam se você não tivesse, como já disse, o merecimento e a fé, a convicção e o profundo desejo de que as coisas mudassem incutido em seu coração. Apesar dos enganos que cometeu, a espiritualidade, que sempre age corretamente, a beneficiou pelas razões citadas acima. O orixá em questão compreendeu que na época você era leiga no assunto e que não fez por mal. Temo mais pelo seu primo, que ficou tão preocupado.. espero que ele tenha superdo essa fase..rs

03/12/06
Lurdinha
Douglas, obrigada pela resposta.Vei bem de encontro ao que eu acreditei que aconteceu mesmo, que apesar deu ter feito as coisas errdas os orixás entenderam o que ia dentro do meu coração e da minha alma. Acho que eles pesaram na balancinha dele e viram que isso era mais importante do que a cor das velas.Obrigada pela atenção e pelas respostas clras e objetivas.

João Carlos
Acrescentando à reposta à Melissa:O Douglas falou muito bem dessa "parceria" entre a entidade e o médium. Caso sua entidade precise se valer do tabaco ou de bebida (lembre-se sempre do que Douglas observou: isso são artifícios magísticos), vão fazê-lo com moderação. Se puderem dispensar, dispensam. Fazendo uma comparação grosseira (já que médium também é chamado de "cavalo"), é como um "conjunto" no hipismo: a sintonia entre o cavalo e o cavaleiro é essencial.

03/12/06
João Carlos
Acrescentando à resposta ao Vicente:Você vai encontrar isso também nas Casas de Umbanda com raízes no Candomblé, como a minha, por exemplo. O caso é o seguinte: existem pessoas cuja mediunidade não é de incroporação. No Candomblé os homens são Ogãs e as mulheres Ekedis. O que toca os atabaques é uma "especialidade" de Ogã, chamado "Ogã Alabé". Existem vários outros cargos que são de Ogãs (que não vêm ao caso). Existe uma função entre as Ekedis que é puxar ou responder às "curimbas" (pontos), mas elas não podem tocar atabaques, assim como os homens são proibidos de fazer "comida para o Santo".Para os "fundamentos" do Candomblé, isso é essencial. Já na Umbanda não. E temos, como exemplifica o Douglas com a Casa dele, há mulheres que tocam atabaques. Só existe um pré-requisito: a pessoa que toca atabaques não pode ser médium de incorporação ("girante") e há uma preparação toda especial para que suas entidades sejam "suspensas".A confusão começa pela "importação" do nome "Ogã" do Candomblé para a Umbanda, onde o termo se confundiu com o tocador de atabaques (deveria ser "Alabé", mas o nome "Ogã" se popularizou). Mas tanto no Candomblé como na Umbanda, as Casas podem ser dirigidas por uma mulher (no Blé, chamada "Yalorixá"), como por um homem ("Babalorixá").

03/12/06
João Carlos
Acrescentando à responta à Dani:Eu não posso(e acredito que ninguém possa) dar uma resposta definitiva sobre "Os Exilados de Capella". Do ponto de vista formal da Astronomia, é pouco provável que o sistema de Capella (composto por quatro estrelas, duas gigantes azuis e duas anãs brancas) tenha sequer um sistema planetário. O que não quer dizer nada, porque o nome da estrela pode ter sido deliberadamente trocado.E - realmente - existem diversas entidades que alertam para que a Terra está entrando em um processo semelhante de "depuração" astral.Mais do que isso eu não posso afirmar.

03/12/06
João Carlos
Acrescentando à reposta à Lurdinha:Como foi um engano cometido de boa-fé, Ogum aceitou a oferenda (coisa que ele não faria para um Umbandista com alguma experiência). Isso apenas comprova que os Orixás estão mais atentos ao que está no coração das pessoas, do que à "exatidão" dos rituais.É por motivos como esse seu exemplo que pessoas que seguem diferentes "regras" ritualísticas, como o Douglas e eu, concordam sobre a parte essencial da Umbanda: fé, amor ao próximo e caridade.

03/12/06
João Carlos
Gabriela: não esqueci de você, não. Apenas a resposta do Douglas é tão completa que nada mais cabe a dizer.

03/12/06
Douglas
João Carlos
Eu gostaria de agradecer imensamente as suas contribuições (na verdade seus ensinamentos, um dia ainda quero pelo menos chegar perto da sua experiência e dos seus conhecimentos). Como não escondi em momento algum, sou um mero aprendiz e sem a sua ajuda, complementando as questões, esse entrevista não estaria sendo tão produtiva.Quero deixar aqui, publicamente, minha admiração, gratidão e respeito por você.

04/12/06
Douglas
Luis
Boa noite, meu amigo. Desculpe a demora para responder, finalmente consegui resolver uns probleminhas com o meu PC.Vou falar sobre minha opinião particular... a existência de várias Umbandas é uma coisa que eu acho meio complicada. Como já sabemos, a Umbanda é extremamente plural e diversificada e, como não existe uma codificação, alguns elementos são introduzidos em algumas casas, outros são retirados. Não vejo problema algum quanto a isso, desde que não descaracterize a Umbanda. No entanto, a chamada Umbanda esotérica{/i], baseada em ensinamentos de W.W. da Matta e Silva, na minha opinião deixa alguns elementos importantes da Umbanda se perderem. A essência continua sendo a prática da caridade, a reforma íntima e a evolução, mas no meu entender, muito da magia umbadista foi deixada de lado por esse segmento. Além disso, me parece uma tentativa de elitizar a Umanganda, mas pode ser que eu esteja enganado, e se estiver, faço um mea culpa, mas essa é a visão que tenho. Só acho estranho terreiros que trabalham com o Omolokô misturarem elementos da Umbanda Esotérica. Mas talvez o João Carlos possa falar mais sobre isso, já que o terreiro no qual ele trabalha segue essa linha.Um grande abraço para você.

04/12/06
Douglas
Gorpo
Não.

Melissa S.
Posso fazer mais uma pergunta?É o seguinte. As pessoas falam tanto que exu é o diabo e que é uma entidade do mal. Só quando fazem gira grande, ou gira de exu como chamam, é quando os terreiros mais ficam lotados. Porque acontece isso? Hipocrisia ou interesses que prevalecem, pois a maioria acredita que os exus resolvem os problemas mais rapidamente.Aguardo sua resposta.bjks

05/12/06
João Carlos
Gorpo:
Vou discordar em parte do Douglas. "Samba" é o título dado em alguns rituais à Cambono mulher. A dança delas era marcada por um determinado rítmo dos atabaques, muito parecido com o que, na música-samba, se chama de "partido alto". Pagode era - originariamente - uma reunião de sambistas para cantar "partido alto" de improviso.Então você pode levar a origem da música "Samba" até os cultos afro. Só que, atualmente, o que chamam de "samba" e de "pagode" já não tem coisa alguma a ver com os rítmos originais. (inclusive, a primeira música gravada com o rótulo de "Samba", "Pelo Telefone", não era Samba: era Maxixe...)

05/12/06
João Carlos
Luis e Douglas:
Uma pequena correção: meu Terreiro segue a Umbanda Traçada com Candomblé Keto. Os elementos esotéricos são aceitos como "contribuições paralelas", nunca como a prática principal.E o que o Douglas fala é uma queixa geral de todos os Umbandistas mais para a linha do Caboclo das Sete Encruzilhadas e das linhas mais africanizadas: a "Umbanda Esotérica" - pelo menos do jeito que vem endo apresentada - é uma tentativa de descarterizar as origens indigeno-africanas da Umbanda que é derrisivamente chamada de "branqueamento" da Umbanda.A grande maioria dos Umbandistas tem muito orgulho de suas raízes na "feitiçaria" dos velhos africanos e nas "pajelanças" dos índios e caboclos - e repudia qualquer tentativa de aceitar o esoterismo europeu (com laivos de orientalismo mal compreendido) do ramo "Esotérico", como preponderante.

05/12/06
João Carlos
E Douglas:
Obrigado pelos elogios, mas eu sou um mero "penetra". Como eu já disse antes, você é capaz de conduzir esta entrevista sozinho, com grande maestria. Esses meus "conhecimentos" que você menciona, são de terceiros - muito mais conhecedeores do que eu. Eu sou apenas "curioso" e procuro beber de muitas fontes, nem que seja para saber a diferença do sabor das águas.

05/12/06
Douglas
S.R.
Obrigado pelas suas palavras, que não são apenas bondosas, mas são também encorajadoras.A primeira questão levantada por você, sobre o uso da apometria, inclusive de forma cada vez mais conscientes, na Umbanda, eu acredito que trata-se de um processo de evolução. Já até falamos alguma coisa aqui sobre o uso de novas técnicas na Umbanda - incluindo aí a apometria, a cromoterapia e afins. A Umbanda não é uma religião estática, que fica parada no tempo. Ao longo desses quase cem anos, vários elementos foram agregados (assim como outros podem acabar sendo deixados de lado), portanto, eu vejo a inclusão da apometria como uma coisa positiva, mas vela ressaltar que todo novo elemento ou técnica em benefício da Umbanda e de seus assistidos será bem-vinda, mas temos que tomar um cuidado muito grande com aqueles elementos (ou ideologias) que venham descaracterizar (ou promover o "branqueadamento", como bem disse o João Carlos) a Umbanda.Já emendando esse assunto à sua questão, eu creio que quanto melhor preparado estiver o médium, melhor será o resultado do seu trabalho. O universo espiritual, no que se refere a conhecimentos e culturas é gigantesco, portanto nunca encontraremos alguém que conheça a fundo todas as correntes teológicas e teosóficas, mas quanto mais conhecimento o médium detiver, certamente mais firmeza terão os seus guias, pois o médium, no meu entender e ao contrário do que muitos pensam, não é um mero coadjuvante nesse processo. Se assim fosse, não haveria a menor necessidade de sua doutrinação e preparo. Então, não apenas os conhecimentos umbandistas ou orientais, mas tudo aquilo que se refere à espiritualidade e às questões de conduta moral devem ser valorizadas e levadas em conta.(continua)

05/12/06
Douglas
S.R.
Quanto aos livros que você citou, peço imensamente que não leve a mal caso tenhamos opiniões diferentes. Eu tenho alguma reserva quanto ao Ramatis, não que eu ache que esse espírita não tenha seu valor, muito pelo contrário, ele nos passa vários ensinamentos importantes, porém que contrastam um pouco da visão que eu tenho da Umbanda. Mas vale ressaltar a forma lúcida com a qual ele trata a apometria na obra A Evolução do Planeta Azul - creio para muitos, esse livro serviu como uma forma de compreensão maior dessa técnica. Sobre O Jardim dos Orixás, apesar da narrativa ser prazerosa, acho que o que vale realmente é a forma como Ramatis descreve a atuação dos chamados magos negros sobre os encarnados. Com Vozes de Aruanda acho que são concluídas as lições sobre a apometria (ou de sua importância, na realidade) iniciada nas outras obras. Concluindo, são livros que têm o seu valor, principalmente por elucidar o papel da apometria nos trabalhos espirituais, mas que na minha opinião criam um distanciamento daquela Umbanda original, mais ligada aos ensinamentos dos caboclos e pretos-velhos.Um grande abraço para você.

05/12/06
Douglas
Melissa
Já falamos bastante sobre os nossos amigos exus e o importante papel que desempenham na espiritualidade, mas parece que sempre fica algum resquício de preconceito no ar, por isso achei a sua pergunta interessante.Sabemos que mesmo entre as pessoas que frequentam um centro ou terreiro existe um certo preconceito com relação a essas entidades, que muito erroneamente são associadas ao diabo, de origem cristã/católica.Que os exus (os verdadeiros, não aqueles quiumbas que usam esse título para realizar os trabalhos mais baixos) são trabalhadores da Lei, já sabemos. Porém muita gente ainda não tem consciência disso, mas mesmo assim, quando ocorrem as ditas giras de esquerda (de exu) é justamente quando vemos os terreiros lotados de pessoas em busca de uma ajuda dos compadres.O que esse nos revela?Falta de compreensão da função dos exus na espiritualidade?Ignorância, no sentido de achar que os exus irão atender aos seus apelos, mesmo aqueles mais egoístas e mundanos?Ou isso nos revela uma hipocrisia, já que muitos acreditam que os exus são entidades do mal, mas mesmo assim procuram sua ajuda? Em outras palavras, as pessoas têm preconceito, mas acham conveniente frequentar as giras de exu para assim resolver seus problemas.Acredito que é hora de acabar com esse preconceito calcado em princípios religiosos antigos e ultrapassados, que remontam ao nosso passado colonial e escravocrata. Conheço pessoas que frequentam a Umbanda, na assistência, religiosamente e que dizem ter uma certa reserva com os exus, mas nas chamadas giras de esquerda estão lá, pedindo um auxílio aos compadres. A sua pergunta na verdade, possibilita várias respostas: a causa pode ser desconhecimento, conveniência, hipocrisia. Mas a solução para tudo isso passa por uma coisa só: a compreensão da Umbanda, de seu funcionamento e de suas entidades. Acho que falta compreensão principalmente no que se refere aos nossos amigos exus.Abraços.

05/12/06
João Carlos
S.R:
Então concordamos em quase tudo (talvez usemos rituais diferentes, mas com a mesma meta). E me permita elogiar a propriedade com que você colocou o ponto chave da questão: «Sem apegar-se a questões sobre "origens da Umbanda", questões essas, na minha visão, de POUCA importância. Eu penso que a Umbanda começou em 1908, mas 'resgatam' CONHECIMENTOS - e não ritualísticas - de outras eras .. mas e daí ? A Umbanda, na nossa realidade, é a dos Caboclos e dos Pretos-Velhos»Pelo pouco que conheço e tenho observado, é exatamente isso.

João Carlos
Acrescentando à resposta à Melissa:Dita de outra forma, sua pergunta poderia ser lida: "Se os Exús são demônios, seres do mal, por que são as Giras mais concorridas?"Aí eu lhe pergunto por que São Expedito, São Judas Tadeu e Santa Edwiges têm estado tão populares recentemente?É porque as pessoas andam muito carentes de coisas materiais e não importa se é um Santo ou um Demônio quem vai fazer o "milagre".Exús não são os demônios que a Igreja Cristã pinta. Mas - cuidado com o que você pedir a um Exú. Você vai receber exatamente o que pediu (não o que você quer ou precisa), principalmente se você não fez por merecer.Esse tipo de "travessura" é que faz com que os Exús sejam associados aos demônios (na verdade, estão mais para os "djins" muçulmanos). E eles - como grandes gozadores que são - não se importam nem um pouco em serem identificados com os capetas; até gostam...Mas - embora trabalhem "nas trevas" - eles são Guias tão evoluídos como os que trabalham "na Luz". Sua "faixa de atuação" (ou, para quem gosta de termos Espíritas: "roupagem fluídica") é que é mais próxima de nosso plano de existência. Como costumam dizer, são a "tropa de choque" e os "guardas de presídio" da Espiritualidade. Alguém tem que exercer essa função...Afinal, Aquele que criou a Luz, criou as Trevas, também.

05/12/06
Gabi
É muito gratificante ver como o Douglas, o João Carlos e o SR debatem e até divergem inteligentemente e respeitosamente. Eu que estou mais como expectadora do que participante me sinto premiada por essa entrevista que só faz crescer minha fé. Parabéns a todos vocês.PERGUNTA: Douglas, qual é a sua opinião sobre o ensino religiosa nas escolas públicas. TAmbém trabalho na educação e essa questão é para mim de grande importância. Religiõe como umbanda, candomblé e espiritismo não seriam prejudicada por um ENSINO RELIGIOSO OFICIAL?Aguardo seu parecer, pois sei que será de grande validade.

06/12/06
Douglas
Gabi
Essa questão é muito relevante e até já foi colocada em pauta por uma colega em outra comunidade.Eu tenho uma dificuldade muito grande de analisar determinados aspectos da Umbanda sem passar pela peneira da sociologia, já que essa é a minha formação acadêmica. Não sei se isso é bom ou ruim, mas para mim acabou tornando-se quase um vício.Veja bem, a família, a Igreja e a escola são instituições que, de forma incosciente ou não, são responsáveis por transmitir e reproduzir a ideologia do Estado. Isso acontece desde que o homem se organizou em sociedade e passou a exercer a arte da política. Assim, a escola tem um papel fundamental na formação do inconsciente coletivo e é justamente aí que mora o perigo do ensino religioso nas escolas. Ensinar princípios religiosos ou a história das religiões e suas diferentes concepções é louvável, mas bem sabemos que cada um puxa a sardinha para o seu lado. O profesor, como qualquer ser humano, tem suas preferências e opiniões, e queira ou não, isso acaba transparecendo. Estamos em um país de maioria católica, seguida mais ou menos de perto pelos evagélicos, que quase sempre (se não sempre) abominam a nossa religião. Assim, é certo que a nossa religião e outras mais seria prejudicadas com o ensino religioso. A escolha religiosa é uma questão de foro íntimo, portanto, não cabe à escola e nem a nenhuma instituição tentar doutrinar o indivíduo nessa escolha. Seria como querer usar as aulas sobre sexualidade para determinar se aos alunos a sua opção sexual.Não resta dúvida de que é muito importante transmitir aos jovens bons valores, a importância da prática do bem e a busca da evolução espiritual, mas sem determinar o caminho para isso, pois o caminho cabe a cada indivíduo. Acredito mais nos bons exemplos dados pelos pais, professores e pessoas públicas como um norteamento dos jovens ao caminho do bem. O educação brasileira já tem problemas demais, não acredito na sua capacidade de arcar com mais esse ônus.

06/12/06
Douglas
Luis
Não podemos esquecer o caráter laico do Estado brasileiro. Desde a Proclamação da República, em 1889, determinou-se a separação entre o Estado e a religião (entenda-se, no contexto da época, a separação entre o Estado e a Igreja). Apesar disso, é natural que, como todos os setores da sociedade, as religiões busquem representação na política. Cabe ao eleitor decidir se isso é correto ou não. Na minha visão, deve-se saber separar as coisas. Eu sempre defendo a idéia de que deve-se votar em um candidato por suas propostas políticas e não por suas convicções religiosas. Questões políticas resolvem-se na comunidade, exercendo a cidadania (essa palavra anda meio banalizada, né), cobrando daqueles a quem delegamos o nosso direito de decisão. Questões religiosas resolvem-se na igreja, no terreiro, no templo.Outro grande risco que corremos ao eleger um político que faz sua plataforma levantando a bandeira da defesa da Umbanda, é esse que você citou: o digníssimo parlamentar envolver-se em escândalos (pois umbandistas e religiosos de qualquer segmentos não são sinônimos de caráter ilibado), e isso ser usado para generalizar e denegrir a imagem da religião.Portanto, não defendo a eleição de um representante da Umbanda para um cargo público. Sou a favor da representação de classes, não da representação religiosa. Mas é óbvio também que não vou votar naquele canditado que usa sua religião para difamar a minha, pois se faz isso, já se mostra intolerante e a história nos prova que a intolerância é capaz de causar desastres gigantescos.

06/12/06
Douglas
Luis
Eu ainda acredito que a melhor maneira (e a mais confiável) é o jogo de búzios, feito, é claro, por uma pessoa de extrema confiança.Abraços.

07/12/06
Gabi
Douglas, obrigada pela resposta. Concordo em gênero, número e grau. Eu tamnbém acho que os educadores ainda não tem a isenção para a prática do ensino religioso. Obrigada pela resposta, mas agora vou mandar outra pergunta, tá.É possível a realização de MILAGRES na Umbanda?

07/12/06
João Carlos
Acrescentando à resposta da pergunta anteiror da Gabi:Eu acho o fim da picada o ensino de religião nas Escolas que não sejam mantidas por organizações religiosas. Colégios declaradamente Católicos, Metodistas, Adventistas, Israelitas, etc, são uma tradição. Mas - como frisou o Douglas - o Estado Brasileiro é constitucionalmente láico, ou seja, não professa esta ou aquela religião. Um colégio não-religioso não deve se intrometer em questões de foro familiar e pessoal.Portanto - pela liberdade de culto - sou contra! Se vamos ensinar algo a nossas crianças, podemos ensinar ética que independe de religião.

07/12/06
João Carlos
Acrescentando às resposta ao Luis:Não vejo com bons olhos a existência de "bancadas" religiosas nos diversos níveis do Legislativo. Para isto, existem os Partidos. Se quiserem lançar o "Partido Evangélico", ou o "Partido Católico", ou um hipotético "Partido Umbandista", que o façam. Vamos ver quantas pessoas votariam em alguém só por professar determinada religião... Eu sou um que não negaria o meu voto a um Evangélico competente e honesto, mas não votaria em grande parte dos que se dizem Umbandistas...Quanto à outra pergunta, sigo o Douglas: nada como um bom Jogo de Búzios.

Douglas
Gabi
Eu acredito que milagres não são realizados nem na Umbanda nem em qualquer outra religião. Acho que tudo que acontece, que hipoteticamente parece anormal ou sobrenatural aos nossos olhos, segue uma lógica universal (ou por que não divina?), que foge à nossa compreensão, mas nem por isso deixa de ser lógica. Se uma doença supostamente incurável, apenas para dar um exemplo, foi curada em um templo religioso (não me prendo atenho apenas aos templos umbandistas nesse caso), é porque certamente o seu portador foi merecedor dessa graça e a Lei Divina agiu em sua vida, não por um milagre, mas sim por determinações que não estão ainda longe da nossa possibilidade de raciocínio.A palavra milagre nos remete a realizações de coisas impossíveis e sobrenaturais e, particularmente, eu não acredito no sobrenatural e menos ainda que coisas impossíveis (até pelo próprio significado da palavra) possam acontecer.Portanto, se uma grande graça foi alcançada em um templo, significa que a espiritualidade trabalhou dentro das leis do merecimento e daquilo que lhes é permitido fazer. Penso que foi assim durante toda a história da humanidade.Um abraço.

08/12/06
João Carlos
Clap, clap, clap (aplausos!)
Brilhante, Douglas! Eu acredito que nossa interpretação de "milagre" é bastante semelhante.Eu chamo de milagre um evento, ou - de preferência - uma seqüência de eventos de baixíssima probabilidade de ocorrência, ou um evento perfeitamente natural, para o qual a ciência ainda não encontrou a explicação (o exemplo mais gritante é o "Efeito Placebo", onde um falso remédio produz curas: a medicina garante que existe, mas não explica).Eu acho que já disse isso, mas não custa nada repetir. O Criador não é "vaidoso" a ponto de criar um universo incomensurável, com Leis tão "universais" (por falta de termo melhor - isto quer dizer que 2 + 2 = 4, na base 10, em qualquer lugar do universo), para ficar quebrando essas Leis somente para extasiar os caipiras de um planetinha insignificante que gira em torno de uma estrela xinfrim na periferia de uma galáxia medíocre."Milagres" acontecem quase todos os dias nos Terreiros de Umbanda (e em outras Casas de outras religiões). Talvez a ciência não consiga jamais explicá-los, mas nunca serão violações das Leis da Natureza.

08/12/06
Melissa S.
João também compartilho dessa visão. Estou aprendendo muito com voce.sMais um pergunta. Os caboclos na umbanda na verdade são os índios, não são? No entanto eu sempre vejo as imagens dos caboclos que me lembram muito mais índios americanos que brasileiros. e até alguns médiuns quando estão incorporados usam uns cocares que também lembram mais os índios norte americanos. Qual a razão disso? Os caboclos não seriam a representação dos nosso índios, dos índios do Brasil?Bjks

08/12/06
Vicente
Saudações amigos
Eu sei que é errado fazer amarração, não é isso que etou questionando, mas é outra coisa. Mesmo sabendo que é errado, tem gente que faz. E aí? Pode dar certo? Se der, ou não, quais os resultados disso.valeu.

10/12/06
Douglas
Melissa
Em primeiro lugar peço que me desculpem pela demora para responder. Fizemos nossa festa de Iemanjá, que encerra nossos trabalhos do ano e isso nos tomou um certo tempo, em que não pude acessar a internet.Veja bem, Melissa, já dissemos aqui que a a Umbanda é uma religião que possui um caráter universalista, portanto agrega os mais diversos elementos. Uma de suas características é o culto ameríndio, e que o significado disso? Ameríndio é todo índio do continente americano, seja da América do Norte, do Sul ou Central. Óbvio que se a Umbanda é uma religião surgida no Brasil e que segue principalmente as suas tradições, os espíritos de índios brasileiros são os que se fazem mais presentes em nossos cultos.Concordo com você quando diz que alguns desses caboclos possuem a aparência meio norte-americanizada, mas certamente isso é mais uma visão das pessoas que tentam representá-los através de esculturas ou pinturas do que a aparência que possuem na realidade.Quanto ao excesso de cocares, penas, plumas e paetês, não tenho a menor dúvida de que se trata da vaidade do médium, que às vezes até de forma inconsciente acredita que o porte imponente de sua entidade lhe imputa maior crédito.Abraços.Amanhã à tarde estarei para responder as outras duas questões... a nossa festa de Iemanjá foi maravilhosa... mas cansativa também.Abraços.

10/12/06
João Carlos
(Ainda bem que o Douglas respondeu à Melissa, eu estava com coceira no dedo...)Pois é, Melissa. "Caboclo" é como se chama o mestiço de índio e branco. Muitos "Caboclos" da Umbanda são mesmo caboclos. Outros são índios, mesmo ("meu" Caboclo Itaúna fala um português muito atravessado, mas diz que "fara peró-tugêis muito bom..."). Outros, são "cafusos" (mestiços de índio com negro), muitos deles originários da África (os franceses não invadiram só Salvador e o Rio de Janeiro. Invadiram Luanda, também, e a tropa que foi retomar Luanda foi composta aqui no Brasil, com muitos índios aliados dos portugueses. Então, quando falam de "Caboclo da Guiné", não é invenção, e "Aruanda" pode ser a forma de um índio pronunciar "Luanda").Quanto às imagens terem aparência de índios norte-americanos, fazer o que, né?... Fantasia de "índio" de Carnaval imita mais eles do que os do Brasil. Mas muitas tribos do litoral brasileiro usavam cocares bem parecidos com os dos índios americanos (embora andassem nús...)Eu não gosto de "dar pitaco" sobre as entidades alheias, mas o Douglas tocou em um ponto muito sensível: a vaidade (e ignorância) dos médiuns, que acabam "fantasiando" seus Caboclos de "Cacique Touro-Sentado"...

11/12/06
Douglas
Vicente
Imagine que por uma razão qualquer você fosse obrigado a fazer algo que não quisesse. Imagine que fosse, por exemplo, obrigado a se casar com uma mulher a quem não ama. As chances desse casamento ser feliz seriam mínimas, concorda? O mesmo se dá quando alguém interfere no livre arbítrio de outra pessoa.Existe sim a possibilidade de um desses trabalhos de amarração funcionar, desde que a pessoa em questão esteja suscetível à ação da magia e dos espíritos que se propõem a realizar essas tarefas. Mas com toda certeza essa pessoa não será feliz, pois como no exemplo que citei acima, estará fazendo algo que não é de sua vontade. Mas nessa questão acho que o mais importante a lembrar é que quando mantemos a guarda, orando e vigiando como diz a máxima bíblica, estamos protegidos desse tipo de coisa. Só é vítima de ações nefastas aqueles que fraquejam em sua fé e entram na mesma faixa vibratória dos que se dispõem a realizar tais práticas.

11/12/06
Douglas
Celso
Antes de responder à sua pergunta, gostaria de parabenizá-lo pela entrevista sobre a ditadura militar e também pelo seu passado de lutas. Não podemos deixar que um período tão triste da nossa história caia no esquecimento e, menos ainda, que injustiças sejam cometidas contra aqueles que lutaram pela liberdade que desfrutamos hoje.Essas suas questões podem ter mais de uma resposta, visto que, como já foi falado aqui, a Umbanda é extremamente plural, mas no entanto, a grande maioria dos umbandistas concorda que passamos por diversas encarnações e que elas podem influenciar na atual. No entanto, faço questão de ressaltar que da minha parte tomo um cuidado imenso com isso, pois existem pessoas, ligadas à espiritualidade que acreditam que tudo é fruto de encarnações passadas, como se os nossos atos nessa vida não tivessem suas consequências.A razão para as sucessivas encarnações seria sim o aprimoramento, como você disse. Caminhamos rumo à evolução. Eu discordo da visão (na minha opinião um tanto simplista) de que passamos pelo sofrimento para evoluir. Isso me parece um tanto cruel. Vejo o sofrimento como consequência dos nossos atos ou dos atos de outras pessoas sobre nós. Acredito na reencarnação como forma de educar para evoluir, e para isso, muitas vezes, reencontramos pessoas de outras encarnações sim, mas claro que cada nova encarnação tem coisas, pessoas e lições novas a acrescentar.Hoje técnicas como a apometria são usadas como forma de entender a influência de vidas passadas, além de outras coisas. É uma técnica que vem sendo usada em alguns templos de Umbanda, embora ainda não seja uma regra dentro da religião.Espero ter ajudado em alguma coisa.Abraços.

12/12/06
João Carlos
Acrescentando à resposta ao Vicente:Funcionar, funciona... Aliás, "magia negra" é até mais fácil de fazer do que "magia branca" (mal comparando: é preciso ser um bom pedreiro para levantar uma parede bem feita; mas qualquer idiota com uma marreta é capaz de destruir...)Só que no caso de "amarração", você está (como o Douglas já disse) interferindo no livre-arbítrio de, pelo menos, uma pessoa. Isto é totalmente contrário ao que chamamos de "Lei Maior".Os resultados costumam ser desastrosos...E você não vai encontrar um Terreiro sério de Umbanda que faça este tipo de trabalho. Você vai encontrar um monte de espertalhões que vão levar seu dinheiro e lhe deixar com um grande problema, ou vai se meter com magia negra do pior tipo. Cara, você não ganha; corôa, você perde...

João Carlos
Só para constar:
Nada a acrescentar na resposta ao Celso. Douglas encerrou o assunto.

13/12/06
Lurdinha
Douglas.Eu sei que espiritismo é uma coisa e umbanda é outra, as as vezes encontram pontos convergentes. Por isso eu queria saber a sua opinião sobre livros como violetas na janela e copos que andam, mais precisamente eu queria saber sua opinião sobre aquelas histórias de aeróbus, bônus hora e etc.Obrigad.

14/12/06
Douglas
Lurdinha
Eu sou daquele tipo de pessoa que lê até bula de remédio, então já li esses livros citados por você e para falar a verdade, não gostei muito... ou quase nada. É aquela velha receita: romances fáceis, algumas vezes cativantes, com alguns poucos ensinamentos sobre espiritismo e muita, mas muita ficção. Eu vejo um ponto positivo nesses livros: eles acabam despertando o interesse pelos assuntos espirituais e assim abrindo as portas para leituras e conhecimentos mais profundos e úteis. Como você disse, essa literatura é espírita (kardecista - não gosto desse termo), mas o mesmo acontece com a literatura umbandista, que na minha opinião, infelizmente, é muito pobre ainda. Mas vale lembrar que existem ótimos livros espíritas, de conteúdo e qualidade não apenas no diz respeito a assuntos doutrinários, mas também no parte literária.E quanto a essas coisas que você citou (aeróbus, bônus-hora e afins... e tem também uma tele-tela, onde as pessoas assistem, como num filme, as suas encarnações passadas), eu particularmente acho pura ficção, além de ser um exagero que acabam servindo de argumento para aqueles que são contra e tentam desacreditar toda uma filosofia e uma religião.

15/12/06
João Carlos
A gente só vai ficar sabendo quando chegar lá "do outro lado", né?... Eu também acho "materiais" demais essas historinhas, mas posso estar enganado.Ao contrário do Douglas, eu também não dou muito crédito à literatura dita "Umbandista": muitas lacunas e muitas "explicações" fantasiosas, para meu gosto.Eu dou mais atenção às mensagens implícitas nessas obras, do que às descrições dos ambientes. Afinal, os Guias têm que ambientar suas mensagens em algo que seja compreensível para nós. Um pouquinho de "ficção-científica" não faz mal algum... (aliás, eu sou apaixonado por sci-fi )

15/12/06
Ana
Douglas
Você poderia me falar sobre a corrente dos marinheiros?

15/12/06
Douglas
Ana
Coincidentemente a linha dos marinheiros é uma das que mais me agrada, por uma simples questão de empatia - ou algo que desconheço, vai saber...As giras de marinheiro costumam ser divertidas, pois a alegria é uma das principais características dessa falange. Os marinheiros são muito brincalhões, divertidos, galanteadores, mas sabem trabalhar com seriedade, tanto nos conselhos que costumam dar, nos passes como também nos trabalhos em que quebram demandas. O fato de ficarem "balançando" para lá e para cá, como se estivessem bêbados - e muita gente acredita, numa visão simplista, que realmente é apenas isso - é sinal de que estão manipulando energias através dos movimentos dos seus médiuns. Eu acredito que esses trabalhadores trazem consigo uma mensagem implícita em seus arquétipos: a da busca interior, do desconhecido. A coragem para desbravar e batalhar por aquilo que se almeja. Não acredito que usam a roupagem simplesmente porque o bonézinho branco é simpático; creio que a coisa vai um pouco além.Espero ter contribuído com algo. Espero também que o nosso amigo João Carlos acrescente alguma coisa (sempre sabiamente) aqui.Abraços.

16/12/06
João Carlos
Pouco tenho a acrescentar, Douglas. "Meu" Marinheiro só se apresentou uma única vez e o que eu sei sobre ele é que é um auxiliar do Preto Velho. Da mesma forma que a "Linha das Almas" (Pretos Velhos) vem sob uma regência de Obalauaiê e a dos Caboclos, sob a de Oxóssi, os Marinheiros vêm com a regência de Yemanjá.Eu traço um paralelo entre "Caboclos de Pena"/"Caboclos de Couro" e "Pretos Velhos"/"Marinheiros". Eles trabalham em um plano astral ligeiramente mais baixo do que os Velhos (tal como os Boiadeiros para os Caboclos) e têm essa aparência meio "malandra" (a ponto de muitos pensarem que são uma espécie de Exú...), mas, por trás dessas "gingas" e cabriolas, está todo o poder da "Calunga Grande" (o Mar) e - por que não - de todas as Yabás (Orixás Femininos)."Meu" Velho, o Pai João Benguelê, se apresenta como "marinheiro, cirandeiro e feiticeiro" o que talvez seja um indício de que ele próprio já tenha trabalhado anteriormente nessa linha.Uma coisa é certa: são poderosos manipuladores de energias. Uma Gira de Marinheiros é quase tão eficaz como um banho de cachoeira, para "limpeza" e, quando eles se vão, o Terreiro está "leve".

16/12/06
Ana
Douglas
Obrigada pelo esclarecimento. Também tenho um profundo carinho por estas entidades envolvidas na corrente dos marinheiros. Você me esclarecendo o que acontece, o porque dos movimentos, me deixa ainda mais impressionada.Uma outra dúvida: o que determina que somos filhos de Iemanjá? Como uma entidade "entende" a determinação de um orixá?

16/12/06
Douglas
Ana
Não sei se entendi bem a sua pergunta, mas vou tentar responder. Se por acaso eu estiver falando besteira, por favor, avise.Nem todos são filhos de Iemanjá. Na verdade temos três orixás que regem a nossa vida e personalidade: o de cabeça (ou coroa, ou ancestre), que é o principal, o de frente e o adjunto (ou juntó). Eu acredito que esses orixás não são "ligados" a nós à toa - como nada no Universo acontece por acaso - então, se uma pessoa é filha de um determinado orixá, é porque ela necessita das energias e das características do arquétipo daquele orixá para relizar com sucesso a sua caminhada no plano material. Mas é bom lembrar que recebemos influências de outros orixás também e que as pessoas filhas do mesmo orixá não possuem sempre os mesmos traços de personalidade, temos que lembrar que vale o livre arbítrio e que esses traços são arquétipos que nem sempre correspondem à realidade.Agora como uma entidade entende a determinação de um orixá? Com certeza, por não estarem mais ligados ao plano material, os guias possuem uma percepção maior do que a nossa para as coisas espirituais, assim, certas sutilezas que para nós passam despercebidas, para eles são mensagens claras. Caso eu tenha fugido do que você gostaria de saber, por favor avise.Abraços fraternos.

16/12/06
Vicente
Dentro do que eu entendi da pergunta da Ana acho que sua resposta foi perfeitamente coerente, Dougals.Eu gostaria que você expressasse sua opinião sobre a frase que li numa comunidade outro dia, dizendo que os trabalhos de candomblé são mais fortes que o do umbanda. Por exemplo, se alguém do candomblé se porpoe a fazer um trabalho, ele consegue fazer um trabalho mais forte do que se fosse feito na umbanda. O que voc~e acha disso?

TIGRE
DOUGLAS !!!!!!!!!!
Existe muito preconceito ainda para quem pratica essas religiões?

16/12/06
Melissa S.
Amigoeu já tenho minha opinião sobre isso, mas acho que seria interessante se voce falasse sobre o uso do termo MÃE DE ENCOSTO usado por algumas religiões. Qual o fundamento disso?

18/12/06
João Carlos
Acrescentado um pouco à resposta à Ana:Existe uma lenda do Candomblé que associa Yemanjá a todos os "Oris". O "Ori" é - como direi?... - a "cabeça espiritual" da pessoa, que precisa ser "acordada" com todo o Cerimonial que, no Candomblé, é que se chama de "fazer a cabeça".Da mesma forma que cada Orixá tem suas próprias ervas, o Senhor de todas as Ervas" é Ossaim; o Orixá do Oráculo é Orumilá, mas quem faz a leitura de búzios é Exu. Cada pessoa tem seu próprio Orixá, mas a Dona de Todos os "Oris" é Yemanjá.Meio complicado?... É mesmo!...

18/12/06
Ana
Pessoal, muito obrigada pelas respostas. Tenho seguido o Espiritismo, mas sobre a umbanda, que muito respeito, não tenho conhecimento.Mais uma questão. O que entendemos por ORIXÁS? São as forças da natureza, nela incluindo as influências dos espíritos?

19/12/06
João Carlos
A todos e ao Douglas, em especial:
Estarei "fora do ar" - pelo menos até o dia de Reis (vou fingir que não ouvi alguém dizer: "mas só?..." )Então a todos - e particularmente ao Douglas que vem se provando uma excelente escolha do Ponderador - meus votos de um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!

19/12/06
Douglas
Vicente
Em primeiro lugar quero me desculpar pela demora para responder. Final de ano sempre é muito corrido para os sofridos porém felizes guerreiros do magistério..rsVicente, eu acredito na fé e no merecimento. Creio que existindo essas duas coisas tudo é possível. Conheço muito pouco (quase nada) do Candomblé, mas pelo que sei os seus trabalhos exigem um preparo maior, mais aprimorado (não encontrei palavras mais adequadas). Por essa razão existe a crença de que seus trabalhos são mais fortes e eficazes, mas no fundo, acredito que a força está na fé, no merecimento e na seriedade daquele que pede e daquele que serve de intermediário para se alcançar o fim desejado. Assim, na minha concepção, a força pode estar na prece feita em casa, na Igreja Católica, no centro espírita, na Umbanda, no Candomblé, na mesquita ou em qualquer templo religioso. Cada alcança aquilo que é de seu merecimento e de sua fé dentro da crença à qual se identifica mais.Abraços.

19/12/06
Douglas
Itamar
Novamente peço desculpas pela demora da resposta.Acho que o preconceito já foi maior, mas ainda existe sim. Hoje, felizmente, as pessoas estão um pouco mais esclarecidas e cientes de que existe garantia legal ao respeito a todos os cultos religiosos, mas ainda assim sempre ouvimos uma piadinha aqui, uma brincadeira ali, mas isso é o que menos importa. Sinto que a agressão é maior quando a minha religião é colocada à margem das demais. Vou citar um exemplo clássico (e para mim corriqueiro, pois diz respeito à minha profissão): em algumas datas comemorativas, realizam-se missas nas escolas (não tenho nada contra as missas, quero deixar isso claro de antemão). Raramente alguém se lembra de que o correto nesses casos é realizar um culto ecumênico, mas quando isso é lembrado, convidam um pastor evangélico para dividir a realização da cerimônia com o padre. E o representante da Umbanda? E o representante do Candomblé? Nunca são convidados a participar desses eventos, mesmo que alguém proponha. Já ouvi uma coordenadora pedagógica dizer assim: "Essas coisas não podem ser feitas nas escolas" - como se a participação de uma religião de origem afro num culto ecumênico dentro de uma escola fosse algo ilícito, como usar drogas dentro do ambiente escolar. Então, acredito que o preconceito é menor hoje em dia, mas certamente ainda existe.Desculpe divagar tanto, mas acredito que esses exemplos cotidianos são justamente os que nos dão uma compreensão maior dos fatos. Um grande abraço para você.

19/12/06
Douglas
Melissa
O fundamento é jurídico. Justamente por saber que existem leis que garantem o respeito às diversas crenças e seus símbolos, algumas religiões (uma em especial) evita usar o termo mãe-de-santo para usar o hilário mãe-de-encosto. Assim, além de se livrar de um possível processo por referir-se de forma pejorativa às zeladoras da Umbanda, conseguem estampar uma imagem ainda mais nociva à nossa religião, já que a palavra [í]encosto é imediatamente ligada a coisas ruins. Mas aqui entre nós, tá cheio de encostos por aí... um bando deles está brigando pra aprovar um aumento de 91% do próprio salário.

19/12/06
Douglas
Ana
Eu entendo os orixás como emanações divinas. Imagine os braços de Deus agindo sobre tudo aquilo que foi criado. Muitos definem os orixás como forças da natureza, ou como espíritos altamente evoluídos e já vi até algumas pessoas dizendo que seriam anjos. Tudo isso é muito complexo, mas como tudo vem de Deus e os orixás atuam como agentes da vontade divina, prefiro, de uma forma muito pessoal, defini-los como emanações de Deus. No panteão africano essas emanações foram personificadas através das diversas lendas que explicam, quase didaticamente, sua forma de agir sobre os seres humanos, mas como já falamos aqui, existem similaridades entre os orixás e os panteões de outras civilizações, mostrando que não são somente uma crença de povos africanos trazida para o Brasil (além do próprio sincretismo com os santos católicos). É um assunto extremamente vasto, porém apaixonante, que infelizmente é muito difícil resumir em poucas palavras, mas espero ter conseguido elucidar um pouco.Abraços fraternos.

19/12/06
Douglas
João Carlos
Um ótimo natal e um 2007 maravilhoso para você e todos da comunidade. Que nosso Pai Oxalá esteja sempre presente e abençoando sua vida. Uma das melhores coisas dessa entrevista foi estabelacer esse laço de amizade e a troca de informações contigo, uma pessoa de grande sabedoria e disposta a compartilhar seus grandes conhecimentos.

Ana
Douglas
Obrigada pelo carinho e elucidação. Também tenho uma pergunta sobre Nana (é assim que escreve)? Já frequntei um centro de umbanda, onde se cantava uma música linda para Nana, e uma entidade sempre me chamava, me dava uma flor, com um olhar lindo, maravilhoso de amor. Não falava nada, mas com aquele olhar, nem precisava...Você pode me falar sobre Nana (ou Nanã)?

20/12/06
carla
Ciência
Até que ponto devemos esperar um reconhecimento dos fenômenos espirituais por parte da comunidade científica? O que isso mudaria para religiões que trabalham com a mediunidade, como o espiritismo e a umbanda?

22/12/06
Douglas
Mata
Nos primórdios da Umbanda existia sim. Com o passar do tempo essa prática foi quase que totalmente abolida, sendo praticada apenas em alguns terreiros, mais ligados às correntes africanistas. Se você perguntar a minha opinião, direi que sou radicalmente contra essa prática. Tento respeitar quem a utiliza, mas não consigo aceitar para mim. Se um dia a casa que eu frequento resolver aderir a essa prática, certamente eu irei deixá-la, mas felizmente lá todos partilham dessa minha opinião.

23/12/06
Douglas
Ana Claudia
Nanã (ou Nanã Burukê) é considerado o orixá mais velho cultuado na Umbanda, justamente por isso ela é sincretizado com Santa Ana, a avó de Jesus Cristo. Juntamente com Obaluayê, Nanã forma a "linha evolutiva" da Umbanda. Obaluayê é responsável pela passagem do plano espiritual para o material, enquanto Nanã limpa o emocional desses espíritos para a sua nova encarnação. Como todo orixá, Nanã tem o seu elemento natural, que é a terra fofa (ou a lama, melhor dizendo). Muitos dizem que esse é seu elemento por receber os cadáveres que ali são enterrados, mas podemos entender diferente: a terra fofa, a lama, pode ser entendida também como um colo de avó ou até como o útero materno, que prepara para uma nova vida.Nanã é um orixá bastante sério, como geralmente são as pessoas idosas. Por isso, os filhos de Nanã costumam ser meio autoritários, rabugentos detalhistas e caseiros, mas também sábios e carinhosos.Sua saudação é Saluba Nanã.

23/12/06
Douglas
Carla
Sinceramente eu não espero um reconhecimento por parte da comunidade científica. A ciência é cética por excelência e se assim não fosse, não seria ciência. Acredito sim. que um dia alguns fenômenos espirituais venham a ser reconhecidos cientificamente, mas isso não acontecerá tão cedo e, da minha parte, acho melhor assim. Quando qualquer fato é reconhecido cientificamente, ele deixa de ser objeto de fé para se tornar fenômeno físico. A fé deve se racional, mas também abstrata, pois não necessita de provas para existir. Claro que com isso não quero dizer que devemos sair por aí acreditanto em qualquer coisa que nos contam, o que quero dizer é que a fé parte primeiro do coração (emoção) para depois passar pela razão. Quando há uma intersecção entre esses dois pontos, ela torna-se perfeita, no entanto parece que o ser humano não consegue notar que essas duas coisas - fé e razão - podem caminhar juntas. Todo fenômeno, espiritual ou material, tem uma explicação racional, no entanto, nós, seres humanos, insistimos em levantar um muro separando essa possibilidade. Justamente por acreditar que ainda não estamos preparados para entender que o mundo espiritual não é algo sobrenatural (ao contrário disso, é supernatural, assim como tudo que nos é palpável), é que não faço questão de um reconhecimento científico. Assim ninguém terá sua fé abalada, pelo menos por enquanto. Acho que o único benefício que isso nos traria seria uma credibilidade maior, paradoxalmente acompanhada de uma desilusão muito grande por parte daqueles que depositavam fé nós fenômenos espirituais. Complexa essa questão... muito complexa.Abraços.

23/12/06
Lurdinha
mudança
Não sei se vou conseguir me expressar direito, mas vou tentar. Temos na umbanda várias "linhas"... caboclo, preto vleho, exu, boiadeiros etc. Pode uma entidade mudar de linha? Por exemplo, um exu pode trabalhar como preto velho ou como caboclo?

25/12/06
Douglas
Lurdinha
Uma coisa sempre me chama a atenção quando surge essa questão levantada por você: a imediata referência que as pessoas fazem ao exu. E isso não é uma crítica, pois acho que até mesmo nós, umbandistas, temos um certo preconceito (ou desconhecimento) com relação a isso. talvez preconceito nem seja a palavra correta, talvez seja uma tendência a achar que o exu é pouco evoluído (na verdade pensamos assim porque eles, os exus, são os mais próximos a nós).Mas acho que as entidades podem mudar sua linha de trabalho sim, não por uma questão evolutiva, pois se pensarmos assim, estaríamos subestimando o tipo de trabalho de algumas linhas, mas acho que fazem isso para seu próprio aprendizado ou pela necessidade de sua ação específica, seus mistérios em um determinado setor da espiritualidade.O trabalho magístico de um Exu e sua atuação na Umbanda é fundamental para a sua existência. O Exu é o agente da luz que penetra nas trevas, é ele "quem mete a mão na massa". Assim, eu acredito que as entidades podem mudar de linha sim, de acordo com a necessidade do trabalho a ser realizado e também pela sua evolução, mas deixando claro, quando tocamos nesse ponto, que nem sempre as coisas são como aparentam. Às vezes aquele guia que trabalha silenciosamente é justamente o que apresenta um grau evolutivo maior, e nem mesmo o exu é pouco evoluído como muitos pensam. Na verdade, a espiritualidade é mais complexa do que pensamos e acreditamos. Nossos critérios para julgamentos na maioria das vezes são minúsculos diante da complexidade que rege as coisas espirituais.Abraços.

26/12/06
Melissa S.
O que voce me diz de homens que na umbanda incorporam entidades feminas, como pombas giras? É certo? é errado? O que voce me diz disso?

26/12/06
Melissa S.
Corrigindo: entidades femininas

Douglas
Melissa
Não existe problema em um médium masculino incorporar entidades femininas, desde que as regras de bom senso sejam observadas. Esse tipo de incorporação não pode e não deve ser utilizada para que médiuns mal preparados aproveitem a situação para dar vazão às suas vaidades e/ou desejos ocultos. Mas creio que a regra do bom senso deve prevalescer sempre. Por outro lado, perdoe a colocação, mas sua pergunta mostra, ainda que inconsciente, uma certa mentalidade machista que predomina até mesmo quando o assunto é espiritualidade, pois ninguém questiona se é certo ou errado quando uma médium feminina incorpora entidades masculinas. E também nesse caso deve existir o bom senso.Abraços.

26/12/06
Vicente
Estou acompanhando a entrevista e você esta de parabens, Douglas.Minha pergunta é sobre essa coisa meio neurótico relacionado a Umbanda. Deixa eu ver se consigo ser claro: me parece, eu posso estar enganado ok, que sempre que alguém busca ajuda em um terreiro de umbanda logo falam que a pessoa esta macumbada, está com "trabalho Feito". Isso não é um tipo de neurose? Ou é um engodo de pessoas mal intencionadas dentro da religião. (Por favor não entanda errado, não quero dizer que sua religião funciona dessa forma, mas gente boa e ruim existe em qualquer religião).

27/12/06
carla
Muitos umbandistas, quando indagados sobre sua religão, respondem dzendo que são ESPÍRITAS. Vc acha isso correto Douglas? espiritismo e umbanda podem ser considradas uma coisa só que se complementam ou ao se dizer es´píritaa a pessoa está sendo preconceituosa com a sua própria religião?Beijos para todos.

27/12/06
Douglas
Vicente
Acho que em primeiro lugar temos que tomar cuidado para não cair no senso comum, pois isso é muito perigoso quando tentamos tecer julgamentos. Existem algumas lendas sobre as religiões afro-brasileiras que nem sempre correspondem à realidade. É muito comum ouvirmos dizer que essas religiões são usadas para o mal, que a vida dos umbandistas "nunca vai para a frente", que se um umbandista deixar o terreiro sofrerá duras penas, que a Umbanda é uma religião que abriga um grande número de homossexuais (olha o preconceito: na Umbanda todas as pessoas são bem-vindas, independe de suas opções pessoais) e, como você disse, que basta alguém procurar ajuda em um terreiro que fatalmente lhe dirão que foi feito um trabalho para essa pessoa e que para desfazer será necessário uma grande soma em dinheiro e etc, etc, etc. Note bem: situações como essa existem (infelizmente), mas não são regra. Acreditar que isso sempre ocorre é cair no senso comum.Não tenha dúvidas de que existem pessoas sem o menor pudor, que abusam da boa fé e do desespero de pessoas que buscam ajuda espiritual, mas isso não acontece somente na Umbanda. Infelizmente em quase todas (ou todas) as religiões existem pessoas dispostas a fazer esse tipo de trabalho sujo, mas uma coisa é certa: a lei do retorno. Quem age assim, certamente terá que responder por seus atos.

27/12/06
Douglas
Carla
Espiritismo é uma coisa, Umbanda é outra. Existem pontos comuns entre essas duas religiões e em alguns aspectos até se complementam, mas são coisas diferentes, assim, o umbandista que se diz espírita cai em um desses dois erros: desconhece os fundamentos da sua religião (e esse é um passo para acreditar que espiritismo e Umbanda é a mesma coisa), ou como você bem disse, está sendo preconceituoso com a própria religião.Abraços.

27/12/06
carla
Obrigada pela resposta, Douglas.Penso exatamente como você.Mais uma pergunta: qual a diferença entre quiumba e egum?Obrigada.

29/12/06
Douglas
Carla
Egum é qualquer espírito desencarnado, independente do seu grau de evolução ou do trabalho que desempenha na espiritualidade.Já o quiumba é aquele espírito desorientado ou sem luz, que se presta a realizar trabalhos de baixo nível. Muitas vezes, de forma errada, os quiumbas são confundindos com exus, o que não corresponde à realidade - já falamos aqui sobre o papel dos exus.Assim, todo quiumba é um egum, mas nem todo egum é quiumba.Abraços.

29/12/06
Paulo Rogério
Materialismo
Um abraço fraterno e meu total respeito pelo irmão a que me dirijo e a todos os participantes da comunidade.Dentro das religiões afro brasileiras como também na umbanda existe a possibilidade de realizar "trabalhos" seja para qual objetivo for, agora eu pergunto se está sendo dirigido a espíritos desencarnados sejam de ordem superior ou não porque existe a necessidade de utilização de rituais envolvendo objetos materiais e em alguns casos até mesmo animais e também o porque de se cobrar por esses trabalhos já que quem geralmente procura está aflito e necessitado, porque e como garantir que apenas os pais de santopodem " limpar " casas, pessoas, etc e também cobram por isso além detambém realizarem rituais com objetos materiais e em alguns casos animais, como uma um objeto material pode atingir ou melhor exercer função pelo menos magnética em relação ao espírito?

31/12/06
Asmond
Olá, a pergunta, por favor se possível me responda!O quem vem a ser morte, existem anjos e demônios?O que vem ser a vida e a existência?Obrigado e saudações!

Paulo Rogério
Ao amigo Asmond
Existem muitas linhas de pensamento em relação ao tema abordado, pelo companheiro, desculpem a minha intromissão mas não resisti e vou responder.Segundo o que acredito a vida é o aprisionamento do espírito em um corpo material para que possa seguir sua jornada de melhoramento, consequentemente a morte é o despreendimento deste mesmo espírito de seu corpo material apartir do momento em que as funções organicas foram extintas sem possibilidade de reanimação.O que chamais de anjos nada mais são que espíritos pertencentes a uma classe superior devido ao seu alto grau de adiantamento moral e que sempre estão enter nós zelando e sugerindo caminhos melhores, mas note que quem decide é o protegido.Os demonios são ao contrario espíritos com pouco adiantamento moral e terrivelmente agarrados a materialidade, mas nem por deixam de ser inteligentes, sofrem e sentem prazer em ver os seus irmãos sofrerem, a negativa em aceitarem ajuda leva-os a caminhos de maldades e ciúme sendo que um dia todos atingirão a evoluçao moral necessària, tal qual é a lei.

01/01/07
Asmond
Obrigado Paulo Rogério, pelo q notei então existem anjos do bem e do mal, isso dependendo do grau de interpretação de sua existência, ou do grau de sua atuação na sociedade, então os políticos, assassinos, violentadoress, corruptos como exemplo, serão condenados a essa peregrinação como demônios, mas e se eles não tiverem peso na consciência e nem moral, nem sentirem-se culpados por seus atos, culpando sim a sociedade pela vida que levou, como serão classificados?Saudações.

01/01/07
Douglas
Paulo Rogério
Mais uma vez peço desculpas por demorar tanto a responder. Esse período de festas acaba nos tomando muito tempo.Sua pergunta é interessante, meu amigo, pois servirá para esclarecer dúvidas que rondam um grande número de pessoas quando o assunto é Umbanda. Veja bem: a Umbanda é uma religião que trabalha com o auxílio de espíritos desencarnados e também com elementos magísticos, assim sendo, esses elementos materias - que em princípio podem dar a impressão de um paradoxo - servem não para saciar os vícios desses espíritos (justamente por se tratar de desencarnados, eles não necessitam desses elementos para fins pessoais), mas sim para que eles manipulem os elementos contidos nesses materias (fumo, bebida, alimentos - tudo contem sua "energia"). Então, ao contrário do que pode parecer, não são elementos meramente materiais que estão sendo utilizados, e sim energias que estão sendo trabalhadas. É bom lembrar também que, como foi respondido acima para a nossa amiga Mata, em via de regra a Umbanda não utiliza sacrifícios de animais - essa é uma característica mais comum do Candomblé ou do Omolokô, que também é conhecida como "Umbanda Traçada" (com Candomblé). Outra coisa importante a lembrar é que o princípio básico da Umbanda é a caridade. Claro que quando alguém realiza um trabalho, cobra pelo material que irá utilizar - e às vezes até pelo tempo que irá gastar - porém, se a pessoa necessitada não tiver condições de pagar por isso, é dever do umbandista realizar esse trabalho sem qualquer ônus para a pessoa que precisa dele. Uma atitude contrária a essa descaracteriza a Umbanda e caracteriza o comércio da fé e infelizmente isso acontece muito por aí, não só na Umbanda como em qualquer religião (veja por exemplo as taxas exorbitantes que se cobra por um casamento ou um batizado numa Igreja Católica).Lamentavelmente existem marmoteiros e mercenários em qualquer religião, inclusive na minha (não sou ingênuo a ponto de fechar os olhos para esse fato).

01/01/07
Douglas
continuando
Sobre o fato de apenas pais ou mães-de-santo poderem realizar determinadas tarefas, como você exemplificou, temos que lembrae algo importante: existe uma coisa chamada fundamento, ou seja, a utilização das forças espirituais é uma tarefa que exige muito responsabilidade e firmeza, portante exige também muito preparo. Se não fosse assim, qualquer aventureiro poderia sair por aí manipulando de maneira errada essas energias, sem saber as consequências desastrosas de seus atos. Assim como na Igreja Católica (desculpe novamente a comparação, é apenas para fins de elucidação) somente o padre pode realizar determinados rituais, na Umbanda somente os sacerdotes possuem o conhecimento e o preparo para alguns trabalhos. Não é apenas uma questão de hierarquia, mas principalmente de responsabilidade.Obrigado pela sua participação, espero ter conseguido elucidar de alguma forma. Abraços fraternos.

01/01/07
Douglas
Asmond
Vou apenas complementar o que o nosso amigo Paulo Rogério já respondeu.1. O quem vem a ser morte?A morte nada mais é do que o encerramento de um ciclo e o início de outro. Não somos meros joguetes nas mãos de Deus; não somos "jogados" na Terra simplesmente para nascer, viver e morrer. Se a morte fosse o fim de tudo, todo o aprendizado adquirido ao longo da vida não teria a menor razão de ser. Assim, encaro a morte apenas como o fim de um ciclo e o início de outro, onde - como disse o nosso amigo acima - desprendidos da matéria, temos a possibilidade de compreender melhor as emoções, sentimentos e vivências adquiridos durante a existência terrena e assim dar continuidade à evolução (ou não).2. Existem anjos e demônios?Existem seres mais evoluídos e seres menos evoluídos. Na minha opinião a nomenclatura (anjos ou demônios) é apenas um detalhe. Não acredito no demônio bíblico, um anjo rebelde criado por Deus e que voltou-se contra ele, pois na minha opinião isso contraria a idéia da onisciência e da bondade divina. Sendo Deus onisciente e extremamente bondoso, criaria um ser destinado a atormentar a humanidade, ciente até mesmo de que esse ser se voltaria contra Ele? Me parece ilógico. Acredito sim na questão evolutiva. Seres de muita luz são chamados por alguns de anjos, enquanto seres pouco evoluídos e que, por consequência, acabam causando algum transtorno aos encarnados ou desencarnados, são chamados de demônios.3. O que vem ser a vida e a existência?Um aprendizado constante. Como eu disso logo acima, não acredito que somos colocados para viver nesse planeta em vão. Estamos inseridos numa caminhada evolutiva e a vida é um estágio para isso. Compreendo a existência como uma coisa contínua, porém feita em ciclos - e a vida material, carnal, seria um desses ciclos. Portanto, a vida é o caminho para o aprendizado e a evolução e a existência é a totalidade desse ciclo.Abraços e feliz 2007.

02/01/07
Paulo Rogério
Ao amigo asmond.
O principio básico da vida, da vida é o aprendizado, não tomeis como exemplo a lei humana que muiots erros contém e é facilmente manipulada.Quando um espírito reencarna com o seu destino traçado ao sucesso profissional, financeiro,e como exemplo político tal será maior o sua responsabilidade pelos seus atos, imagine agora a quem pertence todas as riquezas materiais existentes em nosso mundo? Agora imagine daqui a cem anos, a quem pertencarà? Caro amigo , alegoricamente podemos afirmar que tudo que possuimos foi comodatado por Deus, e cabe a ti saber fazer bom uso, assim como a tua inteligencia falei acima que espíritos de má indole, moralmente com baixa evolução moral não necessariamente são burros , pelo contrario, são em sua maioria muito inteligentes, ou tu achas que a maioria das falcatruas e barnaridades que presenciamos são obra de seres desprovidos de inteligencia? Mas pobre deles tiveram a chance de se adiantarem e falharam, quem sabe em uma próxima encarnação não venham desprovidos de seus bens materiais para serem expiados pelo crime que cometeram pois de Deus ninguém se esconde.ao AMIGO DOUGLAS.Qual o comentario sobre este tema aos olhos da Umbanda?

02/01/07
Melissa S.
Voce disse anteriormente que é professor. É difícil se assumir umbandista para os seus alunos? Acontece algum tipo de brincadeira, de piadinhas ou coisa do tipo? Como voce reage a isso?Bjks

04/01/07
João Carlos
Só para não pensarem que se livraram de mim...
Sobre anjos e demônios:Por definição, Deus é onipresente, onipotente e onisciente. Disso se pode concluir que os "demônios" também são uma criação divina e que cumprem uma missão nos planos de Deus.Quem fez Serviço Militar, sabe que o papel dos Sargentos Instrutores é "infernizar" a vida dos recrutas, para dar-lhes a "têmpera" necessária.Na minha opinião pessoal, os chamados "demônios" são dedicados e obedientes servos do Senhor, cuja tarefa é nos por à prova, sempre obedecendo aos ditames da Lei Divina. Já os quiúmbas, obsessores e outros "rabos de encruza", são como virus oportunistas que se aproveitam de nossas fraquezas momentâneas para nos "parasitarem". Não são "demônios": são "doenças".A diferença é difícil de perceber, a uma primeira vista, porque ambos se fazem notar pela incoveniência que causam. Ela reside no fato de que um "Satã" (literalmente: "adversário") tem como objetivo nos ensinar algo, enquanto que um "encosto" só tem como objetivo satisfazer suas próprias "necessidades" as nossas custas.

04/01/07
Douglas
Paulo Rogério
Prefiro tecer um comentário sobre a sua colocação a partir da visão particular de um umbandista, já que, como foi dito anteriormente, a Umbanda é extremamente diversa, e assim sendo, nem eu e nem mesmo aqueles que se auto-proclamam "papas da Umbanda" possuem autoridade para emitir uma opinião oficial.A primeira coisa que me veio à mente ao ler sua postagem, foi a frase batida e chata, porém verdadeira de Antoine de Saint-Exupéry:Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Com certeza responderemos pelos nossos atos e quanto maior o nível de conhecimento/esclarecimento, maior será a cobrança. Não é questão de ser mais ou menos evoluído, como prega a obra de Kardec, numa visão positivista e eurocêntrica - é uma questão de informação e conhecimento.A justiça dos homens é ainda muito imperfeita (vide a entrevista com uma ex-presidiária, nessa mesma comunidade), mas certamente a Justiça divina não falha e nosso Pai Xangô a tudo observa. Não sei se entendi bem a sua pergunta, mas acredito que esteja nesse contexto. Um grande abraço.Em tempo: Não sou muito fã (nem um pouco na verdade) da obra de Antoine de Saint-Exupéry, apenas citei o autor e sua frase por achar que nessa situação ilustram bem a questão.

04/01/07
Douglas
Paulo Rogério
Prefiro tecer um comentário sobre a sua colocação a partir da visão particular de um umbandista, já que, como foi dito anteriormente, a Umbanda é extremamente diversa, e assim sendo, nem eu e nem mesmo aqueles que se auto-proclamam "papas da Umbanda" possuem autoridade para emitir uma opinião oficial.A primeira coisa que me veio à mente ao ler sua postagem, foi a frase batida e chata, porém verdadeira de Antoine de Saint-Exupéry:Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Com certeza responderemos pelos nossos atos e quanto maior o nível de conhecimento/esclarecimento, maior será a cobrança. Não é questão de ser mais ou menos evoluído, como prega a obra de Kardec, numa visão positivista e eurocêntrica - é uma questão de informação e conhecimento.A justiça dos homens é ainda muito imperfeita (vide a entrevista com uma ex-presidiária, nessa mesma comunidade), mas certamente a Justiça divina não falha e nosso Pai Xangô a tudo observa. Não sei se entendi bem a sua pergunta, mas acredito que esteja nesse contexto. Um grande abraço.Em tempo: Não sou muito fã (nem um pouco na verdade) da obra de Antoine de Saint-Exupéry, apenas citei o autor e sua frase por achar que nessa situação ilustram bem a questão.

Douglas
Melissa
Eu me assumo como umbandista não somente perante os alunos, mas perante toda a sociedade. Creio que assumir a nossa religião é o primeiro (e importante) passo para conquistar o respeito que merecemos. Já ouvi algumas piadinhas sim, mas sempre consegui driblar a ironia e usar o "gancho" para esclarecer, sem ser tendencioso, que a Umbanda é uma religião que merece respeito, como todas as demais.

04/01/07
Douglas
João Carlos
Que bom vê-lo volta. Feliz 2007.

04/01/07
Douglas
João Carlos
Que bom vê-lo de volta. Feliz 2007.

04/01/07
carla
Até que ponto podemos confiar no que um guia diz para nós?Falo isso porque tem gente que beira o fanatismo e se um guia mandar pular da ponte, ela pula. Então será que podemos confiar plenamente nos guais?

04/01/07
carla
Até que ponto podemos confiar no que um guia diz para nós?Falo isso porque tem gente que beira o fanatismo e se um guia mandar pular da ponte, ela pula. Então será que podemos confiar plenamente nos guais?

05/01/07
Douglas
Carla
Acredito que sempre deve prevalecer o bom senso, em qualquer situação, dentro ou fora de um terreiro de Umbanda. É ele, o bom senso, que vai nos dizer até onde devemos acreditar e seguir os conselhos de alguém (seja encarnado ou não). Justamente por isso que eu sempre digo que devemos tomar muito cuidado ao eleger nossos "ídolos", pois muita gente faz se deixa devar de maneira totalmente cega e fanática, gerando consequências desastrosas. O mesmo deve ser aplicado aos guias que nos auxiliam na Umbanda. Se, por algum motivo, um de seus ensinamentos ou conselhos mostrar-se distante daquilo que julgamos ser o bom senso, devemos imediatamente contestar, tirar dúvidas com outros guias e com o zelador da casa. Nem sempre o fato de estar desencarnado confere seriedade e credibilidade a um espírito, existe muito quiumba (zombeteiros e afins) por aí, e é preciso estar sempre alerta, pois pode acontecer de algum deles conseguir burlar a segurança espiritual da casa e fazer-se passar por um guia sério.Um abraço.

05/01/07
João Carlos
Acrescentando à resposta à Carla:Você tocou em um ponto muito delicado. Os Guias "verdadeiros" (vamos chamá-los assim, para diferenciar dos zombeteiros que se fazem passar por guias) jamais afirmam coisas duvidosas. Nunca fixam prazos e não fazem promessas. Eles sabem que este mundo está em constante mutação e, o que hoje parece uma verdade indiscutível, amanhã pode se revelar algo totalmente diferente.Eles nunca se disseram "infalíveis". Aliás, a humildade é uma das principais características dos Guias Espirituais.O grande problema é que existem pessoas que têm "preguiça de pensar com a própria cabeça" e recorrem aos Guias até para resolver unha encravada... De um Guia "verdadeiro", este tipo de pessoa acaba tomando uma bronca. Mas se estiver lidando com um mistificador...Douglas apontou o cerne da questão: use seu bom-senso!

06/01/07
carla
Obrigada Douglas e João Carlos. Você estão formando uma dupla e tanto, garanto que quem ler essa entrevista não terá mais preconceitos com relação a umbanda.Eu gostaria de saber se um médium inconciente deve ser tido como mais confiável do que um conciente.Obrigada.

06/01/07
Lurdinha
Voce pode falar algo sobre ter o corpo fechado. Já ouvi falar de alguma coisa asism e dizem que é uma forma de proteger. Quem tem o corpo fechado está mesmo imune aos males do mundo?

07/01/07
Douglas
Carla
O médium que trabalha com seriedade é o mais confiável, independente da sua mediunidade ser consciente ou não. Um mito que temos que derrubar na Umbanda é o de que o bom médim é incosciente. Na realidade, na maioria das vezes, os médiuns são conscientes ou semi-conscienes (a inconsciência total é muito rara). Esse mito é tão forte dentro do meio umbandista que a maioria dos médiuns, mesmo sendo conscientes ou semi-conscientes, se diz inconsciente, pois assim acham que inspiram mais confiança. Não há problema algum em ser consciente, desde que o médium tenha firmeza e saiba guardar aquilo que ouve do consulente como um segredo sacerdotal (entra aí a questão da ética). O fato de ser consciente até traz consigo uma vantagem: de ouvir e aprender com os guias que incorporam.

Douglas
Lurdinha
Ter o "corpo fechado" é uma expressão antiga que carrega consigo uma série de credices e lendas. "Fechar o corpo" significa proteger (geralmente através de banhos de ervas ou algum outro ritual), mas não imunizar a qualquer tipo de coisa. É uma proteção espiritual e energética, com a finalidade de evitar ataques e influências de espíritos trevosos ou quiumbas, como chamamos na Umbanda. Mas daí a ficar imune a qualquer perigo vai uma distância muito grande.Isso me lembra uma passagem na nossa história, narrada no livro "História da Vida Privadano Brasil - volume 3" (Fernando A. Novaes/Nicolau Sevcenko): Durante o períoda da Revolta da Vacina (1904), no Rio de Janeiro, era comum alguns homens tatuarem a imagem do Cristo crucificado nas costas, acreditando que isso era uma forma de "fechar o corpo" e, quando teve início a revolta, esses mesmos homens enfrentavam as tropas do governo sem camisa. Os policiais, temendo um castigo divino, se recusavam a bater com os cassetetes nas costas tatuadas desses homens, que saíam da batalha crentes que nada havia lhes acontecido por terem o "corpo fechado", quando na verdade tinham sido livrados do espancamento pelo medo que os policiais tinham de cometer uma heresia.Essa passagem serve para nos mostrar como um fato mal-interpretado pode gerar exageros e crendices que nem sempre (ou quase nunca) correspondem à realidade e acabam fazendo parte do imaginário popular, sendo transmitido oralmente, como verdade absoluta.Abraços.

07/01/07
Douglas
Roberto
Na verdade o tal "descarrego" nada mais é do que uma limpeza espiritual. Essa prática é comum desde sempre, visto que os fenômenos mediúnicos remontam à antiguidade. As chamadas religiões protestantes (ou evangélicas em geral) sempre repudiaram as religiões que utilizam a prática da mediunidade por considerá-la anti-bíblica (não vamos entrar aqui em um juízo de valores, pois cada religião tem seu mérito e deve ser tratada com respeito). No entanto, o tal descarrego que vemos acontecer nessas igrejas é uma prática muito comum na Umbanda, onde espíritos obsessores (que chamamos de quiumbas) são afastados de suas vítimas e levados para um tratamento ou a seu local de merecimento. A diferença é que nessas igrejas, esses espíritos são tratados como demônios e expulsos (que é expulso tem que ir a algum lugar, concorda? E esse lugar certamente é de seu merecimento).É interessante notar também como nas igrejas evangélicas os fiés são tomados por uma espécie de catarse coletiva coletiva e passam a falar línguas diferentes e em alguns casos até a movimentar o corpo de forma muito parecida com alguns guias que recebemos na Umbanda, em especial os caboclos. Só que eles dizem estar manifestando o Espírito Santo, e sua forma de encarar as coisas deve ser respeitada.Mas não resta dúvida de que é possível notar uma aproximação muito grande com alguns rituais de Umbanda. O que seria isso? Sinal dos tempos? Uma unificação litúrgica (embora não ideológica) feita de forma inconsciente? Sinceramente não sei dizer, mas que o fato é interessante e dá pano para a manga, gravata e paletó, isso dá.Abraços.

07/01/07
João Carlos
Acrescentando à resposta à Carla: o Douglas tem inteira razão em afirmar que a inconsciência total dos médiuns é um mito muito explorado. Eu acrescento mais uma razão para muitos médiuns conscientes e semi-conscientes fingirem que são inconscientes: uma coisa é você falar com uma entidade sobre suas intimidades; equivale a uma confissão perante um Padre, ou uma sessão com um Psicanalista - você sabe que seus segredos não serão revelados. Outra coisa é revelar suas intimidades para uma pessoa estranha - ou pior, uma conhecida.Eu sou semi-consciente. Quando a entidade "sobe", as lembranças se esfumaçam como um sonho, mas sempre resta alguma coisa. Por uma questão de ética, eu digo que não me lembro de nada, mas isso não é verdade. Sempre fica alguma lembrança de que a entidade tratou de um determinado assunto com alguma pessoa - posso nem me lembrar da cara da pessoa, mas lembro do assunto; ou posso lembrar da pessoa, mas não do assunto; e posso, ainda, me lembrar claramente das duas coisas. Mas assumo meu papel "sacerdotal": o segredo dos outros, não se comenta.Pior era quando eu servia como Cambono: por mais que você tente, acaba sempre ouvindo o que não gostaria de ter ouvido. É extremamente constrangedor... É aí que entra a ética: para todos os efeitos práticos, você nunca ouviu coisa alguma.

07/01/07
João Carlos
Acrescentando à resposta a Roberto: "exorcismos" são uma prática milenar, comum a todas as religiões. A diferença no "descarrego" da Umbanda - cujas raízes eu identifico no Espiritismo Kardecista - é que se busca não só "expulsar" os espíritos obsessores, mas levá-los a um tratamento (ou isolamento, no caso dos mais obstinadamente maléficos).Existem outros "parasitas astrais" que não são necessariamente espíritos, que também são removidos nos "descarregos" de Umbanda. Mas, como sabiamente disse Douglas, isso é assunto para laudas e mais laudas.

07/01/07
João Carlos
Só para constar, não esqueci da Lurdinha. Apenas nada tenho a acrescentar.

07/01/07
Douglas
Correto, João Carlos.Justamente por isso que eu defendo a tese de que antes de qualquer coisa é bom passar um tempo como cambono. Esse aprendizado é fundamental - não só no que diz respeito aos guias e seus ensinamentos, mas também sobre essa questão ética.

07/01/07
João Carlos
Douglas, me permita tecer algumas considerações:
Uma crença muito difundida - porém errada - é de que só pessoas dotadas de mediunidade podem ser Umbandistas Praticantes, ou seja, fazer parte de uma Corrente.Nada mais falso. Se assim fosse, as Missas Católicas teriam uma enorme quantidade de Sacerdotes oficiantes e alguns fiéis, em busca de conforto e auxílio. Os Cultos Evangélicos teriam dezenas de Pastores e uns quantos fiéis. E assim por diante.Saibam todos que, em uma Gira de Umbanda aberta ao público, a assistência participa dos trabalhos, mesmo que não tenha consciência disso. Saibam também que, em qualquer Gira, não só as entidades que se manifestam nos médiuns, estão presentes, mas também diversas outras que permanecem no plano astral. Saibam, ainda, que - mesmo que uma pessoa nunca se dê conta de sua mediunidade - tem seus Guias Astrais e, ao adentrar em uma Casa de Umbanda, estes o acompanham e, por assim dizer, "se recarregam" - como, de resto, em qualquer Casa ou ambiente onde a religião seja praticada (seja qual for a religião).E - finalmente - que todas as pessoas de boa vontade são bem vindas às Giras de Umbanda (e - por vezes - até os que não estão com tanta "boa vontade" assim...), porque a primeira regra não-escrita da Umbanda é o respeito, a tolerância, a caridade e a irmandade de todas as pessoas e o parentesco de todos os entes, animados e inanimados, que compõem a Terra, em todos os planos de existência.(Ufa!... Me deixei empolgar... Desculpem...)

07/01/07
Douglas
João Carlos
Se desculpar do que?Foi perfeita a sua colocação, como sempre.Realmente é um grande erro (e muito comum) achar que só os chamados médiuns participam da gira. Essa visão acaba subestimando o papel da assistência e até dos cambones, que são de vital importâncio para o desenvolvimento de uma gira. Outro grande erro também é acreditar que os trabalhos só têm início quando começam a se cantar os pontos. Na verdade eles se iniciam nas horas que antecedem as giras, quando os filho-de-fé da casa se abstém de bebidas alcoólicas, carne vermelha e sexo. As coisas na Umbanda são sempre mais profundas do imaginamos a princípio.

10/01/07
Dani
eu sei que minha pergunta é meio boba, mas... é até de cunho pessoal.Você, como umnbandista acha que os sonhos podem ter um caráter premonitório?Grata.

Lina
muita luz e muita paz
saudações ao Douglas e principalmente ao Ponderador, por permitir de forma respeitosa q seja esclarecido duvidas a respeito de nossa amada Umbandaluz e paz

11/01/07
Douglas
Dani
Acredito que os sonhos podem ser premonições sim, mas não via de regra.Temos que tomar um cuidado muito grande para não mistificar e achar que tudo que acontece e que nos cerca é fruto de uma "paranormalidade". Ter os pés no chão e usar o bom senso é fundamental, senão nos tornamos fanáticos ou mistificadores, e sabemos bem que o fanatismo segue o caminho oposto à racionalidade, que nos é tão preciosa e necessária.Em algumas ocasiões os sonhos funcionam sim como premonições. Acho que todos aqui já tiveram ou conhecem alguém que viveu uma experiência assim, no entanto todo cuidado é pouco nesse campo. Tenho um critério que carrego comigo nessas circunstâncias: não acredito de imediato em quem diz possuir "dons" em demasia - geralmente quem "canta" os seus supostos dons pelos quatro cantos do mundo são os maiores mistificadores, que só denigrem a imagem da Umbanda e das demais religiões. Prefiro acreditar naquela pessoa ponderada, que age com seriedade e silenciosamente, pois não precisa de público nem de aplausos.Lina,Obrigado por suas palavras tão generosas e amigas.Saravá.

12/01/07
Marcos
Salve, Douglas.O que você me diz sobre os argumentos dos evangélicos, de que a comunicaçao com espíritos e anti-biblica e proibida por Deus?Saudações.

13/01/07
Douglas
Marcos
O que dizer então do "contato" com o Espírito Santo?E as chamadas revelações recebidas nas Igrejas evangélicas?Talvez alguém diga: "ah, mas nesse caso é diferente, pois é uma revelação feita pelo Espírito Santo". Ora, tudo bem que é o Santo, mas é um Espírito também, como o próprio nome diz.Mas vamos ao que realmente interessa: nem vou entrar naquele discurso de que a Bíblia passou por inúmeras traduções ao longo da História e que cada uma delas procurou adequar os versículos aos interesses das classes dominantes de cada período ou casta e isso já é sabido por todos, embora alguns prefiram fechar os olhos frente a essas evidências. No caso da censura à mediunidade, é bom deixar claro que isso faz parte da Lei Mosáica, ou seja, da Lei estabelecida por Moisés (e não por Deus) a fim de disciplinar aquele povo que naquele momento histórico já sabia da existência dos fenômenos mediúnicos, mas não o usava com responsabilidade. Portanto, temos que tomar um imenso cuidado para não confundir aquilo que foi designado pelos homens com aquilo que foi designado por Deus. E, sendo Deus extremamente bondoso, daria ao homem um instrumento, a mediunidade, que poderia ser usado para sua própria condenação? Seria como um pai dar um revolver de presente ao filho. E além do mais, existem diversas passagens bíblicas que sobreviveram ao tempo e aos interesses e que falam sobre a mediunidade. É uma questão de muita paciência e estudo.Abraços.

16/01/07
Melissa S.
Valeu pela explicação acima. Muito legal mesmo.Mas argumentos históricos são suficientes para fazer um crente fanático entender que tal citação bíblica refere-se a determinado momento histórico? Ou seja, é possível, mesmo com argumentos sólidos derrubar a barreira da cegueira e do preconceito?Bjks

17/01/07
Douglas
Melissa
Em primeiro lugar não vejo necessidade de derrubar essa barreira, pois para mim ela é a barreira da fé, e não do preconceito necessariamente. Quando alguém abraça uma fé, quase sempre abraça os seus dogmas também. Isso cria uma cegueira, como disse você? Na maioria das vezes sim, mas da mesma forma como queremos ver o nosso credo e nossas verdades respeitadas, temos que respeitar as verdades alheias, ainda que tenhamos argumentos sólidos, embasados em informações históricas.Abraços.

17/01/07
lalalala lá,
Douglas,No vácuo das considerações acima...Já presenciei inumeros fenômenos mediúnicos:psicografia, psicofonia, pinturas mediunicas,incorporação, etc.Mas uma me causa estranheza, quer por sua definição quer por sua manifestação.A "lingua dos Anjos" encontradas em algum templos, com a repetição constantes de fonemas, etc.Em determinados casos, há mais de um manifestando a fala, sem características de transe, muito comum no espiritismo e ubanda.E um determinado "tradutor" que, invariavelmente se antecipa ao que deve ser "traduzindo" e adquire um ritimo descompaçãdo daquele que se diz o mensageiro.O sr. já presenciou algo assim e teve a mesma sensação?Desculpe-me se não fiu claro.

18/01/07
Vicente
Entendi sua explicação, Douglas. Mas assim você não estaria defendendo uma fé dogmática no lugar de uma fé racional?

18/01/07
Douglas
Nadilson
Esse fenômeno decrito por você é interessantíssimo e fascinante realmente, mas no meu entender constitui mais uma das facetas da mediunidade e, o fato de (ao menos) aparentemente não haver um transe, deve-se aos diversos graus de mediunidade que podem se manifestar (mediunidade consciente, inconsciente, semi-consciente - cada qual com maior ou menor forma de manifestar-se a "olhos nus"). Se observarmos os caboclos de Umbanda (que na verdade são em sua maioria espíritos ameríndios), esses também manifestam-se muitas vezes falando línguas estranhas a nós, chegando, em alguns casos, a ser incompreensível. Levando-se em conta o que é a mediunidade (a possibilidade de interagir com o mundo espiritual), esse fenômeno realmente é mediúnico, pois trata-se de uma forma de comunicação com espíritos (seja o Espírito Santo, como afirmam os evangélicos, ou não).Abraços.

18/01/07
Douglas
Vicente
Na verdade não estou defendendo nem a fé racionalizada e nem a fé dogmática. Estou defendendo o direito de cada um optar pela fé que mais lhe parece correta e com a qual mais se identifica. Na minha religião eu acredito estar buscando uma racionalidade na fé, embora muitos, com certeza por desconhecimento, ainda encarem a Umbanda como uma religião baseada em crendices e folclore.Percebeu a sutileza?Cada qual vê em sua religião a lógica que acha mais coerente. Apenas isso.Abraços.

Douglas
Josie
Em primeiro lugar gostaria que você me perdoasse pela demora em responder à sua questão.Sobre o fato de as entidades influenciarem ou não a personalidade e o comportamento do indivíduo, temos que levar em consideração que em primeiro lugar existe o livre arbítrio - uma qualidade tão sagrada que nos é concedida pelo Criador, que nos dá até o direito de não na existência dEle. Então, seguindo os arquétipos dos orixás, é possível sim que exista alguma influência deles em nossa personalidade, mas não a ponto de modá-la e nem de determinar nosso comportamento, visto que somos soberanos de nossos atos, já que temos o tal do livre arbítrio.Agora sobre as entidades que nos protegem. Todos temos aquilo que no catolicismo chama-se de anjo da guarda - um protetor espiritual. O nome que se dá a ele (anjo da guarda, mentor, guia é o que menos importa). Além do anjo da guarda, temos também nossos orixás de cabeça (Ori), de frente e de adjunto ou juntó. Cada indivíduo tem os seus orixás e para saber quais são, o melhor caminho, acredito eu, ainda é o jogo de búzios ou a consulta com um guia de muita confiança.Abraços.

22/01/07
Melissa S.
Nessa semana saiu uma reportagem na revista Isto É falando sobre a mediunidade em crianças. É verdade que as crianças possuem uma mediunidade mais aflorada? E qual o fundamento disso?Aguardo resposta.Bjks.

23/01/07
Douglas
Melissa
Esse assunto realmente é interessante e pertinente, principalmente para pessoas que, como eu, tem crianças em casa.O fenômeno mediúnico em crianças, para nós, que estamos habituados a ler e debater o assunto não é novidade, mas quando tal constatação é publicada em uma revista de grande circulação, como a ISTOÉ, ele adquire um nível de conscientização maior, levando inclusive muitos pais desavisados a prestar mais atenção naquilo que muitas vezes classificavam como "devaneios" ou "imaginação fértil" de suas crianças.Pelo que já li e aprendi, as crianças, por terem passado pelo processo de reencarnação há pouco tempo, ainda trazem certas lembranças do passado, assim como a mediunidade um tanto mais aflorada. Acho que quase todos aqui, senão todos, já presenciaram algum caso em que uma criança demonstrou ter o canal mediúnico aberto.Aqui em casa mesmo já ocorreu algo muito parecido com o relado na reportagem: meu filho de dois anos e meio já demonstrou claramente estar vendo (ou mantendo algum tipo de contato) com a minha mãe, falecida há quase cinco anos. Chegou inclusive a dar acenar com a mãozinha e falar "tchau, vovó Lidia" - o mais interessante é que raramente falamos o nome dela, sempre me refiro a ela como a "minha mãe", portanto o fato dele falar seu nome é no mínimo curioso. Depois disso, o fato aconteceu outras vezes, mas aí já acredito que tenha sido uma espécie de auto-sugestão, pois com dois anos e meio ele já é capaz de perceber que o ocorrido, na primeira vez, nos chamou a atenção. Acredito que é fundamental estar sempre atento para não "viajar" no assunto, dando a ele apenas a credibilidade que merece. Não podemos descartar também os mecanismos que as crianças usam para chamar a atenção e é bom estar alerta, pois também nem tudo é mediunidade.(continua)

23/01/07
Douglas
Continuando
Mas o que achei mais interessante nessa reportagem é o fato de alguns médicos e a comunidade científica já estarem enxergando com olhos menos céticos tais fenômenos. Já é tempo de tirar a venda da incredulidade e encarar os fatos como eles realmente são. Sou totalmente contra qualquer forma de mistificar os fatos, mas alguns deles não podem mais ser tratados como crendices ou ignorância do povo. Fatos são fatos e falam por si.Esse trecho da reportagem, no qual o médico pediatra Leonardo Posternak fala sobre enxergar com olhos menos céticos tais fenômenos, sintetiza esse meu sentimento:“É importante que sejamos humildes para admitir que muita coisa ainda escapa à medicina cartesiana. Em vez de dizer aos pais que o filho não tem nada ou que os sintomas vão passar, seria mais honesto dizer que a medicina vigente não é capaz de diagnosticar o que se passa com ele”Não espero uma "espiritualização" da ciência, creio que isso até lhe seria prejudicial, mas seria muito interessante se a comunidade científica olhasse alguns fenômenos de forma menos preconceituosa.Abraços.

24/01/07
Douglas
Josie
Infelizmente nem eu nem ninguém pela internet poderia lhe dar essa informação. O melhor a fazer é procurar uma casa de Umbanda séria e conversar com o dirigente. Ele poderá, através dos búzios ou dos guias, lhe dizer quais são os seus Orixás. Desculpe por não poder ajudar.Abraços.

24/01/07
Francisco
Douglas,por que os nossos irmãos umbandistas
Fazem esta distinção entre Obaluaiê e os demais Orixás,chegando-se ao cúmulo de alguns chamarem o Senhor da Terra de Exu-Omulu?

25/01/07
Pescador
Douglas.
Veio-me aqui uma dúvida que talvez seja besteira. O fato é que li todo o tópico e posso ter perdido a resposta em algum post, caso ocorra, pode ignorar.A questão é que você é formado em sociologia, se não me engano. Existem terreiros que fogem à temática de caridade, ajuda ao próximo, etc. Queria saber em sua opinião se estes terreiros deixam de ser templos/terreiros umbandistas por portarem tal caráter, pois o que eu visitei parecia fazer trabalhos de amarração também (estava atento a tudo, mas acabei ouvindo um trecho de um pedido a um exu). Posso estar viajando, mas isto, sem querer, me remeteu ao caráter diversificado próprio da Umbanda, e para o terreiro que visitei, eles fazem um trabalho sério.A intensão não é te colocar em uma “sinuca”, é só uma dúvida mesmo.Agora só uma curiosidade.Uma pomba-gira deste terreiro me passou um cigarro, talvez por ela já estivesse feito o que deveria com ele. Fumando ele eu sofreria algum dano espiritual? (Errr... eu fumei ele sim.)Desde já, obrigado.

27/01/07
Fabiana
Olá tenho uma pergunta!
Oi Douglas não sei se alguém já perguntou!Tenho muita curiosidade em saber o que são aqueles riscos com giz que os guias fazem no chão do terreiro! São chamados PONTOS RISCADOS, é isso? Vc poderia explicar PARA QUE SERVEM?Obrigada!

28/01/07
Douglas
Francisco
Esse assunto já foi debatido em uma postagem anterior, com mais detalhes, mas vou tentar sintetizar de uma forma um pouco mais simples. Na verdade, tanto Omolu como Obaluaê seriam desdobramentos de um mesmo orixá: Xapanã, responsável pelas curas, pelas doenças e pela encerramento do ciclo da vida carnal. Obaluê seria a forma jovem desse Orixá, enquanto Omolu a representação do velho - note que existe aí uma dualidade: o novo e o velho, a doença e a cura, a vida e a morte. Por estar associado às doenças e à morte, Omolu/Obaluaê passou a ser temido e até mesmo afastado de alguns congás de Umbanda. Junta-se a isso o fato de esse Orixá ser também um aplicador da Lei, pois as doenças e as curas são aplicadas dentro dessa Lei Maior, por isso muitos até o confundem com a figura do Exu. Mas é bom sempre lembrar que Omolu/Obaluaê é um Orixá de extrema seriedade e que merece nosso respeito.

Douglas
Josie
Com toda certeza sua irmã tinha (ou tem) uma mediunidade que estava descontrolada nesse período. Em princípio dá a impressão que a tal entidade era um caboclo, pelo fato de correr para o mato, mas como a coisa atingiu proporções maiores, a ponto da sua irmã ficar praticamente o tempo todo incorporada a ponto de cogitarem sua internação, parece-me mais que trata-se de um quiumba (espírito obsessor ou zombeteiro). Mas pelo que entendi, com o tratamento no templo umbandista o problema foi resolvido, graças a Deus.Mas ainda sobre a sua questão, não existe necessariamente uma hereditariedade mediúnica, ou seja não é porque alguém da família é médium que todos obrigatoriamente o serão. Mas existe sim uma predisposição, fato comprovado pelo seu irmão, que passou por problema semelhante, mas isso não quer dizer que todos da família passarão por isso, não é uma regra. Na verdade, a mediunidade é uma faculdade que todos nós possuímos, em maior ou menor grau, portanto é sempre importante observar algumas coisas, evitantdo pensamentos, palavras e atitudes negativas, a fim de não atrair semelhantes. A máxima bíblica "Orai e vigiai" é um santo remédio para se evitar problemas de qualquer natureza, independente do credo religioso.Abraços.

28/01/07
Douglas
Pescador
Sua questão é bastante pertinente.O fato de eu ser sociólogo me faz um pouco mais crítico, cético e observador com tudo, inclusive com a minha religião. Justamente por isso não acredito em tudo que me falam e sou bastante seletivo com as informações que me passam. Modéstia à parte, acho isso positivo, pois a fé cega leva ao fanatismo e à crendice infundada.Sobre a questão que você colocou sobre o terreiro, devemos lembrar que assim como em qualquer religião, existem pessoas muito bem intecionadas e outras nem tanto, que aproveitam-se de um momento de aflição para agir de má-fé. Infelizmente fatos como os que você narrou acontecem muito: trabalhos para amarração, para prejudicar um desafeto, etc. Mas não podemos nos esquecer que um princípio básico de quase todas as religiões é a lei do retorno. Certamente que age assim terá que responder pelos seus atos, seja umbandista, espírita, católico, evangélico ou budista.Sobre o cigarro que lhe foi dado pelo pomba-gira, acho que o único mal que lhe poderia causar seria ao pulmão (rs). Brincadeiras à parte, se a entidade lhe deu esse "agrado" é porque ele continha algum elemento magístico de que você necessitava naquele momento e ela percebeu. Se o lugar, os médiuns e as entidades eram sérias, não há o que temer, fique tranquilo.Um grande abraço.

28/01/07
Douglas
Fabiana
Os pontos riscados são feitos com um giz chamado pemba, e são, de uma forma bem simplista, as assinaturas das entidades. Assim como nós temos nossa assinatura, quase sempre estilizada, as entidades se identificam através dos pontos riscados.Esses pontos mostram representações dos orixás que regem aquela entidade, bem a forma como realizam o seu trabalho. Um ponto riscado é um elemento magístico impontantíssimo dentro da Umbanda. Nunca um leigo deve riscar pontos simplesmente por achá-los bonitos ou por qualquer outro motivo, pois não são simples desenhos, e sim poderosos elementos magísticos.Abraços.

30/01/07
"Gi"
DOUGLAS
VC É PAI DE SANTO OU DONO DE ALGUM TERREIRO???OU APENAS PARTICIPA DAS GIRAS?SOU MÉDIUM E ESTOU INICIANDO AS GIRAS, MAIS JÁ TEM 2 ANOS E NN CONSEGUI RECEBER UM GUIA.GOSTARIA DE SABER O Q POSSO FAZER?NO TERREIRO ONDE VOU NN ME EXPLICAM MUITA COISA, SEI Q É UM TERREIRO SÉRIO MAIS SINTO UM POUCO DE PRECONCEITO EM RELAÇÃO AOS INICIANTES.

30/01/07
Douglas
Gi
Não sou pai de santo. Sou apenas médium em um templo e Umbanda, em constante aprendizado.Cada médium tem seu tempo de desenvolvimento, procure não ficar muito ansiosa, pois a ansiedade em nada ajuda. Não cobre muito de si mesma, tudo acontecerá no tempo certo. Claro que entender o funcionamento dos mecanismos da mediunidade irá lhe ajudar bastante, é uma pena que você não possa contar com os irmãos-de-fé do seu terreiro para isso. Felizmente no local onde trabalho, nunca se negaram a dar qualquer informação. Se você mora próxima à região do ABC, entre em contato comigo, talvez possamos lhe ajudar.Um abraço.

30/01/07
"Gi"
DOUGLAS
ME INDIQUE UM BOM LIVRO, MORO NO INTERIOR PAULISTA 8H DAÍABRAÇO

01/02/07
Douglas
Gi
Nenhum livro irá lhe proporcionar a riqueza de conhecimentos que se adquire num terreiro de Umbanda, onde temos o contato com as entidades e recebemos os ensinamentos diretamente delas, mas é claro que a boa leitura pode ajudar a compreender um pouco do funcionamento e da filosofia umbandistas.Já disse aqui nessa entrevista que acho a literatura umbandista um pouco pobre, mas mesmo assim, alguns livros valem a pena:TAmbores de Angola (Robson Pinheiro)Aruanda (Robson Pinheiro)Umbanda - a Proto-Síntese Cósmica (W.W. da Mata e Silva)O Guardião da Meia-Noite (Rubens Saraceni)Mas é bom lembrar que é importante ler esses livros com olhos críticos, visto que nenhum deles traz uma versão oficial do que é a Umbanda, pois nenhum autor possui procuração para isso. Existe também a visão pessoal de cada autor, que nem sempre corresponde à realidade ou àquilo que nos parece coerente, por isso é sempre bom filtrar bem a leitura e absorver somente aquilo que vale a pena.Abraços.

01/02/07
Marcos
Perdão pela interferenciaGi, leia essa entrevista na íntegra. È a melhor aula sobre umbanda que eu já vi. O entrevistado ou o ponderador deviam editar essa entrevista, é uma síntese sensata e coerente sobre o que é a umbanda.Parabéns ao entrevistado.

02/02/07
Dani
Assino embaixo.Não só pelo conhecimento de umbanda, mas pela maneira clara e ao mesmo tempo bem escrita como as coisas estão sendo colocadas aqui.Pergunta: Sei que isso não tá relacionado diretamente a umbanda, mas você podia falar alguma coisa sobre catimbó?^Obrigada.

02/02/07
Francisco
Douglas,concordo contigo.
É sempre bom filtrar as informações que lemos.Especialmente se lermos alguma coisa escrita por W.W.da Mata e Silva.

Douglas
Dani
O Catimbó é um culto que propagou-se muito nas regiões norte e nordeste do país. Embora apresente semelhanças com a Umbanda, como o uso de ervas, elementos magísticos e a incorporação de espíritos desencarnados (chamados de Mestres no Catimbó), trata-se de uma outra religião, muito mais ligada às tradições católicas (por incrível que pareça) e aos cultos de pajelança do que às raízes africanistas. No Catimbó existe o culto à Jurema, uma árvore considerada sagrada (pois segundo as lendas, foi atrás de uma dessas árvores que a Sagrada Família se escondeu dos soldados de Herodes. A partir das folhas da Jurema se produz uma beberagem que teria a finalidade de estabelecer o elo entre o material e o espiritual (não se trata aqui do culto ao Daime). Uma das formas de se obter curas e outros resultados no Catimbó, é o uso da fumaça soprada através de um cachimbo sobre o consulente.Os espíritos que trabalham no Catimbó são conhecidos como Mestres, sendo o mais conhecido deles, o Mestre Zé Pelintra, que migrou para a Umbanda, sendo hoje uma de suas mais conhecidas.Claro que aqui coloquei as informações de uma forma super-resumida, pois se fôssemos falar sobre o Catimbó em detalhes, renderia provavelmente uma outra entrevista.Abraços.

07/02/07
Douglas
Francisco
Você tem toda razão. Todo cuidado é pouco nesse campo... e haja filtro..rs

08/02/07
Dani
Obrigada pela resposta douglas.Me foi muito esclarecedora.Existe muita mistificação na umbanda?Deixa eu tentar ser mais clara: todos aqueles que se dizem médiuns e dizem estar incorporados realmente o estão? E caso não estejam, o que levaria uma pessoa a agir assim?Obrigada.

09/02/07
Douglas
Dani
Com certeza existe mistificação na Umbanda, assim como deve existir em todas as religiões. O que leva a isso? Em primeiro lugar eu acho que a vaidade. Existe também, por parte daqueles que entram para trabalhar na Umbanda, uma ansiedade e um desejo geralmente muito grande de incorporar as entidades - e certamente isso é fruto do deslumbramento dos neófitos. Então, nem sempre a pessoa que mistifica está agindo de má fé. Às vezes o médium iniciante sente a vibração da entidade e já deixa levar pelo inconsciente, teatralizando os gestos e demais características da entidade em questão. Nada que um bom tempo de doutrinação, desenvolvimento e vivência em um terreiro não resolvam. Já aqueles que mistificam a fim de brincar com a fé alheia, certamente responderá por isso.Abraços.

12/02/07
Dani
Eu de novo... prometo que essa é a última perguntaÉ verdade quye em todo terreiro tem um fio de cobra na entrada?E para que serve.Prometo não encher mais.beijos.

13/02/07
Rodrigo
Douglas
cheguei e já tinham tinham 500 respostas então naum li tudo, me aproximei muito do umbanda e do camdomble a uns 2 anos atras, aprendi muito e criei mais duvidas ainda, pois muitas coisas não conseguiram me esclarecer, desculpe a minha impertinencia mais queria lhe fazer algumas perguntas.Ps* não consigo distinguir bem as 2 religiões se tiver alguma pergunta que não seja da sua ok deixa passar.1 - Um Exu é um orixa de esquerda ao que eu sei, já me disseram que ele seria o ponto branco no negro, pensando em dualidade em Yin/Yang, isto é verdade ou ele é somente um orixa de esquerda ?2 - Não pude saber mais dentro do terrero pois a mãe de santo queria me converter, visto que não abro mão do meu livre arbitrio não aceitei as "quizilas", é realmente fundamental me envolver a este ponto para entender sua religião ?3 - Pq vc´s cruzam os santos da igreja católica com o orixás só para facil assimilação ?4 - Aos sacrificios, todos os terreros tem ? já vi um caso onde era com frutas, isto é valido fugir de um dogma por conveniencia ? ou o sacrificio pode realmente ser anulado ?Grato pelas respostas e parabens sua religião é muito bonita, dentre as mais sensatas que conheço, apesar de eu não acreditar em muitas coisas que tragam a palavra religião.

15/02/07
João Carlos
Dani:
Eu não devia me antecipar ao Douglas - principalmente porque eu, além de amigo virtual, sou um admirador dele; e já tinha concordado em esperar as respostas dele - mas é que o tópico merece um "up".No "meu" Terreiro, não tem não... E você deve estar falando de um fio de cobre (e não "cobra", como saiu, né?...) Existem locais onde se enterra fios de cobre no chão, com propósitos específicos, mas isso é uma daquelas coisas, chamadas "fundamentos", que não se discute em público (e cada Terreiro tem o seu...)

16/02/07
Douglas
Completando a resposta do João Carlos (que já está perfeita):Deve ser um fio de cobre mesmo, e não de cobra..rsExistem lugares que o possuem sim, mas como bem disse o João Carlos, é uma questão de fundamento. Seu objetivo seria "descarregar" a negatividade das pessoas que entram no terreiro.

16/02/07
Douglas
Rodrigo
Vou tentar responder às suas questões. Espero conseguir ser claro.1 - Um Exu é um orixá de esquerda ao que eu sei, já me disseram que ele seria o ponto branco no negro, pensando em dualidade em Yin/Yang, isto é verdade ou ele é somente um orixá de esquerda ?Em primeiro lugar vamos lembrar que Exu Orixá é uma entidade que se manifesta com mais frequência no Candomblé. O Exu catiço - entidade - é o mais frequente na Umbanda e seria sim uma manifestação da dualidade universal. Tudo no mundo é dual (bem/mal, paz/guerra, amor/ódio e assim por diante). O Exu seria, por assim dizer, o ponto de equilíbrio entre a luz e as trevas (deixando de lado aquele conceito de maldade que normalmante associa-se a palavra "trevas"). Sendo o princípio criador de tudo(Deus) onipresente, ele não se afastaria daquilo que as pessoas chamam de trevas, e é aí que entra o papel do Exu dentro de toda a engenharia divina. Os exemplo que você citou para ilustrar a questão pareceram-me perfeitos.2 - Não pude saber mais dentro do terrero pois a mãe de santo queria me converter, visto que não abro mão do meu livre arbitrio não aceitei as "quizilas", é realmente fundamental me envolver a este ponto para entender sua religião ?Particularmente eu não gosto da tentativa de converter ninguém a qualquer religião que seja. Não acho que bom tom, mas não é essa a questão. Mas como a Umbanda é uma religião com muitos fundamentos e iniciática, somente estando dentro dela para conhecer a fundo mesmo. Claro que existem livros que falam sobre assunto, ou pessoas, que como nós aqui, estão dispostas a esclarecer dúvidas (dentro dos nossos parcos conhecimentos), mas só mesmo participando de uma gira, conversando com as entidades e vivenciando as práticas de um terreiro é que se saberá o que é e como realmente funciona a Umbanda. Não acho que isso seja motivo para tentar "converter" alguém, mas somente a vivência trará um conhecimento mais completo, pois o aprendizado é constante e - acredito eu - infindo.

16/02/07
Douglas
continuando
Livros ou qualquer outra forma de explicação se mostrará abstrata ao leigo.3 - Pq vocês cruzam os santos da igreja católica com o orixás, só para fácil assimilação?Essa é uma questão que vem sendo debatida já há bastante tempo. Esse sincretismo dos Orixás com os santos católicos remontam aos tempos da escravidão e isso acontecia para que os negros escravos conseguissem cultuar seus Orixás sem que fossem importunados. Hoje não existe mais essa necessidade, porém o sincretismo tornou-se uma tradição tão forte que é difícil hoje desfazer-se dela. Muitos templos de Umbanda conseguiram deixar essa prática de lado, outros persistem nela. Na minha opinião, isso não traz problema algum, pois muitas vezes as pessoas (tantos os médiuns como os assistentes) precisam fixar-se em um determinado arquétipo (no caso o do santo católico) para atingir o nível de concentração que necessitam, porém é fundamental que o umbandista saiba que Orixá é Orixá e santo católico é santo católico. Saber distinguir as coisas é fundamental..4 - Os sacrificios, todos os terreiros tem ? já vi um caso onde era com frutas, isto é válido, fugir de um dogma por conveniência ? ou o sacrificio pode realmente ser anulado ?Acredito que a maioria dos terreiros de Umbanda já aboliram os sacrifícios, mesmo porque esse não constitui necessariamente um dogma. O objetivo do sacrifício era manipular as energias contidas no sangue animal. Hoje, como você disse, a maioria dos terreiros substitui o usa da menga (sangue) por frutas e outros elementos (alguns usam até água de coco), pois os mesmos poderiam conter essa mesma energia necessária à manipulação. O templo que eu frequento não realiza sacrifícios e eu, particularmente, prefiro assim, não consigo ficar a vontade com essa prática, mas essa é uma opinião muito pessoal.Espero ter esclarecido de alguma forma.Abraços.

João Carlos
Acrescentando ao item 4 da reposta do Douglas:
Mesmo nas Casas mais africanistas - como a que eu frequento - cada vez se usa menos a "menga". A "energia" contida no sangue é muito forte e associada ao sofrimento do animal sacrificado. A preferência é dada a oferendas que não contenham origem animal, por serem energias mais "light"...E - por falar nisso - funcionam muito bem.

18/02/07
Maria
Douglas
Desculpe nao sei nem se posso fazer esta pergunta e se saio fora do testo,mas tento.Eu aqui na Europa vejo a mais divulgaçao do VUDU pois nao sei se porque temos aqui na Italia muitos africanos.Voce saberia dizer algo sobre isso e se tem alguma relaçao com o Camdoble ja que a umbanda eu sei que nao. Obrigado

20/02/07
Douglas
Maria
O Vodu (ou Vudu) tem uma ligação com o Candomblé sim, tanto que a palavra Vodun também é utilizada para designar Orixás de origem Jeje. Sua ligação com o Candomblé é tão grande, que pode-se notar até mesmo uma semelhança entre os nomes dos Orixás e das entidades (não sei lhe dizer o termo correto no Vodu): [Gu] (no Vodu) é a divindade da guerra e dos ferros (equivalente a Ogum no Candomblé), Sakpata, responsável pelas doenças e pela cura teria seu equivalente em Sapata ou Xapanã, e assim por diante. Assim como o Candomblé estabeleceu-se no Brasil por força da escravidão, o Vodu criou raízes no Haiti, onde hoje, calcula-se que mais de 90% da população o pratique. Existe também uma prática correlata em Cuba, conhecida como Santeria.Abraços.

28/02/07
Vicente
Douglas, obrigado pelas informações. Confesso que com essa entrevista aprendi que sabia muito menos do que eu imaginava.O que você poderia me dizer sobre essas teorias de que a umbanda surgiu na Lemúria, na Atlântida e tem alguns que dizem que ela veio até de outros planetas, trazidas por seres iluminados?Namastê.

01/03/07
Douglas
Vicente
Longe de mim querer desrespeitar o ponto de vista de alguém. Sou uma pessoa que prima sempre pelo respeito e pela tolerância, mas certas coisas realmente fogem à minha capacidade de aceitação.Os fenômenos mediúnicos existem desde que o mundo é mundo, isso é fato para todos aqueles que crêem na espiritualidade e seus fenômenos. Por essa razão, muita gente diz que a Umbanda é uma religião antiga, que existe desde as primeiras manifestações mediúnicas e rituais magísticos.Na minha opinião quem pensa assim está "misturando as bolas". Nem toda manifestação mediúnica ou ritual magístico é Umbanda. Para mim, na minha opinião, a Umbanda é uma religião brasileira, que mistura elementos africanos, europeus, ameríndios e agora até orientais, e que foi oficializada em 1908.Não tenho nada contra o esoterismo ou seus seguidores, mas creio que qualquer tentativa de vincular a Umbanda a essas vertentes, atribuindo sua origem a outros planetas ou à Atlântida é a mais pura viagem, como dizemos na gíria. Além de ser, claro, uma forma de descaracterizar e - por que não? - embranquecer a Umbanda.Abraços.

06/03/07
Dani
Eu falei que ia dar sossego com as minhas perguntas mas não aguentei....rsDouglas, diante de tantas noticias sobre aquecimento global, catástrofes naturais, tsunamis, e essa onda de calor horrorosa e insuportável que estamos vivendo... eu gostaria de saber a visão de um umbandista. isso é sinal dos tempos?Estaria o planeta se deteriorando e nossa raça com os dias contados?

07/03/07
João Carlos
Acrescentando à resposta ao Vicente:Essas hipóteses são tão válidas como quaisquer outras - porque não são comprováveis. Não se pode provar que a Atlântida não existiu, ou que não haja outras espécies inteligentes em outros planetas.Eu faço coro com o Douglas: a Umbanda foi oficializada no início do século XX. Especular sobre as "origens" da Umbanda é apenas isso: especulação. Em outras palavras: os esotéricos são bem-vindos, contanto que não queiram se apoderar da Umbanda...

07/03/07
João Carlos
Antes que Douglas responda à Dani:
É bom não esquecer que a humanidade já conseguiu sobreviver a uma Era Glacial e a pandemias (tais como as de Peste Negra). Foi por pouco, mas sobreviveu...

08/03/07
Douglas
Dani
O João Carlos já deu bons exemplos de como a espécie humana resiste às catástrofes.Se tais acontecimentos são sinais dos tempos? Sim, sem dúvida. No sentido de que é sinal de um tempo em quem precisamos repensar uma série de atitudes que estão "incomodando" o planeta. É tempo de consertar várias coisas que as gerações passadas estragaram.Com certeza o planeta está vivendo uma mudando - como sempre viveu ao longo da História, aliás. Cada tempo dá seu sinal de necessidades de mudanças. Não vejo isso como o fim da raça humana por dois motivos:1. A capacidade dos seres vivos de se adapatar às novas condições que a natureza impõe.2. Acredito no despertar de uma consciência, que faça com que a humanidade tome mais cuidado com o meio em que vive.Quanto às transformações espirituais, elas ocorrem, a cada um no seu tempo. Não acredito muito no apocalipse bíblico. A morte do planeta um dia ocorrerá, como fato inevitável de seu desgaste natural e/ou provodo pelo descuido do homem, mas não acho que seja nesse momento em que vivemos. Pelo menos espero que não....rsAbraços.

08/03/07
João Carlos
Agora que o Douglas já respondeu à Dani:
Eu vou acrescentar: "sinal dos tempos", sem dúvida. Mas não de um "fim do mundo" catastrófico, um Apocalispse. A segunda metade do século XX foi vivida sob a iminência de uma catástrofe nuclear. Eu, que nasci na década de 1950, cresci sob o temor de que a Terra fosse arrasada por Bombas de Hidrogênio.Agora, estamos descobrindo a iminência de uma catástrofe ecológica. Esta, pelo menos, não depende de um maluco qualquer apertar um botão... Mas exige o nascimento de uma nova consciência de que a Terra é um organismo vivo e precisa de cuidados. Especialmente o componente humano que é coletivamente forte, mas individualmente fraco.Quem sabe, com esta nova ameaça iminente, as pessoas conseguem esquecer suas mesquinhas diferenças e se concentrar mais nas incontáveis semelhanças. Aí ficaria mais fácil para Oxalá nos enviar seu reino...

A Belinha
Olá Douglas! Li mtas e mtas páginas deste tópico, mas não consegui ler todos então me desculpe se te perguntar algo que vc já respondeu... Sou completamente fascinada pela Umbanda, pelo candomblé e por tudo que vem do continente-Mãe Africa... em um post lááá´atrás, vc descreveu seguinte: 1. Oxalá/Oiá - fé (essência cristalina)5. Ogum/Iansã - lei (essência aérea)Se entendi, vc colocou Oyá e Iansã como sendo orixás diferentes entre si... sempre achei que eram os mesmos... Outra dúvida é sobre os Orixás que nos acompanham... nos búzios, já me disseram que eu era filha de Oxum... uma Babalorixá me disse que, pela data do meu nascimento (05/08), eu era filha de Iemanjá e outro babalorixá (na verdade o caboclo que estava se manifestando através dele), me disse que eu era filha de Iansã (já me identificaram tb como filha de Oxum-Apará)... Apesar de me agradar muito, muito o fato de ser filha dessas três LINDAS e MARAVILHOSAS Orixás (hahahhaha), eu queria mto saber direito como funciona isso... sei que existem outros orixás, além dos de cabeça e tal... Axé!

09/03/07
A Belinha
Aaahhh... só mais duas perguntinhas (hahahah)... sei que o vodu sofre ainda mais de pré-conceitos do que a Umbanda e o candomblé, provavelmente pela tão divulgada boneca de vodu que se espetam agulhas e tal... vc teria mais informações sobre as práticas reais do vodu, para que possamos ir além desta imagem estigmatizada que temos? E também em relação à Quimbanda... Obrigada!! :)Axé no coração!

22/03/07
Douglas
Belinha
Mais uma vez peço desculpas pela imensa demora para responder às questões. Tive problemas sérios com o computador, o que me impediu de responder antes.Quanto à questão entre Iansão e Oyá, eu acredito (e essa é uma visão muito minha), é que se tratam do mesmo Orixá, mas se manifestando com qualidades, algumas características diferentes.Já quanto à dos seus Orixás de cabeça, o que tenho a dizer é que sempre achei mais confiável o jogo de búzios para confirmá-los. Data de nascimento nem pensar. Quanto a um guia falar, pode até ser que ele acerte, mas temos que ver se esse é um guia (e o respectivo médium também) confiável e que mereça todo esse crédito. Mas ainda prefiro o jogo de búzios, que de preferência deve ser confirmado.Sobre vodu e quimbanda já falamos um pouco aqui, inclusive em tópicos não tão antigos. Infelizmente essa imagem hollywoodiana que passaram do vodu não corresponde à realidade. Essa religião é em muitos aspectos parecida com o Candomblé, inclusive no qu diz respeito ao culto a determinados Orixás.A Quimbanda também é grande vítima de preconceito. Muita gente se utiliza desse termo para denominar as práticas espirituais escusas, quase sempre movidas a interesses mesquinhos. Mas na realidade a Quimbanda funciona como um ponto de equilíbrio da Umbanda (não devemos esquecer que em tudo existe a dualidade). A utilização de espíritos pouco ou nada esclarecidos, quiumbas, para atingir seus objetivos não deve ser confundido com a Quimbanda.Abraços.

25/07/07
César Ivan
sobre energia
Douglas,sou libertário espiritualmente.Tu me pareces "aberto" para responder-me. Sabemos que materia é energia. Nós, que acreditamos no "espírito", também podemos sem receio concebe-lo como tal (energia). Você acredita que haja uma relação existente entra a energia constitutiva de espíritos capazes de "baixar" para manifestarem-se, e aqueles cuja mensagem se dá de forma subliminar, pelos acontecimentos do dia-a dia? o que quero dizer é se vc compartilha do entendimento d que os espíritos mais pesados energéticamente estão mais ligados a terra, inclusive pelo apego aos hábitos terrenos, e outros (antiquíssimos como Iemanjá) que "não baixa mais" seriam mais leves e desgregados destes hábitos?

31/07/07
João Carlos
Já que o Douglas parece estar impedido, por algum motivo, de continuar, eu assumo:(Depois ele corrige o que achar que deve. É só para ressuscitar o tópico, Ok, Ponderador?...)Cesar: Entendo o que você quer dizer. Só que a "natureza" da energia espiritual não é reconhecível pela atual tecnologia. Então, eu prefiro não associar o espiritual ao "científico" e evitar aproveitar a dualidade "matéria/energia" (a velha E=mc² de Einstein).Certamente as "faixas vibratórias" das Entidades de Umbanda estão mais próximas das nossas, neste plano de existência, do que os Orixás. Tanto que nem em Candomblé se considera que o que "incorpora" seja o próprio Orixá, mas, sim, um "mensageiro" dele. Na Umbanda, esses mensageiros são conhecidos como "Falangeiros" e são espíritos mais humanos. Mas Iemanjá (minha Mãe) "incorpora" ainda, sim... Pelo menos o "Falangeiro" dela incorpora neste que vos fala. Tanto em Umbanda, como no Candomblé, se considera impossível que um ser humano possa "incorporar" diretamente um Orixá: seria ligar a TV de 110V na linha de Alta Tensão...

01/08/07
Anne ¨_¨
pergunta para Douglas
existe uma idade certa para entrar na ubanda? existe auguma forma(texte) para sabermos se estamos sendo usados por um falso "cavalo" ou falsa "entidade"? existe dentro da ubanda meios de se punir uma pessoa que usou com leviandade seus conhecimentos ?

02/08/07
Julia
... me metendo
Cheguei agora e fiquei na duvida se só o douglas pode responder.. e assim? (se for, eu prometo ficar quietinha daqui pra frente)Anne, "falsos" existem em tudo na nossa vida. Na umbanda a coisa não poderia ser diferente, por isso é sempre bom você buscar um templo (terreiro, casa, centro) que você conheça a indole do zelador e confie no que lá acontece. Cavalo, burro, aparelho são nomes dados a quem incorpora... existiria um falso cavalo?! O cavalo pode NÃO estar incorporado e estar dando consulta, ai seria uma falsa entidade?! ou você diz falsa entidade aquela que diz ser uma coisa e é outra? (criei mais duvidas, ne!?)

02/08/07
João Carlos
Anne:Se você quer saber se existe gente que finge: tem sim... tem um monte!Se existem maneiras de verificar se a pessoa está fingindo? Sim. Diversas.Se quem finge pode ser punido? Sempre.Se o espírito pode estar fingindo ser outro? Também pode. E também há maneiras de verificar isso. Se esse espírito "fingido" pode ser punido? Pode, mas não por nós, encarnados...

18/08/07
Anne ¨_¨
mas
e a idade tem uma minima pra entrar em uma seara?

25 abr
Douglas
Retomando o tópico...Não existe uma idade idade pré-definida. A mediunidade pode aflorar desde a tenra infância, até uma idade mais avançada. Não existe uma regra que defina com qual idade se deva iniciar os trabalhos de desenvolvimento. Mas claro que o bom senso sempre deve ser levado em conta, talvez nem tanto quanto à questão etária, mas principalmente em relação à maturidade da pessoa em questão.




Um comentário:

Márcia disse...
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